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PAISAGEM CULTURAL

O MONÓLITO DO PÃO DE AÇÚCAR

 

A CARTA ABERTA EM DEFESA DO ROCHEDO SÍMBOLO CARIOCA

 

CARLOS FERNANDO DE MOURA DELPHIM – ENTREVISTA

 

Arquiteto e paisagista formado pela UFMG, Carlos Fernando é técnico do Iphan e membro da Comissão de Patrimônio Mundial da Unesco. Moura Delphim trabalha com projetos e planejamento para manejo e preservação de sítios de valor paisagístico, histórico, natural, paleontológico e arqueológico. Admirador e fiel amigo de Burle Marx e o paisagista favorito do Mestre Oscar Niemeyer.

 

Folha do Meio – O Brasil se preocupa com suas paisagens culturais?

Carlos Fernando – Deveria, desde que a portaria 127/2009 do Iphan estabeleceu a chancela da Paisagem Cultural Brasileira. Eu, particularmente, sempre me preocupei com a não existência nos órgãos culturais de uma preocupação com a preservação de paisagens, como os órgãos ambientais demonstraram com a conservação da natureza. Uma preservação conjunta do homem e de um meio natural que, embora significativamente alterado sob o ponto de vista ambiental, ainda m constituem uma unidade com importantes significados ou valores culturais.

 

FMA – O Estado protege o bem natural e esquece o bem cultural?

Carlos Fernando – Mais ou menos isto. Enquanto a legislação ambiental protege as unidades de conservação, as feições mais significativas da relação do homem com o mundo natural ficam totalmente desguarnecidas. Por exemplo, unidades como a floresta Atlântica são protegidas por uma infinidade de leis, enquanto exemplos de relação equilibrada do homem com a natureza, como ocorre nos Pampas, na Caatinga, no Cerrado e na própria Mata Atlântica, não gozam do menor reconhecimento.
Será que não são igualmente dignas de esforços para o reconhecimento de seu valor e de medidas para sua proteção as paisagens rurais como um vinhedo no Sul ou as velhas fazendas de café no Sudeste? Uma fazenda de cacau no sul da Bahia ou engenhos de açúcar no Nordeste com todo o patrimônio tecnológico ainda preservado, será que não devem compor uma paisagem cultural? O governo brasileiro, pelo Iphan, pode e deve cobrir essa lacuna cultural.

 

FMA – Há outros exemplos que correm risco de degradação?

Carlos Fernando – Há sim. Existem muitas outras regiões, onde a marca do homem convive em perfeita harmonia com a natureza, que precisam ser preservadas. A verdade é que os pampas, caatinga, cerrado e a floresta amazônica apresentam incontáveis modelos de convivência harmoniosa e sustentável entre homem e natureza. E estes modelos vêm sendo ameaçados de destruição. O plantio de árvores para produção de celulose e de cana-de-açúcar para combustível transforma a riquíssima biodiversidade em lixo, dejetos, gases poluentes.

 

FMA – Quando nasceram as discussões?

Carlos Fernando – Esta discussão sobre paisagem cultural nasceu após a Convenção para Proteção do Patrimônio Cultural Natural da Unesco, em 1972. A Convenção produziu uma Carta Internacional, exprimindo uma visão dicotômica, senão antagônica, entre cultura e natureza. Mais tarde, ao reconhecer o equívoco, a Unesco passou a adotar apenas uma denominação simplificada para a Convenção, retirando-lhe o Cultural e Natural e passando a considerar a indissociabilidade dos dois conceitos. Porque tudo o que é cultural tem como fundamento o natural. E tudo o que é natural somente pode ser percebido e reconhecido pelo homem, por meio do que é cultural.

 

FMA – Não vem aí mais um embate ambiental entre preservacionistas e desenvolvimentistas?

