Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

CLAUDIA ANDUJAR

A pajelança de um anjo chamado Cláudia Andujar

Silvestre Gorgulho

(15 / Fevereiro / 2011)

Cláudia Andujar tem uma bela história de lutas e de vida. Nasceu em 1931, numa cidade de luz: Neuchâtel, à beira de um dos lagos mais bonitos da Suíça. A mãe era suíça e o pai húngaro, por isso foi passar sua infância na Hungria. Tempos sombrios: perdeu seu pai e vários familiares em campos de concentração. Em 1948 foi para os Estados Unidos e chegou ao Brasil em 1955. Novo tempo de luz: chegou a São Paulo elogiada por Pietro Maria Bardi (MAM) como uma pintora com talento. Trocou os pincéis pelas lentes da fotografia. Naturalizou-se brasileira em 1975.

No final da década de 60, Claudia entrou de cabeça do fotojornalismo, trabalhou para a Editora Abril e participou de um projeto pioneiro e ousado: a revista REALIDADE. Entre as luzes e sombras das cidades, das matas, dos rios e dos habitantes da floresta, Cláudia foi cumprir uma pauta para a revista (1971) e encontrou os índios Yanomami. Encontrou, não! Se apaixonou pelos Yanomami. Foi então que uma luz equatorial marcou sua vida e incandesceu sua obra.
Claudia focou a dignidade, a riqueza cultural, os costumes e a situa­ção social desta tribo e escancarou para o mundo a história de um povo que precisava sobreviver. Que História!
"Não sou antropóloga, sou fotógrafa. Não fiz isso como antropóloga. Só entendo uma cultura tão distinta da minha quando eu consigo fotografar", explica Claudia que expôs a dignidade e a luta dos Yanomami ao mundo, nestas quatro décadas de profunda doação, convivência e respeito.
Sua arte extravasa luzes e sombras da vida Yanomami, entre ritos e magias. De momentos sagrados e de momento de dor. Nas sombras de seu passado de guerra e de campos de concentração, Claudia Andujar encontrou esse sol Yanomami que iluminou sua trajetória de vida.
Militante da causa Yanomâmi, Cláudia foi expulsa da região pela Funai, em 1977.  É que ela visitava muito as aldeias onde havia sérios problemas inclusive de saúde. E o governo achava que ela queria denunciar o País lá fora. Ela ajudou salvar os Yanomami e a demarcar suas terras.
Cláudia não é apenas fotógrafa, antropóloga, escritora, guerreira ou coisa que o valha. Cláudia Andujar é mais que um anjo. É luz.
 

silvestre@gorgulho.com