Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Ângelo Machado

Brasília, outubro de 1995

Por Silvestre Gorgulho

Na paixão pelos pequenos animais, na profundidade de sua imensa base científica e na simplicidade de uma vida dedicada ao conhecimento da natureza e na formação acadêmica de toda uma geração de alunos, está o professor Ângelo Barbosa Monteiro Machado.

Ângelo Machado nasceu em Belo Horizonte em 1934, fez graduação e doutorado em medicina pela UFMG, e pós-doutorado na Northwestern University, em Chicago-USA, é casado e tem quatro filhos. Sempre ligado à pesquisa, foi o responsável pela instalação da microscopia eletrônica no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade, e como professor da Escola de Medicina, participou, de maneira notável, dos colegiados de História Natural, Psicologia, Morfologia, Patologia, Anatomia, Entomologia, Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre. Aposentou-se, mas voltou como professor adjunto de zoologia na mesma Universidade.

Ângelo Machado é um ecologista atípico porque tem base científica sólida, não é afoito e nem de ocasião. Sempre esteve trabalhando em prol do conhecimento da natureza, antes do assunto entrar na moda. Depois da reunião de Estocolmo, em 1972, foi um dos acadêmicos que, por intermédio dos estudos que conduzia e sempre publicava, deu suporte e garantiram a mudança de posição do Brasil em relação à temática do meio ambiente e do desenvolvimento. Como consultor, membro de conselhos editoriais e conferencista o professor Ângelo Machado viajou pelo Brasil e exterior, proferindo palestras, participando de mais de 50 congressos científicos, de 11 expedições cientificas para coleta de material zoológico, sendo oito dessas, na região Amazônica.

Querido de seus alunos, foi sempre lembrado como paraninfo, patrono ou homenageado especial dos formandos de Medicina, Psicologia, Ciências Biológicas, Farmácia, Bioquímica ou Odontologia. Também foi homenageado por diversos pesquisadores na descrição de espécies novas de libélulas, borboletas, formigas, percevejos, besouros, pernilongos e até duas variedades de pererecas, a Amphibia alientia. Sua curiosidade em relação aos pequenos animais vem de sua infância, influenciado por seu pai. Virou uma paixão. Seu trabalho não coube mais nos limiteis da academia e junto com alguns amigos, criou a Fundação Biodiversitas, ONG dedicada à conservação da natureza.

Em seu primeiro trabalho de campo, em uma fazenda de propriedade privada, a nova entidade estudou, planejou e fez funcionar a primeira Reserva Particular de Patrimônio Natural, conceito novo que ensejou ao Ibama a regulamentação de mais essa unidade de conservação. Dentre as mais de 150 publicações que resultaram de seu trabalho intelectual, ressaltam-se: a literatura infantil de “O menino e o rio”, adaptado para o teatro em 1992, a aventura Amazônica de “O velho e a montanha” e a mensagem de educação ambiental em “A barba do velho da barba” e “Chapeuzinho vermelho e o lobo-guará”.

Por sua vida dedicada ao estudo e à pesquisa, por seu estilo silencioso e insistente, por sua participação em diversas entidades científicas e conservacionistas, por seu incansável trabalho de retaguarda, oferecendo os subsídios acadêmicos de que tanto carecem os ecologistas militantes, o professor Ângelo Machado é Gente do Meio e, por justiça recebe a homenagem da Folha do Meio Ambiente.