Thaís Umbelino, da Agência Brasília | Edição: Carolina Caraballo
Há quem acredite que sorte é estar pronto quando uma oportunidade vem. É esse empenho que tem feito muitos estudantes da rede pública do Distrito Federal se destacarem no processo seletivo do programa Pontes para o Mundo, da Secretaria de Educação. A iniciativa oferece intercâmbio educacional no Reino Unido e está com inscrições abertas até 29 de maio, com 100 vagas disponíveis.
“Eu não esperava por essa oportunidade, mas fiquei muito feliz quando apareceu. Vi que não estava estudando inglês à toa e percebi que realmente tenho chance de participar”, conta Adryan Isaque Teixeira, 17 anos, do 2º ano do Centro de Ensino Médio Integrado (Cemi) do Cruzeiro. Ele está entre os 14 alunos da escola aptos para a primeira fase do programa.
Caso seja aprovado na prova de conhecimentos linguísticos e comunicativos em língua inglesa, que será aplicada presencialmente, Adryan estará mais próximo de realizar o sonho de estudar na Irlanda. “A escola tem dado todo o apoio para que a gente se prepare e consiga passar. O intercâmbio só traz benefícios e hoje percebo que vale muito a pena se dedicar aos estudos”, reforça.
Ao lado do colega, a estudante Lívia Santos, 16, também se dedica à preparação. “A gente estuda no Centro Interescolar de Línguas [CIL] e pesquisa bastante sobre como é o ensino lá fora”, afirma, animada com a possibilidade de ir para a Irlanda ou para a Inglaterra.
Durante o intercâmbio, os selecionados devem se dedicar integralmente aos estudos e obter aprovação nas disciplinas da instituição estrangeira. Os estudantes recebem ajuda de custo mensal do Governo do Distrito Federal e contam com ações voltadas à saúde emocional durante o período.
“Eu sei que algumas matérias serão diferentes, como química, por exemplo, que terei de aprender em inglês, mas estou confiante. Para mim, que faço curso técnico de informática, vai ser uma experiência muito importante para o currículo”, diz Lívia.
A estudante Lívia Santos tem se preparado para o intercâmbio: “A gente estuda no Centro Interescolar de Línguas [CIL] e pesquisa bastante sobre como é o ensino lá fora”
Critérios para entrada
O objetivo do Pontes para o Mundo é oferecer uma imersão acadêmica e cultural que também forme jovens embaixadores do programa, inspirando outros colegas ao retornarem às escolas.
“Nosso foco é democratizar o acesso. Quando a gente percebeu que o número de inscritos ainda estava abaixo do esperado em algumas regiões, decidimos ajustar o cronograma. A procura aumentou nos últimos dias e isso mostra que a decisão foi acertada. Queremos garantir que os estudantes que têm perfil para participar consigam se inscrever a tempo”, destaca a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá.
Para participar, os alunos devem estar cursando o 2º ano do ensino médio, ter entre 16 e 18 anos incompletos até a data de retorno, média mínima de 6,0 nas disciplinas da 1ª série e frequência igual ou superior a 80%. O processo seletivo envolve entrega de documentos e uma avaliação presencial de proficiência em inglês.
Os estudantes Ana Carolina, Valentina, Lívia e Adryan Isaque estão com expectativas altas para estudar e conhecer a Inglaterra
Para o supervisor pedagógico do Cemi do Cruzeiro, Antônio Marcos Trevisoli, o projeto é motivo de orgulho: “Essa é uma forma de incentivar os estudantes a buscarem boas notas e desempenho escolar. Além disso, o programa leva o nome do GDF para fora do país”.
Trevisoli também destaca que os alunos não perderão o ano letivo no Brasil: “Eles terão acesso a uma plataforma virtual de aprendizagem com os conteúdos escolares e, ao retornarem, poderão fazer a prova do PAS normalmente, sem prejuízo acadêmico”.
A primeira edição do programa acontece entre setembro e dezembro de 2025 e terá duração de 13 a 16 semanas.
Oportunidade para o futuro
As expectativas de Ana Carolina Carvalho, 16, são altas para estudar e conhecer a Inglaterra. “É uma oportunidade incrível para quem quer aprender mais sobre o mundo e se destacar no futuro”, diz. Ela acredita que a experiência será um diferencial na vida profissional: “O inglês vai melhorar muito, porque vamos vivenciar a língua todos os dias. Perder o medo de estar em outro país também é algo importante”.
