Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Lúcia Ribeiro do Valle Nogueira

Silvestre Gorgulho  (julho de 1995)

Paulo Nogueira Neto e Lúcia: o casamento que frutificou, multiplicando as ações por uma melhor qualidade de vida

Não há como falar em meio ambiente, no Brasil, sem lembrar o nome do professor Paulo Nogueira Neto. Bacharel em Direito (1945) e mais tarde bacharel e licenciado em História Natural (1959), sempre lúcido, equilibrado e muito respeitado, Paulo Nogueira Neto pode ser considerado o decano do movimento ambientalista do Brasil moderno.

Não há como falar da obra e do trabalho do professor Paulo Nogueira Neto sem lembrar o nome da pessoa que iluminou o seu caminho e deu sustentação à toda sua vida profissional: a professora Lúcia Ribeiro do Valle Nogueira.

Lúcia nasceu em São Paulo, no dia 18 de outubro de 1924. Formada em Pedagogia, usou sua inteligência e seus conhecimentos não para dar aula, mas para assessorar o marido, para ampliar suas ações e para ajudá-lo nas tarefas que lhe foram confiadas.

Quando, após a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo, em 1972, o governo brasileiro resolveu criar o primeiro embrião de um organismo federal para cuidar do meio ambiente, foi buscar Paulo Nogueira Neto para implantar e dirigir a Sema - Secretaria do Meio Ambiente, ligada ao Ministério do Interior. O então secretário foi enérgico o suficiente, conciliador ao extremo e humilde o bastante para levar adiante a sua difícil missão. E levou. Em toda esta trajetória, tinha uma companheira dedicada É ele quem diz: “Lúcia me ajudou muitíssimo na luta por um meio ambiente melhor.”

Lúcia foi revisora atenta dos livros que Paulo publicou: “O Comportamento Animal e as Raízes do Comportamento Humano”; “A Criação de Animais Indígenas Vertebrados”, “Animais Alienígenas, Gado Tropical e Áreas Naturais”. Ultimamente, ao tempo em que organizava as correspondências, conferências e viagens de Paulo Nogueira Neto, Lúcia revisava o livro “A Criação de Abelhas Indígenas sem Ferrão”, que vai para a terceira edição.

O trabalho de Paulo Nogueira Neto foi coroado com sua inclusão (o único latino-americano), na importante Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento, designada pela ONU sob a presidência da 1ª Ministrada Dinamarca, Gro Brundtland que resultou no livro "O Nosso Futuro Comum".

A comissão preparou a 2ª Conferência da ONU, realizada em 1992 no Rio de Janeiro, e consolidou a nova posição do Brasil sobre o tema Meio Ambiente.

Não há como apreciar a vitoriosa trajetória profissional de Paulo Nogueira Neto sem admirar a valiosa colaboração e dedicada assessoria de Lúcia Ribeiro do Valle Nogueira. Era um anjo a estimular, proteger e a dar força para que Paulo fosse sempre o mestre da boa relação com as plantas, com os animais e com os homens.

Lúcia se foi. Deixou um trabalho anônimo, mas valioso. E quis o destino que Lúcia recebesse uma derradeira homenagem: ela faleceu no dia 5 de junho de 1995, uma data que jamais será esquecida, por ser o Dia Mundial do Meio Ambiente. Lúcia, Anjo Azul de Paulo Nogueira Neto, é Gente do Meio que recebe, por justiça, a homenagem da equipe da Folha do Meio Ambiente. 

silvestre@gorgulho.com