Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Imprensa & Política & Governo

Senhor Secretário de Segurança, Cel José Olavo de Castro;
Senhoras e Senhores participantes do Seminário

A democratização da informação combate privilégios e impede os favoritismos

A Humanidade esta ao sabor de suas emoções e paixões políticas.Enquanto os governos de extrema direita proíbem a Imprensa de abordar idéias de esquerda e fatos que possam ser explorados pelos esquerdistas, os governos de extrema esquerda proíbem a divulgação das idéias de direita e do que pode ser explorado por direitistas.

Mas o interessante disso tudo é que ambos os lados proíbem os mesmos assuntos, sendo o segmento Segurança o carro-chefe de tais proibições: estatísticas de criminalidade, mortes, prisioneiros políticos, crianças abandonadas; mendicância; procedimentos judiciais de descontentamento nas Forças Armadas, epidemias, desastres, etc.

O Brasil saiu, há pouco, exatamente de uma dessas situações. Censurava-se de tudo. E em nome da Segurança Nacional.

Acontece que a inteligência consegue, mesmo debaixo de força, se fazer valer, dar o seu recado e criar opinião. Diz nas entrelinhas, ironiza no humo, desmistifica nas metáforas. E tudo isso acaba criando o clima de desconfiança. Os exemplos históricos, estão aí para comprovar que todo o esforço do Estado não foi suficiente para abafar que uma versão diferente da desejada fosse a predominante: Rio Centro, Ana Lídia, Mário Eugênio, epidemia de meningite em São Paulo...

O Estado é responsável pela ordem pública. E, no exercício dessa responsabilidade, os meios de comunicação social e os meios de segurança – Polícia Militar,Polícia de Transito, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros – têm um papel insubstituível de colaboração em relação ao Governo.

A Polícia foi, e será sempre uma inesgotável fonte geradora de fatos que devem ser noticia dos pela Imprensa. E a verdade é que polícia e imprensa são atividades secularmente levadas a uma coexistência, infelizmente, nem sempre pacífica. Apesar de ambas as funções – Polícia e Imprensa – estarem ligadas ao interesse comunitário, muitas vezes entram em competição e podem se atritar.

A Polícia tem a missão histórica de contrabalançar as pressões anti-sociais, dominando-as e controlando-as, de maneira a não perturbarem o fluir normal das ações da coletividade. Uma coletividade que ama, que sofre, que luta, que vibra, que protesta, que reivindica, que se expande e que se recolhe conforme a diástole e a sístole do grande organismo que é a vida da Humanidade.

A Imprensa exerce ação essencial na viabilização do moderno regime democrático representativa. Ela tem uma função social de alto significado. O jornal, o rádio e a TV, pela natureza da produção que geram – a notícia, a análise, o comentário e a crítica – têm função vital a desempenhar no fortalecimento de nossas instituições políticas, que desejamos democráticas e estáveis.

No cumprimento dessa humanitária missão, as lições da História são de que, na quase totalidade dos acontecimentos, a Imprensa tem sido a grande aliada da tarefa policial, enfatizando-lhe os feitos, realçando suas conquistas, sua perícia, e, sobretudo, apontando seus erros e seus excessos, que também existem, até porque a Polícia é obra de homens, e não de seres infalíveis.

Jornalistas e Policiais devem ser colaboradores, e não adversários. Assim é que os jornalistas querem e devem ser tratados, em seu relacionamento com os organismos policiais.

Colaboradores, e não adversários. E não pode ser de outra forma, tanto para a tranqüilidade de repórteres e policiais como em benefício da própria coletividade. O direito à informação é uma conquista democrática em benefício do interesse comum.

Colaboradores e não adversários, jornalista e policial devem crescer sob dois signos importantes: a procura incessante da verdade e a transmissão dessa verdade com isenção e sem partidarismo.

O Homem de Imprensa é, a um só tempo, arauto e sentinela da ação policial, buscando retratar e acompanhar uma atividade que muitas vezes transborda de seu próprio leito, em inundações de efeitos quase sempre trágicos.

Colaboradores, e nunca adversários. O Homem de Imprensa é também um dos aliados na luta que a Polícia tem travado contra a marginalidade. Até mesmo aquela marginalidade interna dentro das próprias fileiras, que toda instituição eventualmente enfrenta e tem de superar, para honra e brio de sua própria dignidade.

O Assessor de Imprensa, ou o núcleo de Comunicação Social é uma ponte entre estas duas dignas e importantes atividades: policial e jornalística. Ele também deve ser o colaborador amigo para que ambos cumpram bem sua missão.

A orientação do Governador José Aparecido de Oliveira é clara no sentido de dar a mais ampla divulgação, tanto no que diz respeito ao conteúdo da informação quanto à sua disseminação. E ele tem dado o exemplo. As reuniões e os encontros por mais delicados e mais importantes que sejam, se realizam com a livre participação da Imprensa. Não há como conduzir os negócios do Governo sem o máximo de conhecimento e acompanhamento por parte da comunidade. A democratização da informação combate privilégios e impede os favoritismos. Tudo o que acontece no Governo ou em torno do Governo é de interesse público.

Difícil é compreender a necessidade de sigilos transitórios ou, até mesmo, de sigilos definitivos. A operação do Estado é complexa. Ela se desenvolve sob tantas facetas e interessa de tal maneira à sociedade, que o próprio Estado tem o dever de zelar para que certas decisões não beneficiem uns em detrimento de outros, por um domínio antecipando da informação. Isso é típico na atividade econômico-financeira, quando uma simples antecipação de decisão governamental pode fazer milionários da noite para o dia.

Esta questão de sigilo é, talvez, um dos pontos mais delicados das relações entre Governo e Imprensa. Só o bom senso, e o discernimento,e a honestidade de propósitos podem produzir uma boa convivência nesta área. Sobretudo neste alvorecer de democracia e liberdade, não é fácil demonstrar que certas verdades devem ser guardadas e reveladas posteriormente.

No caso policial, é decisivo: a informação antecipada pode prejudicar os trabalhos de investigação e apuração dos fatos, bem como ofender a moral ou a honra de pessoas inocentes.

Como jornalista, estou convencido de que, para obter a credibilidade junto à opinião pública, para alcançar seu grau de eficiência, os jornais como empresas de prestação de serviços, não devem abdicar de sua independência e isenção. Independência inclusive para investigar. Um jornal que não investiga não conquista ou não mantém o respeito de seu público. Um jornal que silencia diante das evidências não tem autoridade para induzir seu leitor a mudar de atitude e comportamento. Os jornais têm que ser ativos, têm que ter vida.

O empresário deve reinar nesse triângulo: Policial – Assessor de Comunicação Social–Imprensa. Esse equilíbrio se compõe de profissionalismo, isenção e visão democrática da sociedade.

Faltando o equilíbrio, faltará a competência. E, sem competência, não estaríamos à altura de nossas funções no contexto da sociedade brasileira de hoje.

Caros companheiros, Caro Secretário:

Antevejo o sucesso deste Seminário, não só pelo valor dos profissionais de Comunicação aqui presentes, mas, sobretudo, pela disposição que todos temos de acertar e de fazer o melhor pela comunicação do Distrito Federal.

Cumprimento a todos profissionais dos vários segmentos da Secretaria de Segurança, na pessoa de seu dinâmico Secretário José Olavo de Castro, bem como os promotores desse oportuno encontro.

É com o debate e com a troca de idéias que aprimoramos nossa autocrítica. E assim, saberemos ser mais humildes na segurança do dever cumprido.