Carlos Fernando – Ao contrário do tombamento, a paisagem cultural não é uma declaração compulsória. É uma decisão democrática da população. Expressa a vontade que tem cada grupo de proteger os cenários mais valiosos de sua sociedade. Respondendo a pergunta: a declaração de Paisagem Cultural convive com as transformações inerentes ao desenvolvimento econômico e social sustentáveis. Aliás, valoriza a motivação responsável pela preservação do patrimônio.

 

O CASO PÃO DE AÇÚCAR

DO RIO DE JANEIRO

 

 

Claire Messud nos dá um ensinamento muito pertinente: se a Democracia tem uma utilidade, é a de permitir que a voz do povo seja ouvida e entendida. E que sua vontade respeitada. Não se trata de idealismo, é uma realidade e uma responsabilidade.

 

FMA – E o caso dessas obras envolvendo toda área tombada do rochedo do Pão de Açucar no Rio de Janeiro?

Carlos Fernando – Claire Messud nos dá um ensinamento muito pertinente: se a democracia tem uma utilidade, é a de permitir que a voz do povo seja ouvida e entendida. E que sua vontade respeitada. Não se trata de idealismo, é uma realidade e uma responsabilidade. Não se pode esperar que desportistas radicais olhem o Pão de Açúcar com olhos de adoração, contudo, o patrimônio de um país e do mundo exige limites para seus usos e respeito por seu povo. Há muitas outras opções de locais onde praticar a tirolesa sem afetar fisicamente o rochedo. As formações naturais têm uma capacidade restringida para suportar esportes, sobretudo os radicais. Trata-se de uma proposta absurda, impossível de ser aceita por quem quer que possua o mínimo de bom-senso, muito menos por órgãos cujo compromisso é a defesa do patrimônio cultural e natural.

 

FMA – Quais esses órgãos e o que dizem eles?

Carlos Fernando – São vários órgãos e instituições que merecem respeito como o ICOMOS, que emitiu uma nota de repudio dizendo que a “a intervenção em curso para a instalação de uma tirolesa se configura como uma mutilação deste bem tombado, pela perfuração e cortes na rocha com retirada da matéria que o constitui, podendo vir a causar o aumento de fissuras e o descolamento de lascas do maciço rochoso, alterando sua forma e comprometendo sua resistência e integridade”. Isso tem aval e parecer técnico de especialistas. O ICOMOS Brasil recomenda a imediata interdição da obra, com a anulação das licenças, bem como uma nova apreciação do mérito do Pão de Açúcar e Morro da Urca como bens tombados por seu valor natural e paisagístico. Também a Sociedade Brasileira de Espeleologia, cujo regimento tem como princípio a não omissão perante atos que promovam a degradação social e ambiental, se manifestou. E o fez de forma respeitosa ao rochedo, desfavorável à implantação da tirolesa entre o Pão de Açúcar e o Morro da Urca e da expansão de área construída no Monumento Natural pela empresa Caminho Aéreo do Pão de Açúcar.

 

FMA – Qual é a história do tombamento do Pão de Açucar?

Carlos Fernando – Vale bom saber que os maciços rochosos do Pão e Morro da Urca foram tombados pelo Patrimônio Histórico Artístico Nacional em 1973 e estão, desde 2006, protegidos pela legislação ambiental ao se tornarem Unidade de Conservação Integral ou Monumento Natural do Pão de Açúcar. Os rochedos têm importância fundamental na composição da paisagem cultural do Rio de Janeiro, sido reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial desde 2012. Recentemente o Pão de Açúcar foi reconhecido pela União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS) como um dos 100 sítios de Patrimônio Geológico de relevância mundial.

Um Patrimônio Geológico da IUGS é um local com elementos geológicos de relevância científica internacional, usado como referência e com contribuição substancial para o desenvolvimento das ciências geológicas através de sua história.

 

 

OS PROTESTOS DA POPULAÇÃO

 

FMA – Você acha que a comunidade científica, cultural e ambiental internacional pode interferir nesse caso?

