Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Parque Estadual de Terra Ronca

Silvestre Gorgulho, de Brasília

O Parque Estadual de Terra Ronca é uma região muito especial. Primeiro - daí a origem do nome - um lugar onde a terra ronca. Se o cavalo passa lá em cima, aqui embaixo é ouvido seu tropel, devido ao solo poroso da gruta. Mas as
explicações não ficam por aí. Para outros, a explicação é mais científica. O nome vem de estranhos ruídos causados por um fenômeno de encontro do ar frio, que vem do interior da gruta, com o ar quente de fora. O fato é que a terra ronca. Até o ruído do rio subterrâneo é forte e também deve ter ajudado a dar nome ao parque que está situado na região da Serra Geral, que separa Goiás da Bahia, no município de São Domingos-GO.

O Parque Estadual de Terra Ronca, destinado a proteger o patrimônio espeleológico, nascentes, rios interiores e cachoeiras, bem como a fauna, flora e a paisagem natural do mais expressivo conjunto de cavernas do Centro Oeste brasileiro, foi criado pela Lei nº 10.879, de 7 de julho de 1989. Para chegar ao parque, partindo de Brasília, deve-se tomar a BR-020 até Posse-GO, e dalí segue-se para a cidade goiana de Guarani, de onde toma-se a estrada para o povoado de São João. A entrada sul do parque está junto ao rio São Bernardo, próxima à caverna de Terra Ronca. A entrada norte fica na rodovia GO-108, a cerca de 10 km de São Domingos, no trevo com a GO-110, que vai para Iaciara, Nova Roma e Alto Paraíso.

A área de 57.018 hectares e os limites do parque foram estabelecidos pelo Decreto nº 4.700, de 21 de agosto de 1996. Até hoje os moradores permanecem dentro do parque, com criações de gado, porque as indenizações pela desapropriação ainda não foram integralmente pagas pelo governo de Goiás. Em sua volta foi criada, em 1996, a Área de Proteção Ambiental (APA da Serra Geral) sob responsabilidade da Agência Goiana do Meio Ambiente. Infelizmente, muitas carvoarias podem ser vistas na APA.
Gruta dividida - Para os ecoturistas que costumam freqüentar o Parque a entrada da gruta já impressiona: são 90 metros de altura. Conhecer a gruta Terra Ronca, explicam eles, é para quem não se importa com o escuro, nem de andar com as botas encharcadas, nem de nadar no meio de um rio submerso. "Há um trecho em que tivemos que nadar para atravessar o rio de um lado a outro da caverna, tudo, é claro, mas só com a luz da carbureteira", arrematou um visitante ao lado do guia.

Formada pela ação imemorial das águas do rio Lapa sobre o paredão calcáreo, a caverna sofreu, há milhares de anos, um desabamento, que causou sua divisão em duas partes. A primeira, com cerca de 750 m de extensão, pode ser visitada com facilidade. A segunda parte exige um guia turístico. É chamada de Terra Ronca 2 ou Malhada, também de proporções gigantescas. Possui duas clarabóias, uma delas chamada "Buraco das Araras" e um imenso ambiente chamado "Salão dos Namorados", com imensas dunas subterrâneas atravessadas pelo rio. Os ambientes são ornamentados por ricos estalactítes e estalagmites.

Mais de 200 cavernas
São conhecidas mais de 200 carvernas na região. As principais são a Angélica, São Bernardo, São Mateus e a de São Vicente, que podem ser visitadas por turistas devidamente acompanhados por guias locais. Todas as cavernas emprestam o nome dos rios que as formam. São rios que nascem nas veredas, ao pé da Serra Geral de Goiás, e correm em direção ao maciço calcáreo, perfurando a rocha (carste) criando cavernas e depois seguindo em direção aos grandes rios da bacia amazônica.
Vale a pena visitar esse patrimônio natural onde a terra ronca, as águas cantam e a natureza seduz.

Cuidados especiais: é fácil se perder nas cavernas,
por isso recomenda-se guias
especializados. Há infraestrutura simples
em São Domingos. Bom mesmo é
ficar nas pousadas do Povoado São João,
no coração do Parque

silvestre@gorgulho.com