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Exposição em SP convida público a brincar com o universo de Ziraldo
Mostra também estimula as pessoas à leitura
Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
Criador do menino mais maluquinho do Brasil, o escritor, cartunista, jornalista e artista Ziraldo (1932-2024) dizia que livro era um gênero de primeira necessidade e deveria constar da cesta básica do brasileiro. Para ele, ler era até mais importante do que estudar.

E é para continuar estimulando esse hábito da leitura, principalmente entre crianças, que o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de São Paulo inaugura neste sábado (16) uma exposição toda interativa que convida o público a brincar e explorar o universo criado por Ziraldo.
Chamada de Mundo Zira-Ziraldo Interativo, a exposição celebra a vida e obra do multiartista Ziraldo. Depois de ter passado por Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, atraindo quase 400 mil pessoas, a mostra chega ao centro histórico de São Paulo. A curadoria é de Adriana Lins e Daniela Thomas, sobrinha e filha do artista, respectivamente.
“A exposição é um mergulho interativo, tecnológico e analógico também, no universo literário e artístico do Ziraldo. Ela coloca o visitante explicitamente como coautor. O leitor é um coautor e ele precisa acordar para isso. Então, aqui nessa exposição, na brincadeira, no envolvimento, no lúdico, ele acaba se se apropriando desse entendimento de que o outro lado faz parte do todo”, falou Adriana Lins, em entrevista à Agência Brasil.
Segundo a curadora e também diretora do Instituto Ziraldo, a exposição é a mesma em todos os locais, mas acaba tendo algumas particularidades em cada cidade onde é exposta. Uma novidade em São Paulo, por exemplo, é que ela inclui alguns novos livros de Ziraldo, que foram lançados recentemente.
“Em cada espaço ela ganha um ajuste exclusivo para aquele espaço. Nisso você acaba mexendo no fluxo da visitação, isso interfere na sua sensação ao navegar. Então, cada experiência é única, ela é diferente porque aquela cidade tem um formatinho diferente. E a gente trouxe aqui [em São Paulo] os livros inéditos do Ziraldo que não existiam em Brasília, não existiam em Belo Horizonte, nem no Rio de Janeiro, são livros desse ano. São eles: O caminho das Sete Tias, Peixe Grande e Entre Cobras e Lagartas, que a gente editou no ano passado”.
O grande objetivo da exposição, disse Adriana Lins, é que as pessoas curtam o espaço, mas se voltem também para a leitura dos livros.
“O lema do Instituto Ziraldo é ler para ir além da leitura. E na hora que a gente vê as crianças saindo da exposição falando: Cadê o livro? Cadê a história?, estamos realizados”, disse.
A exposição
A mostra traz muito do caráter comunicativo e democrático da obra do artista, com áreas temáticas dedicadas a obras como Flicts e A Turma do Pererê. O percurso da mostra pretende incentivar a criatividade e imaginação de cada pessoa, mesclando painéis projetados e artes gráficas.
Em um dos espaços, por exemplo, dedicado a Flicts, primeiro livro infantil de Ziraldo, o público vai se deparar com uma grande projeção interativa, convidando o visitante a ser um maestro. Há ainda um espaço onde o visitante poderá inserir balões de fala nas páginas do livro O Menino Quadradinho, que foram reproduzidas na parede. Também será possível colorir virtualmente alguns dos desenhos feitos por Ziraldo.
A exposição é gratuita e fica em cartaz até o dia 27 de outubro, no espaço anexo do CCBB. Para esta exposição, é preciso reservar ingressos pelo site ou na própria bilheteria física. Os ingressos são liberados sempre às sextas-feiras, a partir das 12h, e estão disponíveis no site do Centro Cultural do Banco do Brasil.
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Brasília terá título de Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural
Homenagem será prestada em encontro que começa hoje na cidade
Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil
Tratar de estratégias conjuntas para proteção dos patrimônios material e imaterial, e para inovação em políticas públicas está entre os objetivos centrais de um evento internacional em Brasília, desta quarta (11) até sexta-feira (13). Na ocasião, a cidade será homenageada com o título de Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural.

O evento é a reunião do Comitê Setorial de Patrimônio Cultural da União de Cidades Capitais Ibero-Americanas (UCCI) e será realizado no Salão Nobre do Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, a partir das 14h Nesses dias, estão previstos também o intercâmbio de boas práticas de gestão dessas cidades e o fortalecimento da identidade histórica urbana.
Na avaliação do secretário de Relações Internacionais do DF, Paco Britto, o novo título amplia a projeção internacional de Brasília como capital do diálogo, da diplomacia e da preservação do patrimônio. A cidade é Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1987 quando recebeu esse título da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
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Compromisso
O encontro vai abordar eixos temáticos para seguir com as discussões iniciadas em Lima (Peru), em 2025. O grupo de discussão pretende apresentar, até o final do evento, uma Carta de Compromisso comum com a preservação, valorização e gestão sustentável do patrimônio cultural.
Fazem parte da Ucci 29 cidades de 24 países ibero-americanos. A ideia da rede é permitir que as cidades compartilhem experiências e trabalhem em conjunto para enfrentar desafios comuns. Do Brasil, além de Brasília, o grupo é representado por São Paulo (SP) e o Rio de Janeiro (RJ).
Somadas, essas regiões têm 76 milhões de habitantes que falam espanhol e português. A UCCI atua como plataforma para a cooperação urbana, o intercâmbio de conhecimentos e a disseminação de boas práticas entre seus membros.
Cidade única
Segundo a pesquisadora em arquitetura Angelina Nardelli Quaglia, que estuda temas ligados à capital e periferia na Universidade de Brasília (UnB), a capital brasileira proporciona culturalmente valores únicos.