Já Valentina Cavalcante, também com 16 anos, vê no projeto uma chance de se preparar para os exames de acesso ao ensino superior: “Provas como o PAS, o Enem e o vestibular cobram inglês, e essa vivência vai nos dar base para isso”.
Sonhando em cursar medicina no exterior, Valentina considera o domínio da língua inglesa essencial para sua trajetória. “O inglês é um diferencial e vai me ajudar muito a crescer na vida profissional”, finaliza.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu liminarmente a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) e restabeleceu as medidas cautelares impostas pelo Ministério da Educação (MEC), em março deste ano, a 107 instituições de ensino superior com baixo desempenho no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025.
Entre as medidas previstas para essas instituições estão a suspensão da oferta de vagas vinculadas ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e ao Programa Universidade para Todos (Prouni), assim como de novos processos seletivos e vestibulares, e a redução do número de vagas autorizadas.
De acordo com o MEC, as medidas cautelares e as ações de supervisão impostas pela pasta têm como objetivo promover a melhoria da qualidade dos cursos de medicina e assegurar à população a excelência da formação dos futuros médicos.
“O MEC seguirá defendendo uma abordagem que valorize a formação de qualidade, a responsabilidade das instituições de ensino e o papel do Estado na indução de melhorias, assegurando o direito da população a serviços prestados por profissionais bem formados”, diz o comunicado publicado pelo ministério.
Instituições privadas de educação superior
Em nota à imprensa, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) – entidade que representa instituições e mantenedoras da educação superior privada em todo o país – diz ter tomado conhecimento da decisão proferida nesta quarta-feira (19) pelo STJ e que seguirá acompanhando o tema com serenidade e responsabilidade institucional. “A entidade informa que sua assessoria jurídica está analisando o teor da decisão e avaliará as medidas cabíveis.”
Enamed
Criado pelo MEC, o Enamed será aplicado obrigatoriamente a cada seis meses pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a todos os estudantes concluintes de cursos de medicina no Brasil.
O exame tem duas funções principais: avaliar a formação médica no país e servir como critério para processos seletivos de residência médica de acesso direto, como no processo unificado do Exame Nacional de Residências (Enare).
Em junho deste ano, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) anunciou que o Enamed passa a valer como instrumento de avaliação da proficiência dos estudantes de medicina e da qualidade dos cursos de graduação.
A regra está prevista na nova política integrada para a formação em medicina no país, prevista na Medida Provisória n° 1370/2026. Com isso, os formados nesse curso somente vão poder realizar sua inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM) se tiverem rendimento suficiente no exame. O registro no conselho é obrigatório para o exercício legal da profissão de médico no Brasil.
O Enamed também substituirá integralmente a primeira fase (teórica) do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida).
O graduado que não obtiver avaliação satisfatória no Enamed poderá refazê-lo em edições seguintes do exame, realizadas a cada seis meses, conforme a nova política integrada para formação médica.
Pilotos e proprietários de drones devem ficar atentos às restrições temporárias de voo previstas para a área do Desfile Cívico-Militar de 7 de Setembro, em Brasília. Nos dias 29 de agosto e 7 de setembro, da 0h às 18h, será estabelecida uma Zona de Restrição de Voo, conhecida pela sigla FRZ (Flight Restriction Zone), na região destinada ao evento.
Durante os períodos de restrição, ficam proibidos os voos de aeronaves não tripuladas na área delimitada, com exceção dos equipamentos pertencentes aos órgãos de segurança pública e às demais instituições previamente autorizadas. A medida faz parte dos procedimentos de segurança adotados para a realização do evento e busca reduzir riscos para o público, autoridades, equipes que trabalham na área e demais operações realizadas no espaço aéreo.
Área de restrição
A Zona de Restrição de Voo abrange a área destinada ao desfile cívico-militar e seu entorno imediato, conforme delimitação definida para a operação de segurança. Antes de operar um drone nas datas previstas, o piloto deve verificar se o local pretendido está inserido na área restrita e observar as determinações estabelecidas para o período.
A proibição alcança os voos recreativos e profissionais que não tenham autorização específica. Equipamentos utilizados por órgãos de segurança pública e instituições previamente autorizadas poderão operar conforme as regras estabelecidas para a atividade.
Voos não autorizados podem gerar sanções
A realização de voos em desacordo com as restrições poderá resultar na adoção de medidas de mitigação e na aplicação das sanções administrativas, civis e penais previstas na legislação.
As normas relacionadas à operação de drones envolvem diferentes responsabilidades, desde o cumprimento das regras de tráfego aéreo até cuidados para não colocar em risco pessoas, bens, aeronaves ou a própria segurança pública.
