Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

MANÉ GARRINCHA - Estádio Nacional de Brasília

 

PALÁCIO DOS ESPORTES 

Silvestre Gorgulho (Brasilia, 29 de setembro de 2012)

 

15 de junho de 2013. São precisamente 15h45m.  O Estádio Nacional de Brasília  Mané Garrincha explode de alegria. Foguetório, palmas e gritos apaixonados silenciarão todas as possíveis críticas, divergências políticas e maledicências menores para saudar a Seleção Brasileira de Futebol que adentra, pela primeira vez num jogo oficial, o gramado do Estádio Nacional de Brasília, para abrir solenemente a 9ª Copa das Confederações.

15 de junho de 2013. Às 15h53m, um coro formado por vozes de 70 mil torcedores faz arrepiar de emoção qualquer ser humano. O estádio em peso entoa o Hino Nacional. O som de “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas...”  ecoa da arquibancada do Estádio para todos os cantos, recantos e entrecantos do Brasil. Pelas ondas do rádio e da televisão, índios isolados nas florestas, caboclos da Amazônia, o sertanejo do Nordeste, cariocas, mineiros, gaúchos e paulistas, gente do Sul, do Centro-Oeste e das fronteiras sentem um frio na espinha e compreenderão, então, porque Brasília, com apenas 53 anos de vida, pôde  integrar um Brasil tão grande,  tão rico e tão diverso. Compreenderão o milagre de um país-continente falar uma só Língua e de uma raça miscigenada de tantas raças viver  num santuário de Paz. Poderão entender porque o povo brasileiro, com todos seus problemas e sofrimentos, apoiou seu líder Juscelino Kubitschek que plantou uma Brasília tão longe, no longínquo coração do Cerrado, para o Brasil colher um novo País.

Às 16 horas em ponto, ressoa o apito do juiz dando início à primeira partida do Grupo A da Copa das Confederações. Mais de um bilhão de espectadores do mundo inteiro estão ligados a Brasília para assistir ao jogo entre Brasil e alguma outra seleção que pode ser  Espanha, Uruguai, Alemanha ou alguma das outras campeãs continentais.

E a 9ª Copa das Confederações, em junho de 2013, será apenas o primeiro tempo de uma festa absolutamente maior. É o “esquenta” para o segundo tempo... a preparação para então, em junho de 2014, o Estádio Nacional de Brasília receber nada menos de sete jogos da vigésima Copa do Mundo, já considerada a maior Copa da história.

Pensar grande não é  defeito. É virtude. Construir o melhor é não se apequenar. Brasília também nasceu sob fogo cruzado da oposição, da elite e da mídia brasileira porque JK pensava grande. E Brasília está aí para provar que JK foi estadista, corajoso, ousado e estava correto em todas suas avaliações. Por causa da construção da nova Capital, a 1.250 quilômetros do litoral, o Brasil renasceu no Centro-Oeste que produz hoje 60% do agronegócio brasileiro. O novo Estádio Nacional Brasília, além de honrar a memória de Mané Garrincha que encantou multidões e ajudou a trazer duas Copas do Mundo para o Brasil (1958 e 1962), mudará para sempre a história do futebol, do entretenimento e do lazer cultural candango.

Chega de convidar a população para shows e eventos no estacionamento do Mané Garrincha. Agora os megashows acontecerão – faça chuva ou faça sol – em lugar decente, confortável, tranquilo e seguro: dentro do Mané Garrincha. Onde também se jogará futebol.

 

Estádio Nacional de Brasília

Mané Garrincha: o palácio do esportes

 Brasília, Capital da República, é a cidade dos palácios: Palácio da Alvorada, Palácio do Planalto, Palácio do Itamarati, Palácio da Justiça. O Estádio Nacional de Brasília não foge à regra: é o Palácio do Esporte.

