Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Virgínia Carneiro Pinto

A competência, a beleza e a determinação fizeram de Virgínia, a musa do Tênis, em Brasília. VIRGÍNIA CARNEIRO PINTO encanta à primeira vista: ágil, bonita, inteligente ela tem o equilíbrio exato da autoridade e da disciplina sem perder a docilidade e a meiguice. Quem não quiser aprender ou não pretende gostar de Tênis, é bom não se aproximar de Virgínia: sua paixão pelo esporte contagia e empolga. Conversando um pouquinho com seus alunos, qualquer um sente o seu valor. Ela sempre consegue o impossível. Até se infiltrar na vida de cada um deles, transformando-se em alguém mais importante e mais querida do que a simples e dedicada professora das técnicas do Tênis. Quem assistir algumas aulas suas, vai se impressionar por dois motivos: primeiro, porque ao tempo em que consegue ser técnica, ela é divertida e alegre. No final das aulas os alunos estão exaustos, pingando em suor, mas relaxados e felizes. O segundo motivo, bem, esse identifica muito bem quem é a professora Virgínia. É quando se vê uma mãe chegar perto dela e pedir: "Virgínia, converse mais com meu filho.
Dê uns conselhos. Ele te ouve tanto...te respeita mais do que a mim". Diretamente do Clube
Assefaz, do Servidores do Ministério da Fazenda, onde tem sua Escolinha de Tênis "Match Point", Virgínia Carneiro Pinto saca hoje na "Janela da Corte". Vale a pena bater uma bolinha com essa verdadeira musa do Tênis.

1 - Duas coisas que mais a incomodam em Brasília.
Apesar de ter melhorado muito, ainda falta de mais opções a nível cultural; e o desrespeito no trânsito, aliás, muito mal planejado.

2 - Duas coisas que mais lhe agradam em Brasília.
Primeiro, o Pôr-do-Sol, dos mais lindos que já vi; e, em segundo lugar, ainda é uma cidade com ótima qualidade de vida.

3 - Como nasceu esse caso de amor com o Tênis?
Comecei a jogar aos oito anos, mas quando me dei conta dos valores que andam juntos com o esporte (honestidade, elegância, paciência, individualidade) ai, sim, resolvi investir no Tênis. Estava investindo em mim e em poder passar esses valores para frente.

4 - Você morou 13 anos nos EUA e chegou a dar aula de Tênis em Nova York, onde treinou um time e ganhou páginas de jornais pelo sucesso. Por que voltar para o Brasil?
Senti necessidade em estar mais perto de minha família. Agora quero usar de meu entusiasmo para fazer com que mais gente, aqui de Brasília, se apaixone por este esporte.

5 - Na sua volta a Brasília, você encontrou a cidade melhor ou pior?
Eu voltava todo ano. Mas mesmo assim percebi que Brasília cresceu muito. E um crescimento descontrolado. Mas o crescimento também trouxe mais opções em termos de mercado e até de apresentações de filmes, acompanhando o ritmo das grandes cidades.

6 - Você dá aula para crianças e para os pais das crianças. Aprender o Tênis, quando jovem, é sempre uma boa. Mas como adulto, vale a pena?
É claro. Nunca é tarde para ficar saudável e para aprender a se divertir com algo que só depende de você e de apenas mais uma pessoa.

7 - O que o Tênis tem que os outros esportes não têm?
É um esporte individual, inteligente, elegante e precisa-se de muito pouco para praticá-lo. Além do mais é um esporte para a vida toda, meeeesmo. É difícil ver pessoas com 70 anos jogando basquete, vôlei ou futebol. E no Tênis existe até um circuito para eles. Não é maravilhoso?

8 - Os pais ficam encantados com sua relação com as crianças. Eles dizem que você consegue o que eles jamais conseguiriam em termos de obediência, disciplina e dedicação. Qual é o segredo?
O segredo é ter paciência. Não me esqueço que há bem pouco tempo estive no lugar deles. Passo a eles todo meu entusiasmo e tento fazê-los perceber que eles são capazes de melhorar com cada rebatida. Sou muito positiva e tento fazê-los sentir especiais.

9 - O que esse mundo do Tênis já lhe ensinou e que pode ensinar para quem pratica esse esporte?
Que o jogo só termina depois do último ponto ser jogado. Não desistir nunca. E não é assim fora da quadra, também?

10 - Diga o nome de cinco tenistas que, para você, foram (ou são) especiais. Dê um adjetivo para cada um deles.
Alan Meyers, meu técnico na Universidade: exigente. Bjorn Borg: excelência. Martina Navratilova: revolucionária. A tenista Suzana Silva: inspiradora. Billy Jean King: determinada.

11 - Existe uma idade ideal para começar a aprender jogar Tênis?
Varia de criança para criança, mas acho que só depende de cuidados do técnicos para perceber o desenvolvimento visual e motor de cada um. Eu diria que aos cinco anos a grande maioria já poderia começar a se divertir com o Tênis.

12 - Qual a grande lição que você passa para seus alunos?
Que o jogo é importante, mas mais importante é o aperto de mão no final da partida. Ganhando ou perdendo, você está agradecendo o adversário a chance que ele lhe deu para mostrar o que você sabe.

13 - Treze anos no exterior, a volta e o reconhecimento por ter feito um bom trabalho. Qual a sua ambição de vida?
Minha ambição? Ah, meu sonho é ter um local onde eu possa compartilhar o que eu aprendi. Um local florido, com muitas quadras e repleto de crianças, de gente tão entusiasmada quanto eu.

14 - Dê o nome de cinco brasileiros que você mais admira.
Meus pais, Guaracy e Benedito Fernandes Pinto, sem dúvida nenhuma, são de tirar o chapéu. Nuno Cobra teve grande influência na minha adolescência. Chico Buarque, um poeta. Suzana Silva, uma vencedora e que hoje faz excelente trabalho com crianças, em São Paulo, por nossa amizade.

15 - Qual o pecado capital de Brasília?
Não ter uma praínha mais perto...

silvestre@gorgulho.com