Silvestre Gorgulho

Silvestre Gorgulho

"Na praça de Hiroshima, onde caiu a bomba Atômica, foi construído um Parque onde tremula a bandeira branca da Paz"

Dilma Rousseff: DECEPÇÃO NO OLHAR

 

Brasília, junho de 2013

 

O OLHAR DA DECEPÇÃO
“Os olhos sempre denunciam o que o coração tenta esconder”
 
Fotos: ORLANDO BRITO
 

 
Renata Camargo do Greenpeace:  No Dia Mudial do Meio Ambiente a presidente Dilma Rousseff e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, tentaram montar um circo para transformar notícias velhas em propaganda do governo.
 
 Bob Marley continua atual: “Os olhos sempre denunciam o que o coração tenta esconder”.  
O constrangimento está estampado no rosto e no olhar dos governantes e dos governados. Nunca na história deste país, o Dia Mundial do Meio Ambiente foi tão burocrático, indiferente e frio. Faltou emoção! 
A ambientalista Renata Camargo vai mais longe: “A presidente Dilma e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, tentaram montar um circo para transformar notícias velhas em propaganda do governo. É como se essa data não existisse para elas. E, se levarmos em conta as últimas ações e falas desse governo, ela não existe mesmo.  O anúncio da queda histórica no desmatamento da Amazônia reflete uma situação atrasada (4.571 km2 entre agosto de 2011 e julho de 2012). Desde então, sinais de aumento do desmatamento surgem a toda hora, inclusive vindo do próprio governo por meio de seu sistema DETER. Sobre isso, ninguém falou nada.”
 
As controvertidas comemorações cheiram a ilusão para quem acompanha as últimas notícias da região: indígenas com direitos contestados. Ibama com poder de fiscalização desidratado e um Código Florestal que beneficia e premia quem passa o trator sobre a floresta. 
Projetos de infraestrutura, notadamente grandes hidrelétricas, planejadas e construídas sem que premissas socioambientais sejam seguidas. Os brasileiros esperavam mais. Uma data que sempre foi comemorada com anúncios concretos e decisões firmes na preservação de biodiversidade,  com decretos para criação de parques e o controle sensato da emissão de gases-estufa ficou restrita a um encontro que tentou usar o Plano Nacional de Mudanças do Clima, para inflar o evento. E o Greenpeace foi duro: a presidente Dilma ainda tentou criar um falso dilema, mostrando térmicas e hidrelétricas com grandes barragens como as únicas fontes possíveis de geração de energia no futuro. Esqueceu de propósito o potencial inexplorado no país de fontes solar, eólica e da biomassa. O constrangimento está no semblante das autoridades e nas avaliações da maioria dos ambientalistas.  
A pergunta que não quer calar: Até quando o Brasil vai esconder os problemas em vez de tratá-los de forma honesta e corajosa?
silvestre@gorgulho.com