Rafael Secunho, da Agência Brasília I Edição: Débora Cronemberger
Em caso de irregularidades na venda do gás de cozinha, é possível denunciar pelos telefones 197, 199 ou na Ouvidoria do GDF, pelo telefone 162
A compra de gás de cozinha em pontos clandestinos é um risco que não vale a pena. O alerta é da Defesa Civil do DF que corriqueiramente recebe denúncias de venda ilegal de GLP – o gás liquefeito de petróleo – como é conhecido o produto. O caso mais recente foi no Gama, neste mês, quando uma revenda clandestina foi fechada pelas autoridades policiais com 49 botijões em situação irregular. Os equipamentos estavam armazenados em uma residência, e a denúncia foi feita por um vizinho.
A autorização para a comercialização do gás por revendedoras ou postos de gasolina é feita pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), que emite uma placa de autorização ao estabelecimento. Já a fiscalização dos locais fica a cargo do Corpo de Bombeiros, que verifica se estão sendo seguidas regras de armazenamento, segurança e ventilação, entre outras. A Junta Comercial do DF também precisa dar o aval para o funcionamento desses espaços.
“Caso ocorra mau acondicionamento e vazamento do gás, a possibilidade de incêndios e explosões é grande. Trata-se de um produto perigoso, e um pequeno botijão de gás pode destruir uma vizinhança inteira”Rossano Bohnert, coordenador de operações da Defesa Civil
Os riscos a quem vende irregularmente o gás, aponta a Defesa Civil, são incêndio ou explosão. “Caso ocorra mau acondicionamento e vazamento do gás, a possibilidade de incêndios e explosões é grande. Trata-se de um produto perigoso, e um pequeno botijão de gás pode destruir uma vizinhança inteira”, explica o coordenador de operações da Defesa Civil, coronel Rossano Bohnert. Ele cita ainda a possibilidade de o gás estar adulterado, prejudicando quem vai preparar os alimentos.
Agente da Diretoria de Fiscalização, o tenente do Corpo de Bombeiros Evandro Sutero explica que a fiscalização nas revendas é feita em mais de um momento. “A nossa vistoria consiste em avaliar as medidas de segurança contra incêndio do local que comercializa o GLP. O comerciante precisa ter uma licença de funcionamento, que é tirada após a primeira vistoria. E ainda fazemos visitas periódicas para avaliar as condições”, explica o militar.
O tenente do Corpo de Bombeiros Evandro Sotero diz que vistorias são feitas periodicamente em locais que vendem botijões
Além da documentação, os bombeiros analisam itens como extintores de incêndio e a separação dos botijões cheios dos vazios. “Fazemos grandes operações pelas cidades, onde visitamos dezenas de estabelecimentos. É um trabalho de orientação, mas também se notifica o revendedor em caso de irregularidade”, diz. “Queremos, em primeiro lugar, que ele atinja a condição ideal para funcionar sem riscos”.
Gerente de um posto de gasolina em Águas Claras, Francielma Tavares apoia esses cuidados e conta que seu comércio está em dia com as normas. “Aqui emitimos nota fiscal, temos a documentação e o GLP tem procedência. É mais seguro para o consumidor e para nós também, até mesmo para não causar acidentes”, observa.
Comércio irregular é crime. Denuncie!
De acordo com a Lei nº 8176/91, o comércio irregular de gás de cozinha e outras substâncias derivadas de petróleo é passível de multa e detenção de um a cinco anos. A orientação é comprar em estabelecimentos credenciados e fugir das revendas “piratas”.
“Nunca compre o gás em espaços clandestinos, optando por um botijão mais barato. Além do perigo que esses locais representam, não há garantia do produto. Ele pode trazer danos sérios e insegurança para o cidadão e para quem está em volta dele”, alerta o coronel Rossano Bohnert. Em caso de irregularidades na venda do gás de cozinha, é possível denunciar pelos telefones 197, 199 ou na Ouvidoria do GDF, pelo telefone 162.
Deputadas da bancada feminina da Câmara – Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
O número de candidaturas femininas para a Câmara dos Deputados caiu 24% em 2026 em relação a 2022, passando de 3.717 para 2.820. Apesar da queda no total de inscritas, a proporção de mulheres entre os concorrentes a deputado federal subiu de 35% para 36,7%.
