Reportagens
Premiação é entregue a pesquisadores e atuantes na área tecnológica
A solenidade de entrega do II Prêmio FAPDF de Ciência, Tecnologia e Inovação também contou com lançamento do periódico ‘Diálogo Científico FAPDF’, volume 2
Agência Brasília* | Edição: Carolina Lobo
Com cerca de 200 convidados, a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) realizou, na noite de quarta-feira (13), a solenidade de entrega do II Prêmio FAPDF de Ciência, Tecnologia e Inovação e do lançamento do periódico Diálogo Científico FAPDF, volume 2.
Na ocasião, também foram homenageadas 15 autoridades com a placa Honra Colaborativa FAPDF 2023, uma distinção da fundação em reconhecimento e agradecimento pela parceria, dedicação e confiança na missão da instituição. Entre os agraciados, o governador Ibaneis Rocha e a vice-governadora Celina Leão, secretários do Governo do Distrito Federal (GDF) e representantes de universidades, fundações, organizações e entidades.

A premiação e o lançamento da publicação visam à valorização dos pesquisadores e à qualidade da pesquisa produzida no DF. Receberam o prêmio representantes das categorias Pesquisador Destaque; Pesquisador Inovador; Estudante Destaque; Startup Inovadora; Profissional de Comunicação; Servidor Destaque; Iniciativa GovTech; e Bolsista de Iniciação Científica e Tecnológica com Bolsas da FAPDF.
Realizado anualmente, a ideia do prêmio é homenagear destaques em pesquisas científicas, tecnológicas e de inovação, que beneficiaram direta ou indiretamente a população do Distrito Federal. Os vencedores de cada categoria foram agraciados com certificados e premiação financeira.
Nacional
Além disso, o vencedor de cada categoria foi automaticamente indicado ao prêmio CONFAP de Ciência, Tecnologia e Inovação – Johanna Döbereiner (3ª Edição), representando o Distrito Federal em âmbito nacional. Trata-se de uma iniciativa do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap).
O diretor-presidente da FAPDF, Marco Antônio Costa Júnior, aproveitou para anunciar o lançamento do 1º Fórum Confap 2024, em Brasília, em meados de março.
O periódico, também anual, reúne os melhores projetos fomentados pela FAPDF. Neste volume, assim como no primeiro impresso, em 2022, há 50 pesquisas em diversas áreas do conhecimento.
Abertura

Anfitrião da noite, o diretor-presidente Marco Antônio, agradeceu à equipe da FAPDF pela realização do evento e aos presentes, lembrando que a fundação “tem se dedicado incansavelmente à promoção do desenvolvimento científico, tecnológico e inovador em Brasília”. Também fez questão de agradecer o apoio do governador Ibaneis Rocha e de toda a equipe do GDF, “no fortalecimento das pesquisas locais”, bem como o reconhecimento dos convidados como peças importantes do ecossistema de inovação.
Além do diretor-presidente, compuseram o dispositivo de honra a vice-governadora Celina Leão; o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Leonardo Reisman; e o deputado federal Fred Linhares, que compõe a Comissão Permanente de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados. Na oportunidade, o diretor-presidente fez a entrega simbólica do periódico às autoridades que estavam no dispositivo, representando os autores do livro.
“A tecnologia é plural e cabe em qualquer lugar e acredito que é requisito indispensável para fazermos o DF e o Brasil avançarem”, observou o deputado Fred Linhares.
Segundo o secretário Leonardo Reisman, um dos fatores condicionantes para o sucesso de um ambiente de inovação é a harmonia entre o governo, a universidade e a iniciativa privada. “A Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal financia e apoia, de forma equânime, projetos apresentados por estes três atores do ecossistema de ciência, tecnologia e inovação. Vários dos principais programas do nosso setor puderam avançar e alcançar resultados positivos por terem o investimento da FAPDF”, ressaltou.
Valorização
Por sua vez, a vice-governadora fez questão de elogiar o trabalho da atual gestão da FAPDF. Celina Leão falou ainda sobre os desafios no DF e pediu ajuda aos gestores da área tecnológica. “A gente tem um desafio muito grande. Todos os atos de governo precisavam ser atos digitais. Nós queríamos que toda a receita que a pessoa busque no hospital fosse digital. Todas as consultas, digitais. Todos os médicos, com prontuários digitais. Todo o atendimento digital. A gente está nesse processo”, disse.
