Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Fernando Fonseca

Silvestre Gorgulho

Um olhar sobre o Paranoá

Criado com o objetivo de equilibrar a umidade do ar, para recreação e paisagismo, o Lago Paranoá foi uma das primeiras obras da nova capital. As obras de represamento do rio Paranoá tiveram início em 1956, ficando concluídas em 59. Só em 1961 o Lago Paranoá abraçou toda cidade, alcançando a cota 1.000, formando um espelho d'água de mais de 40 km2. Mas Brasília cresceu e os problemas da cidade escorreram para o lago. Os aterros das margens e o forte assoreamento diminuiu em 2,3 km2 a superfície do lago.

É nessa luta pelo socorro do lago Paranoá que entra Fernando Fonseca, Diretor Geral do Instituto de Meio Ambiente do DF. Pernambucano, de Caruaru, com o pai de nome Severino, Fernando fez com a família, ao vivo e a cores, o caminho de Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto: deixaram o agreste para reencontrar a vida em Brasília, às margens do lago Paranoá.

Hoje tratores fazem aterros proibidos, 80% das casas do Lago Norte e 50% das casas do Lago Sul avançaram seus terrenos sobre as águas, muros e cercas foram construídas, o lixo que a população joga na rua (papel, lata, plástico e toco de cigarro) e até mesmo o esgoto clandestino continua chegando ao lago.

E Fernando Fonseca alerta: outras cidades brasileiras (como o Rio de Janeiro com sua poluidíssima lagoa Rodrigo de Freitas) sofrem com o mesmo desleixo da população e a mesma omissão das autoridades.

E qual a solução? Fonseca responde: -"Precisamos agir com rapidez. Urge normatizar o uso da orla do lago, aperfeiçoar a legislação, fazer o zoneamento da Área de Proteção Ambiental e, sobretudo, educar e conscientizar a população".