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Projeto Borboleta promove dignidade e novos começos para reeducandos

Iniciativa oferece roupas, acessórios e cosméticos oriundos de doações que podem ser feitas na sede da Funap-DF

 

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Carine Aguiar, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader

O Projeto Borboleta, iniciativa da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap-DF), vinculada à Secretaria de Justiça e Cidadania  (Sejus-DF), promove dignidade, autoestima e reintegração social de reeducandos em regime semiaberto por meio da doação de roupas, acessórios e cosméticos. A iniciativa evidencia como ações solidárias podem transformar vidas e contribuir para um recomeço mais digno no retorno ao mercado de trabalho e à convivência em sociedade.

“O Projeto Borboleta é mais do que um espaço de doações; é um ambiente de acolhimento, dignidade e reconstrução de vidas. Com a reorganização do projeto, novos móveis e o apoio constante da sociedade civil, conseguimos oferecer um atendimento ainda mais humanizado às reeducandas e reeducandos que estão recomeçando suas trajetórias. Cada peça doada, cada gesto de solidariedade, representa uma oportunidade real de fortalecer a autoestima e incentivar a reinserção social dessas pessoas”, relata a diretora-executiva da Funap, Deuselita Pereira Martins.

190

Número de atendimentos no Projeto Borboleta em 2026

Em 2025, foram atendidas 417 pessoas pelo Projeto Borboleta, sendo 253 homens (60,7%) e 164 mulheres (39,3%), com maior procura concentrada entre os meses de outubro, novembro e dezembro. Entre janeiro e maio de 2026, o projeto já contabiliza 190 atendimentos.

Para muitos, o projeto é o único apoio oferecido no processo de recomeço. “O único lugar e o único amparo que a gente tem é o Projeto Borboleta. Quando saí do sistema penitenciário, não tive apoio da família nem de amigos. O único apoio que encontrei veio dos meus companheiros de casa, que me emprestaram algumas roupas. Quando cheguei para trabalhar, vim à Funap, ao Projeto Borboleta, e eles me cederam roupas. Sem isso, eu nem poderia trabalhar. É de grande importância para quem está saindo do sistema sem nenhuma ajuda”, comenta o reeducando Márcio (nome fictício), de 48 anos.

 

O Projeto Borboleta é uma forma de os reeducandos se reintegrarem social e profissionalmente | Foto: Divulgação/Funap-DF

O secretário interino de Justiça e Cidadania, Jaime Santana, vê o projeto também como uma forma de esperança para aqueles que estão reconstruindo as próprias histórias. “Cada peça entregue representa acolhimento, confiança e uma nova oportunidade de reintegração social e profissional, fortalecendo a crença de que todo recomeço merece respeito, apoio e inclusão”, afirma.

O Projeto Borboleta recebe doações de itens de vestuário, cosméticos e acessórios, com maior necessidade de roupas de frio, calças jeans de todos os tamanhos e camisas. As entregas podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na sede da Funap-DF, localizada no SIA Trecho 2, lotes 1.835/1.845, 1º andar. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (61) 3686-5031 e (61) 3686-5030.

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Relator acredita no fim da escala 6×1 ainda neste ano

Durante evento em Florianópolis, representante da indústria defendeu mudança por acordo coletivo de trabalho

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Allan Torres / Câmara dos Deputados

Leo Prates pediu mobilização para aprovação: “Eu vim do movimento social, é disso que se trata”

O relator da proposta sobre o fim da escala de trabalho 6×1 (PEC 221/19), deputado Leo Prates (Republicanos-BA), disse aos participantes de audiência pública do programa Câmara pelo Brasil em Florianópolis que a medida deverá vigorar ainda neste ano.

Ele ponderou, porém, que a existência de transição para redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, ou a duração dessa transição, vai depender da mobilização da sociedade.

“Não haverá concessões inegociáveis. Agora, o tamanho das concessões para aprovar o texto que nós teremos depende de cada um de vocês: da mobilização, da pressão. Eu vim do movimento social e é disso que se trata. Nós precisamos de 308 votos, e não é fácil. Na média, temos 114 votos”, disse.

Os sindicalistas presentes pediram ao deputado Leo Prates que institua a escala com dois dias de descanso e 40 horas semanais de maneira imediata.

O deputado Pedro Uczai (PT-SC) sugeriu que o prazo para a entrada em vigor das mudanças seja de apenas 60 dias.

A coordenadora do Movimento Vida Além do Trabalho, Vanessa Brasil, pediu que o deputado não inclua a transição no texto final.

“Estamos há 40 anos em transição. 40 anos sem uma conquista real para a classe trabalhadora”, salientou Vanessa Brasil.

Allan Torres / Câmara dos Deputados
Florianópolis (SC). Câmara pelo Brasil. Diretor Institucional e Jurídico da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, FIESC, Carlos Kurtz.
Kurtz: jornada e escala podem ser defendidas por acordo

Acordo coletivo
Pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, Carlos Kurtz defendeu que a jornada e a escala sejam definidas por negociação coletiva. Segundo ele, a indústria nacional pode perder competitividade.

