Localizado no centro de Brasília, no início da Esplanada dos Ministérios, o Museu Nacional da República, (MuN), um dos equipamentos da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), criou laços com os estudantes do Distrito Federal. Em 2022, de um total de 70 mil visitantes (a maioria turistas), 10 mil eram estudantes de escolas públicas e privadas – boa parte de instituições de ensino da periferia de Brasília – que vieram por meio do projeto Territórios Culturais.
Em 2022, de um total de 70 mil visitantes (a maioria turistas) ao Museu Nacional da República, 10 mil eram estudantes de escolas públicas e privadas
Criados por uma parceria entre a Secec e a Secretaria de Educação (SEE), seis espaços culturais integram o projeto Territórios Culturais desde 2019. Para muitos estudantes, é o primeiro contato com um museu, uma exposição, um equipamento de cultura. O foco do projeto é a integração de saberes e a criação da interação entre os estudantes e espaços de cultura no DF.
Os espaços da Secec que integram o Territórios Culturais são Museu Nacional da República (MuN), Catetinho, Museu Vivo da Memória Candanga (MVMC), Conjunto Cultural Três Poderes (CC3P), Memorial dos Povos Indígenas (MPI) e Cine Brasília. Nesta terça-feira (2), a movimentação foi grande nas galerias do museu. Duas turmas circularam entre obras de arte e ouviram os ensinamentos da responsável pelo programa educativo no MuN, Leísa Sasso.
Nesta terça-feira (2), a turma do terceiro ano do Centro de Ensino Médio 01 de São Sebastião aprendeu sobre quadros, instalações e esculturas em exibição no Museu Nacional da República | Foto: Caio Marins/Secec
Interação cultural
Mestra e doutora em arte, Leísa instiga os alunos a se inserirem no contexto dos quadros, instalações e esculturas exibidas nas exposições principal e permanente. O foco do projeto é a integração de saberes e a criação da interação entre os estudantes e espaços de cultura no Distrito Federal. Com olhos brilhando, ela acompanhava a turma do terceiro ano do Centro de Ensino Médio 01 de São Sebastião – o popular Centrão.
A turma da professora Andiara Ruas ouvia, atenta, as explicações e interagia com as obras de Pedro Ivo Verçosa, artista plástico brasiliense falecido há três anos. Encantados com os 56 quadros que retratam, de costas, amigos do artista, os estudantes foram instigados a imaginar personagens, seus saberes, gostos e personalidades.
Na plateia, Alanna Carvalho, 17, fazia questão de deixar clara sua paixão pela arte visual. Ela é cartunista e pretende cursar artes plásticas. Seu colega Danilo Maciel Lopes, desenhista, busca resolver um impasse: dedicar-se às artes ou a cursos mais “tradicionais”, como medicina ou direito.
Interesse estimulado
A professora Andiara relata que a turma de São Sebastião é “muito especial e tem um interesse genuíno pelas artes”. Ela atribui essa característica à própria vocação da cidade – um polo artístico no Distrito Federal – e aos estímulos dos professores.
Andiara, que leciona em São Sebastião desde 2015, conta que foi convidada a visitar o museu com seus alunos. O MuN disponibilizou o transporte. “Temos dez diárias disponíveis para as escolas”, conta Leísa Sasso.
Também nesta terça, outro grupo de estudantes visitou o MuN. Alunos do 9º ano do Centro de Ensino Fundamental nº 10, do Gama, acompanhados pelo monitor João Henrique, chegaram por meio do programa EducAtiva, que desenvolve atividades públicas de educação patrimonial e mediação cultural e visa fortalecer e consolidar sua missão educativa e social. O programa EducAtiva é executado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC), da Secec.
Serviço
Para solicitar o agendamento de visitas ao MuN, é necessário preencher o formulário disponível online e aguardar o retorno dos professores do projeto.
→ Museu Nacional da República: 3325-5220 / museu@cultura.df.gov.br
→ Horários de funcionamento: terça-feira a domingo, das 9h às 18h30
→ A programação completa do espaço pode ser encontrada nas redes sociais. Acesse aqui a conta no Instagram.
*Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa
Deputadas da bancada feminina da Câmara – Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
O número de candidaturas femininas para a Câmara dos Deputados caiu 24% em 2026 em relação a 2022, passando de 3.717 para 2.820. Apesar da queda no total de inscritas, a proporção de mulheres entre os concorrentes a deputado federal subiu de 35% para 36,7%.
