Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

JK: Cidadão de Brasília ?

  

JK: O CIDADÃO FUNDADOR

Ainda é hora de dar ao Fundador de Brasília o título de Cidadão Honorário

Brasília, junho de 2015 

 

“Hoje acordei com saudades daquele menino
Que ao nascer Diamantina chamou Juscelino
Homem de pulso tão firme e de fala tão mansa
Um presidente candango de um povo esperança

Que saudades deixou JK
Peixe vivo no rio e no mar

(...)”
(Moacyr Franco – “Saudades de JK” – Seresta)

 

Silvestre Gorgulho

Recebi das mãos de Maria Estela Kubitschek Lopes, filha do presidente JK, uma carta que gostaria de compartilhar com os cidadãos brasilienses. A carta é de 7 de maio de 1968, escrita por Ernesto Silva para Juscelino Kubitschek de Oliveira. E a data de hoje, aniversário do ex-presidente, é muito oportuna para essas lembranças.

Há 113 anos nascia Juscelino Kubitschek de Oliveira, em Diamantina, Minas Gerais.

Há 59 anos, em 31 de de janeiro de 1956, o médico-tenente da Polícia Militar de Minas Gerais tomava posse como Presidente da República. E cumpria sua primeira promessa de campanha: em 18 de abril assinava a Mensagem de Anápolis, enviando ao Congresso Nacional o projeto de lei sobre a mudança da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília.

Há 57 anos, JK iniciava a construção da nova capital.

Há 55 anos o Presidente, depois de 1.112 dias de obras, inaugurava Brasília.

Há 47 anos, em 7 de maio de 1968, Ernesto Silva, presidente do Intituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, “sob o alto patrocínio do Correio Braziliense” concedeu a JK o título de Cidadão de Brasília.

Abraçadas nas comemorações do aniversário de JK, Diamantina e Brasília entram no túnel do tempo para bendizer e celebrar a história de um governante que mexeu com as entranhas geopolíticas do Brasil.

De Diamantina, o menino Juscelino pegou estradas, saltou montanhas, cruzou fronteiras, ganhou o mundo, garimpou estrelas para repousar sua história de vida e de estadista aqui no Eixo Monumental de Brasília.

Uma história rica em brasilidade e pioneirismo. Em coragem e magnanimidade. O  ex-Presidente JK foi um construtor de sonhos.

No poder, JK foi exemplo de empreendedorismo e de generosidade. Fora do poder, foi exemplo de luta pela Democracia. E, no exílio, foi um brasileiro que só pensava em Brasil, usando até seu prestígio internacional para exaltar sua pátria e trazer investimentos para seu país.

A construção de Brasília fez o Brasil colher um novo País do Centro-Oeste, do Cerrado e da Amazônia. Nos tempos de JK, o Brasil colheu efervescência cultural. O Brasil colheu a Primeira Copa do Mundo, colheu Bossa Nova e colheu alegria. O povo brasileiro colheu o sentimento de que é capaz de construir o que parece impossível.

JK plantou Democracia. E o Brasil colheu Paz!

O que há meio século era desconfiança da elite política e empresarial brasileira e crítica feroz da mídia do Rio e São Paulo, é hoje a unanimidade de um projeto que fez o Brasil se redescobrir.

No 12 de setembro, todo ano há uma explosão de alegria para comemorar o aniversário do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.

Diamantina faz sua maior festa para celebrar o nascimento de seu filho ilustre. Promove a Semana JK com encontro de serestas, sarau com o coral Arte Miúda, Vesperata, lançamentos de livros e a entrega solene da Medalha JK pelo governador do Estado de Minas.

Em Brasília, o Memorial JK promove a tradicional Missa de Aniversário de JK. E, para hoje, Anna Christina Kubitschek Pereira programou a Mostra “JK 111 ANOS - O REALIZADOR. Exposição Brasília, a Nova Capital”.

O Clube dos Pioneiros homenageia o ex-presidente com encontros e serestas.

Mas voltando ao dia 7 de maio de 1968.

Nesse dia, o então presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, Ernesto Silva, por sugestão do historiador e jornalista do CORREIO BRAZILIENSE, Adirson Vasconcelos, envia uma carta ao presidente JK comunicando-lhe que “o Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal decidiu conferir-lhe o título de CIDADÃO DE BRASÍLIA, cuja entrega terá lugar no dia 16 de maio de 1968, às 20h30, nos salões do Hotel Nacional”.

O mesmo ofício explica que é norma nos estados e municípios brasileiros, a concessão de tais títulos pelas respectivas assembléias estaduais e câmaras de Vereadores.  Mas em face da inexistência desses órgãos em Brasília, o Correio Braziliense sugere que o IHG-DF, uma instituição cultural consagrada, tomasse a iniciativa de conceder tal honraria.

O Correio Braziliense apoiou. O Instituto tomou a iniciativa. O povo aplaudiu. Mas o título não foi dado. Por quê. Talvez porque JK, na época, fosse proibido pelos militares de visitar sua criação. 1968 foi o ano negro do AI-5.

Quem sabe o povo candango pegue essa história na unha e, mesmo 39 anos depois da morte de JK, entrega ao maior presidente do Brasil de todos os tempos, o Título de Cidadão de Brasília.

Merecidamente!

silvestre@gorgulho.com