Regras
Entre as legislações aplicáveis estão o Código Brasileiro de Aeronáutica, normas específicas sobre aeronaves não tripuladas e dispositivos relacionados às responsabilidades civil e penal decorrentes de operações irregulares.
O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) atua nas questões relacionadas ao acesso e uso do espaço aéreo. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estabelece regras para a operação das aeronaves, enquanto a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) atua na regulamentação dos equipamentos de radiofrequência.
Em áreas ou situações relacionadas à segurança presidencial, também são adotados procedimentos específicos coordenados pela Presidência da República, em articulação com os demais órgãos envolvidos na segurança do evento. Por isso, além das regras gerais aplicáveis à utilização de drones, o operador deve observar restrições temporárias estabelecidas para determinadas regiões, datas e eventos.
Serviço:
⇒ Restrição temporária para voos de drones;
⇒ Dias 29 de agosto e 7 de setembro, da 0h às 18h;
⇒ Local: área delimitada para o Desfile Cívico-Militar de 7 de Setembro, em Brasília.
Sessão solene contou com apresentação do bailarino Thiago Batista
“Uma ideia teimosa, que a gente não sabe como vai dar certo, mas tem a certeza de que precisa existir.” Foi assim o início do Instituto Arte Jovem, nas palavras de seu fundador e diretor artístico Edmilson Campos Júnior. Criada em 2016, a organização social oferece aulas de música, dança e canto na região administrativa de Ceilândia. A trajetória foi homenageada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), em sessão solene na noite de terça-feira (18).
“Hoje, essa ideia tem quase 600 crianças e jovens de Ceilândia”, ressaltou Edmilson Júnior, que discursou sobre a transformação promovida pela arte. “Nós vimos crianças chegarem aqui sem coragem de olhar nos olhos. Pouco tempo depois, subiram no palco e se apresentaram para centenas de pessoas. Já vimos jovens descobrirem aqui um talento que nem sabiam que existia e, junto com ele, descobriram o próprio valor. Não é só ensinar música e dança. É ensinar que vocês são capazes”, enfatizou o fundador.
Edmilson Júnior também deixou um conselho para os alunos:“Se em algum momento a vida disser a vocês que não dá, que é difícil demais, que não é para gente como nós, lembrem-se dessa noite. Lembrem-se de um projeto nascido em Ceilândia, sem quase nada além de vontade, e que hoje está sendo homenageado pela Câmara Legislativa. Desistir nunca foi uma opção para nós. E também não vai ser para vocês”.
Orquestra do Instituto Arte Jovem (Foto: Tiago Orihuela/Agência CLDF)
A homenagem foi uma iniciativa do deputado distrital Martins Machado (Republicanos), que destacou o impacto do instituto na família e na comunidade, ajudando a construir novas perspectivas. “É gente que ganhou confiança, encontrou oportunidades e passou a enxergar novos caminhos. Quando uma pessoa começa a acreditar mais em si mesma, muita coisa ao redor dela também começa a mudar”, refletiu.
Representando as famílias dos alunos, Antônio Carlos de Souza demonstrou gratidão aos professores, colaboradores, parceiros e “todos que acreditaram e continuam acreditando no projeto”. “(O instituto) abriu portas, fortaleceu sonhos e ajudou nossas crianças e jovens a descobrirem suas capacidades, sua sensibilidade e seu lugar no mundo.”
A cofundadora e diretora-geral do Instituto Arte Jovem, Inayá Amanacy, comentou sobre a continuidade da organização, que está sempre agregando novos integrantes e alunos. “Hoje, nós temos alunos que tocam com a gente, já são pais e seus filhos continuam conosco”, observou.
O professor Edmilson Campos com os alunos da Orquestra Baby do Instituto Arte Jovem (Foto: Tiago Orihuela/Agência CLDF)
Um dos propósitos do instituto é a formação permanente de novos professores, conforme explicou o professor Edmilson Campos, que também é pai do fundador da organização. “O nosso papel é estar sempre formando e transformando. Eu sempre coloco os alunos para aprender a dar aula, independentemente da idade. Se tem seis anos, ensina para quem tem quatro. Você já é professor ao ensinar tudo o que sabe para o outro que não sabe”, detalhou.
No final, foram entregues moções de louvor a participantes do Instituto Arte Jovem, em reconhecimento à relevante contribuição prestada à formação musical, cultural e cidadã, promovendo inclusão social, desenvolvimento humano e valorização dos talentos locais.