Nas eleições majoritárias, não há mulheres nas chapas presidenciais de partidos com representação no Congresso Nacional. Além disso, 34 mulheres disputam os governos estaduais e o Distrito Federal, em um universo de 198 concorrentes. Em 2022, foram 38.
Estudo e propostas
Um estudo do Instituto Esfera aponta que é necessário ampliar o acesso das mulheres aos recursos do Fundo Partidário e adotar a reserva de vagas. A pesquisadora Daniela Matos afirma que México e Bolívia alcançaram índices próximos a 50% de mulheres nas cadeiras do Poder Legislativo com esse modelo.
Segundo o levantamento, o Brasil tem a menor representação feminina na política entre os países da América Latina.
Do conjunto geral de 20.719 candidaturas registradas para todos os cargos nas eleições de 2026, 35% são de mulheres. Em 2022, elas representavam 34%.
Conforme o levantamento do Instituto Esfera, entre 1998 e 2022, o número de candidatas à Câmara dos Deputados cresceu 925%. No mesmo período, o número de deputadas eleitas cresceu apenas 210%.
No Brasil, as mulheres representam 52% do eleitorado – Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE
Cotas e financiamento
No Brasil, as mulheres representam 52% do eleitorado, mas ocupam cerca de 18% das vagas do Congresso Nacional, embora a legislação determine cota de 30% para candidaturas e recursos repassados pelos partidos.
Segundo Daniela Matos, falta fiscalização na distribuição das verbas. “O sistema de cotas até garante que a mulher seja candidata, mas não dá condições para a eleição. Não dá condições e um dos motivos é a falta de acesso ao Fundo Partidário”, afirma.
A pesquisadora explica que diversos fatores dificultam a entrada das mulheres na vida pública. “Geralmente o trabalho doméstico ainda recai sobre a mulher: cuidar das crianças e organizar a rotina. A vida partidária ocorre à noite e nos fins de semana, exigindo dedicação contínua. As barreiras culturais e de acesso são muito altas”, ressalta.
Na busca pela inclusão e pela garantia dos direitos previstos na Constituição brasileira, foram criadas, nas últimas décadas, leis e mecanismos para que as pessoas com deficiência possam exercer plena cidadania. É o caso do colar de girassol, da Carteira de Identificação da Pessoa com Deficiência (Carteira CadPcD) e do Cartão Especial, que garante gratuidade no transporte público. E nenhum deles substitui o outro.
O colar de girassol identifica pessoas com deficiências, síndromes ou doenças que não são visíveis fisicamente. Ele foi regulamentado para validar o direito ao atendimento preferencial e evitar constrangimentos. O uso é opcional e não dispensa a apresentação da Carteira CadPcD. No transporte público, o girassol garante acesso ao embarque prioritário, assentos preferenciais nos ônibus e metrô, mas para transpor a catraca é necessário apresentar também o Cartão Especial.
O girassol representa um pedido discreto por empatia, paciência e compreensão no dia a dia. Ele está regulamentado pela Lei Federal nº 14.624, de 17 de julho de 2023. No DF, o uso do colar é amparado pela Lei Distrital nº 6.842, de 29 de abril de 2021, e regulamentado pelo Decreto nº 45.230, de 1º de dezembro de 2023. Entre as deficiências ocultas ou invisíveis, estão condições como: autismo, TDAH, surdez, epilepsia, fibromialgia e demência. Contudo, o fato de a pessoa não portar o colar, não prejudicará o exercício dos seus direitos e das suas garantias previstos em lei.
Carteira de Identificação de PcD
O Passe Livre Especial, ou Cartão Especial, é um benefício específico, com critérios próprios e processo de concessão | Foto: Divulgação
A Carteira de Identificação da Pessoa com Deficiência (Carteira CadPcD) foi instituída por meio da Lei Distrital nº 6.809/2021 e regulamentada pelo Decreto nº 42.363/2021. É com ela que a pessoa com deficiência acessa benefícios econômicos e sociais garantidos por políticas públicas, ou seja, previstos em lei. O documento é expedido e renovado gratuitamente.
