Reportagens
Fonoaudiólogos são homenageados no plenário da Câmara Legislativa
Foto: Ângelo Pignaton/Agência CLDF
A Câmara Legislativa realizou, nesta segunda-feira (8), sessão solene em homenagem ao Dia do Fonoaudiólogo – celebrado em 9 de dezembro. Na ocasião, foi destacada a relevância da profissão para a fala, audição e motricidade orofacial (mastigação e deglutição), bem como foram discutidos os desafios enfrentados pelos profissionais; entre eles, a falta de valorização e o déficit de fonoaudiólogos nas redes públicas de Educação e de Saúde do Distrito Federal.
À frente da solenidade, o deputado Jorge Vianna (PSD) destacou a fonoaudiologia como capaz de “transformar vidas”. Ele citou alguns exemplos em que a atuação dos profissionais da área pode ser determinante: o caso de crianças que sofrem com atraso no desenvolvimento da fala; de pessoas que estão perdendo a audição; ou daqueles que sofreram um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e ficaram com sequelas na boca ou face.
“A fonoaudiologia é a possibilidade de que a comunicação humana cumpra sua vocação e seja ponte, não barreira. É a expressão concreta da convicção inabalável que compartilhamos de que todo ser humano tem o direito de desenvolver plenamente suas capacidades, superar disfunções e conquistar autonomia”, apontou o parlamentar.
Vianna pregou, ainda, que a data comemorada na sessão solene de hoje pede mais do que “celebração”, sendo um convite à reflexão sobre os desafios e demandas da categoria. O distrital defendeu a realização de um novo concurso público para as secretarias de Saúde e de Educação; a contratação de fonoaudiólogos por parte do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF); a criação de um piso nacional da categoria no Congresso Nacional, e a inclusão desses profissionais nas equipes de Saúde da Família.
Reconhecimento
O vice-presidente do Conselho Regional de Fonoaudiologia da 5ª Região (Crefono), Danilo Alves Mantovani, disse que, antes da pandemia de Covid-19, os fonoaudiólogos eram “escanteados” pelos outros profissionais da saúde. “Depois disso, começamos a ser vistos como agentes de salvamento de vida e começamos a ter luz e a ter mais espaço, principalmente no campo da disfagia e da fonoaudiologia hospitalar, o que ampliou muito o nosso mercado de trabalho”, afirmou. “Começamos a deixar de ser vistos como uma profissão acessória, para ser uma profissão indispensável”, completou Mantovani.

O conselheiro reforçou a relevância da fonoaudiologia para a comunicação, aprendizagem, audição, alimentação segura e autonomia das pessoas. “Nada disso é acessório, é estrutura de cidadania”, frisou.
“Dados do DF mostram isso com muita força: quando uma demanda cresce 35% na rede pública, não é tendência, é necessidade. E, quando a necessidade cresce mais rápido do que o número de profissionais, o direito existe mas não se realiza”, argumentou Mantovani. Ele ainda insistiu: “Estamos falando da capacidade real de o Estado garantir os direitos”.
Por fim, o vice-presidente do Crefono reforçou o pedido de apoio para a abertura de concurso público para fonoaudiólogo nas secretarias de Saúde e de Educação do DF, bem como a garantia de previsão orçamentária para viabilizar a execução das leis de inclusão.
Déficit
Marlene Escher Boger, do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa), lembrou a “relevância social, científica e humana” da profissão e ressaltou se tratar de uma categoria ainda pouco numerosa, estimando haver cerca de 1.750 profissionais da área no DF.
Desse total, 217 atuam na Secretaria de Saúde, segundo informou a fonoaudióloga Ocânia da Costa Vale. A servidora pública apresentou um histórico da presença de fonoaudiólogos na pasta, registrando que a primeira contratação data de 1974, no Hospital de Base.
Por sua vez, a representante da Associação dos Especialistas em Saúde da Secretaria de Saúde do DF, Clea Melissa Fernandes, anunciou um déficit de mais de 370 fonoaudiólogos para a “cobertura assistencial mínima”.
Também participaram do evento a fonoaudióloga Cláudia Aparecida Pietrobon e a presidente do recém-criado Sindicato dos Fonoaudiólogos do DF (Sindifono-DF), Edna Rodrigues dos Santos. Todos eles foram homenageados com moções de louvor da Câmara Legislativa, em reconhecimento à relevância de suas atuações profissionais.
Participação especial
A comemoração do Dia do Fonoaudiólogo foi marcada pela presença da menina Manu, criança que inspirou o deputado Jorge Vianna a apresentar projeto de lei para alterar a Política Distrital para Integração da Pessoa com Deficiência.
