Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

A farsa dos eliminadores de ar nos canos d´água

 

Silvestre Gorgulho, de Brasília  (25.novembro.2005)


A promessa dos fabricantes é tentadora: as contas de água são superfaturadas porque junto com a água vem muito ar e, assim, os hidrômetros rodam mais do que deviam. Solução, comprar e instalar um aparelhinho para eliminar o ar dos canos. Certo? Não, errado! A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal-Caesb resolveu tirar a prova dos nove. Após três meses de testes ininterruptos com "eliminadores de ar", a Caesb chegou a uma triste conclusão: esses equipamentos são ineficientes. Além de não cumprirem as promessas divulgadas pelos fabricantes, trazem prejuízos para os consumidores, como o custo de instalação, desperdício de água e até ocasionando problemas de contaminação, criando sérios riscos à saúde pública.Todos esses resultados foram apresentados, em Brasília, pelo presidente da Caesb, Fernando Leite. Mas estas conclusões foram o resultado de um grupo de trabalho que teve a participação de técnicos da Caesb, representantes do Ministério Público, Procon/DF e Associação de Empresas de Saneamento Básico Estaduais.

A instalação de eliminadores de ar nas redes da Caesb foi autorizada por duas leis distritais, de nºs 2977/02, de autoria dos deputados distritais Benício Tavares e Chico Floresta e 3557/05, do Executivo local. Em seu artigo 2º, a Lei 3557, estabelece que a Caesb deveria promover "certificação técnica da eficácia e eficiência de equipamentos relacionados à eliminação de ar ou bloqueador de ar".

Para cumprir a exigência legal foram convidados vários órgãos para participarem e acompanharem os ensaios técnicos: o Ministério Público, a Procuradoria de Defesa do Cidadão, a Promotoria de Justiça da Defesa da Saúde, Procon, Câmara Legislativa-DF, Sindicato dos Condomínios, Semarh, Adasa, Inmetro, Crea e Aesbe.

“Queríamos transparência total”, explicou o presidente da Caesb, Fernando Leite. “Os ensaios e os resultados eram acompanhados e conferidos por todos, porque buscamos uma apuração correta dos dados”, frisou.
Os testes foram realizados com três "eliminadores de ar", montados em três cavaletes, entre dois hidrômetros previamente aferidos, de mesma capacidade, modelo e marca. Os conjuntos foram submetidos às condições normais de abastecimento. Durante 30 dias, diariamente o volume de água era medido e registrado. Em um segundo momento, o conjunto de cavaletes foi reinstalado em redes de prédios da própria Caesb, registrando-se os dados, por dois meses. Nas duas situações os dados dos hidrômetros não apresentaram diferenças significativas, mostrando a ineficiência dos equipamentos.
Para aferir a possibilidade de contaminação da água nas redes da Caesb, a empresa simulou uma situação real e comum, quando os hidrômetros são instalados abaixo do nível do piso.

Como ocorrem com os hidrômetros, em caso de chuvas ou lavagem de pisos, os "eliminadores de ar" ficaram submersos em água, que misturada a um corante, demonstrou por meio de um tubo transparente, a passagem da água com corante para dentro das válvulas dos eliminadores e daí para a rede de água potável da Caesb, confirmando o risco de contaminação.

silvestre@gorgulho.com