Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Amazônia socioambiental: Expedição ao Marajó

27 de julho de 2010

 

Por Silvestre Gorgulho

O sobrenome Villas-Bôas remete logo à expedição e aventura. Paulo Celso Villas-Bôas não negou o sangue. Filho de Zilda Silva Villas-Bôas e de João Baptista Villas-Bôas, Paulo Celso é presidente da Fundação Villas-Bôas e coordena a expedição que vai correr o interior da Amazônia, com destaque para a ilha de Marajó. A Fundação está ligada ao Instituto Econômico Social e Sustentável do Brasil, com sede em Belém do Pará.

A expedição
"Estamos convidando Ongs, Oscips, universidades, profissionais e voluntários  em diversos segmentos socioambientais  para comporem nossa equipe de expedicionários."

Há duas décadas, meu pai me fez uma proposta: rodar o Brasil, partilhando os problemas sociais de nossas comunidades. Não apenas dos indígenas, mas dos cidadãos que migram e se estabelecem nessa imensa extensão geográfica que é o nosso país. Hoje não tenho a companhia do meu saudoso pai, mas chegou à hora de colocar em prática tudo que ele me ensinou.

O projeto
A economia, o homem e a natureza

O projeto "Expedição Villas-Bôas pelo Brasil? nasceu em 2005, oriundo do antigo so­nho em seguir a tradição dos "Villas-Bôas". Não espelha-se em experiências anteriores, pois o foco é mais abrangente e não só sertanismo e indigenismo. Hoje, as necessidades do Brasil são o conjunto socioambiental. Nosso projeto pretende levar ao povo brasileiro o desenvolvimento socioambiental em toda a sua estrutura, atendendo ao tripé básico: a economia, o homem e a natureza. Na falta de um desses elementos todas as tentativas de sucesso tornam-se apenas "meros discursos".

Etapas
Via fluvial

A expedição vai estar na ilha de Marajó no primeiro trimestre de 2011. Marajó também será contemplada em nossa segunda etapa da expedição, pois faremos via fluvial todo o rio Tapajós, subindo pelo Amazonas "desaguando" no Oceano Atlântico passando por todas as cidades ribeirinhas da Ilha do Marajó, chegando às ilhas Mexianas e Cavianas, descendo pelas costas do Amapá, quando então seguiremos rumo a Manaus.

Multirão científico
Acesso à tecnologias

A expedição visa atender o maior número de ribeirinhos possíveis. Temos em nossas equipes renomados cientistas engajados nessa expedição para promover a transferência de tecnologia de profissionais e empresas francesas. O principal cientista e  pesquisador  é o Prof. Alair Ruellan, que viveu no Amapá, pesquisou os solos da Amazônia Legal, têm estudos e publicações sobre a agricultura sustentável em nossa região e recebeu vários títulos de ?honoris causa?. Nosso projeto é investigativo e o que pudermos fazer para que haja uma transformação nas regiões visitadas, faremos! 

 Paulo Acatauassú Teixeira e Paulo Celso Villas-Bôas levando solidariedade pelas águas amazônicas

 

 

 

 

Crianças usam pequenos barcos para irem à escola

 

 

 

Conscientização
Interagindo com ribeirinhos

Não iremos como salvadores da pátria, mas queremos por meio de parcerias fazer uma transformação nessa região, a começar pela mudança de atitudes. Como? Promovendo cursos profissionalizantes, palestras de conscientização, serviços de assistência básica, seguindo as linhas mestras do conceito socioambiental da Fundação Villas-Bôas. Estaremos sendo monitorados via satélite. Nossas ações serão visíveis em nível nacional e internacional. Procuraremos interagir com cada cidadão que nos der ouvido e procurar a melhor forma para que os prefeitos nos escutem e possamos lhes passar soluções.

Alternativaseconômicas
Opção pelo extrativismo

Temos que encontrar uma solução econômica para os que vivem na floresta. Muitas indústrias madeireiras e de palmito de açaí foram fechadas, independente de quem era legal ou ilegal. O fato é que essa população, esses municípios baseiam suas economias na extração de produtos florestais. Não há como generalizar o crime, temos que buscar alternativas. Aos habitantes de Marajó será dada a oportunidade de desenvolverem sua economia e consequentemente fazerem parte dos mercados de trabalho e comercialização de produtos sob o regime legal atual, dentro da Ilha. Marajó tem um grande manancial de oportunidades e nosso "papel" é viabilizar possibilidades de crescimento.

Parcerias
Mutirão de profissionais

A Fundação Villas-Bôas tem de fazer um trabalho de parcerias. Tem que agregar. Sozinhos nada faremos. As políticas públicas terão que ser discutidas. Isso é um problema de governo, mas temos que dar nossa contribuição.
Virão para a Ilha do Marajó, cientistas, pesquisadores e profissionais de diversos seguimentos da França que se unirão com nossos profissionais e ONGs genuinamente brasileiras, pois não aceitaremos estarem conosco ONGs internacionais. Essas, as nacionais, por acordo firmado com a FVB irão transferir tecnologias, conhecimento do que está dando certo. Formaremos lideres para serem multiplicadores de propostas para profissionalização dessas pessoas que só souberam fazer só uma atividade. Faremos isso nas dependências de prédios públicos se deixarem, se não nós faremos em associações, dentro das igrejas, e se tudo isso faltar faremos em baixo de tendas e se não tivermos respaldo de ninguém para essa mudança comportamental.
O Brasil saberá o que estamos fazendo e o que está acontecendo. Na internet não existe rua ou distância, o mundo inteiro estará nos acompanhando, o nosso portal é visto em mais de 78 países.

Realidade Mundial
O dever de casa

Só daremos nossa missão por cumprida, quando tivermos um país sem miséria, sem fome, independentemente do nível de escolaridade. Esse é o maior investimento que um país pode fazer. E não podemos esquecer outra reali­dade. Segundo o pesquisador da Embrapa, o cientista Evaristo Miranda, os países e continentes perderam quase toda sua floresta primária.
A África dos 100% de floresta, hoje mantém apenas 7,8% de sua cobertura florestal. A Ásia 5,6%, a América Central 9,7 % e a Europa, é o pior caso, apenas 0,3%. Não é possível ignorar que 99,7% das florestas primárias européias foram substituídas por cidades, cultivos e plantações comerciais. Os países que hoje mais poluem são o EEUU, China e a Índia. Todo o planeta depende da conservação das florestas aqui no Brasil. Sobretudo na Amazônia.

CONCLUSÃO
Tripé de sustentabilidade

Os países poluidores e ricos terão que pagar alto para que isso aconteça. Só acreditaremos em desenvolvimento sustentável, quando passarmos a limpo a nossa história, respeitando o próximo de forma digna e que esses se transformem em cidadãos de fato e de direito. Hoje pessoas que são vistas como estorvos ou como problemas, ficando à sorte em que Deus proverá.
Só haverá desenvolvimento sustentável, quando todos saírem ganhando, o setor produtivo, o meio ambiente e o homem. A isto chamamos tripé de sustentabilidade.

 

 

 

 

Os ribeirinhos vivem dos rios, para os rios e com os rios. As ações para levar educação e ajudar na vida sustentável são fundamentais

 

silvestre@gorgulho.com