“Que possa ser preservada a possibilidade de se fazer 44 horas. Porque isso pode determinar não só uma dificuldade muitas vezes intransponível para as empresas, mas pode determinar – e vai determinar em muitos casos – aumento de custo de vida para o próprio trabalhador e em alguns casos, se não o desemprego, a não geração de emprego, o que será importante aqui em Santa Catarina.”

O relatório sobre a redução da jornada será apresentado nesta segunda-feira (25) para votação na comissão especial no dia 27. O Plenário da Câmara deverá votar o texto até o final da semana.

 

 

 

 

 

Reportagem – Silvia Mugnatto
Edição – Ana Chalub

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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Aprovada doação da área do Shopping Popular ao GDF: local será destinado a Mercado Municipal

A doação do bem para o Executivo local vai permitir a reforma e revitalização do espaço

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Foto: Andressa Anholete/Agência CLDF

 

Nesta terça-feira (19), a Câmara Legislativa autorizou o governo do Distrito Federal a receber, em doação da União, o terreno do Shopping Popular, localizado no SAAN. A medida está prevista no Projeto de lei nº 2.318/2026, aprovado em dois turnos de votação e redação final nesta tarde.

O imóvel já era utilizado pelo GDF há anos: o Shopping Popular foi inaugurado em 2008, para realocação de comerciantes ambulantes, com cerca de 1.500 boxes, mas, conforme aponta o Buriti, “a ocupação foi historicamente marcada por baixa circulação e espaços ociosos”. Com o término do termo de cessão em 2017, instalou-se uma situação de insegurança jurídica sobre a destinação da área.

A doação do bem para o Executivo local vai permitir a reforma e revitalização do espaço, onde será instalado o Mercado Municipal, com comércio popular e qualificação de áreas para cultura, esporte e lazer. Como contrapartida da doação do imóvel, o governo federal vai utilizar uma parte da estrutura para a implantação de um Centro de Formação e Capacitação em Economia Popular e Solidária, vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego.

Denise Caputo – Agência CLDF

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Estudo mapeia pegada de carbono do soro de leite no Brasil

O estudo abrange toda a complexidade da cadeia: desde a produção do leite in natura, passando pelo transporte e processamento industrial

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Foto: Divulgação Embrapa

 

Um estudo desenvolvido em cooperação técnica entre a Embrapa Gado de Leite (MG), a Sooro Renner Nutrição e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) redefiniu critérios de medição do impacto ambiental do soro do leite e derivados no setor. O soro em pó destaca-se hoje como um insumo estratégico, amplamente utilizado na formulação de produtos que vão da nutrição esportiva à indústria de panificação, agregando valor econômico a um componente  historicamente tratado como resíduo.

Coordenado pelo professor Fábio Puglieri, da UTFPR, o projeto se baseou na Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), uma ferramenta que mensura os impactos ambientais potenciais de produtos e serviços, de forma integrada e inédita no Brasil, expandindo a análise para além da “porteira da fazenda”. Segundo a analista da Embrapa Gado de Leite Vanessa Romário de Paula, o estudo abrange toda a complexidade da cadeia: desde a produção do leite in natura, passando pelo transporte e processamento industrial, até a obtenção do soro de leite em pó, popularmente conhecido como whey protein. “A cadeia láctea brasileira acaba de dar um passo decisivo rumo à transparência ambiental e à eficiência produtiva”, comemora a analista.

A principal ruptura desse projeto em relação a estudos anteriores é a sua abordagem sistêmica e completa. Em vez de analisar os elos de forma isolada, a metodologia conectou múltiplas etapas produtivas em uma única avaliação. “Ao incluir os fluxos de transporte e as sucessivas transformações industriais, o projeto oferece um diagnóstico fiel do desempenho ambiental do setor. Assim é possível identificar onde estão os maiores gargalos de emissão de gases de efeito estufa”, afirma o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Thierry Ribeiro Tomich.

A pesquisa foi dividida em duas etapas. Na primeira, focada na produção primária, houve a caracterização e tipificação dos sistemas de produção de leite da base de fornecedores da Sooro, considerando critérios de representatividade geográfica e tecnológica. Na segunda etapa, o foco voltou-se para a indústria e transporte, onde foram levantados dados primários sobre os processos de industrialização da Sooro e de seus laticínios parceiros.

Um dos pilares da iniciativa é a democratização do conhecimento, com os resultados do projeto compartilhados com a sociedade. Os Inventários de Ciclo de Vida (ICV) do soro foram disponibilizados na plataforma SICV Brasil, gerida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), para acesso livre e gratuito. “Essa iniciativa permite que outros pesquisadores, indústrias e órgãos governamentais utilizem dados reais da produção brasileira para outros projetos de ACV, facilitando tomadas de decisão”, diz Thiago Oliveira Rodrigues, pesquisador do IBICT.

