Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

DESIGN DA SEDUÇÃO

  

O belo sempre seduz, alimenta os sentidos e dá prazer

 

Silvestre Gorgulho  (Brasília, 28 de setembro de 2012)

 

O belo seduz. Alimenta os sentidos. Dá prazer.

O feio eriça e afasta. À feiúra, faltam harmonia, proporcionalidade e aconchego. Cor, sabor, amor e humor têm que vir na medida certa. Trazendo o equilíbrio da arte e das sensações. Estética e ética estão no centro destas percepções para os olhos e para a noção de espaço. Do corpo e da mente.

Quando os olhos capturam e se sentem bem com uma paisagem, com uma forma, com uma demonstração artística, com um design ou com um ambiente todos os sentidos corporais agradecem. Todas essas sensações agradáveis passam a afetar a psique. Primeiro estimulam os sentidos. Depois associam a vida às necessidades de prazer. O ser humano e os animais sempre assimilam algo que os agrada. Agradou, virou sonho de consumo e objeto de desejo. Pronto: está aí o segredo da conquista, do empreendedorismo, do capitalismo e do consumismo. A equação é simples: tudo que agrada o coração, fala ao bolso. E vice-versa.

O design de interiores sempre dialoga com o design de exteriores. Não há como conceber esteticamente uma composição ou uma decoração de ambientes internos em diversos cômodos de palácios, prédios ou casas sem planejar e organizar também o espaço exterior. Assim também acontece com as cidades. Os monumentos, os jardins, as praças, os prédios e, evidente, uma torre tem que ter harmonia para dar prazer aos cidadãos.

 

Torre Digital de Brasília

Torre é monumento, é objeto e é um cenário que pode ser bonito ou feio. Uma torre pode ser harmoniosa e proporcional ou insossa e inadequada. Cidade que se preza tem que ter torre. É o ser humano querendo chegar aos céus. As torres podem ser santificadas e em forma de Cristo Redentor, que deu ao Rio de Janeiro a oportunidade de mostrar ao mundo uma das Sete Maravilhas da Era Moderna. Podem ser em forma de prédios comerciais, como Taipei 101, em Taiwan, o Shangai World Financial Center, na China, e até como Petronas Towers, em Kuala Lumpur, capital da Malásia. Podem ser torres da emoção, que falam aos sentimentos como a Torre de Belém, de onde o povo português partiu para os descobrimentos. O que seria da cidade de Pisa sem sua torre inclinada com a altura de apenas 55,86 metros? A Torre de Toronto é um símbolo. As torres de Seul e a Burj Dubai são símbolos. E o que dizer da Torre Eiffel? Ah, esta não é símbolo. É a própria Paris.

A Torre Digital de Brasília, novo componente da paisagem da Capital da República, passou a chamar atenção. De dia e de noite. Sua beleza estética agrada e dá chances para contemplação.

Ao construir a Torre de TV para transmissão de sinais digitais, Brasília dá dois exemplos de urbanismo e civilidade. Primeiro, fez de uma necessidade, um monumento para criar novo atrativo turístico. Segundo, em respeito à Capital Patrimônio Cultural da Humanidade, conseguiu convencer as empresas de televisão a compartilharem uma mesma torre-antena para suas transmissões digitais. Isto é inédito. Nas outras capitais, cada rede de televisão construiu sua própria torre, comprometendo terrivelmente o visual urbano. Brasília não deixou que se repetisse o exemplo negativo dado pelas empresas de telefonia celular, que fincaram em cada quarteirão “espetos de aço”, muitas vezes lado a lado, sem a mínima oportunidade de compartilhamento. Prova que a comunicação interpessoal evoluiu, mas o interesse corporativo em relação aos cidadãos e ao urbanismo diminuiu.

Curtir a 21ª Casa Cor de Brasília significa elevar nossa contemplação para o espaço interior, com as concepções artísticas dos profissionais da decoração e da arquitetura.

Do alto da QI 19, a Casa Cor 2012 vai encantar também pela paisagem exterior. A Torre do Oscar Niemeyer estará cintilando no céu e na terra. No céu como uma nova estrela fulgurante. Na terra, como mais uma singular jóia da prancheta do Mestre. Com certeza, é para deixar Juscelino Kubitschek, os pioneiros, os brasilienses e brasileiros orgulhosos do novo cartão postal.

O belo sempre seduz, alimenta os sentidos e dá prazer. Ao corpo e à alma.

 

silvestre@gorgulho.com