Por fim, ao citar os cumprimentos do governador Ibaneis Rocha a todos os homenageados, fez um apelo à academia, professores, mestres, doutores presentes, para ajudarem a construir um DF pautado também na tecnologia, “porque gera transparência, atendimento ao cidadão e um DF como ele é, a capital da República”.
Premiados da noite
⇒ Categoria Pesquisador Destaque
→ Na subcategoria Ciências Humanas:
Em primeiro lugar, Maria Raquel Gomes Maia Pires.
Em segundo lugar, Maria Fernanda Derntl.
→ Na subcategoria Ciências Exatas:
Em primeiro lugar, José Alexander Araújo.
Em segundo lugar, Jaqueline Godoy Mesquita.
Em terceiro lugar, Juan Félix Rodriguez Rebolledo.
→ Na subcategoria Ciências da Vida:
Em primeiro lugar, Sônia Nair Báo.
Em segundo lugar, Guilherme Martins Gelfuso.
Em terceiro lugar, Alexandre Rodrigues Caetano.
⇒ Categoria Pesquisador Inovador
→ Na subcategoria Inovação para o Setor Empresarial:
Em primeiro lugar, João Paulo Figueiró Longo.
Em segundo lugar, Marcílio Sérgio Soares da Cunha Filho.
Em terceiro lugar, Sanderson César Macêdo Barbalho.
→ Na subcategoria Inovação para o Setor Público:
Em primeiro lugar, Cleidson Nogueira Dias.
Em segundo lugar, Haydee Glória Cruz Caruso.
Em terceiro lugar, Juliana Ferreira da Silva.
⇒ Categoria Estudante Destaque
→ Na subcategoria Escola Pública:
Em primeiro lugar, a orientadora Marília dos Santos Pinheiro e o estudante Iuri Costa Cavalcante.
Em segundo lugar, a orientadora Marília de Brito Ferreira e o estudante Gabriel Lima Silva;
Em terceiro lugar, o orientador José Matheus Lima Gomes da Silva e a estudante Stephany Santana de Araújo.
→ Na subcategoria Escola Privada:
A orientadora Simone Monteiro e Silva e a estudante Sofia Rodrigues Passalacqua.
⇒ Categoria Startup Inovadora
→ Na subcategoria Startup Acelerada:
Cooil Cosmetics e seu representante Victor Carlos Mello da Silva.
→ Na subcategoria Startup Não Acelerada:
Biointech Biotecnologia e seu representante João Daivison Silva Ramalho.
⇒ Categoria Profissional de Comunicação
Brunno de Melo Silva.
⇒ Categoria Iniciativa GovTech
Caliane Souza de Oliveira.
⇒ Categoria Bolsista de Iniciação Científica
→ Na subcategoria Ciências Humanas:
Em primeiro lugar, João Grau Brigagão Cury.
Em segundo lugar, Larissa Assis de Souza.
Em terceiro lugar, Ana Carolina Duarte Martins.
→ Na subcategoria Ciências Exatas:
Em primeiro lugar, Gabriel Guimarães de Souza Braga de Albuquerque.
Em segundo lugar, Matheus Ribeiro Vidal.
Em terceiro lugar, Pollyanna da Silva Bomfim.
→ Na subcategoria Ciências da Vida:
Em primeiro lugar, Jéssica da Luz Costa.
Em segundo lugar, Gustavo Lucas Ribeiro Batista.
Em terceiro lugar, Ellen Monteiro Castro.
⇒ Categoria Servidor Destaque
Clarissa Regina Lima da Silva.
⇒ Placa Honra Colaborativa FAPDF 2023
Governador Ibaneis Rocha;
Vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão;
Deputado federal Fred Linhares;
Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do DF, Leonardo Reisman;
Secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar;
Secretário de Planejamento, Orçamento e Administração do DF, Ney Ferraz Júnior;
Secretário da Controladoria Geral do DF, Daniel Alves;
Presidente do Parque Tecnológico de Brasília, Gustavo Dias Henrique.;
Presidente da Financiadora de Estudos e Projetos, Celso Pansera;
Presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Mercedes Bustamante;
Presidente do Sindicato da Indústria da Informação do DF, Carlos Jacobino;
Diretora-executiva da Escola de Governo do DF, Juliana Tolentino;
Superintendente do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do DF, Rose Rainha;
Representante da Universidade Católica de Brasília;
Representante da Universidade de Brasília;
Confap.
