Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Eurico Cabral de Oliveira

Silvestre Gorgulho

A sabedoria dos novos está em saber valorizar as conquistas dos velhos, dos pioneiros e dos desbravadores. Só se conquista plenamente o que se conhece plenamente. O esforço e a abnegação daqueles que dedicaram sua vida na busca do conhecimento, em desvendar a natureza e, sobretudo, no trabalho de se passar esses conhecimentos para as novas gerações, é sublime, pois esse é um legado fundamental para o progresso da ciência e o bem estar da humanidade.
Desde o Descobrimento, muitas caravelas e outras embarcações que cruzavam o Atlântico na direção dos Brasis, traziam aventureiros que vinham à procura do Eldorado, das novas riquezas então difundidas na Europa. Nos séculos 16, 17 e 18, era comum na Europa a expressão "fazer brasil" que significava vir ao novo mundo para um enriquecimento rápido, com a exploração de madeiras, da cana-de-açucar, do ouro e das pedras preciosas para, depois da acumulação retornar e viver uma vida abastada. Todos eles passavam por sobre outra riqueza, até hoje, praticamente inexplorada: a flora e a fauna marinhas da imensa costa brasileira.

Somente no século 19 começaram a ser descritas as espécies da flora marinha e das águas interiores, a ficologia, O pesquisador francês Antoine Lorrant Apollinee Fee, pesquisou no Brasil e deixou uma importante coleção de algas, fungos e liquens, – o Herbier Du Fee – que foi doada a D. Pedro II e hoje está no Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Mais recentemente, se retomou o estudo sistemático das algas com a formação de novos pesquisadores, graças à capacidade do pioneiríssimo dr. Aíthon Brando Joly, professor da USP. Falecido precocemente, sempre trabalhou com a dedicação dos vocacionados, abnegados e formou, pelo menos, cinco grandes pesquisadores em algas no Brasil, que, por sua vez, lideraram novos grupos: os professores Carlos Bicudo – especialista em algas de água doce – a professora Marilza Cordeiro Marino, o professor Luiz Rios de Moura Barbosa, a professora Yocie Yyoneshigue Valetin e o professor Eurico Cabral de Oliveira Mas, não esqueçam esse nome: professor Eurico Cabral de Oliveira, livre docente e professor titular do Instituto de Biociências da USP, que merece um destaque todo especial, entre seus colegas ficólogos.

O professor Eurico não ficou apenas na taxinomia – descrição e denominação das espécies –, iniciou várias linhas de pesquisa em ecologia, fisiologia, maricultura e ficologia aplicada. Abriu os caminhos para passarem seus pupilos, ministrando, desde 1964, Morfologia e Anatomia Vegetal, Taxinomia Vegetal, Criptógamas, Fisiologia e Ecologia Vegetal. Na pós-graduação ensina Taxinomia Avançada de Algas Marinhas, Biologia e Ecologia de Algas e o cultivo de Algas Marinhas na USP, na Unesp e na Universidade de Mar del Plata, na Argentina. Já orientou dezenas de estagiários, mestrados, oito doutorados e um pós-doutorado, no Brasil e no exterior. Fez seu pós-doutorado no País de Gales e foi pesquisador visitante do Atlantic Research Laboratory em Halifax, Canadá.

O dr. Eurico Cabral de Oliveira, participa de todos os organismos científicos internacionais importantes de sua área, é membro de Comitês Editoriais de publicações do Brasil, da Alemanha, do Canadá, da França, do Chile, da Argentina, do Uruguai, da Venezuela e de outros países. Sempre presente nas atividades mais importantes do país, quando o assunto são as algas. Tem participado da revisão de trabalhos e livros de pesquisadores estrangeiros e várias de suas publicações tem sido citadas em livros textos publicados no exterior.

Ultimamente, podem ser citadas como grandes realizações do dr. Eurico as seguintes iniciativas:

l. a formação do "Grupo de Pesquisadores de Algas" do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, sob a orientação da professora Yocie Yoneshigue Valetin, que recuperou o acervo histórico, desenvolvem diversos projetos e já dispõe de um Laboratório de Cultivo de Algas. O grupo é composto pela doutora Elizabeth M. Figueiredo Creed, pelo Doutor Gilberto Meneses Amado Filho e pela Mestre Renata Perpétuo Reis;

2. o memorial e as justificativas para criação do Parque Nacional de Abrolhos (mais importante formação de corais do Brasil), e da Reserva Biológica de Atol das Rocas (área de pouso de aves migratórias, próxima a Ilha de Fernando de Noronha);

3. a fundação da Sociedade Brasileira de Ficologia e da Revista Brasileira de Botânica;

4. a criação e o desenvolvimento de um grupo de trabalho de Ficotecnologia no IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo;

5. a atuação decisiva, como consultor técnico, para a criação e implantação da Cialgas, empresa comercial destinada à produção de mucilagens de algas, pela primeira vez no Brasil.

Por seu entusiasmo, descortino, desprendimento e por sua generosidade em dividir seus conhecimentos com os novos, dr. Eurico Cabral de Oliveira é Gente do Meio e recebe, com toda justiça, a homenagem da equipe da Folha do Meio Ambiente.