Carlos Fernando – Acho sim. Em 28 de outubro de 2022, portanto há um ano, o The International Union of Geological Sciences, em seu sexagésimo aniversário, certificou que o monólito do Pão de Açúcar foi designado e incluído na lista dos primeiros Cem Sítios de Herança Geológica pela Unesco Global Geopark. Agora, os empresários que dele auferem vantagens se incumbem de o lacerar.

 

 

FMA – Como está a questão hoje: Chegou-se a algum consenso?

Carlos Fernando Carlos Fernando – Fui acompanhando a discussão, estarrecido com a abulia e estase sanguínia que atinge a todos, como um sapo diante da cobra que vai devorá-lo. Assustou-me a omissão, para não dizer o ‘parti-pris’ pelo Iphan com interesses antagônicos às aspirações coletivas. Decidi que, mesmo estando distante do Rio, nada me impede de defender nosso excepcional patrimônio. Pus-me a escrever uma carta aberta à sociedade brasileira com tanta veemência que acabei desfalecendo, levando um tombo e sendo evado a um pronto socorro. Isto retardou o término da Carta. Enviei-a a todos que conheço elo computador, mas acho que ninguém mais lê e-mail. Só quando passei a divulgar pelo What’s App é que meus argumentos foram se multiplicando fractalmente, acabando a chegar às mãos de cidadãos que os aprovaram. A Carta chegou às mãos Justiça Federal que prontamente embargou a obra. O que pareceu inócuo ao órgão responsável pelo Pão de Açúcar, a tal ponto repercutiu mundialmente que o título de Patrimônio Mundial, concedido pela Unesco em 2012, corre o risco de vir a se perder.

Espero também ter o apoio dos seletos leitores da Folha do Meio Ambiente < www.folhadomeio.com.br > nessa luta desigual contra os interesses comunitários, ambientais e culturais básicos. A ganância e os interesses financeiros e econômicos não podem dominar nossa sociedade. 

 

CRISTO, OLHAI PRÁ ISTO!

 

PÃO DE AÇUCAR visto do Corcovado onde está o símbolo cultural, ambiental e urbanístico do Rio de Janeiro.

 

 

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Os últimos dias de JK

Perseguição e tensão marcaram os dias antes de sua morte.

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JORGE HENRIQUE CARTAXO
Especial para o Correio

“O presidente JK que trouxe meu pai para construir esta cidade. Eu vim junto com meu pai. JK será eterno porque mudou a minha família, mudou o Brasil, e eu tenho que agradecer aqui ao meu amado presidente. Custe o que custar!”

O pequeno e emocionado discurso do policial militar que rompeu as mãos dadas — para acalentar suas palavras — com as mais de duas dezenas de companheiros que cercavam, em proteção, o túmulo ainda aberto de Juscelino Kubitschek no Campo da Esperança foi a última e inesperada saudação ao fundador de Brasília antes que o corpo do grande estadista fosse guardado e entregue ao silêncio eterno, no longínquo 23 de agosto de 1976. A noite escura abraçava o cemitério de Brasília apinhado de candangos que, numa algaravia comovente, entre a tristeza, a revolta e a saudade, pranteavam o último adeus a JK. Todos seguiam as luzes difusas das câmeras de TV que se dirigiam ao jazigo, em busca do último registro da lamentável e indesejada cena histórica.

O jornalista Silvestre Gorgulho, à época assessor do então ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, estava na Catedral de Brasília naquela tarde melancólica, quando o esquife com o corpo de JK deixou o nosso primeiro templo e seria acondicionado sobre um carro do Corpo de Bombeiros. Num átimo, os candangos em multidão — cerca de 300 mil — apoderaram-se do corpo de Juscelino e o levaram de mão em mão, de braço em braço, de ombro em ombro, até o cemitério. Nos longos oito quilômetros que separam a Catedral do Campo da Esperança, parte percorrida pela Esplanada e parte pela W3 Sul, os candangos cantaram Peixe Vivo — a música preferida de JK — e o Hino Nacional, clamaram por Juscelino, silenciaram em preces e espargiram lágrimas de saudades e dor.