O antigo estádio era uma obra inacabada, projetado em 1972, construído em 1973 e inaugurado precariamente em 1974. Na concepção arquitetônica do novo estádio está o DNA de um dos mais brilhantes profissionais brasileiros: Ícaro de Castro Mello. Além de arquiteto e urbanista, Ícaro de Castro Mello foi atleta. Mais: recordista sul-americano de salto em altura e salto com vara. Participou da equipe brasileira de atletismo nas Olimpíadas de Berlim, em 1936. É importante o vínculo entre a arquitetura e o esporte, pois quando cria sua empresa, Ícaro de Castro Mello se dedica muito à construção de edifícios e conjuntos esportivos.

Também no novo projeto do Estádio Nacional de Brasília está o DNA de Ícaro: os trabalhos foram assinados pelos arquitetos Eduardo Castro Mello, filho de Ícaro, e pelo neto Vicente Castro Mello. "Do ponto de vista de arquitetura, ou seja, da forma da edificação, a preocupação foi muito grande em seguir a linha leve e moderna, característica de Oscar Niemeyer, fazendo um conjunto harmonioso com o Eixo Monumental", explica Eduardo Castro Mello. E acrescenta: “Três aspectos da nova arena retratam bem a linha seguida: um edifício com grandes dimensões, um conjunto de 288 pilares por toda a extensão da fachada e, por fim, uma grande varanda que servirá como rampa de acesso ao interior do estádio. O estádio será mais um dos palácios existentes na capital. O Palácio do Esporte", garante Eduardo Castro Mello.

Castro Mello gosta de falar de seu projeto e quem visita a obra do estádio gosta de saber de todos os detalhes. O próprio arquiteto explica.

Pilares: “Os pilares da fachada, incorporados ao projeto paisagístico, são como o cartão de visitas. O conjunto de colunas no entorno terá, sobretudo, papel fundamental na construção da arena. Ele dará apoio e rigidez para um anel de concreto de compressão, que será vital para a sustentação da cobertura”.

Estrutura: “A estrutura será independente do estádio. Era preciso aguentar os esforços que a cobertura exige. Os pilares são estruturas circulares, com repetição de elementos, igualando os esforços. O estudo de dinâmica da estrutura interna levou em conta todas as possibilidades de solicitação que a arquibancada terá. O desenho da estrutura, por sua vez, foi feito de forma a atender todas as demandas”.

Colunas: “Cada uma das 288 colunas tem 1,2 metro de diâmetro e 48 metros de altura. Na extremidade superior, o anel de concreto terá duas lajes com 23 metros de largura e 1 km de perímetro. Lá serão ancorados 48 cabos de aço de 10 cm de espessura”.

Cobertura: “A cobertura será uma tensoestrutura. Uma estrutura metálica será instalada acima dos cabos. Ela estará tensionada pela própria membrana de cobertura, que será feita de teflon, ou PTFE (politetrafluoretileno, com TiO2 (dióxido de titânio). A malha de fibra de vidro flexível é de alta resistência e durabilidade, com acabamento autolimpante”.

Gramado: “No novo Mané Garrincha, as arquibancadas inferiores estarão mais próximas das linhas laterais e de fundo do campo. A pista de atletismo do estádio antigo não fez parte do atual projeto e o gramado está rebaixado 4,5 metros. O campo vai ficar a apenas 7,5 metros da primeira fila de espectadores. Sobre o gramado, ficou também estabelecido, em função do sombreamento causado pela cobertura e da necessidade de iluminação suplementar, a implantação de sementes de espécies de grama de clima frio, aprovadas e importadas de um fornecedor certificado. Deverá ser utilizado uma mistura (blend) das espécies Ryegrass-perenne Lolium perenne e Poa pratensis, o que garante um rápido crescimento. E, com a utilização do reforço híbrido, que consiste em "injeção/costura" de fios de 200 mm formados de fibra plástica na superfície da grama para aumentar a estabilidade do solo estará garantido um gramado de alto desempenho para a prática do futebol”.

