Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Daltro Noronha Barros

 Silvestre Gorgulho

Garimpando estrelas

Daltro Noronha Barros é um empresário de Brasília que entrou no livro dos récordes: produz o café mais caro do mundo. Perfeccionista e eclético, Daltro tem um mosaico de atividades. Comanda uma construtora, em Brasília, tem uma das mais belas pousadas do Brasil, a Pousada Casarão localizada em sua terra natal, Cristina-MG, acaba de inaugurar um Hotel Escola em São Lourenço e - veja onde ele chegou - tem uma fazenda também em Cristina [25km de São Lourenço] que produz o café que vale ouro. Sim, o café da fazenda do Dautro acaba de ser arrematado, num encontro da Brazil Specialty Coffee Association - Cup of Excellence 2004, na Costa do Sauípe, pelo Consórcio Brasil por nada menos de 2.857,50 dólares a saca. O que significa isso? Simples, se a saca tem 60 quilos, o quilo do café do Daltro custa R$116,00.

Não dá para falar do perfeccionismo do Daltro sem contar a história da fazenda dele, em Cristina, onde resgatou parte da História do Brasil. Lá, as primeiras sacas de café foram empilhadas, antes de 1800, por mãos de escravos comandados pelo dono as Sesmaria da Boa Vista, que era o português dos Açores Manuel Pereira de Mattos, casado com uma belíssima brasileira: Isabel Ignácia, neta de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera.

Só para mexer com a imaginação do leitor, vou falar da sutileza e do requinte da decoradora da Pousada Casarão. A delicadeza e o bom gosto estão estampados logo na parede da entrada. Quem recebe o visitante é o poeta Wilson Pereira, cujos versos a senhora Terezinha Marta Pereira Barros – esposa de Daltro - mandou transcrever sobre a escadaria, ao lado da recepção:


“O que eu tenho de Minas em mim, é um sonho de subir montanhas e garimpar estrelas”.

Pois Daltro Noronha Barros vive garimpando estrelas.

silvestre@gorgulho.com