Reportagens
Anfíbios ameaçados de extinção são monitorados em Foz do Iguaçu
Pela primeira vez, espécie Pithecopus rusticus é mantida em cativeiro para finalidade de conservação
CIÊNCIA
Um casal de pererecas da espécie Pithecopus rusticus está sendo mantido em cativeiro, no Parque das Aves, em Foz do Iguaçu. Esta é a primeira vez que exemplares da espécie se encontram sob cuidados humanos. A ideia é que os anfíbios, que estão criticamente ameaçados de extinção, possam se reproduzir num ambiente seguro e, assim, dar o pontapé inicial para um programa de conservação da espécie. O anfíbio só pode ser encontrado em uma área de campos de altitude na Mata Atlântica e a população conhecida é de poucos indivíduos, tendo em vista que o hábitat natural desta espécie já está bastante impactado pela presença humana.
O casal foi trazido do município de Água Doce, em Santa Catarina, divisa com o Paraná, para o Parque das Aves, em Foz do Iguaçu (PR), no início de abril, numa operação que mobilizou a Universidade Federal de Santa Maria, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (RAN-ICMBio), o Parque das Aves e a Reserva Paulista (Zoológico de São Paulo). As pererecas chegaram à Foz do Iguaçu de helicóptero com apoio do Parque Nacional do Iguaçu, o que reduziu o tempo de transporte em seis horas, minimizando o estresse para os animais.
Como a população na natureza é escassa e há a necessidade de reprodução em cativeiro para garantir a inserção de novos indivíduos, a equipe técnica que está cuidando dos animais tem a esperança de que a reprodução num local seguro é um passo importante para a conservação da espécie. Esta foi uma das conclusões levantadas por um evento realizado em 2020, que reuniu os maiores especialistas em anfíbios ameaçados de extinção no Brasil. Assim, a ideia é manter uma população de segurança para que seja facilitada a reprodução dos animais em um espaço seguro, para, posteriormente, enviar os descendentes ao seu local de origem, reforçando a população.
No Parque das Aves, a equipe técnica que cuida dos animais oferece uma alimentação composta por grilos, baratas, besouros e outros pequenos invertebrados, oriundos do biotério (local onde animais são conservados e usados para finalidades científicas em ambiente sanitário controlado) do próprio Parque. A alimentação ainda é suplementada por vitaminas e minerais. Também foi feito um trabalho para simular o ambiente e deixá-lo o mais semelhante possível com o natural. Fora a iluminação natural, uma lâmpada ultravioleta B favorece as funções fisiológica das pererecas.
Por ser uma espécie de hábitos noturnos, uma câmera infravermelha foi instalada especialmente para que a equipe possa realizar um monitoramento minucioso do comportamento do casal todos os dias. A análise das gravações noturnas permite aos pesquisadores aprenderem sobre comportamento, alimentação e padrão de atividade desta espécie.
A equipe técnica já notou que durante o dia, as pererecas gostam de se esconder em bromélias e vegetações afins e que também são bastante sensíveis em relação à qualidade da água. Por esta razão, os técnicos monitoram constantemente parâmetros como pH, a presença de nitrato, nitrito e amônia e outros fatores que podem prejudicar o desenvolvimento dos animais.
Por enquanto, os visitantes do Parque das Aves ainda não terão acesso à sala das pererecas.
As pesquisas sobre a espécie são realizadas por uma equipe de pesquisadores e estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em parceria com outras universidades do Brasil e com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN), do ICMBio, que é responsável pelo Plano de Ação Nacional para Conservação de Répteis e Anfíbios Ameaçados da Região Sul do Brasil (PAN Herpetofauna do Sul), que iniciou suas atividades em 2012 e coordenou a ação.
No ano 2014, o anfíbio foi formalmente descrito pela ciência como uma nova espécie. Infelizmente, a espécie já está criticamente em perigo de extinção, segundo a Portaria do Ministério do Meio Ambiente nº 148, de 07/06/2022, que atualizou a Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção. Isso ocorre porque, desde a sua descoberta, poucos indivíduos são registrados em apenas uma localidade, mesmo com buscas na região.
Comunicação ICMBio
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Moraes dá 48 horas para Bolsonaro informar se autorizou vídeo com IA
Produção foi apresentada no sábado em convenção do Partido Liberal
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (28) que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro se manifeste, no prazo de 48 horas, sobre a utilização de sua imagem e voz em um vídeo produzido por meio de inteligência artificial (IA) e exibido durante a Convenção Nacional do Partido Liberal (PL), realizada no último sábado (25).

Na decisão, Moraes afirma que é necessário esclarecer se Bolsonaro autorizou a produção e a divulgação do vídeo, que simulava um pronunciamento em apoio à pré-candidatura de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, à Presidência da República.
Segundo o ministro, a resposta é necessária para verificar se houve novo descumprimento das condições impostas ao ex-presidente durante a prisão domiciliar humanitária. Se essa hipótese for confirmada, Bolsonaro corre o risco de ter o benefício revogado.
Caso ele não tenha autorizado a produção do vídeo, Moraes aponta eventual grave desrespeito à legislação eleitoral por parte de Flávio Bolsonaro e do PL, podendo, inclusive, acarretar em inelegibilidade.
