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Carlos Eduardo Bafutto, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto
A falta de planejamento e a desatenção a cuidados básicos figuram entre os aspectos observados pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) como os principais riscos em práticas de atividades em áreas naturais. Por esse motivo, a corporação decidiu reforçar as orientações de segurança para praticantes que pretendem desbravar a natureza.
De acordo com a tenente Letícia Medeiros Alves Frinhani, do CBMDF, trilhas não devem ser encaradas como passeios improvisados. “Antes de sair, a pessoa precisa definir o percurso, avaliar o grau de dificuldade, verificar o horário e observar as condições do tempo”, aponta. “Em ambiente natural, qualquer imprevisto pode se agravar rapidamente”.
Um dos primeiros pontos destacados pela oficial é a recomendação de nunca fazer trilhas sem alguma companhia: “É fundamental avisar alguém sobre o trajeto escolhido e o horário previsto de retorno. Essas informações são essenciais caso seja necessário acionar o socorro”.
Clima e ambiente
Entre os fatores de risco mais relevantes estão as condições climáticas, sobretudo em trilhas próximas a rios e cachoeiras. A tenente Letícia chama a atenção para a possibilidade de cabeça-d’água, fenômeno em que o nível do rio sobe de forma repentina, mesmo sem chuva no local. “Mudança na cor da água, aumento da correnteza ou descida de galhos e folhas são sinais claros de perigo e exigem saída imediata”, orienta.
“Se a pessoa não consegue se mover, o ideal é que alguém permaneça com ela, garantindo segurança e abrigo, enquanto outra busca ajuda, sempre evitando expor mais pessoas ao risco”
Tenente Letícia Frinhani, do CBMDF
Ela reforça que não se deve insistir no percurso diante desses sinais: “A decisão precisa ser rápida; esperar pode colocar a vida em risco”. Também é recomendado evitar trilhas no fim da tarde ou à noite e priorizar saídas nas primeiras horas do dia, quando há mais tempo de luz natural e melhores condições de visibilidade.
Comunicação limitada e decisões corretas
Outro aspecto observado pelo Corpo de Bombeiros é a limitação de comunicação em áreas remotas. Muitas trilhas não possuem sinal de telefonia móvel, o que dificulta o pedido de ajuda em situações de emergência. “Por isso, o planejamento prévio é essencial”, explica a tenente. “Em percursos mais longos ou isolados, pode ser necessário o uso de equipamentos de comunicação”.
Em caso de acidente, a orientação é avaliar a condição da vítima antes de qualquer deslocamento. “Se a pessoa não consegue se mover, o ideal é que alguém permaneça com ela, garantindo segurança e abrigo, enquanto outra busca ajuda, sempre evitando expor mais pessoas ao risco”, orienta.
Áreas naturais e trilhas podem trazer ocorrências que exijam atuação de equipes do Corpo de Bombeiros | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília
Nesse contexto, a tenente Letícia lembra que as ocorrências em trilhas e áreas naturais costumam exigir a atuação de equipes multidisciplinares do Corpo de Bombeiros, formadas por profissionais com diferentes atribuições, como bombeiros militares especializados em salvamento, atendimento pré-hospitalar e busca em ambientes naturais. “São situações que envolvem vítima, terreno e tempo de resposta, por isso o atendimento não depende de uma única função, mas da integração entre diferentes áreas de atuação”, pontua.
As equipes atuam de forma coordenada desde a avaliação inicial do estado da vítima, passando pelos cuidados imediatos de saúde, até a definição da melhor estratégia de acesso e retirada, sempre considerando as condições do terreno. “O objetivo é garantir um atendimento seguro e eficaz, tanto para a pessoa atendida quanto para os profissionais envolvidos”, detalha a tenente. “A análise do cenário orienta todas as decisões”.
O Corpo de Bombeiros também reforça que o uso de equipamentos adequados e a adoção de condutas preventivas ajudam a reduzir riscos e facilitam a atuação das equipes em caso de emergência.
Equipamentos simples fazem diferença
Calçados próprios para trilha, com solado antiderrapante, ajudam a reduzir o risco de escorregões e quedas em terrenos irregulares. Água em quantidade suficiente também é indispensável, já que nem sempre há pontos de apoio ao longo do percurso.
Além disso, itens simples podem ser decisivos em uma emergência, indica a tenente: “O apito facilita a sinalização em locais de difícil acesso. O cobertor térmico ajuda a proteger contra o frio enquanto o socorro não chega. Um kit básico de primeiros socorros permite lidar com situações iniciais”.
