Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

BRASILIA, ONDE SONHAR É OBSESSÃO

 

Foto: Fábio Colombini, do Santuário D. Bosco, em Brasília. 

 

 SONHO DE DOM BOSCO

 Silvestre Gorgulho (*)

 

 Brasília tem força e magia

No bojo de sua história.

Antes de ser concebida

Já era cantada em glória

Por leis e também por sonhos

Antes mesmo da vitória!

 

A Capital era a meta

De um povo sonhador

E de um grande profeta

Que lá de longe, em Turim,

Qual um toque de clarim

Ecoou à terra inteira

Que no Planalto Central

Seria uma cidade erguida

Para ser a Capital

Desta nação brasileira.

 

E o santo construtor

Ganhou dois grandes presentes

Além de uma bela Ermida

Um Santuário de luz

A espargir energia

Pelos vitrais furta-cor

Mística que irradia

Mistérios que nos conduz.

Brasília é como uma flor

Que germinou no Cerrado

Bem em forma de cruz.

 

 

Meta síntese da campanha

De JK Presidente

Brasília é como um farol

De brilho iridescente

Redescobriu o Brasil

E num país continente

Ocupou o interior

E a alma de sua gente.

 

Minha prosa é oração

Uma mensagem sentida

Guarde-a no coração

E faça dela guarida

Pois um sonho realizado

É graça que vem do céu

Para abençoar a vida

Nesta Terra Prometida

Que vê jorrar leite e mel.

 

 

 

CIDADE simples, magnânima e instigante

Brasília é o sonho impossível da utopia da cidade ideal. É o sonho real onde o sonhar continua sendo uma obsessão. É sonho, é história e a mais ousada obra do povo brasileiro.

A primeira idéia veio do Patrono do jornalismo, Hipólito José da Costa, fundador do Correio Braziliense, que na edição de setembro de 1818 defendeu a Capital “no centro do País”.

A primeira proposta veio do Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva, que plantou na Constituinte de 1823 que a capital fosse “no Planalto Central” e “se chamasse Brasília”.  

A primeira decisão foi de Juscelino Kubitschek, reunindo a Nação em torno de um sonho, “uma meta síntese”.

O primeiro risco foi de Lúcio Costa, criando a cidade “como quem traça o sinal da Cruz”.

A primeira coluna foi de Oscar Niemeyer, desenhando curvas para sustentarem a beleza e o futuro.

Brasília, desde o início, foi fonte de discussões e debates. Até hoje é tema de pesquisas, artigos, livros e ensaios.  É a primeira capital de um País que nasceu fotografada e filmada. Participar e ser cúmplice dos primeiros 50 anos de Brasília é um privilégio instigante que inspira pesquisadores em todas as áreas do conhecimento.

Brasília é laboratório vivo de urbs e civitas que cresce com todos os desafios arquitetônicos, sociais, urbanísticos e culturais. A cidade se revela como utopia e desejo. Dialoga com o País e com o mundo sem perder de vista todas as ações vanguardistas de cada aldeia, de cada Estado e de cada continente.

Brasília é assim: simples, magnânima e instigante. Uma cidade que se reinventa a cada traço, que se entrega a cada novo personagem que acolhe e que se surpreende a cada manhã.

Brasília é o sonho impossível da utopia da cidade ideal. É o sonho real onde o sonhar continua sendo uma obsessão.

 

(*) Silvestre Gorgulho é jornalista e ex-Secretário de Estado de

Cultura do Distrito Federal