“Não houve honras oficiais, nem salões ou palácios da cidade que ele fez construir. Apenas a casa de Deus, as ruas e as orações candangas”, lembra Silvestre Gorgulho, que acompanhou o cortejo da Catedral até o Campo da Esperança e presenciou toda a cerimônia. Essas cenas estão contadas, com vantagens, no livro De Casaca e Chuteiras — A Era dos Grandes Dribles na Política, Cultura e História / 1956 — 1977 / Brasília-JK-Pelé, um brinde de Gorgulho a Brasília.

Primeiro recado

No dia 17 de fevereiro de 1976, o jornalista Roberto Marinho, dono das Organizações Globo, fez uma visita ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, no Rio de Janeiro. “Juscelino, trago um recado do Armando. Militares pretendem coisas dramáticas contra a sua vida”, teria dito Roberto Marinho a um apreensivo, mas sempre sereno JK. Armando Falcão, então ministro da Justiça do governo Geisel, havia sido também ministro da Justiça entre 1956 e a inauguração de Brasília, em 1960. Na foto clássica de JK com Jango e Israel Pinheiro entrando no Palácio do Planalto no final da tarde daquele histórico 21 de abril de 1960, igualmente de casaca, ao lado de Jango, estava lá ele, Armando Falcão.

No sábado, 7 de agosto daquele mesmo ano, uma “notícia” se espalharia pelo país: Juscelino teria morrido num acidente automobilístico na estrada Rio-São Paulo. A imprensa se mobilizou. Dona Sarah foi procurada no Rio. Recluso na sua Fazendinha, em Luziânia, Juscelino foi surpreendido pela visita de uma dezena de fotógrafos e jornalistas movidos pela pauta tenebrosa e, de certo modo, premonitória. Apreensiva, Vera Brant se deslocou de Brasília até Luziânia para conversar com JK. “Juscelino, acho que jogaram esse alarme falso para avaliar que tipo de emoção causaria no país a sua morte. Cuidado, que vão te matar”, vaticinou Vera ao abraçar o amigo ainda perplexo com o vasto ruído.

O desmentido viria na noite do dia seguinte, no programa Fantástico, da TV Globo. A vontade de tirar a vida de JK não era nova na ditadura militar. Em junho de 1968, um grande atentado foi abortado no país. O caso Para-Sar (tropa especial de elite da Aeronáutica especializada em busca, salvamento e operações especiais) foi um plano arquitetado pelo então brigadeiro João Paulo Burnier. As vítimas finais seriam os principais líderes civis do país perseguidos pelo golpe de 1964: Juscelino Kubitschek, Carlos Lacerda, Jânio Quadros, Dom Hélder Câmara e mais 40 militantes da oposição. Jango estava no exílio.

A primeira fase da operação terrorista consistia em realizar uma série de atentados a bomba tendo como alvo empresas norte-americanas, como o Citibank e a Sears, além da explosão de um gasômetro na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro. Os crimes seriam atribuídos aos movimentos de esquerda. Estabelecido o caos, os líderes civis seriam sequestrados e mortos. O capitão Sérgio Miranda de Carvalho (um cavalheiro conhecido pela tropa como Sérgio Macaco), convocado para coordenar a operação terrorista, recusou-se a praticar os atos ilegais e denunciou o horror aos seus superiores. A violência pública proposta por Burnier mergulharia nos porões — tortura, sequestros e mortes — com o AI-5, em dezembro de 1968.

Em janeiro de 1971, o assassinato do ex-deputado federal Rubens Paiva no DOI-CODI do II Exército, em São Paulo, sinalizou a fase do terror da ditadura militar. Somente em 1974, com a vitória do MDB nas eleições gerais de novembro, os limites do autoritarismo assumiriam contornos mais visíveis. É bem verdade que, em agosto de 1974 — cinco meses após a sua posse como presidente da República, em março —, o general Ernesto Geisel, num encontro com os dirigentes da Arena — partido político que dava sustentação simbólica e congressual à ditadura —, anunciou a famosa proposta de distensão política, por ele chamada de “lenta, gradual e segura”.