*Com informações da FAPDF
Reportagens
Escritor Joaquim Arena preenche vazios de Europa negra invisibilizada
Autor participa do Clube do Livro do CCBB-RJ
Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil
Revelar uma Europa negra, apagada das narrativas oficiais, é o que propõe o autor luso-cabo-verdiano Joaquim Arena, que revisita a presença de africanos e seus descendentes no continente europeu por meio do livro Debaixo da nossa pele (2017).

A partir de viagens por Portugal, arquivos e relatos, o escritor reconstrói trajetórias de personagens negros pouco conhecidos. A jornada também se cruza com a história da migração cabo-verdiana para Lisboa e com a trajetória do próprio escritor.
Arena nasceu na Ilha de São Vicente, em Cabo Verde, em 1964. É filho de pai português e de mãe cabo-verdiana e viveu grande parte da sua vida em Lisboa. Em Portugal, ele se formou em direito e iniciou a carreira em jornalismo.
O escritor está no Rio de Janeiro para participar do Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ), no centro da capital fluminense, às 17h30 desta quarta-feira (14).
Autor de seis romances, traduzidos em várias línguas, Arena escreveu Siríaco e Mister Charles, vencedor do Prémio Oceanos de Literatura, na categoria Prosa, em 2023. Atualmente, reside em Cabo Verde, na cidade de Praia.
Cabo Verde e Brasil
Com o tema “Romance histórico: onde a realidade encontra a ficção”, o encontro gratuito propõe uma conversa sobre memória, pertencimento, identidade e as marcas do passado colonial que permanecem no presente.
A partir da obra de Arena, o evento busca aproximar experiências históricas e culturais de Cabo Verde e do Brasil, dois países atravessados por deslocamentos populacionais, encontros entre diferentes culturas e pelas relações entre África e Europa.
O autor conta que Debaixo da nossa pele fala da miscigenação e da circulação dos povos da África para a Europa. O público poderá perceber semelhanças com a formação do Brasil.
“Debaixo da nossa pele fala dessa condição humana de deslocamento das pessoas de um país a outro, levadas por questões econômicas, sociais e políticas. O livro faz essa síntese, pois a circulação continua ainda hoje, é positiva, abre oportunidades de novas janelas de vida para muitas pessoas”, diz Arena.
Preenchendo vazios
Para o escritor, a história tem um poder atrativo mais forte do que o presente.
“Sou levado a encontrar, no meio dos fatos históricos, os vazios. São esses vazios que eu pretendo preencher através da minha ficção. Aproveito episódios verídicos que são muito inspiradores para que nós imaginemos uma personagem. Fico com vontade de saber mais, senão eu invento a personagem”, afirma o autor.
Arena conheceu a literatura brasileira aos 12 anos, com a obra de Jorge Amado. Ele se identificou com o livro Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos, que também fez parte da sua formação. Para ele, foi uma porta de entrada de uma literatura que não era portuguesa, europeia nem africana.
“Nós, das antigas colônias portuguesas, recebemos a literatura brasileira como uma janela para um mundo muito semelhante ao nosso”.
“Jorge Amado, com sua Bahia, está na formação de muitos autores lusófonos na África. Depois, vamos crescendo e encontrando Guimarães Rosa, José Lins do Rêgo, Graciliano Ramos. O romance da década de 30 fala dos retirantes, da seca. É uma realidade muito próxima da nossa”, diz Arena.
O autor acredita que um clube de leitura é um reduto onde se mantém ainda uma magia e em que se ouve falar de invenções.
“Há um pacto do autor com o público. O escritor sabe que o que ele inventou não existiu. O leitor sabe que o romance saiu da imaginação. Isso cada vez mais num mundo acelerado, com redes sociais, com streamings”.
