Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

JOÃO DÓRIA E O BURACO DA FECHADURA

 

O deputado e publicitário JOÃO Agripino da Costa DORIA, pai, e o filho ainda criança.

 

JOÃO DORIA E O BURACO DA FECHADURA

 

Silvestre Gorgulho – Jornalista e ex-secretário de Cultura de Brasília

 

O homem é um animal político, ensinou Aristóteles. Chegou João Agripino da Costa Doria inverteu e aperfeiçoou o conceito aristotélico: político é um animal que usa o instinto, a memória, a criatividade e a vontade como meio de vida profissional e pessoal para ser vitorioso.
Acabo de ler a entrevista do filho de João Agripino da Costa Doria no Correio Braziliense (29/junho) e vejo que o prefeito de São Paulo, João Agripino da Costa Doria Junior, ou simplesmente João Dória, segue fielmente as pegadas do pai: chegou espiando devagarinho pelo buraco da fechadura e descobriu a América.
O pai do prefeito João Doria Junior – o ex-deputado federal João Dória, eleito pelo Partido Democrata Cristão (PDC) da Bahia, em 1962, – foi um consagrado e eficiente publicitário, marqueteiro, jornalista e empreendedor. E o filho apreendeu muito com o pai, revelando que traz seu DNA de inovação e marketing tanto nos seus empreendimentos comerciais como nas pretensões políticas que se abrem para o seu futuro.
Vale lembrar dois exemplos, um publicitário e outro político, na vida do deputado João Doria, o pai. Foi ele quem criou o Dia dos Namorados no Brasil, copiando o “Valentim Day” para ser celebrado em 12 de junho, véspera de Santo Antônio. A data vem desde 1949. Tinha o objetivo de incrementar o comércio nacional que estava numa fase terrível. E ele plantou a data com um slogan:

- "Não é só com beijos que se prova o amor”.

E também foi ele que, num rastro de talento, quase conseguiu empolgar a UDN para a candidatura de seu conterrâneo Juracy Magalhães à Presidência da Republica. Como? Simples: em 1960, o então governador da Bahia disputava a convenção da UDN com Jânio Quadros. João Doria, o pai, criou então um slogan arguto, que quase o levou à vitória sobre Jânio, o candidato paulista, que se serviu de uma vassoura para prometer varrer a corrupção no Brasil. O slogan era: 
-  “A UDN não precisa de vassoura. Juracy é limpo”.


E assim, seguindo os ensinamentos do pai, o prefeito João Doria abriu uma frente para ganhar a prefeitura de São Paulo no primeiro turno. Em seis meses revolucionou a gestão pública na maior cidade brasileira e incendiou o Brasil com a força de suas mensagens, todas elas debatidas na sua palestra aos empresários e políticos brasilienses e na entrevista estampada no Correio Braziliense, reforçando a ideia de que política não é uma ciência exata, mas uma arte. Mais ainda: uma arte nada desprezível onde é preciso deixar o osso para a oposição roer.

Pinceladas do pensamento de João Dória:


- A liderança participativa se faz pela boa comunicação.
- Empreendedor só é empreendedor na vida quando corre riscos.
- Quem quer vencer não tem preguiça, vai além.
- Candidatura à presidência? Adianta pouco nós desejarmos. Quem tem que desejar é o povo. É ele que elege.
- Sempre me perguntam: - Você é de direita? Você é de esquerda? Não sou de direita, nem de esquerda. Sou social-democrata, que é o princípio do meu partido. E sou brasileiro. Quero ser um bom gestor. As pessoas votaram em mim para ser um bom prefeito, não um bom político.
- A situação do Brasil é de agonia. O mais importante é defender o Brasil do que os valores partidários e o próprio presidente Temer.
- Sou contra programas assistencialistas. Não é com isso que se resolverá os problemas sociais do Brasil e sim com educação saúde e emprego.
- O Brasil vive uma recessão econômica nunca antes vivida na história deste país, graças a quem? Ao PT, ao governo Lula e ao governo Dilma, que deram de presente ao país recessão econômica e inflação.
- A política econômica deste governo está funcionando. Marcha lentamente, mas de maneira correta, no caminho certo. O ministro da Fazenda alinha a economia de maneira adequada.
- A Justiça não deve prender o ex-presidente Lula antes das eleições de 2018. Lula tem cinco indiciamentos, mas aprisioná-lo é criar claramente um mártir que tornará a crise política ainda mais aguda. A meu ver, Lula deve disputar a eleição e ser derrotado. Aí acaba o mito.
- Há um fator novo nessas eleições chamado Jair Bolsonaro. Você pode não gostar, você pode duvidar, você pode desprezar, você pode desqualificar. Mas ele tem força. Minha posição? Estou em outro campo.
- A patrulha petista nas redes sociais me estimula. Eu adoro contrariar um petista.
- Faço meu trabalho como prefeito por obrigação. Não faço com o objetivo de ser candidato ou de sustentar uma candidatura presidencial ou ao governo do estado.

 

E o prefeito João Dória continua traçando seu caminho fazendo-se acreditar no que ele próprio diz e faz. Coisa rara hoje na política. Parece que chegou a uma conclusão óbvia: o povo não quer mais entregar as chaves da governança aos velhos políticos, mas estão mesmo querendo trocar as fechaduras.
E, por falar em fechadura, volto à frase inicial: João Doria, que chegou espiando furtivamente pelo buraco da fechadura, pode descobrir o Brasil.