Sustentabilidade: “Para começar, todo o entulho e materiais retirados da demolição do antigo estádio foram reutilizados na nova obra. No entorno do estádio, pisos intertravados também fazem parte do projeto do arquiteto e paisagista Benedito Abbud em parceria com o escritório Castro Mello Arquitetos. A opção pelos pré-moldados, nesse caso, é um dos argumentos para a arena brasiliense obter o certificado de construção sustentável LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) em seu grau máximo, o platinum. A sustentabilidade não envolve só os recursos naturais, envolve também o social, o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas que estão trabalhando na obra e que vão trabalhar no estádio depois de pronto”.

Paisagismo – “A vegetação será nativa. Habituado ao clima de Brasília, o Cerrado demandará menor quantidade de água na irrigação. O projeto paisagístico também prevê o uso de biovaletas e jardins de chuva, elementos que separam as vagas de estacionamento onde serão plantadas espécies vegetais”.

Reuso de água – “Em caso de chuva, as biovaletas e os jardins de chuva retêm a enxurrada e direcionam o excedente para as cisternas e lagoa de contenção para que ocorra a reutilização da água. Muita água será captada por meio de pisos drenantes, instalados no estacionamento externo e na circulação de pedestres em torno do estádio. A água captada pela cobertura será conduzida até reservatório situado no 3º subsolo por meio de quatro canais. Depois de tratada nos reservatórios de decantação, a água será bombeada para o reservatório superior para sua utilização. A implantação do sistema prevê uma economia de cerca de 80%. A água armazenada será utilizada em vasos sanitários, mictórios, irrigação e lavagem em geral. Cada uma das cisternas terá a capacidade para guardar até 145 metros cúbicos, totalizando 580 metros cúbicos. Além dessas cisternas, a arena terá mais quatro reservatórios de 350 metros cúbicos de água para reutilização.”

Energia solar – “Além da água da chuva, depois de pronto, o estádio terá uma usina de captação de energia solar, que será capaz de gerar 2,0 megawatts de energia, o que corresponde ao abastecimento de quase mil residências por dia”.

Ciclovia e bicicletário – “O estádio terá uma ciclovia integrada a todo o Eixo Monumental, com um bicicletário de três mil vagas”. Segundo o arquiteto Castro Mello, o entorno do estádio será um novo parque dentro da cidade, com áreas cobertas para melhorar o conforto do torcedor.

Cultura e arena multiuso – O estádio será uma arena multiuso adequada para receber eventos e shows de grande porte. O estádio passará por licitação internacional para que uma empresa especializada em entretenimento o administre e potencialize a sua ocupação. Além de pagar o aluguel da arena, a empresa vencedora ficará responsável por inserir Brasília em um calendário de eventos e shows nacionais e internacionais, mantendo a economia criativa da cidade aquecida. Encerrados os eventos de 2013 e 2014 – período de disponibilização à FIFA – será construído um museu nas dependências do Estádio Nacional de Brasília. O projeto museológico prevê um resgate à memória do esporte nacional e do campeão Mané Garrincha”.

 Mais uma vez, vale lembrar JK que, no auge das críticas que recebeu devido sua determinação em construir e inaugurar Brasília, sentenciou: “Deixemos entregues ao esquecimento e ao juízo da História os que não compreenderam e não amaram a construção da nova Capital.”

Quando se tem a oportunidade e a necessidade de fazer, que se faça o melhor. As gerações futuras julgarão. E, com certeza, agradecerão.

 

 

 “Mais do que um palco do futebol, estamos construindo uma arena adequada para receber grandes eventos nacionais e internacionais. Brasília precisa ser incluída no roteiro dos grandes shows, tem que atrair mais turistas e movimentar o setor de serviços e entretenimento como bares, restaurantes, hotéis, gerando emprego e renda para a população”, ressalta sempre o governador de Brasília, Agnelo Queiroz.



O estádio terá acessos adaptados para palcos de grande porte, entrada e saída do público em cada nível de arquibancada e plano de evacuação para as mais de 71 mil pessoas em apenas oito minutos.

 

silvestre@gorgulho.com