“Se não houve autorização do custodiado Jair Messias Bolsonaro para utilização de sua imagem e voz para declarações político-eleitoral, além de constituir desrespeito à ordem judicial por Flávio Nantes Bolsonaro e pelo Partido Liberal (PL), tal conduta poderá tipificar a denominada ‘deep fake’, prática expressamente vedada pela legislação eleitoral, um vez que, haverá a caracterização de criação ou divulgação de conteúdo sintético destinado a associar artificialmente a imagem, a voz ou a manifestação de determinada pessoa a candidato, partido ou causa política, sem sua expressa autorização”.
Na decisão desta terça-feira, Moraes lembra que Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar humanitária, está com os direitos políticos suspensos em razão de condenação criminal definitiva por tentativa de golpe de Estado e está proibido de divulgar manifestações político-eleitorais, inclusive por intermédio de terceiros.
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Exposição dos Povos da Floresta chega a Brasília e ocupa Memorial dos Povos Indígenas
Em cartaz a partir de quarta-feira (29), mostra tem entrada gratuita e reúne artistas indígenas, povos tradicionais e diferentes expressões da arte amazônica
Por
Agência Brasília | Edição: Plácido Fernandes
Brasília recebe, a partir desta quarta-feira (29), a Exposição dos Povos da Floresta, uma mostra que reúne artistas de diferentes territórios da Amazônia em um encontro entre arte, ancestralidade, território e memória. Integrando a Etapa Brasília do Festival dos Povos da Floresta, a exposição ocupa o Memorial dos Povos Indígenas (MPI), com visitação gratuita até 27 de setembro.
Idealizado pelo Centro de Inovação da Amazônia (Rioterra), o Festival dos Povos da Floresta promove a circulação de artistas, mestres tradicionais e comunidades originárias, ampliando o acesso às múltiplas expressões culturais amazônicas em diferentes regiões do país. A cerimônia de abertura será na terça-feira (28), das 19h às 21h, marcando o encontro de artistas, curadores, convidados e público em uma celebração da diversidade cultural brasileira.
A exposição reúne fotografias, pinturas, esculturas, instalações, registros audiovisuais, experiências em realidade virtual e curtas-metragens, construindo um percurso sensorial que aproxima o visitante das diferentes narrativas e modos de vida presentes na Amazônia.
Entre os destaques estão obras de Gustavo Caboco, Paula Sampaio, Will Arehj, Wauto Am, além do acervo fotográfico da Rioterra com trabalhos de Marcela Bonfim, Alexis Bastos, Fred Bastos, Alexandre Rotuno e do próprio Will Arehj.
A mostra também reúne artistas de Rondônia, Roraima, Amapá e Pará, refletindo a diversidade estética, cultural e territorial da região amazônica. Participam nomes como Saulo de Souza, Rafael Prado, Evandro Câmara, Bototo, Avener Prado, Isaías Miliano, Pedro Macuxi, Kaiwino Wiz (Georgina), Vinícius Kenede, Caripoune Yermollay, Ya Juarez, Keyla Palikur, Thay Ptit, Hugo Figueiredo e Gilson Tupinambá, entre outros.
Ao longo de sua trajetória, a Exposição dos Povos da Floresta percorreu Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Macapá (AP) e Belém (PA), incorporando novas ocupações artísticas e diferentes olhares curatoriais em cada território. Em Brasília, essas experiências convergem em uma exposição que sintetiza os diálogos construídos ao longo do projeto, sob curadoria de Isabela Bastos e Lucas Baim.
Mais do que apresentar obras de arte, a mostra propõe uma reflexão sobre a pluralidade dos povos amazônicos, evidenciando suas memórias, cosmologias, formas de resistência e modos de produzir conhecimento por meio da arte.
Programação audiovisual e realidade virtual
Além das obras expostas, o público poderá assistir a uma seleção de curtas-metragens produzidos em Rondônia, Roraima, Amapá e Pará, com narrativas que dialogam com os temas da exposição e ampliam a experiência do visitante.
A programação inclui ainda uma imersão em realidade virtual composta por quatro experiências audiovisuais que apresentam paisagens, saberes e vivências da Amazônia, permitindo ao público conhecer diferentes territórios por meio de tecnologia imersiva.
Comprometida com a democratização do acesso à cultura, a exposição contará com recursos de acessibilidade, incluindo intérpretes de Libras e audiodescrição das obras por meio de QR Code.
Ao reunir diferentes linguagens artísticas, territórios e experiências culturais, a Exposição dos Povos da Floresta reafirma o compromisso do festival em fortalecer o protagonismo dos povos amazônicos e ampliar a circulação de suas produções, aproximando o público brasileiro da riqueza artística e cultural da região.
Serviço
Exposição dos Povos da Floresta
⇒ Local: Memorial dos Povos Indígenas (MPI)
⇒ Cerimônia de abertura: terça-feira (28), das 19h às 21h
⇒ Visitação: de quarta-feira (29) a 27 de setembro
⇒ Funcionamento: terça-feira a domingo, das 9h às 17h
⇒ Entrada gratuita.
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