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Técnicos apresentam o andamento das metas fiscais do governo
Apresentação feita à CEOF mostra que, até agosto, receita corrente líquida do DF foi de R$ 28 bilhões, o que significa cerca de 72% da meta
Foto: Felipe Ando/Agência CLDF
Com relação à despesa total empenhada, GDF gastou R$ 31 bilhões até agosto, dos R$ 47,6 bilhões previstos para o ano
A Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara Legislativa realizou audiência pública na manhã desta quinta-feira (15) para avaliar as metas fiscais do Governo do Distrito Federal nos primeiros 8 meses de 2026. Na ocasião, técnicos do governo apresentaram à comissão números referentes a receitas e despesas do GDF nos dois primeiros quadrimestres do ano em comparação às metas previstas nas leis orçamentárias.
Confira a cobertura fotográfica no Flickr da CLDF
Com relação às receitas correntes, a previsão inicial para 2026 era de R$ 39 bilhões e o valor alcançado até agosto é de R$ 28 bilhões, o que significa um alcance de 71,85% da meta. As receitas de capital até agosto somam R$ 1,1 bilhão, enquanto a previsão inicial para 2026 era de R$ 726 milhões, o que representa 163,16% de alcance da meta. O total de receitas tributárias até agosto soma R$ 20,1 bilhões, enquanto a previsão para o ano era de R$ 25,4 bilhões, representando 79,29% da meta estabelecida. O ICMS, sozinho, representa 46,2% de toda a arrecadação com impostos e taxas. Com relação à despesa total empenhada, a dotação autorizada para 2026 era de R$ 47,6 bilhões, sendo que o governo gastou R$ 31 bilhões até agosto, o que representa 65,3% da dotação.
Para o deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil), presidente da CEOF, os números são positivos para o governo. “De maio a agosto, tivemos um incremento na casa de R$ 1 bilhão fruto da alienação de bens. Assim chegamos a 72% do total previsto a realizar de receita. Já temos um indicativo de que teremos excesso de arrecadação ao longo do último quadrimestre. Estamos chegando a quase 50% do saldo total previsto para investimentos no ano, que é de R$ 3,5 bilhões. Isso mostra que os investimentos não pararam mesmo diante de situações orçamentárias excepcionais”, avaliou.
Representando o governo, o assessor especial de política fiscal da Secretaria de Economia do DF, Luiz Barreto, ressaltou que o ano de 2026 foi impactado pelo déficit orçamentário do ano anterior. “O DF, nos últimos dois anos, apresentou déficit. E esse déficit teve impacto em 2026. Nós entramos em 2026 com quase R$ 3 bilhões de déficit. Por isso, a execução orçamentária de 2026 precisa priorizar o que é relevante, como saúde e educação. Até o presente momento temos um resultado primário de superávit de R$ 1,8 bilhão na Lei de Diretrizes Orçamentárias e déficit de R$ 1,5 bilhão na Lei Orçamentária Anual”, explicou.
O assessor também comentou os números relacionados a gastos com pessoal e repasses obrigatórios para a educação. “Até agosto tivemos um índice de 40,54% do orçamento destinado para gasto com pessoal, o que está dentro do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Sobre os mínimos empenhados em educação, a lei determina que ao final do exercício temos que atingir 25% e hoje estamos em 23%”, relatou Barreto. A íntegra da audiência pública está disponível no canal da TV Câmara Distrital no YouTube.
Eder Wen – Agência CLDF
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Debatedores alertam para diferentes formas de violência contra meninas
A audiência foi presidida pela senadora Leany Lemos (C)
Geraldo Magela/Agência Senado
Crianças e adolescentes representam um terço dos usuários de internet no mundo. No Brasil, um em cada cinco adolescentes foi vítima de alguma forma de abuso ou exploração sexual facilitada pela tecnologia em 2025. A maioria das vítimas é formada por meninas, e a violência ocorre principalmente em aplicativos conhecidos, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A informação foi apresentada nesta quinta-feira (15) em audiência da Comissão de Direitos Humanos (CDH), que debateu os desafios das políticas públicas para garantir a proteção integral das meninas no país. Os participantes também alertaram para outras formas de violência contra meninas e defenderam medidas de prevenção e proteção.