“Brasília é uma capital reconhecida internacionalmente pela arquitetura e pelos processos culturais que aqui acontecem”, afirma.
A pesquisadora entende que Brasília tem características únicas e a diversidade cultural como marca fundamental, incluindo as misturas de influências que chegam do país inteiro. A diversidade perpassa gerações, na avaliação dela. “Há uma paisagem cultural muito rica, que é a grande beleza de Brasília”.
A cidade também simboliza a democracia brasileira em diferentes momentos, como na luta pela liberdade, a Constituição de 1988 e a resistência após os ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. “Eu entendo que é uma cidade à frente do tempo”.
Desafios
No entanto, Angelina Nardelli observa que a cidade, quatro anos depois de inaugurada, particularmente durante a ditadura militar (1964 – 1985), não teve legislação para manutenção do patrimônio.
“Tivemos um hiato muito grande de uma legislação que também começa a se transformar mundialmente (mas não no Brasil)”.
O cenário começaria a se alterar com o título expedido pela Unesco em 1987. “A memória foi reconhecida como patrimônio”. A pesquisadora compreende que a manutenção do patrimônio em Brasília não é simples.
A capital aprovou, por exemplo, há dois anos, o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB). Mas a pesquisadora entende que são necessários mais recursos e políticas públicas de proteção para que tanto o tombamento quanto a manutenção estejam em ordem. “Em Brasília, isso devia ser um exemplo, mas ainda não é. A capital é uma cidade muito nova”, diz.
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NÃO É MAIS TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
O crime organizado plantou-se no ESTADO. Os Tres Poderes viraram quatro…
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MINISTÉRIO PÚBLICO ABRE INVESTIGAÇÃO SOBRE COBRANÇA DE PEDÁGIO NA SERRA DA CAPIVARA
Prefeitura de Coronel José Dias vai precisar explicar bloqueio de rodovias
O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), abriu procedimento investigatório para analisar o bloqueio de rodovias no município de Coronel José Dias, com objetivo de cobrança de uma espécie de pedágio (veja detalhes em: https://folhadomeio.com/2026/02/pedagio-aos-visitantes/.), para acessar o Parque Nacional Serra da Capivara, uma unidade de conservação federal que não cobra nenhuma taxa para ingresso nos seus circuitos turísticos.
A polêmica começou após a câmara de vereadores do município aprovar uma lei que estabelece um novo imposto denominado de Taxa de Preservação Ambiental e Turística (TPAT), que começa com o valor diário de R$ 20,00, para os visitantes que desejam conhecer o parque nacional através do seu território. Para isso, a Prefeitura fechou acessos alternativos e instalou barreiras físicas controladas por funcionários para cobrança do valor.
A decisão causou uma grande repercussão no trade turístico local que pressupõe um impacto negativo no fluxo de visitantes que chegam nessa região do Piauí para conhecer a Serra da Capivara, e seus sítios arqueológicos declarados como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Segundo dados da Secretaria Estadual de Turismo do Piauí, a maior parte dos visitantes é composta por grupos de estudantes da própria região que alegam não dispor desses valores para visitar o parque nacional.
Agora, o município de Coronel José Dias vai precisar esclarecer ao Ministério Público quem autorizou o bloqueio de rodovias nos acessos ao parque. Para piorar, pipocam denuncias dos próprios turistas sobre as condições insalubres que os funcionários da Prefeitura enfrentam no dia-a-dia dos bloqueios. Abrigados numa tenda improvisada, sem acesso a internet ou rede móvel de comunicação, esses agentes não dispõem das mínimas condições de trabalho, nem mesmo um banheiro químico para as suas necessidades fisiológicas.
Ao serem parados nos bloqueios, os turistas precisam mostrar o comprovante do pagamento da TPAT para continuar o trajeto em direção ao parque nacional num claro desrespeito ao direito fundamental garantido pelo Artigo 5*, inciso XV, da Constituição Federal de 1988 (liberdade de locomoção). Se, por acaso, o visitante não tiver pago a taxa, ao chegar no bloqueio, são orientados a voltar até uma área com rede de wi-fi nos povoados próximos, para o pagamento do pedágio e, só assim, seguir viagem.
A cobrança, apesar de amparada por uma Lei Municipal, induz o visitante a erro, pois o bloqueio acontece nas proximidades do principal acesso ao parque nacional, levando o turista a acreditar que está pagando um imposto obrigatório para entrar na reserva federal. A chefia do parque, por seu lado, não tomou nenhuma medida prática e efetiva para alertar aos visitantes sobre a gratuidade do acesso ao parque nacional.
Ao contrário, os funcionários do ICMBio, que é órgão responsável pela gerencia do parque nacional, não se fazem presentes no bloqueio para alertar os visitantes que o pagamento não é obrigatório nem impeditivo para o seu acesso à unidade de conservação. “Uma espécie de dobradinha entre a atual gestão do parque e o Poder Público Municipal”, desabafa o proprietário de uma pousada no povoado do Sítio do Mocó, que não concorda com a cobrança da taxa.
Inclusive, existem denúncias que vários parentes da atual chefe, Marian Rodrigues – que não é funcionária concursada do ICMBio, mas sim ocupante de cargo de indicação politica -, entre eles, o seu cônjuge, como ela, todos residentes no município de Coronel José Dias, são condutores de visitantes credenciados pelo órgão federal para trabalhar no parque nacional, ou ocupam cargos de confiança na Prefeitura do município, fazendo uma espécie de “vista grossa”, induzindo os visitante à pagar o pedágio municipal para entrar no parque.
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