Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

BRASIL BICAMPEÃO

Brasil Bicampeão do Mundo

Na Copa do Chile - 1962

 

A Copa anterior, em 1958, havia sido na Europa, na Suécia, onde o Brasil foi pela primeira vez Campeão do Mundo.

 

Em junho de 1962, Brasília acabava de completar dois anos de vida.

O Brasil, com a renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961, vivia um momento conturbado. Na Copa de 62 o presidente da República era Jango Goulart que governou de setembro de 1961 a março de 1964.

Em 1962, o mundo vivia o auge da Guerra Fria. De um lado os Estados Unidos e seus aliados e do outro a União Soviética.

No futebol, porém, a sensação era a Seleção Brasileira Campeão do Mundo, com uma safra de jogadores históricos: os campeões de 58:

Em 62, a Seleção era quase a mesma de 58, com mais sete novos talentos: Altair, Jair Marinho, Jurandir, Mengálvio, Zequinha, Jair da Costa e Coutinho. 

(GOLEIROS): Gylmar e Castilho

(LATERAIS): Djalma Santos e Altair – Nilton Santos e Jair Marinho

(ZAGUEIROS: Mauro e Bellini – Zózimo e Jurandir - 

(MEIAS): Didi e Mengálvio – Zito e Zequinha.

(ATACANTES): Garrincha e Jair da Costa – Vavá e Coutinho – Pelé e Amarildo – Zagallo e Pepe.

 

OS JOGOS:

 

Nem mesmo a contusão de Pelé, logo na segunda partida contra a Tchecolosváquia, (que jogou a final com o Brasil) foi capaz de parar o time brasileiro. Amarildo teve a honra e a responsabilidade de substituir o "Rei". Não decepcionou. A Copa de 62 foi a Copa do Mané Garrincha. Seu futebol ofensivo, irreverente e espetacular desequilibrou a favor do Brasil. Mané foi um dos artilheiros e disputou a grande final com febre de 39ºC.


Algumas curiosidades:
1 - Violência no jogo entre chilenos e italianos que protagonizaram um dos maiores vexames de todos os tempos ao trocarem socos e pontapés diante de mais de 66 mil pessoas. Com dois jogadores expulsos e outro com o nariz quebrado, a Itália perdeu por 2 a 0.

2 - Na semifinal entre Tchecoslováquia e Iugoslávia, o árbitro suíço Gottfried Dienst paralisou o jogo com só quatro minutos de bola rolando e ameaçou expulsar os 22 jogadores se a pancadaria continuasse.

3 - O jornal chileno "El Mercurio" publicou a seguinte manchete durante a disputa do Mundial: "Garrincha, de que planeta vienes?".

4 - O artilheiro da Copa de 62 foi anunciado só em 1993.  Jerkovic (IUG) acabou sendo declarado o artilheiro com cinco gols (o menor número de gols em uma Copa) depois de uma revisão feita por fiscais da FIFA, conferindo o filme do jogo. Na súmula, o terceiro gol iugoslavo na vitória por 5 a 0 havia sido creditado equivocadamente a Galic, deixando Jerkovic com quatro gols, ao lado de Vavá e Garrincha (BRA), Sanchez (CHI) e Ivanov (URSS).

5 - Garrincha ganhou a BOLA DE OURO e Masopust ficou com a Bola de Prata.

 

6 - A Seleção da Copa de 62 feita pela FIFA

1. Gilmar (BRA)

2. Schnellinger (ALE)

3. Nowak (TCH)

4. Mauro (BRA)

5. D. Santos (BRA)

6. Voronin (URSS)

7. Zito (BRA)

8. Skoblar (IUG)

9. Vavá (BRA)

10. Masopust (TCH)

11. Garrincha (BRA)



Campanha da Seleção Brasileira

O Brasil venceu a Copa de maneira incontestável: cinco vitórias e um empate em seis jogos, com 14 gols marcados e 5 sofridos.

Na primeira fase, no primeiro jogo contra o México, o Brasil fez 2 a 0, gols de Zagallo e Pelé.

Depois houve empate com a Tchecoslováquia em zero a zero, quando Pelé se contundiu. Nesta época não havia substituição de jogador.