Como a história republicana assinala, os quartéis nunca foram exatamente harmônicos, disciplinados, amigos das leis e da legitimidade. No dia 25 de outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog foi torturado e morto nas dependências do II Exército de São Paulo, que abrigava o temido DOI-CODI. Herzog havia se apresentado voluntariamente ao general Eduardo D’Ávila Mello no dia 24 daquele mesmo outubro. Em janeiro de 1976, três meses após a morte de Vladimir Herzog, no mesmo II Exército, ainda sob o comando do general D’Ávila, seria morto o operário e sindicalista Manoel Fiel Filho.

Os dois assassinatos atingiram em cheio o governo militar e desafiaram frontalmente o presidente Geisel. O general D’Ávila foi demitido três dias após a morte de Fiel Filho. Na madrugada do dia 14 de abril de 1976, a famosa estilista Zuzu Angel foi esmagada, dentro do próprio carro, na saída do Túnel Dois Irmãos, em São Conrado, no Rio. Zuzu lutava desesperadamente pelo paradeiro de seu filho, Stuart Angel, preso, torturado e morto pela ditadura em 1971.

No dia 19 de agosto de 1976, uma bomba explodiu na sede da ABI e outro artefato foi desativado na sede da OAB, ambas no Rio. Ainda em 1976, JK seria morto no dia 22 de agosto; o ex-presidente João Goulart morreria em dezembro, também num rastro de suspeitas de atentado. Em maio de 1977 seria a vez de Carlos Lacerda, também em um cenário igualmente suspeito. No dia 12 de outubro de 1977, o presidente Geisel demitiu o então ministro do Exército, general Silvio Frota, um inimigo militante da abertura política e candidato, já em campanha, à sucessão de Geisel. Tornava-se pública a grave crise militar que abalava a ditadura, além da expressiva derrota nas eleições de 1974.

A partir daí, o terror se acentuaria. Dois atentados marcaram a época e se espalham pelo mundo. Em 27 de agosto de 1980, uma carta-bomba explodiu nas mãos da secretária da presidência da OAB, Lyda Monteiro, no Rio, ceifando-lhe a vida. Na noite do dia 30 de abril de 1981, no estacionamento do Centro de Convenções Riocentro, uma bomba explodiu no colo do sargento do Exército Guilherme do Rosário, matando-o, e deixou gravemente ferido o então capitão do Exército Wilson Dias Machado. Naquela noite, Chico Buarque, Gal Costa, Clara Nunes, Gonzaguinha, Elba Ramalho, Alceu Valença, Beth Carvalho, Moraes Moreira e João Bosco estavam se apresentando para 20 mil pessoas que lotavam o Riocentro. Um “acidente de trabalho” impediu que a tragédia se consumasse. Entre 1978 e 1983, de acordo com relatórios oficiais, a extrema-direita praticou mais de 187 ataques terroristas. Os alvos mais evidentes eram as redações de jornais, as bancas de revistas que vendiam publicações da oposição e as instituições — OAB, ABI… — que se mobilizavam pela redemocratização do país.

Retomando a cena política

Na manhã do dia 20 de agosto de 1976, uma sexta-feira, o ex-presidente Juscelino Kubitschek embarcou num avião da Vasp em Brasília com destino a São Paulo. Estavam no aeroporto e no mesmo voo o então senador José Sarney e sua esposa Marly, o ex-senador Franco Montoro e o ex-deputado federal Ulysses Guimarães. O mau tempo em Congonhas obrigou o desvio da aeronave para Viracopos, em Campinas. Durante toda a viagem, Ulysses, Montoro e JK conversaram sobre a conjuntura política do país, que se redesenhava velozmente depois da vitória do MDB nas eleições de 1974. “Hoje está cada vez mais clara a necessidade de normalização da ordem pública. Isso é um desejo de todo o povo brasileiro, à exceção de uns poucos radicais de direita e de esquerda”, disse JK a Ulysses Guimarães em um certo momento daquele último encontro.

