Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Mário Quintana

O Brasil comemora em 30 de julho, o centenário de nascimento do poeta, tradutor e jornalista Mário de Miranda Quintana.(*30/07/1906– +05/05/1994). É ele próprio quem diz: “Nasci em Alegrete/RS, no rigor do inverno! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura”.
Na década de 40, Quintana é muito elogiado pelos maiores intelectuais brasileiros e recebe até indicação para a Academia Brasileira de Letras. Convite que nunca se concretizou. Sobre o fato, com bom humor, ele faz o Poeminha do Contra:

Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho,
eles passarão...
eu passarinho

Mais Mário Quintana:
Quem não compreende um olhar,
tampouco compreenderá uma
longa explicação.

Esta vida é uma estranha hospedaria,
De onde se parte quase sempre às tontas,
Pois nunca as nossas malas estão prontas,
E a nossa conta nunca está em dia.

O segredo é não correr atrás das borboletas...
É cuidar do jardim para que
elas venham até você

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BILHETE

Se tu me amas,
ama-me baixinho.
Não o grites de cima
dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho,
Amada,
que a vida é breve,
e o amor
mais breve ainda...

A VIDA
Não faças da tua vida um rascunho.
Poderás não ter tempo de passá-la a limpo.

BIOGRAFIA
Era um grande nome - ora que dúvida!
Uma verdadeira glória.
Um dia adoeceu, morreu, virou rua...
E continuaram a pisar em cima dele.

AMOR
Quando duas pessoas fazem amor
Não estão apenas fazendo amor
Estão dando corda ao relógio do mundo

O TEMPO

A vida é o dever que nós trouxemos
para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é Natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo
caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e
diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que
gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado
por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que,
infelizmente, nunca mais voltará.