Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

A fonte jornalística

O que é uma fonte jornalística? É justamente onde nasce a informação. Uma fonte pode ser qualquer pessoa, documento, livro, organização ou entidade que produz uma informação e a repassa ao jornalista para que seja feita ou para que seja aprimorada uma notícia.

O jornalista tem vários objetivos ao procurar uma fonte: ele busca informes seguros para checar uma informação, busca dados para credenciar seu trabalho e busca detalhes para qualificar suas matérias.

E tudo isto com uma finalidade única: atender a demanda de informação de cada cidadão e da sociedade em geral, nos mais variados campos da atividade humana.

Não existe uma cadeira específica na universidade sobre fontes de informação e muito menos uma cadeira só para fonte jornalística em meio ambiente. E não conheço nenhum manual específico.

O porquê é simples.

A grande virtude para que um jornalista se torne um bom profissional de imprensa é o bom senso. Aliás, não só na atividade jornalística, mas em qualquer atividade o bom senso deve estar em primeiro lugar.

O bom senso, acrescido da experiência e da boa formação são os elementos seguros para um trabalho de excelência.

Do lado do jornalista: o tema pode ser meio ambiente, pode ser política, pode ser economia, pode ser polícia, pode ser educação ou esporte. O comportamento profissional e pessoal do jornalista com sua fonte vai ser igual. Muda apenas o assunto.

O que vai estar envolvido nesta relação é a confiança, a ética, troca de gentilezas, troca de informação, civilidade, exercício de poder e tanta coisa mais que só o discernimento de cada um vai impor os limites. Não dá para se fazer um manual de consciência profissional. É tudo questão de bom senso.

O mesmo se pode dizer em relação às fontes. O tema também pode ser qualquer um e o comportamento profissional e pessoal da fonte com o jornalista vai ser igual. Muda apenas o assunto.

Jornalistas e fontes têm suas responsabilidades.

E vale acrescentar um detalhe que considero muito importante: a responsabilidade do jornalista é muito maior do que a da fonte.

Por vários motivos: primeiro, porque na grande maioria das vezes as fontes gostam de ficar no anonimato e aí o jornalista que assina a matéria tem que bancar a informação. E no anonimato a fonte pode muito bem puxar a brasa para seus interesses profissionais ou pessoais. Pelo menos pode dar uma versão e usar de meias verdades que vão ajudar a ela, a seu grupo político, a sua empresa ou a sua instituição.

A fonte pode estar ressentida e usar suas informações – em ON ou em OFF – também apenas para denegrir ou tirar vantagens (seja moral ou financeira) na publicação da matéria. Veja bem como a situação é delicada. Mesmo ressentida, às vezes, é uma informação de grande interesse da sociedade e sua publicação é importante. Os exemplos são muitos, desde ex-mulheres que denunciaram, por ressentimento, as negociatas dos anões do orçamento (deputados da Comissão Mista do Orçamento que aprovaram emendas e tiraram proveito financeiro das empreiteiras) o caso PC Farias (governo Fernando Collor) até o caso dos fiscais do Rio de Janeiro (grupo de fiscais liderados por Silveirinha que chantageou empresas e depositaram milhões de dólares na Suíça).

Neste caso o jornalista é detetive e juiz de uma mesma peça.

Por isso, repito, a responsabilidade do jornalista – por ser coadjuvante e protagonista de uma mesma história – é muito mais importante do que a responsabilidade da fonte.

E mais: ele não trabalha só com dados e conceitos, mas com todos os significados para onde apontam os dados e os conceitos. Ao decodificar os dados, ao editar as imagens, o jornalista acaba por levar o leitor ou o telespectador a pensar como ele.

Outra coisa: todo mundo sabe que a informação produzida vai muito além do primeiro receptor. Dependendo do veículo, o efeito multiplicador é fenomenal.

De tudo que li, que tentei lembrar da minha experiência de 30 anos de jornalismo, resolvi resumir tudo sobre fonte e jornalista num DECÁLOGO.
A Bíblia é a Bíblia porque tem peças como o Decálogo: simples, didático e direto. Então nesta linha da simplicidade e da didática, dei uma de Moisés e escrevi os 10 mandamentos que devem nortear a relação entre o jornalista e sua fonte. Acabei gostando por achá-lo curto e grosso.

Os DEZ MANDAMENTOS que devem nortear a relação entre o jornalista e sua fonte

1 – Da responsabilidade – O jornalista é o grande instrumento para a nobre função de democratizar a informação. E a boa informação requer responsabilidade do profissional de imprensa e da fonte de informação.

2 – Da reciprocidade – Quanto mais o jornalista se mostra isento e competente, mais ele ganha a confiança da fonte; E quanto mais a fonte se mostra isenta e competente, mais ela ganha a confiança do jornalista.

3 – Do saber – Quanto mais complexo for o assunto, mais o jornalista deve se dedicar ao tema e mais paciente e didática deve se comportar sua fonte.

4 – Do bom entendimento – Tanto quanto a fonte de informação, o jornalista deve usar linguagem adequada, objetiva e clara.

5 – Do enquadramento – O jornalista e a fonte de informação devem compreender as limitações de tempo e de espaço dos meios de comunicação.

6 – Da humildade – Nem o jornalista em relação à fonte e nem a fonte em relação ao jornalista devem assumir atitudes de superioridade entre si e muito menos em relação ao leitor e espectador.

7 – Da excelência – O bom profissional de imprensa e a boa fonte buscam sempre material de suporte técnico como pesquisas, clipping, sites e artigos para a construção de uma reportagem perfeita.

8 – Do diga-me com quem andas... – Um jornalista isento, íntegro e criterioso terá sempre fontes também isentas, íntegras e criteriosas.

9 – Da abrangência – A diversidade de opinião e de fontes assegura a pluralidade da informação que é fundamental para a qualidade final da reportagem.

10 – Da Cidadania – O bom profissional de imprensa e a boa fonte devem seguir e obedecer sempre as duas linhas mestras que norteiam toda e qualquer atividade humana: a ética e a estética de suas ações.