Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Therese von Behr - Aves do Cerrado no seu habitat

 Therese von Behr

BARONESA DAS ARTES

Silvestre Gorgulho    (Julho de 2004)
 

Therese von Behr ainda percorre parques e matas pintando as aves do Cerrado. Muitas vezes tem, como modelo, as fotos de livros dos ornitóologos Helmut Sick, Augusto Ruschi e Johan Dalgas Frisch.
Para Therese a vida é assim: luz, natureza, pincéis e ação. Agora espera um patrocinador para o seu livro das aves, onde os textos foram pesquisados pelo ornitólogo Paulo de Tarso Zuquim Antas e pelo seu filho - ecologista e poeta - Nikolaus von Behr
Therese von Behr é uma baronesa especial. Aliás, riquíssima! Tem 74 anos e mora em Brasília desde 1974. Ela vem de um caminhar distante. Nasceu numa fazenda de trigais dourados, em Vilna, na Lituânia. Seu DNA de nobreza tem uma outra característica marcante: é uma artista das aquarelas. Desde pequena admirava o trabalho de sua mãe, a condessa Anna de Rômer, uma aquarelista de primeira grandeza. Mas a vida não é como se pinta: a Segunda Guerra Mundial deu uma vira-volta, a família abandonou a fazenda de trigais dourados e se mandou para a Alemanha e depois para o Canadá. Lá Therese conheceu Anatol Baron von Behr, um jovem nascido na Estônia, por quem se apaixonou. Mas... sempre tem um mas para quem foge das guerras. Um dia o rapaz lhe trouxe uma notícia triste: "Gostei de você, mas estou me mudando do Canadá. Vou fazer minha vida nas fazendas do eldorado chamado Brasil". Anatol viajou e acabou em Diamantino, Mato Grosso. Durante dois anos se corresponderam por carta. Therese foi à luta. Contactou, no Canadá, os pais de seu enamorado, recebeu o consentimento de casamento e acertou sua vinda para o Brasil. Pegou um navio em Nova York - apenas ela e sete baús - e desceu em Santos. Ainda bem que a novela teve um final feliz: Anatol a esperava. Moraram na fazenda deles perto de Diamantino até o ano de 1968. Estão desde 1976 em Brasília. Therese von Behr só produziu muito para a natureza: além de seus três filhos (Nicholas, poeta e escritor, Miguel, escritor e biólogo, e Henrique, ilustrador, todos ambientalistas) a baronesa gerou as mais lindas aquarelas para bendizer a beleza da flora e da fauna do Brasil Central.
Do Cerrado captou as mais vivas cores para seus desenhos. Das flores do Centro-Oeste, há quatro anos, brotou o livro "Flora do Planalto Central do Brasil", com 80 gravuras.
Onde há flor, há árvore. Onde há árvore há fruto e onde há fruto há pássaros. E aí a seqüência foi inevitável. Veio a segunda produção artística de Therese von Behr: as aves do Cerrado. Com um detalhe importante, todas as aves pintadas em seu habitat. Bem assim: o sabiá-laranjeira ao lado da embaúba; o maracanã-de-cara-amarela num pé de buriti, o beija-flor- de-canto no pau santo, o bico-de-lacre na orquídea... São ao todo 65 aquarelas.
Therese é ou não é uma baronesa especial! Especial sim, mas e por que riquíssima? Simples, porque Therese von Behr fez de seus sete baús que trouxe do Canadá um mundo de sonhos e de realidade tropical. Hoje vive entre jóias. E jóias que ela mesma garimpa, lapida e tem o grato prazer de dar a cada brasileiro como um presente dos mais significativos. “As aves são as verdadeiras jóias da natureza”, costuma dizer o ornitólogo Johan Dalgas Frisch. São essas jóias que Therese tem sempre a altura de suas mãos e as usa como bem manda seu coração de nobreza e de artista.
João bobo
Nystalus chacuru
White-eared puffbird
S: Chacurú listado
Está calmamente descansando no galho de uma lobeira
Mede cerca de 18cm e é encontrado em todo o Brasil Central, partes do Nordeste e do Sudeste. Também no Paraguai, Argentina e Bolívia. Canto longo, frequente no pôr-do-sol e no amanhecer. Habita campos, cerrados e até cafezais. Pode ser visto pousado nos fios elétricos. Em Brasília, está em todas as áreas menos alteradas e no Parque Nacional de Brasília, Estação Ecológica das Águas Emendadas e no Jardim Botânico
 
Tico-tico
Zonotrichia capensis
Rufous-collared sparrow
S.Chingolo comum
No galho de uma quaresmeira
O popular tico-tico é estimado no Brasil de norte a sul. Mede cerca de l5cm e seu canto conquistou a simpatia do povo e, como varia de região a região, a estrofe do canto pode ser interpretada como: "Maria acorda,é dia!" ou "Jesus, meu Deus" (no Nordeste). Nas madrugadas, antes do clarear, pode emitir um canto diferente do que o do dia. Gosta das bordas da mata ciliar, chácaras e locais abertos com vegetação baixa densa.
 