Ainda na primeira fase, o Brasil ganhou da Espanha de 2 a 1, com os dois gols de Amarildo e um show a parte de Garrincha.

Quartas-de-final: Brasil 3 (Garrincha 2 e Vavá) e Inglaterra 1.

Semi-final: Brasil 4 (Garrincha 2 e Vavá 2) e Chile 2.

Final: Brasil 3 (Amarildo, Zito e Vavá) e Tchecoslováquia 1 (Masopust)

 

 

 

 

 

Brasil Bicampeão

Jogo final Brasil x Tchecoslováquia em poesia

 

Silvestre Gorgulho (14 anos)

Belo Horizonte  - julho de 62

 

 

“Oh! que dia prateado

Dia tanto desejado,

Por quase o mundo inteiro.

Veremos se o Brasil amado

Será bem representado,

Pelo escrete brasileiro.

 

Todos com grande emoção

Comprimindo o coração     

Nessa grande despedida.

Será que todas nações

Vão nos ver bicampeões

E por nós a Taça erguida?”

 

 

 

Masopust livrinho

Adiantou um pouquinho

Depois de um jogão

Chutou no cantinho

foi um gol de mansinho,

Que abalou a nação.

Não foi gol de fracasso

Deste até eu faço,

Amarildo pensou.

Recebeu logo um passo

Marcou um golaço,

E a partida empatou...

Lá vem pelos cantos

Um ataque dos tantos,

Perigo sem par

Passou Nilton Santos

Também Djalma Santos

Chutou! encaixou Gilmar

Devolveu mais ligeiro

O mór brasileiro

e sem  embaraço.

Sujeito faceiro

Diz um do arqueiro,

depois de um chutaço.

Na meia canhota

Quem mata a pelota,

Substitui o Pelé.

Bailando sem conta,

Cruzando na ponta

Nos pés do Mané.

Recolhe de um lado

Começa o bailado,

em busca  do Bi.

Olhando o gramado

Bem executado

Nos pés de Didi.

Didi no comando

Perigo enfrentando

Nos campos de lá.

Primeiro olhando

Vai logo apontando,

Nos pés de Vavá.

Vavá na fogueira

Driblando a barreira

Só querem caçá-lo.

Procura a peneira

Não acha, que asneira,

Estende a Zagalo

 

 

Zagalo adiantou

De tal modo passou

Com classe no pé...

Olhando, parou!

Deu mais algum show

E mandou pro Mané.

Seu Mané, prá quem pode,

Fez cabelo e bigode

Na Copa chilena.

Se torta é a perna

A vitória é eterna

E a glória serena.

Na ginga da bola

Na ponta da sola

E num golpe viril

Arisco igual coelho

Põe os tchecos de joelho

Adorando o Brasil.

 

                                                        Todos gritando,

                                                        Mané adiantando,

                                                        Na reta do gol.

                                                        Ainda driblando

                                                        Agora olhando,

                                                        A Amarildo entregou.

O “Diablo” em ação

Prepara o canhão

Num jogo bonito.

Aproveita um vão

Estende um passão

Na cabeça de Zito.

 

                                                        Zito pulando

                                                       O couro alcançando,

                                                        Resolve a questão.

                                                       A pelota entrando

                                                       O triunfo chegando...

                                                       É “Bicampeão”

Dois a um que alegria

Que imensa a folia

Pra toda essa raça.

O Brasil já vencia,

Mas perigo ainda havia

De roubar-nos a taça.

 

                                                      O lateral é cobrado

                                                      Djalma adiantado,

                                                      No gol fuzilou.

                                                      A pelota voando,

                                                      Os ares cruzando

                                                                                           Na área chegou.

Schroiff sem calma

A esfera espalma,

Pra ponta de lança.

Vavá já emendou

O chute varou

e a rede balança.

                                                    A sorte é da hora

                                                    O Brasil comemora

                                                    Mais este jogão.

                                                    A torcida não aguenta,

                                                    Explode e arrebenta

                                                    Num só coração!

Está aí mais um feito

O Brasil quer respeito

De Bicampeão!

58 é saudade

No Chile, a verdade...

Outras Copas virão!

 

silvestre@gorgulho.com