Sancionada no último dia 3 de dezembro, a Lei nº 7.776/2025 – apelidada de “Lei Manu” – amplia o conceito de deficiência auditiva, incluindo nesse rol as pessoas com perda unilateral ou bilateral de 41 decibéis ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.
A menina Manu comemorou a nova lei e falou da cirurgia de implante coclear a que foi submetida. “Agora está ouvindo até o que não deve”, brincou Vianna.
Sobre a norma de sua autoria, o distrital comentou: “Essa lei garante que milhares de pessoas, antes inaudíveis, sejam, enfim, ouvidas. Essa conquista fortalece a inclusão, amplia o cuidado e reafirma o papel essencial dos fonoaudiólogos no diagnóstico, na orientação e na transformação dessas pessoas”.
Denise Caputo – Agência CLDF
Reportagens
Análise técnica do Congresso diverge de parte dos vetos à Lei Orçamentária
Nota das Consultorias de Orçamento subsidia análise do Congresso (ao fundo) sobre vetos do Planalto (em 1º plano)
Leonardo Sá/Agência Senado
Uma nota técnica divulgada pelas Consultorias de Orçamento do Senado e da Câmara dos Deputados questiona parte dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Orçamento de 2026. A contestação abrange quatro dispositivos vetados que somam R$ 119,7 milhões em emendas parlamentares.
A análise dos consultores não tem caráter decisório, mas busca oferecer subsídios técnicos para que senadores e deputados possam avaliar, de forma qualificada, a manutenção ou a rejeição dos vetos presidenciais pelo Congresso.
A Lei Orçamentária de 2026 (Lei 15.346) foi sancionada na quarta-feira (14) com vetos do Poder Executivo a 22 dispositivos incluídos no texto por senadores e deputados. No total, os pontos vetados somam R$ 393,7 milhões em emendas.
Segundo a nota técnica, as razões apresentadas pelo Palácio do Planalto para justificar quatro dos vetos “não são pertinentes” do ponto de vista técnico e jurídico.
Um exemplo é o dispositivo que destinava R$ 30,4 milhões a projetos de agricultura irrigada no Nordeste. Segundo a análise, o veto pode gerar o descumprimento de uma regra constitucional que determina a aplicação mínima de 50% dos recursos de irrigação na região.
Outros dois vetos questionados na nota técnica liberavam R$ 89,1 milhões em emendas parlamentares para as áreas de atenção hospitalar e atenção primária à saúde. Segundo o Poder Executivo, as programações seriam “usualmente destinadas a acomodar emendas que teriam destinação específica estabelecida pelos parlamentares”.
De acordo com as consultorias, o argumento “não é cabível”. “As dotações classificadas com o identificador RP 2 [de livre execução pelo Executivo] não são passíveis de indicação, para execução orçamentária, pelos parlamentares. Assim, entende-se que não há pertinência das razões de veto apresentadas pelo Poder Executivo”, pontua o documento.
O último veto considerado não pertinente pelos consultores trata de recursos para a implantação da Escola de Sargentos do Exército em Recife. A programação previa R$ 100 mil.
Pontos convergentes
A nota técnica considera pertinentes os argumentos do Poder Executivo para os outros 18 pontos vetados. Segundo o Palácio do Planalto, a inclusão das programações contraria a Lei Complementar 210, de 2024. Segundo a norma, as mudanças propostas pelos parlamentares no Orçamento precisam observar, cumulativamente, três critérios:
- incidir sobre despesas não identificadas;
- ser de interesse nacional; e
- não ter destinatário específico.
Alguns pontos vetados destinavam recursos para ações de saúde em estados específicos, obras rodoviárias com localização definida e investimentos incluídos por emendas de bancadas e comissões, sem previsão no projeto original do Orçamento.
Um dos trechos vetados reservava R$ 7,5 milhões para a Universidade Federal do Delta do Parnaíba, no Piauí. Outros exemplos são dotações assistência hospitalar e ambulatorial nos estados de Amapá, Tocantins, Ceará, Paraíba, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Reportagens
Projeto Ciência na Estrada leva experiências científicas a 12 regiões do DF
A programação inclui atividades práticas, exposições e ações educativas voltadas a diferentes faixas etárias
Agência Brasília* | Edição: Chico Neto
Sucesso em 2005, quando reuniu mais de 55 mil participantes em suas edições, o projeto Ciência na Estrada, iniciativa da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-DF) junto ao Instituto de Gestão e Execução de Projetos (Igepex), segue reforçando a popularização científica em diversas regiões da capital. Neste ano, serão promovidas ações em 12 regiões administrativas, com encerramento previsto no Planetário de Brasília (Plano Piloto).
