Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Maria Stella Libânio Christo

Silvestre Gorgulho

Betto bom de mãe

Maria Stella Libânio Christo é uma mulher muito especial. É patrimônio da mineiridade. Mãe de oito filhos, seis homens e duas meninas, ela vive em Belo Horizonte aos 85 anos. Colecionadora de antigos cadernos de receitas (um deles de 1876) que, por sinal, foram expostos numa Mostra sobre os 500 anos do Descobrimento, Maria Stella escreveu sete livros maravilhosos: Fogão de Lenha, Quentes e Frios, Cozinha Popular, Fogãozinho (para crianças), Minas de Forno e Fogão (para datas especiais como Dia das Mães e tem até receitas para velórios), Hora do Lanche e Cores e Sabores de Minas Gerais.

O primeiro livro, Fogão de Lenha (Editora Vozes, 1977, está na 13a edição) é recheado de cultura, poesia, segredos e até receitas que ela conseguiu no Arquivo Público datadas de 9 de maio de 1787.
O prefácio do livro é do então governador de Minas, Aureliano Chaves e as duas páginas de incentivo à autora podem ser resumidas em poucas palavras: “O livro de Maria Stella é um tributo de amor e paz”.

A apresentação é uma conversa de espera de Abílio Machado: “... O mineiro é um libertário quieto. Gosta do espaço interior e do tempo sem relógio. (...) O livro de Maria Stella é bem isso: a casa da gente”.

A verdade é que Fogão de Lenha é uma relíquia. Quem tem, se considera um felizardo e o guarda com o maior carinho. Mesmo porque o livro tem pitadas de sal, abecê de cozinha, pimenta, pensamentos, desenhos de Debret, segredos de cozinha, poesias e até do que mais gostavam 41 personagens importantes de nossa história como Machado de Assis, D. Pedro II, Rui Barbosa, Guimarães Rosa, Lacerda, Procópio Ferreira, Carlos Drummond.
Só como tira-gosto, vão aqui duas frases do livro: a primeira, da própria autora dizendo o por quê da obra:

“Comida mineira é a alma de nosso agasalho. É o elo da família em torno da mesa. É saudade e descontraimento, é lembrança de infância. Esperança. Eterna esperança. Humilde e sagrada páscoa das grandes esperanças”.

O segundo tira-gosto é de Renato Barros (1953):

“Rosca, broínha e pão de queijo
São tão gostosos
Quanto da moça o beijo”.

O feitiço da culinária de D. Maria Stella Libânio Christo atingiu em cheio muita gente boa. O ex-presidente Jânio Quadros, por exemplo, que foi ao lançamento de seu livro, experimentou seus quitutes, lhe enviou bilhetes “apaixonados”. E o Comandante Fidel Castro, que se encantou pelos doces quando de uma visita que ela fez a Cuba, chegou até a encomendar um pote de ambrosia.

Ahhhh! Ía me esquecendo de dizer. O Frei Betto, Assessor Especial e confidente do Presidente Lula no Palácio do Planalto, com seus textos maravilhosos, tem mesmo por quem puxar. Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, é filho de D. Maria Stella.