Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Norman Borlaug

Silvestre Gorgulho

O mundo perdeu um grande cientista e o Brasil perdeu um grande incentivador. Morreu o cientista norte-americano Norman Borlaug, pai da chamada “revolução verde” que ganhou o prêmio Nobel da Paz por seu trabalho no combate à fome mundial e que salvou milhões de vidas. Norman Ernest Borlaug nasceu em Cresco, Iowa, em 25 de Março de 1914. Morreu em Dallas, Texas, sábado dia 12 de setembro.

 

Borlaug veio pela primeira vez ao Brasil na década de 70, a convite do então ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli. Ele visitou a Embrapa Cerrados com o ministro e o presidente Ernesto Geisel. Desde esta época ele passou a ter uma forte ligação com o Brasil. Tornou-se amigo pessoal de Paolinelli e do ex-presidente da Embrapa, Eliseu Alves. Era um grande incentivador das pesquisas da Embrapa, onde fez várias palestras e consultorias. Segundo o ex-ministro Alysson Paolinelli, Norman Borlaug deixou a marca da competência, da solidariedade e do otimismo revolucionando a agricultura. “Borlaug foi um grande amigo do Brasil e nos orientou em várias fases da implantação da Embrapa”, lembra Paolinelli. Norman Borlaug recebeu o Prêmio Nobel da Paz por ter ajudado o Paquistão, a Índia e outros países a melhorarem suas produções de alimentos. O apelido "Pai da Revolução Verde" foi lhe dado pela utilização de cultivares com maior potencial produtivo, contribuindo com suas pesquisas para o desenvolvimento mundial. Muitos especialistas creditam a ele a revolução verde que preveniu a fome global na segunda metade do século XX e salvou cerca de 1 bilhão de vidas.

Nobel da Agricultura
Em 1986, Borlaug criou o Prêmio Global de Alimentação, também chamado de Nobel da Agricultura. O prêmio é destinado a pessoas que tenham contribuído para melhorar a quantidade, a qualidade ou a disponibilidade de alimentos no mundo. Apenas dois brasileiros ganharam este prêmio. Foi em 2006. Os vencedores foram o ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, o ex-diretor técnico do Centro de Pesquisas do Embrapa, Edson Lobato.
Norman Borlaug costumava dizer que a verdadeira revolução verde foi feita pelo Brasil, mais precisamente pela Embrapa. “Tenho profunda admiração pelo trabalho do ex-ministro Alysson Paolinelli, que junto com outro cientista brasileiro, Eliseu Alves, deu força e colocou a Embrapa entre as melhores instituições de pesquisa do mundo”, afirmou Borlaug durante a entrega do Prêmio Global de Alimentação.
Também em recente entrevista a Larry Rohter, do New York Times, Borlaug voltou a citar a Embrapa: "Quando eu trabalhei na Índia, Paquistão e nos países do Oriente Próximo nos anos 60 e 70, ninguém podia imaginar que aqueles solos do cerrado brasileiro algum dia seriam produtivos. Mas a Embrapa foi capaz de montar todas as peças e fez a grande revolução verde moderna."