Os atentados a bomba que haviam ocorrido na véspera também foram objeto da conversa entre eles. “Tenho sentido uma inquietação crescente nos meios econômicos e bancários com os quais tenho conversado nos últimos tempos”, revelou ainda JK aos dois notáveis interlocutores. O voo inicia o seu procedimento de pouso em Viracopos, naquele final de uma manhã diluviana em São Paulo. Apesar dos temas delicados do diálogo com Ulysses e Montoro, JK não escondia o seu contentamento com a recente retomada da cena pública. No aeroporto havia dado autógrafos. Na decolagem em Brasília, tão logo o avião alcançou a estabilidade dos 10 mil pés, a voz do comandante Sérgio informou: “Tenho o prazer de anunciar que está a bordo o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira”. Os passageiros entoaram aplausos, sinalizando empatia e acolhimento.

Jornalista, mestre em história pela Universidade Paris-Sorbonne.

Legenda da foto: “Mais de 300 mil pessoas foram dar o último adeus a JK em agosto de 1976.”

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SEBASTIÃO NERY

SAUDADES

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Vi hoje um video produzido pela Câmara Municipal de Jaguaquara-BA, terra natal do Tião Nery, que me trouxe lembranças queridas e uma saudade imensa do meu amigo.
Como eu gostava de viajar nos livros, nas palavras e nos causos do NERY. Sobretudo na companhia dele e da Bia. Ainda bem que viajamos muito por este mundo a fora. Até nas montanhas dos Pintos Negreiros, lá perto de São Lourenço, um distrito de Maria da Fé (na Mantiqueira) nós formos. Rodamos a Amazônia, Chapada dos Veadeiros, Líbia, Marvão, a Europa, Líbia, França e Bahia… Fomos juntos, pelo menos, quatro vezes ao Pantanal.
Ganhamos um PRÊMIO ESSO juntos… Uma história fantástica que ocupa cinco páginas (pag.414) de seu livro “A NUVEM – 50 Anos de História do Brasil”.
Mas vamos ao vídeo, um bom resumo da vida desse `Guerrilheiro das palavras`.
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EMILIANO PEREIRA BOTELHO

(1948-2026)

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O Brasil perdeu ontem à noite (11/08) um cidadão empreendedor, dedicado e que deixa um legado incomensurável para a agricultura tropical: EMILIANO PEREIRA BOTELHO.
Paracatu perdeu um filho ilustre e eu perdi um amigo, inclusive, que escreveu a abertura do meu livro “DE CASACA E CHUTEIRAS – JK-BRASÍLIA-PELÉ – A Era dos Grandes dribles na Política, Cultura e História”.
Nesse livro, Emiliano, como presidente da CAMPO – Companhia de Promoção Agrícola, escreveu sobre o Planalto Central e a história da revolução verde-amerela do Cerrado, focando na chegada dos japoneses das famílias Kanegae, Hayakawa, Ogawa, Ikeda e Okudi para desbravar a região do Distrito Federal.
Como jogador de futebol, amante da boa música e torcedor do Cruzeiro, EMILIANO BOTELHO tinha seu lado alegre e festeiro. Como profissional da agropecuária, deixa uma história de empreendedorismo: logo depois de ser o superintendente e, depois, presidente da Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu, a Coopervap, presidiu por mais de 30 anos a CAMPO – Companhia de Promoção Agrícola, ligada ao Programa de Cooperação Nipo-Brasileiro para o Desenvolvimento dos Cerrados, o Prodecer.
FOTOS
1) Emiliano Botelho quando foi homenageado pela Casa de Cultura e pela Prefeitura Municipal de Paracatu como Personalidade que fez e faz diferença na região.
2) Emiliano, o Ministro Alysson Paolinelli e o primeiro presidente da CAMPO, Paulo Afonso Romano.
3) Emiliano e sua paixão pelo Cruzeiro, que hoje no jogo com o Flamengo bem podia fazer um minuto de silêncio em sua Memória.
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