Beija-flor-de-canto
Colibri serrirostris
White-vented Violetear
Colibri mediano
Busca o néctar das flores de um pau-santo
Mede cerca de 12 cm e ocorre em todo o Brasil ao sul da Amazônia até Argentina, Bolívia e Paraguai. Habita os cerrados no período de chuvas e com a chegada da seca passa a frequentar a borda das matas ciliares. Nesse período destaca-se pelo canto contínuo, durante virtualmente todo o dia. É um chamado alto, curto e agudo, composto por quatro notas, repetidas de forma contínua do clarear ao escurecer. As "orelhas" violeta são mais chamativas sob luz intensa do sol.
 
Sabiá-laranjeira
Turdus rufiventris
Rufous-belled thrush
Zorzal colorado
No galho de uma embaúba
Ave Nacional por decreto do presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o sabiá é um dos pássaros mais conhecidos do Sul e Sudeste brasileiros. Inconfundível pela intensa cor ferrugínea-laranja da barriga.Vive na mata, parques e quintais das casas, inclusive de cidades. É a ave mais cantada no cancioneiro popular brasileiro tantos pelos poetas como pelos compositores.
 
Asa branca
Columba picazuro
Picazuro pigeon
Picazuró
Pousada calmamente num ipê-roxo
Encontrada do Nordeste ao Rio Grande do Sul, além da Bolívia, Argentina e Paraguai. Mede 34cm. Comum no Campo, Caatinga e Cerrado. Nos últimos 30 anos adaptou-se a ambientes urbanos e colonizou cidades. Cria um filhote por postura e associa-se em bandos, realizando movimentos ainda pouco compreendidos. Além de sementes, gosta muito de comer a flor do ipê e cotiledones recém brotados.
 
Tesourinha
Tyrannus savana
Fork-tailed flycatcher
Tijereta
Pousada num ipê amarelo
A população do Centro-Oeste é migratória, chegando a partir de julho e desaparecendo em fevereiro, quando vai para o norte da América do Sul. A sua longa cauda é muito característica, bifurcada e razão de seu nome comum.Tamanho de até 40cm. Costuma pousar na vegetação baixa e nas árvores do Cerrado, alimentando-se de insetos em vôo e de pequenos frutos. Adapta-se bem a ambientes urbanizados. Antes da migração, procura os frutos da erva-de-passarinho, fonte principal da energia para o longo vôo em direção ao norte da Amazônia. Faz ninho em formato de chícara rasa.
 
Pintassilgo
Carduelis magellanicus
Hooded Siskin
Cabecitanegra Comum
Próximo a uma cigana, uma das flores mais típicas do Cerrado
Mede 11cm, sua distribuição é vasta na América do Sul, mas com poucas localidades ou áreas onde é encontrado. No Centro-Oeste, está nas chapadas matogrossenses e passa pelo Pantanal em sua migração desde o sul do continente até locais ainda a serem determinados. Por ter sido muito capturado no Brasil como pássaro de gaiola, sua distribuição atual pode representar a pressão histórica de captura. Vive nas bordas da mata secundária aberta e campos, em especial os que ocorrem sobre as serras. Também aparece, ocasionalmente, em quintais de chácaras. Alimenta-se de grãos e insetos.
 
Canário-da-terra
Sicalis flaveola
Saffron finch
Jilguero dorado
Num pé de araticum
Lembra o canário do reino. Ocorre no RS, MT, Argentina e Uruguai. Nos campos das partes altas do Distrito Federal ocorre um outro canário, Sicalis citrina, menor e de cores mais apagadas. O Canário-da-terra vive nas áreas campestres, especialmente no interior da caatinga, no Pantanal e no leste de Minas Gerais. Adapta-se às proximidades das residências rurais. Mede l3,5cm. Busca no solo as sementes e insetos para alimentar-se, nidificando em buracos e ocupando ninhos de outras aves, como o joão-de-barro. Nas proximidades do DF, é encontrado ao norte de Formosa, nas partes baixas desde Itiquira até o vão do Paranã.
 
silvestre@gorgulho.com