Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

EVARISTO DE OLIVEIRA: O PIONEIRO DO ANTES

  

 

EVARISTO de OLIVEIRA,

UM BRASILIENSE ANTES DE EXISTIR BRASÍLIA.

 

NA NOSSA MESA ESTÁ FALTANDO ELE. Evaristo de Oliveira era uma das pessoas que compunha nossa mesa de almoço nas sextas-feira para celebrar a vida e conversar sobre as questões relacionadas a Brasília. Na foto, da esquerda para a direita: Silvestre Gorgulho. Reco do Bandolim (presidene do Clube do Choro) EVARISTO DE OLIVEIRA, Paulo Castelo Branco, Carlos Magalhães da Silveira, Hélvia Paranaguá, Cláudio Gontijo, Austen Branco, Carlos Henrique Santos, Denise Rothenburg e Luiz Pitiman.

 

 

Silvestre Gorgulho – Brasília 23 de novembro de 2017

 

Brasília está triste. Muito triste.

Brasília e a mídia brasileira perderam na noite de quarta-feira, 22 de novembro, um empresário da comunicação que sempre primou pela serenidade, pela defesa da cidadania e pelos valores de um bem viver.  Criativo, guerreiro, solidário, magnânimo, Evaristo de Oliveira fazia de sua trincheira na vice-presidência do Correio Braziliense o seu altar de defesa do seu grupo editorial e do Distrito Federal.

Brasília aos 60 anos, a contar desde o início da construção, vem perdendo em todas as áreas pessoas referenciais que participaram da saga da transferência da Capital do litoral para o Planalto Central. Arquitetos, gestores, urbanistas, professores, políticos, empresários, advogados e candangos que ajudaram na construção de Brasília estão nos deixando. A grande maioria deles veio de fora. E todos se tornaram brasilienses de primeira e segunda hora.

Agora, Brasília perde um brasiliense e pioneiro que não veio de fora.

Nasceu aqui mesmo nas terras do cerrado e se fez brasiliense antes mesmo de existir brasiliense. Evaristo de Oliveira, que nos deixa com apenas 72 anos, costumava brincar com os amigos:

“Eu não vim para Brasília, Brasília é que veio prá mim”.

Nascido em Luziânia, aos 15 anos já participava da construção de Brasília. Sempre tranquilo, sereno e de um equilíbrio a toda prova, Evaristo deixa um legado de bom profissional da contabilidade, da comunicação e do empreendedorismo no Centro-Oeste.

 

Vice-presidente da Fundação Assis Chateaubriand e vice-presidente executivo do CORREIO BRAZILIENSE, jornal que nasceu no mesmo dia da nova capital do Brasil, em 21 de abril de 1960, Evaristo de Oliveira foi um eterno defensor do vigor político do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira e das 31 metas prometidas e cumpridas que fizeram de JK o maior presidente da República do Brasil.

Evaristo de Oliveira acompanhou a construção de Brasília desde o primeiro dia. Ainda em 1956, com apenas 11 anos, ele conta em detalhes como a população de Luziânia saía às ruas para aplaudir e ver entusiasmada as máquinas, caminhões, comboios e tratores que chegavam de Belo Horizonte e São Paulo para atravessar as ruas de sua cidade natal em direção ao canteiro de obras do Plano Piloto. “A meninada era uma euforia só. Nossos pais e tios viam aquele movimento como a redenção do Centro-Oeste. E o povo como uma grande oportunidade de trabalho”.

Aos 15 anos, Evaristo já vinha todos os dias trabalhar na construção da nova capital. Depois, integrado aos canteiros de obra, aqui estudou, aqui se formou e aqui constituiu família. Aqui trilhou, como profissional exemplar, todas as funções do Correio Braziliense.

Entrou no Correio em 17 de março de 1965, com apenas 20 anos. Em março de 2015, fez 50 anos de casa com direito a festa, bolo de parabéns e o reconhecimento de toda família dos Diários Associados. No dia da homenagem, a diretora de Redação, Ana Dubeux, primeira mulher a entrar no Condomínio dos Diários Associados, foi bem feliz no seu comentário: “Evaristo é testemunha e protagonista da História do jornal que faz parte da trajetória da cidade, pois o Correio nasceu no mesmo dia de Brasília”.

Evaristo de Oliveira, pelo seu trabalho, por sua história de vida pessoal e profissional e por sua permanente defesa da Memória de Brasília e do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira recebeu, em 12 de setembro último, dia do aniversário do Presidente, a MEDALHA JK, em seu grau máximo.

Um reconhecimento merecido. Foi, sim, a última homenagem em vida. Mas foi o coroamento de todas as outras medalhas, condecorações e prêmios que recebeu nos seus 72 de vida.

Brasília está muito triste, mas está agradecida e orgulhosa pelo legado que Evaristo de Oliveira deixa para nós brasilienses.

OBRIGADO, EVARISTO!

 

 silvestre@gorgulho.com