“Vamos aproximar crianças, jovens e adultos de temas como tecnologia, astronomia, pesquisa científica e tudo que envolva inovação”, afirma o titular da Secti-DF, Rafael Vitorino. “Ao imergir nesse mundo, o conhecimento se amplia, e há uma maior valorização da ciência como ferramenta social de transformação.”
O formato itinerante faz uso de recursos tecnológicos que tornam o aprendizado mais acessível e envolvente. Um dos principais atrativos é o ônibus Ciência na Estrada, uma estrutura com ambientação futurista que simula uma nave espacial, equipada com realidade virtual 360 graus, jogos digitais e conteúdos educativos interativos.
Entre as atrações, destaca-se o projeto Einstein Júnior, iniciativa voltada ao público infantil que promove contato com conceitos científicos por meio de experimentos, oficinas e mediação educativa, complementando as experiências tecnológicas oferecidas pelo projeto.
Para participar, basta acessar a plataforma Sympla e retirar os ingressos gratuitamente conforme as datas escolhidas.
Confira, abaixo, o calendário com os locais de datas para o Ciência na Estrada 2026.
⇒ Ceilândia: 21 a 25 deste mês
⇒ Paranoá: 18 a 22 de fevereiro
⇒ Samambaia: 18 a 22 de março
⇒ Cruzeiro: 22 a 26 de abril
⇒ Estrutural (SCIA), SIA e Guará: 20 a 24 de maio
⇒ Santa Maria: 17 a 21 de junho
⇒ Vicente Pires: 22 a 26 de julho
⇒ Brazlândia: 26 a 30 de agosto
⇒ Arapoanga: 23 a 27 de setembro
⇒ Gama: outubro
⇒ Riacho Fundo: novembro
⇒ Planetário de Brasília (encerramento): dezembro.
*Com informações da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação
Reportagens
Atual sucesso do cinema nacional reflete anos de investimento no setor
Para presidente da RioFilme políticas de Estado foram importantes
Anna Karina de Carvalho – repórter da Agência Brasil
O cinema brasileiro atravessa um de seus períodos mais visíveis e simbólicos no cenário internacional, impulsionado por uma combinação de políticas públicas, continuidade institucional e reconhecimento em grandes festivais. Para especialistas do setor, o atual momento, marcado por prêmios, presença em vitrines globais e renovação de talentos, não é fruto do acaso, mas resultado de décadas de investimento e construção de uma política de Estado para o audiovisual.

A avaliação é do presidente da RioFilme, Leonardo Edde, que destaca a importância de transformar o bom momento em um ciclo duradouro.
“O momento do cinema brasileiro é realmente fantástico. É um momentum, como outros que já tivemos ao longo das décadas, sempre com altos e baixos. O que a gente tenta agora é que esse momentum seja o mais extenso possível”, afirmou.
Segundo ele, a recente sequência de destaques ─ que vai de produções consagradas no Oscar e no Globo de Ouro a filmes selecionados em Cannes e, agora, no Festival de Berlim ─ revela a diversidade regional e criativa do país.
“Você tem o Rio, com Ainda Estou Aqui, Pernambuco, com O Agente Secreto, e agora o Brasil chegando a Berlim com projetos de jovens cineastas. É São Paulo, é diversidade, é o Brasil aparecendo”, disse.
Para Leonardo Edde, a chave para sustentar esse crescimento está na continuidade das políticas públicas.
“O que a gente está estruturando é uma política pública perene, com ciclos longos, sem interrupções como vimos em outros momentos da história”.
“Se não houver interrupção, o cinema brasileiro vai estar sempre em alta, porque a gente tem realizadores, artistas, produtores e empresas incríveis”, afirmou.
Ele lembra que o reconhecimento internacional dialoga diretamente com a economia criativa e outros setores. “Isso anda junto com turismo, PIB, indústria. O audiovisual é indústria.”
Na avaliação do presidente da RioFilme, o Brasil avança no caminho de uma indústria audiovisual mais sólida, mas ainda enfrenta desafios estruturais.
“A gente está numa crescente. O Brasil é a bola da vez, mas precisa ser a bola da vez com mais recorrência. Temos um mercado interno forte, mas precisamos nos internacionalizar mais”, disse.
