Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Mercado da Solidariedade

Silvestre Gorgulho

Não há excesso na solidariedade. Já escrevemos muito sobre voluntariado, mas sempre é bom voltar ao tema. Até mesmo porque o Papa Bento XVI acaba de divulgar sua primeira Encíclica "Deus caritas est" onde trata do amor e da importância da ordem justa da sociedade e do Estado. Na verdade, também é muito bom constatar que a demanda pela busca de trabalhos solidários cresce dia-a-dia. E um exemplo concreto está bem pertinho de todos nós. Senão à altura de nossas mãos, pelo menos na altura de nossos olhos: a preservação do Costão do morro do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Ali, ecovoluntários vão juntando mais vida às já consagradas beleza e imponência do mais conhecido cartão postal do Brasil. São juízes, jornalistas, funcionários públicos, estudantes e empresários que dão um pouco de seu tempo para reflorestar encostas, limpar trilhas, resgatar o verde e garantir a vida.

Mas, o que é ser voluntário? Ser voluntário vai além do ato de doar. Ser voluntário é se interessar, é compartilhar, é participar. Por isso, doar trabalho, doar conhecimento e doar tempo têm muito mais força de transformação e pode mudar mais rapidamente uma realidade negativa do que doar, simplesmente, um bem material.

E a vida vai mostrando que as pessoas boas de coração estão descobrindo que seus talentos podem ser potencializados em favor de outros menos favorecidos ou mesmo, como é o caso, em favor da natureza. No final, ganha sempre a coletividade. No Brasil e no mundo, os exemplos de voluntariado se multiplicam. Muitos jovens e muitas instituições estão trabalhando entusiasticamente com um mercado que, felizmente, não para de crescer: o mercado da solidariedade.

A verdade é que o serviço civil voluntário começa a ser uma forte realidade no Brasil de hoje. Principalmente na área social e de preservação da natureza. O ecovoluntário sempre é um entusiasta pela promoção humana e pela valorização da vida selvagem. Uns viajam para oferecer força de trabalho a projetos de pesquisa ou de algum tipo de conservação em lugares distantes. Outros fazem sua doação no dia-a-dia, nos arredores onde moram. Os ganhos são muitos. Se vão longe - em comunidades indígenas, em projetos específicos implantados no mar, em parques nacionais, nas montanhas ou florestas - eles ganham conhecimento profissional, experiência de vida, novos amigos ou, no mínimo, férias de aventura. Além destes ganhos todos, garantem qualidade de vida ao seu próprio meio.

Evidente que o trabalho prático em educação ambiental, em serviços de manutenção da vida selvagem, na ajuda a pesquisadores requer alguns requisitos básicos como conhecimentos técnicos e disposição para enfrentar alguns percalços naturais. Mas o pré-requisito mais importante é sempre o entusiasmo e a boa vontade.

Que 2006 seja de tolerância e de solidariedade. Mais importante do que ser culto e forte é ter sensibilidade. É ser solidário. Vale o excesso.

silvestre@gorgulho.com