Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Lourival Novaes Dantas

Lourival Novaes Dantas chegou a Brasília na década de 60 e não perdeu tempo: em 68, fundava a Editora Gráfica Vera Cruz e, em 72, fundou a Editora Gráfica Ipiranga, transformando-a em uma das maiores do ramo no Centro-Oeste. Mas suas preocupações iam além dos negócios, pois Lourival esteve sempre preocupado em lutar peIo movimento sindical patronal, do qual é um dos fundadores, em Brasília. Além de ter sido presidente do Sindigraf (Indústrias Gráficas) e do Conselho Diretor da Abigraf, Lourival Dantas respondeu durante seis os pela vice-presidência da Federação das Indústrias de Brasília - Fibra,
da qual é presidente hoje. Abrindo a JANELA DA CORTE, neste domingo, Lourival fala da política de incentivo do DF, do Imposto Simplificado, de Reeleição, da Feira do Paraguai, onde, também, não nega, já foi fazer suas comprinhas.

1 – Duas coisas que mais o incomoda Brasília?
Os assentamentos irregulares e o desemprego.

2 – Brasília será sempre uma cidade administrativa, prestadora de serviço ou tem futuro industrial também?
Sem perder suas características de Centro Administrativo do País, Brasília só poderá resolver o desemprego com uma industrialização planejada e consciente.

3 – Dê duas estratégias para o correto desenvolvimento industrial de Brasília.
A primeira estratégia é o Plano de Desenvolvimento Industrial apresentado há pouco pelo governador Cristovam e que teve uma parceria efetiva da Fibra. A segunda é a responsável implantação deste Plano.

4– A Fibra é a entidade de classe mais forte e no DF. Mas a Fibra não vem perdendo espaço para outras entidades que estão sabendo usar melhor o marketing?
A Fibra não esteve e nem está preocupada em perder ou ganhar espaço. A nossa atuação, com eficiência, os objetivos que nos propusemos atingir.

5– As representações políticas do DF - Câmara Distrital e Congresso Nacional - estão sempre divididas entre duas categorias: os sindicalistas e os empresários. Isso significa mais corporativismo ou mais dinheiro nas campanhas?
Nem uma coisa nem outra! Isso significa apenas que esta havendo uma maior conscientização do setor produtivo da população. É perfeitamente natural, e até desejável, que esses segmentos busquem, através da política, as soluções para os problemas.

6 – E o Imposto Simplificado para pequenas e médias empresas lançado por FHC. Se estados e Municípios não aderirem tem perigo de não funcionar?
Esse imposto é de tal importância para a permanência e manutenção da “saúde” financeira das micro e pequenas empresas, que, creio eu, dificilmente um Estado do poderá não aderir ao programa.

7 – A implantação do Projeto do Imposto Simples vai, como se diz, diminuir a sonegação e aumentar a arrecadação?
Empresário nunca teve a intenção de sonegar imposto. Se alguns o fazem é por total impossibilidade de cumprir a legislação, que todo mundo sabe, é caótica e conflitante. Com o imposto simplificado, todos podarão pagar e aí é aquela história, todos pagando, paga-se menos.

8-O presidente da CNI já confessou que foi comprar na Feira do Paraguai. E o presidente da Fibra já foi?
Já.

9 - O fim da Feira do Paraguai vai trazer desemprego, como alega o GDF?
A solução a ser encontrada passará, necessariamente, pela formalização da Feira. Proibir seu funcionamento é uma solução simplista.

10 - Então a Fibra é a favor da Feira do Paraguai?
Não. Sou a favor de e que se encontre uma solução. O próprio Estado deve ajudar esses feirantes a sair da economia informal.

11 - A Fibra é uma entidade sempre alinhada com o Governo. Isso é bom para a classe empresarial?
Em muitas ocasiões a Fibra tem ido contra as soluções encontradas pelo GDF. Mas estamos trabalhando juntas. Governo e empresários buscam soluções que melhor atendam a comunidade.

12 – A classe sindical patronal é tímida, fisiologista, tem muito corporativismo intra-diretoria e é culpada pelos associados porque os dirigentes na maioria das vezes procura seus próprios interesses. Isso é pragmatismo sindical?
Não concordo com a premissa da pergunta.

13 - O que as entidades sindicais tem feito para enfrentar a globalização da economia?
Trabalhado intensamente em busca da qualidade e de maior produtividade. Precisamos – e trabalhamos com o Governo para isto – minimizar o chamado Custo Brasil, carga tributaria que inviabiliza qualquer intenção de concorrência internacional.

14 – Um nome que sabe fazer Brasília ser respeitada ?
A dobradinha Aloysio Campos da Paz e o Hospital Sarah Kubitschek

15 – O tema hoje é reeleição. Você é a favor da Reeleição de FHC?
Sou a favor. Esse é um projeto mais econômico do que político, pois está em jogo a estabilidade da moeda.

16 – Todo mundo sabe que o processo de sucessão na Fibra já foi deflagrado. Você é candidato à reeleição?
Tudo tem seu tempo. Ainda é cedo para saber.

1 7 – Qual o pecado capital de Brasília?
Exercer o fascínio de que, vindo para cá, se arruma emprego fácil, se arruma lote e se vive bem.

silvestre@gorgulho.com