Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Nair Xavier

Brasília, dezembro de 2003

Por Silvestre Gorgulho

Nair Xavier fez da defesa do setor turismo um meio de vida. Como deputada eleita pelo PMDB de Goiás na legislatura passada, Nair lutou pelas questões relacionadas com o turismo e chegou a ocupar a presidência da Frente Parlamentar do Turismo, na Câmara Federal, que contava com 295 parlamentares. Tanto lutou pelo turismo em todas as frentes que acabou, no Governo Lula, indicada para a Diretoria de Marketing da Embratur, onde cumpre várias missões:

Primeiro: usar seu prestígio de ex-parlamentar para influenciar deputados e senadores da atual legislatura para atender as principais reivindicações do setor turístico.

Segundo: lutar pela aprovação de emendas ao Orçamento de 2004 que possam aumentar o orçamento do Ministério do Turismo. E essa não é uma luta pequena: de R$ 230 milhões, o turismo pretende saltar para a casa dos R$ 800 milhões, aprovando R$ 585 milhões em emendas.

Terceiro: buscar a valorização do setor dentro do Brasil, atrair os turistas do Mercosul, especialmente os argentinos, e lançar o produto Brasil para europeus e norte-americanos.

Nair Xavier, o brasileiro sabe receber os turistas?
Nair - Sabe e não sabe. Aqueles que de fato entenderam a importância do turismo, a importância do que é receber bem, a importância de ter o turista de volta acompanhado de muitos amigos, todos esses sabem receber bem os turistas. Agora aqueles que não encantam os turistas e ainda costumam explorar o turista e não o turismo, esses – que são muitos por aí – não entenderam e, definitivamente, nem sabem o valor econômico e social do negócio chamado turismo. Não sabem também receber bem.

Qual é o maior potencial do Brasil: ecoturismo, turismo de negócios ou turismo cultural?
Nair – Todos os três são importantíssimos e todos eles agregam valor ao produto turístico. São três nichos que podem muito bem se entrelaçarem. A diversificação do produto significa sempre novos mercados. O turista vem para uma convenção, com sua família ou não, e pode muito bem estender seus dias de descanso para visitar uma reserva ecológica, comprar artesanato, ir para uma praia ou mesmo conhecer patrimônios culturais. Dentro do ecoturismo temos ainda o turismo rural que está tendo uma avalancagem fantástica no Brasil. A diversificação bem feita também é a alma do negócio.

Três recomendações e três motivos de esperança para quem opera o setor de turismo?
Nair – Três recomendações: valorize as atrações naturais e culturais nos sítios turísticos; sempre procure agregar valor ao produto turístico; e estimule ao máximo o olhar do turista, preenchendo suas curiosidades.
Três esperanças: a criação de um Ministério só para o Turismo; vontade política do governo Lula em fazer do setor uma grande “fábrica” de empregos; e, finalmente, uma linha popular de crédito nos bancos para financiar viagens dentro do Brasil.

Um segredo para os receptivos?
Nair – Bem, acho que o segredo é conseguir fazer com que o turismo, como prática econômica, encontre sempre formas competentes, respeitosas, alegres e prazerosas de se inserir no cotidiano das comunidades receptivas. Num sítio turístico, onde seus habitantes são felizes, o visitante com certeza se sentirá bem e vai querer voltar.