Os dados detalhados podem ser consultados nos seguintes links:

●      Whey (soro de leite) 30% (RS)

●      Whey powder (soro de leite em pó) (PR)

●      Whey powder (soro de leite em pó) (RS)

 

Compromissos globais

O projeto está alinhado a compromissos internacionais, como a Agenda Global para o Desenvolvimento Sustentável (ODS 17) da Organização das Nações Unidas (ONU) e o Compromisso Global de Metano, do qual o Brasil é signatário, visando reduzir as emissões em 30% até 2030. A parceria entre a Embrapa, a Sooro e a UTFPR prevê ainda a entrega de um plano de ação detalhado com recomendações de práticas para mitigação de Gases de Efeito Estufa (GEE). Essas estratégias serão fundamentais para que o setor lácteo não apenas cumpra exigências de mercados internacionais, mas também responda a um consumidor cada vez mais atento à procedência e ao impacto dos alimentos que coloca na mesa.

 

O desafio ambiental do soro de leite

Historicamente, o soro de leite representou um dos maiores desafios ambientais para a indústria de laticínios. Devido à sua altíssima carga orgânica (elevada Demanda Bioquímica de Oxigênio – DBO), o descarte inadequado do soro líquido em cursos d’água pode causar a rápida depleção de oxigênio, levando à morte de peixes e ao desequilíbrio total dos ecossistemas aquáticos.

Além disso, o soro é rico em lactose e proteínas que, se não processadas, transformam-se em um passivo ambiental oneroso. “A transformação desse “subproduto” em soro em pó (whey, em inglês) não é apenas uma estratégia de lucro, mas uma necessidade de sustentabilidade operacional”, afirma Tomich. Ao converter o soro em um ingrediente nobre, a indústria mitiga riscos de contaminação e reduz o desperdício de nutrientes valiosos que já consumiram recursos (água, energia e terra) para serem produzidos.

 

O que é a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV)?

A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é uma técnica metodológica utilizada para mensurar o impacto ambiental potencial de um produto, processo ou serviço ao longo de toda a sua existência. É frequentemente chamada de análise “do berço ao túmulo”, pois examina desde a extração das matérias-primas naturais até o descarte final, passando por todas as etapas intermediárias, como transportes, processos industriais e o uso do produto.

Para realizar uma ACV, os pesquisadores quantificam todas as entradas (energia, água e matérias-primas) e saídas (emissões de gases, efluentes líquidos e resíduos sólidos) de cada fase da cadeia produtiva. No caso do projeto que uniu a Embrapa e a Sooro, a análise contemplou:

– Produção primária: o impacto da criação do gado e a produção do leite;

– Transporte: o gasto de combustível e as emissões no deslocamento do leite e do soro;

– Processamento industrial: o consumo de energia e os insumos nas fábricas para transformar o soro líquido em pó.

A ACV é realizada em quatro fases, baseadas nas normas ISO 14040/14044. A primeira é a definição de objetivo e escopo, que determina o que será analisado (por exemplo, 1 kg de soro em pó) e quais fronteiras serão estabelecidas. Em seguida, é feita a Análise de Inventário (ICV), ou seja, a coleta de dados técnicos sobre cada recurso utilizado e cada resíduo gerado. A terceira fase é a avaliação de impacto, que traduz os dados do inventário em categorias de impacto ambiental, como pegada de carbono (aquecimento global), consumo de água ou acidificação do solo. A fase final é a interpretação dos dados, quando os resultados são analisados para identificar oportunidades de melhoria e redução de danos.

Diferentemente de uma análise comum, que poderia se concentrar apenas em melhorias pontuais como troca de embalagens ou uso de energia renovável e biocombustíveis, a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) evita o “deslocamento de carga ambiental”, isto é, quando uma solução em uma etapa gera problemas em outra. Na produção de soro de leite em pó, por exemplo, cerca de 85% das emissões totais ocorrem no campo. Assim, diminuir o impacto ambiental nessa etapa inicial proporciona uma redução muito maior no impacto final do produto do que qualquer alteração na embalagem ou na matriz energética da indústria, uma vez que essas atuam sobre uma parcela minoritária das emissões.

 

Embrapa Gado de Leite é pioneira em ACV do leite demonstra sustentabilidade

Desde 2023, a Embrapa Gado de Leite adota a metodologia de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) para identificar o desempenho ambiental de todas as fases produtivas, analisando desde a produção dos alimentos da dieta dos animais até o leite resfriado pronto para sair da fazenda. Essa abordagem revelou que a eficiência produtiva caminha lado a lado com a preservação ambiental: sistemas que produzem mais leite por hectare ou por vaca tendem a apresentar uma pegada de carbono significativamente menor.

Os estudos liderados pela Embrapa mostram que, com manejo adequado e tecnologia, o Brasil possui um dos leites mais sustentáveis do mundo. O projeto consolidou a Empresa como referência em métricas de sustentabilidade, servindo de base para parcerias atuais que agora expandem essa análise para toda a cadeia industrial, como no caso do processamento do soro de leite.

 

 

Rubens Neiva (MTb 5.445/MG)
Embrapa Gado de Leite

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