Leonardo Edde reforça também que o papel do poder público vai além do financiamento da produção. “Não é só fomento. É distribuição, promoção e salas de cinema. A sala ainda é o ambiente mais nobre para o filme, e é nossa responsabilidade cuidar desse ecossistema.”
Políticas de incentivo
Nesse sentido, políticas públicas como o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e a Lei Federal de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet, cumprem papéis complementares: a Rouanet estabelece segmentos específicos que podem receber apoio por meio de incentivo fiscal, como produções audiovisuais de curta e média-metragem e a construção e manutenção de salas de cinema, enquanto os longas-metragens recorrem majoritariamente ao FSA.
No caso de O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui, as obras premiadas não utilizaram recursos da Rouanet, já que a lei não financia longas.
Em declarações recentes, em janeiro de 2026, Wagner Moura defendeu enfaticamente a Lei Rouanet e outros mecanismos de fomento, reagindo a críticas e desinformação sobre o tema, ao afirmar:
“Eu não posso explicar a Lei Rouanet para quem ainda não assimilou a Lei Áurea”, sugerindo que a resistência às políticas culturais reflete uma incompreensão histórica sobre o papel do Estado.
Já o FSA, administrado pela ANCINE, é hoje um dos principais instrumentos do setor, investindo em todas as etapas da cadeia produtiva: que vai do desenvolvimento à distribuição e sendo amplamente utilizado por grande parte dos longas-metragens brasileiros de maior repercussão.
Desafio de atrair o público
Para a crítica de cinema Flávia Guerra, o atual reconhecimento do cinema brasileiro, impulsionado por títulos como O Agente Secreto, tem um impacto que vai além da bilheteria imediata.
“Toda vez que a gente vive uma boa fase como essa, iniciada no ano passado e que continua agora, é importante lembrar que isso é fruto de décadas de trabalho e de política pública de Estado para o audiovisual”, afirmou.
Flávia pondera que o prestígio internacional não se converte automaticamente em público nas salas, um desafio ampliado pela pandemia e pelo avanço do streaming.
“Ainda enfrentamos dificuldades para levar os filmes brasileiros ao cinema, para conquistar o público e para se manter em cartaz. Mas há um ganho imenso de prestígio. O público começa a ver o filme brasileiro como algo natural no multiplex.”
Nesse contexto, ela destaca a fala de Kleber Mendonça Filho no Globo de Ouro, dirigida especialmente aos jovens.
“Esse clima de ‘Copa do Mundo’ da cultura é muito importante. Assim como no esporte ou na música, ver nossos artistas lá fora inspira jovens a enxergar o audiovisual como profissão, como carreira possível”, disse o diretor.
Para a crítica, a mensagem de Kleber dialoga com um momento global de crise, mas também de oportunidade. “Não desistam do audiovisual. Ele emprega uma cadeia inteira, do motorista da van ao catering, da pousada ao mercadinho. É indústria. A Coreia do Sul está dando aula nesse sentido há anos.”
Berlim e a nova geração
A presença brasileira no Festival de Berlim 2026 se consolida com produções selecionadas em diferentes mostras: Feito Pipa (Gugu’s World), de Allan Deberton, integra a Generation Kplus; Papaya, de Priscilla Kellen, primeiro longa brasileiro de animação selecionado na história do festival, também está na Generation Kplus; A Fabulosa Máquina do Tempo, documentário de Eliza Capai, completa a presença brasileira na mesma mostra; e Se Eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira, foi escolhido para a mostra Panorama, uma das vitrines centrais da Berlinale.
Para Flávia Guerra, o destaque de filmes de jovens cineastas em Berlim exemplifica o efeito positivo da atual fase. “Ver filmes brasileiros ocupando esses espaços é fundamental para garantir continuidade. Não é ser o país de um filme só, mas de uma cinematografia.”
Ela cita ainda a força de obras que dialogam com o público jovem e com temas históricos sob novas abordagens.
“São filmes de gênero, filmes de época, que falam de assuntos muito atuais. Isso cria diálogo com o público e amplia o alcance do nosso cinema.”
Para os especialistas, o desafio agora é transformar reconhecimento em política duradoura e presença constante nas salas e nos festivais. “Quando um filme como O Agente Secreto abre a cabeça do público internacional, ele leva todo o cinema brasileiro junto”, resume Flávia Guerra.
“As indicações e prêmios dependem de muitos fatores, mas o mais importante é garantir que o Brasil seja reconhecido não por um título isolado, e sim por uma cinematografia diversa, contínua e viva.”
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