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VISITA AOS TUPINAMBÁS: “E VOCÊ AÍ QUER UM PÉ ASSADO”
JEAN DE LÉRY ESCREVE SOBRE UM PRISIONEIRO MORTO SEIS HORAS ANTES E CUJOS RESTOS AINDA PODE VER. E AINDA LHE FOI OFERECIDO UM PÉ ASSADO DA VÍTIMA.
JEAN DE LÉRY – PARTE 13
O relato de Jean de Léry (1536-1613 sobre o início da História do Brasil é impressionante. Léry conta uma experiência estarrecedora. Diz ele: “Ao chegarmos (o intérprete e eu) na aldeia dos Tupinambás, pouco antes do pôr do sol, encontramos os selvagens dançando e bebendo cauim em homenagem a um prisioneiro morto seis horas antes e cujos restos ainda pudemos ver no moquém. Naturalmente fiquei estarrecido diante de semelhante tragédia”. Explica Léry que o intérprete foi tomar cauim com os índios e o deixou sem instruções. “Com a bulha que faziam os selvagens dançando e assobiando e festejando a matança do prisioneiro não me foi possível dormir; eis que de repente um dos convivas traz-me na mão um pé assado e moqueado da vítima e se aproxima de mim perguntando se desejava comer…”
A TERRÍVEL EXPERIÊNCIA
Jean de Léry conta uma experiência estarrecedora. O aperto que experimenta por desconhecer a língua e os costumes dos nativos é partilhado com o leitor: “Nesse mesmo dia eu e o intérprete tocamos para diante e fomos dormir na segunda aldeia chamada ‘Eyramiri’ e que os nossos denominam ‘Goset’ por causa do trugimão aí residente. Ao chegarmos, pouco antes do pôr do sol, encontramos os selvagens dançando e bebendo cauim em homenagem a um prisioneiro morto seis horas antes e cujos restos ainda pudemos ver no moquém. Naturalmente fiquei estarrecido diante de semelhante tragédia, mas isso não foi nada em comparação com o medo pelo que logo depois passei. Entramos numa casa da aldeia onde, de acordo com o costume da terra nos sentamos cada qual em sua rede. Logo depois puseram-se as mulheres a chorar enquanto o dono da casa nos dava as boas-vindas. Entrementes o intérprete a quem tais costumes não eram estranhos e que apreciava cauinar com os selvagens retirou-se para o grupo dos dançarinos e me deixou ali em companhia de algumas pessoas sem nenhuma instrução especial. Como eu estava cansado, depois de ter comido alguma farinha de raízes e outros mantimentos, inclinei-me e deitei na rede em que estava sentado.

JEAN DE LÉRY NÃO CONSEGUE DORMIR
Com a bulha que faziam os selvagens dançando e assobiando e festejando a matança do prisioneiro não me foi possível dormir. Eis que, de repente, um dos convivas traz-me na mão um pé assado e moqueado da vítima e se aproxima de mim perguntando se desejava comer, o que vim a saber depois pois naquele momento não o entendera.
Isso causou-me tal pavor que parece desnecessário dizer que perdi toda a vontade de dormir. Pensei com efeito que a apresentação da carne humana pelo selvagem significava uma ameaça e que se pretendia com isso dar-me a entender que muito breve seria eu também preparado para o festim. Como uma suspeita acarreta outra, imaginei que o intérprete me traíra deliberadamente entregando-me a esses bárbaros.
Assim, se alguma abertura houvesse por onde eu pudesse fugir, teria escapulido. Vendo-me, porém, cercado de todos os lados por indivíduos cujas intenções eu ignorava (embora não me quisessem mal algum) acreditava que seria realmente comido e por isso rezei a noite inteira com todo o fervor do coração.
LÉRY APAVORADO QUERIA IR EMBORA
Coloque-se o leitor em meu lugar e avaliará, sem dificuldades, tudo o que padeci nessa noite. Ao amanhecer, o trugimão que passara a noite na patuscada com os selvagens, veio ter comigo e vendo-me tão pálido e desfigurado e mesmo febril perguntou se me achava incomodado e se não descansara bem. Respondi encolerizado que não pregara o olho e que ele era um homem mau, pois me deixara no meio de gente que eu não entendia. E ainda, muito assustado, pedi-lhe para sairmos dali sem demora.
Disse-me então o intérprete que não tivesse medo, pois os selvagens nada tinham contra nós, e contou-lhes o que me passara pela cabeça. E os índios que, satisfeitos com a minha vinda e querendo agradar-me não haviam arredado o pé, declararam que não haviam percebido o meu medo, mas lastimavam o que me sucedera. E como são galhofeiros, desataram a rir de minhas atribulações”.
PRÓXIMA EDIÇÃO abril – 373 – Parte 14
Jean de Léry estava estarrecido com tudo. A maneira de saudarem quem os visita é detalhada jornalisticamente: “Apenas chega o viajante a casa do mussucá a quem escolheu para hospedeiro, senta-se numa rede e permanece algum tempo sem dizer palavra. É costume o visitante escolher um amigo em cada aldeia e para a sua casa deve dirigir-se sob pena de descontentá-lo. Em seguida reúnem-se as mulheres em torno da rede e acocoradas no chão põem as mãos nos olhos e pranteiam as boas-vindas ao hóspede, dizendo mil coisas em seu louvor como por exemplo: ‘Tiveste tanto trabalho em vir ver-nos. És bom. És valente’. Se o estrangeiro é francês ou europeu, acrescentam: ‘Trouxestes coisas muito bonitas que não temos em nossa terra’. Pra responder deve o recém-chegado mostrar-se choroso também.

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BioTech XP reúne público no Planetário de Brasília
Confirma nova edição no Pátio Brasil com mais de 40 horas de atrações
Brasília recebeu nesta semana a festa de lançamento da BioTech XP no Planetário de Brasília, em um evento que combinou ciência, tecnologia e experiências imersivas voltadas ao público jovem e às famílias. A programação movimentou o espaço com atividades interativas, palestras e atrações que transformaram o ambiente em um grande laboratório de descobertas.
Entre os destaques da edição no Planetário estiveram os simuladores de realidade virtual de montanha-russa e asa-delta, que proporcionaram uma experiência sensorial de alta imersão aos visitantes. As atrações chamaram a atenção do público pela proposta de aproximar ciência e tecnologia de forma prática e acessível.
O evento também contou com a participação do Einstein Jr., que apresentou conteúdos de biologia e ciência de maneira dinâmica e interativa, despertando a curiosidade dos participantes e incentivando o aprendizado por meio da experimentação. A proposta central da BioTech XP foi justamente apresentar a ciência sob uma nova perspectiva, mais lúdica e conectada ao cotidiano.
De acordo com a organização, a receptividade do público reforça a consolidação do projeto como uma iniciativa de divulgação científica voltada para novas gerações, unindo educação, entretenimento e inovação em um mesmo ambiente.
Com o sucesso da estreia, a BioTech XP já tem nova edição confirmada no Pátio Brasil Shopping. O evento contará com mais de 40 horas de programação, incluindo experiências imersivas, atividades educativas e novas atrações voltadas à ciência e tecnologia, ampliando ainda mais o alcance da proposta.
A iniciativa reforça a expansão do projeto no Distrito Federal e a intenção de levar conteúdos científicos de forma acessível e envolvente a diferentes públicos, mantendo a experiência como elemento central da jornada do visitante.
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