Nas eleições majoritárias, não há mulheres nas chapas presidenciais de partidos com representação no Congresso Nacional. Além disso, 34 mulheres disputam os governos estaduais e o Distrito Federal, em um universo de 198 concorrentes. Em 2022, foram 38.
Estudo e propostas
Um estudo do Instituto Esfera aponta que é necessário ampliar o acesso das mulheres aos recursos do Fundo Partidário e adotar a reserva de vagas. A pesquisadora Daniela Matos afirma que México e Bolívia alcançaram índices próximos a 50% de mulheres nas cadeiras do Poder Legislativo com esse modelo.
Segundo o levantamento, o Brasil tem a menor representação feminina na política entre os países da América Latina.
Do conjunto geral de 20.719 candidaturas registradas para todos os cargos nas eleições de 2026, 35% são de mulheres. Em 2022, elas representavam 34%.
Conforme o levantamento do Instituto Esfera, entre 1998 e 2022, o número de candidatas à Câmara dos Deputados cresceu 925%. No mesmo período, o número de deputadas eleitas cresceu apenas 210%.
No Brasil, as mulheres representam 52% do eleitorado – Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE
Cotas e financiamento
No Brasil, as mulheres representam 52% do eleitorado, mas ocupam cerca de 18% das vagas do Congresso Nacional, embora a legislação determine cota de 30% para candidaturas e recursos repassados pelos partidos.
Segundo Daniela Matos, falta fiscalização na distribuição das verbas. “O sistema de cotas até garante que a mulher seja candidata, mas não dá condições para a eleição. Não dá condições e um dos motivos é a falta de acesso ao Fundo Partidário”, afirma.
A pesquisadora explica que diversos fatores dificultam a entrada das mulheres na vida pública. “Geralmente o trabalho doméstico ainda recai sobre a mulher: cuidar das crianças e organizar a rotina. A vida partidária ocorre à noite e nos fins de semana, exigindo dedicação contínua. As barreiras culturais e de acesso são muito altas”, ressalta.
Na busca pela inclusão e pela garantia dos direitos previstos na Constituição brasileira, foram criadas, nas últimas décadas, leis e mecanismos para que as pessoas com deficiência possam exercer plena cidadania. É o caso do colar de girassol, da Carteira de Identificação da Pessoa com Deficiência (Carteira CadPcD) e do Cartão Especial, que garante gratuidade no transporte público. E nenhum deles substitui o outro.
O colar de girassol identifica pessoas com deficiências, síndromes ou doenças que não são visíveis fisicamente. Ele foi regulamentado para validar o direito ao atendimento preferencial e evitar constrangimentos. O uso é opcional e não dispensa a apresentação da Carteira CadPcD. No transporte público, o girassol garante acesso ao embarque prioritário, assentos preferenciais nos ônibus e metrô, mas para transpor a catraca é necessário apresentar também o Cartão Especial.
O girassol representa um pedido discreto por empatia, paciência e compreensão no dia a dia. Ele está regulamentado pela Lei Federal nº 14.624, de 17 de julho de 2023. No DF, o uso do colar é amparado pela Lei Distrital nº 6.842, de 29 de abril de 2021, e regulamentado pelo Decreto nº 45.230, de 1º de dezembro de 2023. Entre as deficiências ocultas ou invisíveis, estão condições como: autismo, TDAH, surdez, epilepsia, fibromialgia e demência. Contudo, o fato de a pessoa não portar o colar, não prejudicará o exercício dos seus direitos e das suas garantias previstos em lei.
Carteira de Identificação de PcD
O Passe Livre Especial, ou Cartão Especial, é um benefício específico, com critérios próprios e processo de concessão | Foto: Divulgação
A Carteira de Identificação da Pessoa com Deficiência (Carteira CadPcD) foi instituída por meio da Lei Distrital nº 6.809/2021 e regulamentada pelo Decreto nº 42.363/2021. É com ela que a pessoa com deficiência acessa benefícios econômicos e sociais garantidos por políticas públicas, ou seja, previstos em lei. O documento é expedido e renovado gratuitamente.