Para obter a CadPcD, o cidadão precisa fazer o Cadastro da Pessoa com Deficiência, em site próprio. Conforme o art. 1º da referida lei, a carteira só é emitida para pessoas com deficiência de natureza física, auditiva, visual, mental ou múltipla. Ela pode ser especialmente importante quando a deficiência não é aparente.
Cartão Especial
O Passe Livre Especial, ou Cartão Especial, é um benefício específico, com critérios próprios e processo de concessão que envolve documentação, laudo médico e análise conforme a legislação vigente. Podem solicitá-lo pessoas com insuficiência renal e cardíaca crônica, portadores de câncer, de HIV, de anemias congênitas (falciforme e talassemia) e coagulatórias congênitas (hemofilia), além de pessoas com deficiência física, sensorial ou mental.
O cadastro pode ser feito neste site ou presencialmente, na estação do metrô da 112 Sul, em posto especializado no atendimento dos serviços do Cartão Especial. Após o preenchimento, é feita uma análise conclusiva e a validação dos laudos médicos apresentados, requisito indispensável para a liberação do benefício.
Empatia e garantia de direitos
É importante destacar que nem o colar de girassol nem a Carteira CadPcD concedem, por si só, gratuidade ao transporte público. Mais do que identificar uma deficiência, esses recursos ajudam a tornar visíveis necessidades que nem sempre podem ser percebidas. Por isso, é fundamental respeitar quem utiliza o colar ou apresenta uma carteira de identificação, evitando julgamentos e constrangimentos.
Nem toda deficiência pode ser vista, mas toda pessoa merece ter seus direitos e necessidades respeitados.
Iniciativa busca promover educação para a cidadania a partir de atividades que incluem visitas guiadas, contação de histórias, oficinas e espetáculos
Apresentação do grupo Camerata Caipira
A conscientização sobre a preservação da fauna do Cerrado, apresentada de forma lúdica por meio da música, deu o tom do encerramento do projeto Infância Cidadã no auditório da Câmara Legislativa, nesta terça-feira (25). Com uma proposta lúdica e pedagógica, o grupo Camerata Caipira encantou crianças da Escola de Ensino Fundamental 17 de Ceilândia. O evento integra a 4ª Semana Legislativa pela Primeira Infância, promovida pela Escola do Legislativo (Elegis), que ocorre hoje e amanhã.
A apresentação do grupo reforça a iniciativa da Elegis, que busca promover educação para a cidadania com estudantes de quatro a seis anos de idade, a partir de atividades que incluem visitas guiadas aos espaços da CLDF, contação de histórias, oficinas e espetáculos musicais.
A exibição reuniu ritmos como xote, samba de roda e frevo para mostrar aos alunos a importância da preservação do Cerrado e de espécies nativas como o lobo-guará, o tamanduá, o tatu-canastra, a anta e o teiú.
Alunos do EC 17 de Ceilândia particiaram da apresentação
Instituída pela Resolução nº 357/2025, de autoria da deputada Paula Belmonte (PSDB), a Semana Legislativa pela Primeira Infância integra oficialmente o calendário anual da CLDF. “Ver a Semana Legislativa chegar à quarta edição mostra que essa agenda se consolidou e continua cumprindo o propósito para o qual foi criada: manter as crianças no centro das políticas públicas”, destaca Belmonte.
A distrital ressalta ainda que a primeira infância precisa ser prioridade do Estado. “É nesse período que construímos bases fundamentais para o desenvolvimento das nossas crianças e, consequentemente, para o futuro da nossa sociedade”, acrescenta.
A programação segue na tarde desta terça-feira e durante toda a quarta-feira (26), com uma conferência magna e uma meda redonda.
25 de agosto (terça-feira)
Local: Auditório da CLDF (com visita guiada aos espaços da CLDF)
• 8h às 11h | Projeto Infância Cidadã
• 14h às 17h | Projeto Infância Cidadã
26 de agosto (quarta-feira)
Local: Auditório da CLDF
• 8h30 | Credenciamento e acolhimento
• 9h | Abertura Institucional. Tema: Escutar para Construir: cultura democrática desde a infância
• 9h30 | Conferência Magna. Tema: Escutar para Reconhecer: a criança como sujeito histórico, cultural e de direitos
– Palestrante: Prof.ª Dra. Zoia Prestes
• 11h30 às 14h | Intervalo para almoço
• 14h | Recepção