O debate foi requerido pela presidente do colegiado, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), em alusão ao Dia Internacional da Menina, celebrado no domingo (11), por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU). A reunião foi presidida pela senadora Leany Lemos (PSB-DF), suplente da senadora licenciada Leila Barros (PDT-DF). Para Leany, é preciso prevenir violências e permitir que cada menina desenvolva plenamente as suas capacidades.
— Quantas meninas ouvem que a liderança não é para elas? Quantas assumem responsabilidades domésticas e do cuidado antes de terem condições de construir seus próprios projetos de vida, e nisso elas nem sonham ser outras coisas, porque elas não têm essas oportunidades? Quantas meninas, na maioria negras ou pobres das periferias e das regiões distantes do Brasil, enfrentam obstáculos ainda maiores para exercer esses direitos, que são direitos universais? Então, essas perguntas têm que orientar as nossas políticas públicas — afirmou.
Ambiente digital
A coordenadora-geral de Direitos Humanos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Fernanda Souza Carlos, afirmou que a exploração sexual de crianças e adolescentes exige novas estratégias de enfrentamento, diante da migração de parte dos crimes para o ambiente digital. Ela defendeu a articulação entre órgãos públicos e sociedade civil para ampliar a proteção às meninas.
— O crime que a gente via antigamente com as meninas, as crianças à beira da rodovia, hoje, a gente não vê mais. Esse crime está no digital. Então, cada vez mais fica mais complexo o combate aos crimes voltados à exploração sexual de crianças e adolescentes, porque, de certa forma, ele está invisível. Então, precisa-se de um trabalho muito maior, porque tem muita coisa que a gente não está vendo fisicamente aqui, mas está acontecendo pelo aparelho de celular, que todo mundo tem hoje em mãos — afirmou.
A diretora de Projetos Especiais da SaferNet Brasil, Juliana Cunha, alertou para o uso da inteligência artificial generativa na produção de material de abuso sexual contra crianças e adolescentes. Segundo ela, mulheres e meninas são as principais vítimas desse tipo de violência. A diretora afirmou que o caráter artificial do conteúdo leva parte da população a subestimar o crime, que provoca danos às vítimas.
O representante do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo de Lins e Horta, destacou mudanças na legislação brasileira, entre elas a entrada em vigor em 2025 do ECA Digital e da Lei 15.487, de 2026, que aumenta penas para crimes sexuais contra crianças e adolescentes na internet. Segundo ele, o país avançou no enfrentamento de crimes como a violência sexual on-line, o cyberbullying e a extorsão sexual, mas precisa garantir a implementação das normas e das políticas de proteção.
— A gente tem uma base legislativa sólida, o desafio é implementar toda ela — afirmou.
Outras violências
Coordenadora de Políticas Educacionais da ONG Associação Serenas, Graziela Larissa da Silva Santos chamou a atenção para comportamentos que podem ser tratados como brincadeiras, mas que violam os direitos das meninas. Segundo pesquisa da organização, sete em cada dez professores ouvidos presenciaram “cantadas” indesejadas dirigidas a meninas nas escolas, e 42% relataram ter visto alunos tocar ou acariciar o corpo de meninas sem consentimento. Ela defendeu a formação de professores e gestores para prevenir a violência, acolher as vítimas e encaminhá-las à rede de proteção.
A delegada-chefe adjunta da Polícia Civil do Distrito Federal, Cyntia Cristina de Carvalho e Silva, destacou que o atendimento não deve se limitar à investigação criminal. Para ela, é necessário articular os serviços de segurança pública, saúde e assistência social, considerando também situações de dependência financeira e os riscos enfrentados pelas vítimas após a denúncia.
— A proteção e a responsabilização precisam caminhar juntas — afirmou.
Os participantes ainda abordaram a gravidez na adolescência e seus impactos na trajetória escolar e profissional, além de questões relacionadas à saúde menstrual e à violência sexual dentro de casa.
Também participaram do debate a especialista em gênero e inclusão da Plan International Brasil, Ana Nery Lima; a coordenadora de Relações Governamentais do Instituto Alana, Tayanne Galeno; a gerente de Comunicação do Instituto Liberta, Renata Greco; e a gerente Meal e Estratégia da Organização Visão Mundial, Manuela Franchini Melani.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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