Para obter a CadPcD, o cidadão precisa fazer o Cadastro da Pessoa com Deficiência, em site próprio. Conforme o art. 1º da referida lei, a carteira só é emitida para pessoas com deficiência de natureza física, auditiva, visual, mental ou múltipla. Ela pode ser especialmente importante quando a deficiência não é aparente.
Cartão Especial
O Passe Livre Especial, ou Cartão Especial, é um benefício específico, com critérios próprios e processo de concessão que envolve documentação, laudo médico e análise conforme a legislação vigente. Podem solicitá-lo pessoas com insuficiência renal e cardíaca crônica, portadores de câncer, de HIV, de anemias congênitas (falciforme e talassemia) e coagulatórias congênitas (hemofilia), além de pessoas com deficiência física, sensorial ou mental.
O cadastro pode ser feito neste site ou presencialmente, na estação do metrô da 112 Sul, em posto especializado no atendimento dos serviços do Cartão Especial. Após o preenchimento, é feita uma análise conclusiva e a validação dos laudos médicos apresentados, requisito indispensável para a liberação do benefício.
Empatia e garantia de direitos
É importante destacar que nem o colar de girassol nem a Carteira CadPcD concedem, por si só, gratuidade ao transporte público. Mais do que identificar uma deficiência, esses recursos ajudam a tornar visíveis necessidades que nem sempre podem ser percebidas. Por isso, é fundamental respeitar quem utiliza o colar ou apresenta uma carteira de identificação, evitando julgamentos e constrangimentos.
Nem toda deficiência pode ser vista, mas toda pessoa merece ter seus direitos e necessidades respeitados.
Iniciativa busca promover educação para a cidadania a partir de atividades que incluem visitas guiadas, contação de histórias, oficinas e espetáculos
Apresentação do grupo Camerata Caipira
A conscientização sobre a preservação da fauna do Cerrado, apresentada de forma lúdica por meio da música, deu o tom do encerramento do projeto Infância Cidadã no auditório da Câmara Legislativa, nesta terça-feira (25). Com uma proposta lúdica e pedagógica, o grupo Camerata Caipira encantou crianças da Escola de Ensino Fundamental 17 de Ceilândia. O evento integra a 4ª Semana Legislativa pela Primeira Infância, promovida pela Escola do Legislativo (Elegis), que ocorre hoje e amanhã.
A apresentação do grupo reforça a iniciativa da Elegis, que busca promover educação para a cidadania com estudantes de quatro a seis anos de idade, a partir de atividades que incluem visitas guiadas aos espaços da CLDF, contação de histórias, oficinas e espetáculos musicais.
A exibição reuniu ritmos como xote, samba de roda e frevo para mostrar aos alunos a importância da preservação do Cerrado e de espécies nativas como o lobo-guará, o tamanduá, o tatu-canastra, a anta e o teiú.
Alunos do EC 17 de Ceilândia particiaram da apresentação
Instituída pela Resolução nº 357/2025, de autoria da deputada Paula Belmonte (PSDB), a Semana Legislativa pela Primeira Infância integra oficialmente o calendário anual da CLDF. “Ver a Semana Legislativa chegar à quarta edição mostra que essa agenda se consolidou e continua cumprindo o propósito para o qual foi criada: manter as crianças no centro das políticas públicas”, destaca Belmonte.
A distrital ressalta ainda que a primeira infância precisa ser prioridade do Estado. “É nesse período que construímos bases fundamentais para o desenvolvimento das nossas crianças e, consequentemente, para o futuro da nossa sociedade”, acrescenta.
A programação segue na tarde desta terça-feira e durante toda a quarta-feira (26), com uma conferência magna e uma meda redonda.
25 de agosto (terça-feira)
Local: Auditório da CLDF (com visita guiada aos espaços da CLDF)
• 8h às 11h | Projeto Infância Cidadã
• 14h às 17h | Projeto Infância Cidadã
26 de agosto (quarta-feira)
Local: Auditório da CLDF
• 8h30 | Credenciamento e acolhimento
• 9h | Abertura Institucional. Tema: Escutar para Construir: cultura democrática desde a infância
• 9h30 | Conferência Magna. Tema: Escutar para Reconhecer: a criança como sujeito histórico, cultural e de direitos
– Palestrante: Prof.ª Dra. Zoia Prestes
• 11h30 às 14h | Intervalo para almoço
• 14h | Recepção