Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

MEU PEDIDO DE NATAL

 

    Quando o Natal merece uma reflexão

    O melhor enfeite de Natal é o sorriso de estar bem.
    Outro belo enfeite é o abraço da família, o encontro com os amigos e o telefonema inesperado de um amigo ou amiga que - quem sabe, por algum motivo qualquer ou circunstâncias da vida - a Amizade foi sendo escanteada no tempo.
    O Natal não é data, pois até mesmo não se sabe o dia em que Jesus nasceu. O 25 de dezembro foi convencionado. Houve um acerto de datas para se chegar ao 25 de dezembro.
    As narrativas sobre o nascimento de Jesus foram feitas três ou quatro gerações depois, quando as informações históricas e os testemunhos diretos já estavam perdidos. Estudou-se o Recenseamento exigido por Roma, os personagens históricos da época e, sobretudo, a ideia de se fazer uma festa para contrapor à principal festa religiosa dos romanos, do Sol Invencível, que se dava na noite do dia 24 de dezembro, quando os romanos celebravam o solstício de inverno.

    Pois bem, controvérsias a parte, o 25 de dezembro não é data. É estado de espírito.
    E quantas pessoas estão aí numa pior? Quantas pessoas precisam de um abraço que não chega?
    Não há quem não tenha esperança de encontrar conforto e carinho. Não há quem não gostaria de colocar os sapatos na janela para um presente útil ou inútil que não vai chegar.
    Esta poesia é de um poeta mineiro de Ubá chamado Ascânio Lopes [*1906 - +1929]. Aos 22 anos, tuberculoso, Ascânio deixou sua desesperança num poema comovente:

    O NATAL DO TUBERCULOSO

    Eu pensei que Papai Noel passasse por aqui
    e pus na janela do quarto
    meus sapatos inúteis de doente que não mais andará.
    Depois rezei. Uma oração feita por mim,
    entrecortada pelo arfar do peito e pela tosse rouca.
    Pedi uma morte mansa suave
    o coração parando, sem aflição, sem dor.
    Lá fora os sinos da Missa do Galo
    acompanhando minha morte lenta.
    E aqui dentro ninguém... o silêncio... o descanso... o mistério...
    Mas Papai Noel passou sem nada me dar.
    achou decerto enormes meus sapatos...


    Quantas pessoas, meu Deus, colocam suas angústias, seus desencantos, suas tristezas, seus sofrimentos e suas lágrimas nos sapatos inúteis de doente na janela do quarto?
    E eu feliz - como, creio eu, o AMIGO E AMIGA do facebook também.
    Todos nós felizes entre a família e amigos, com os sapatos repletos de sorrisos e saúde, esperando ainda mais presentes e mais bênçãos de um bem viver.
    Não posso nunca reclamar da vida. Tudo, tudo que eu fizer para agradecer aos Céus, é pouco.
    Tempo de Natal é tempo também de dizer:
    - OBRIGADO, SENHOR!

    silvestre@gorgulho.com