Vivência prática confirma as orientações
Acostumada a correr em trilhas, a professora Patrícia Arruda recomenda: “Existe uma regra clara na trilha: nunca deixar ninguém para trás. Se alguém tem dificuldade, a gente para, pergunta se essa pessoa precisa de algum auxílio e ajuda” | Foto: Acervo pessoal
Corredora de trilhas, a professora de educação física Patrícia Faim Arruda conta que os cuidados indicados pelos bombeiros fazem parte da rotina de quem pratica a modalidade com regularidade. “Existe uma regra clara na trilha: nunca deixar ninguém para trás”, enfatiza. “Se alguém tem dificuldade, a gente para, pergunta se essa pessoa precisa de algum auxílio e ajuda”.
Uma das orientações importantes é contar com o acompanhamento de um guia
Ela relata já ter presenciado acidentes, como torções e fraturas durante eventos organizados. “Em muitos trechos não há sinal de celular, então alguém fica com a pessoa machucada enquanto outra procura a equipe de apoio ou tenta acionar o socorro”, ilustra.
Segundo Patrícia, a diferença entre trilhas organizadas e expedições independentes está na estrutura disponível. “Em eventos, há equipes distribuídas ao longo do percurso; em expedições, não há esse suporte imediato, o que exige ainda mais preparo”, observa. “Se você não conhece a trilha , contrate um guia local. Nunca se aventure! É importantíssimo contar com um guia experiente para fazer a trilha com segurança”.
Preparo físico também é segurança
Como professora, Patrícia pontua que o preparo físico deve ser encarado como parte da prevenção. “Trilha envolve terreno irregular, subida longa e muita altimetria”, atenta. “O corpo precisa estar preparado para esse esforço”.
Ela recomenda fortalecimento muscular e treino cardiorrespiratório, além de exercícios específicos, como esteira inclinada e escadas, para simular as exigências do percurso. “Quando a pessoa não se prepara, o risco de queda, exaustão e lesão aumenta”, diz a especialista.
Calçado, vestuário e outros detalhes
A escolha do calçado é outro ponto sensível. “Nunca faça trilha com tênis novo”, adverte Patrícia. “O ideal é usar um calçado já amaciado, testado em treinos”. Segundo ela, bolhas e ferimentos nos pés podem comprometer a continuidade do percurso.
Patrícia também recomenda atenção ao tipo de meia: “Meias de algodão devem ser evitadas porque retêm umidade e aumentam o atrito. As meias próprias para corrida ou trilha secam mais rápido e protegem melhor a pele”, diz.
Conduta coletiva e responsabilidade ambiental
Além da segurança individual, a conduta coletiva é decisiva. “Trilha não é competição; é preciso respeitar o ritmo do grupo e tomar decisões pensando na segurança de todos”, afirma Patrícia.
O cuidado com o meio ambiente também integra as orientações. “Tudo o que a pessoa leva para a trilha deve voltar com ela. Não deixar lixo é uma regra básica”, reforça.
Ao reunir orientações técnicas do Corpo de Bombeiros e a experiência de quem pratica a atividade, o alerta é direto: trilha exige preparo, atenção e responsabilidade. “Planejamento e decisões corretas fazem toda a diferença para que a trilha seja uma experiência segura”, conclui a tenente Letícia.
Geovanna Gravia, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader
A umidade relativa do ar pode chegar a 12% no Distrito Federal nesta sexta-feira (14) e no sábado (15), principalmente durante as tardes. O DF está sob alerta laranja, de perigo, emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A previsão indica índices entre 20% e 12%, condição que aumenta o risco de incêndios florestais e pode causar impactos à saúde.
O período mais crítico ocorre durante a tarde, quando as temperaturas sobem e a umidade tende a cair. A previsão indica que índices iguais ou inferiores a 12% ainda podem ser registrados até pelo menos segunda-feira (17).
O período da tarde é o mais crítico, com umidade do ar ainda mais baixa | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília
A situação é provocada pela atuação de uma massa de ar quente e seco, associada à estabilidade atmosférica e à ausência prolongada de chuva. Essas condições dificultam a formação de nuvens e mantêm o tempo seco no Distrito Federal.
Baixa umidade
A região do Gama pode atingir 12% de umidade na tarde desta sexta-feira (14). O índice corresponde ao nível laranja de severidade utilizado pelo Inmet.
O menor índice registrado no DF desde o início de agosto foi de 13%. A marca foi registrada no dia 10 deste mês, na Estação Meteorológica do Gama (Ponte Alta). Se a umidade ficar abaixo de 12%, o nível de severidade passa a ser vermelho, considerado de grande perigo.
A partir de terça-feira (18), a umidade deve apresentar uma pequena elevação e ficar, em média, entre 30% e 35%. Mesmo assim, os índices ainda serão considerados baixos. Não há previsão de chuva para os próximos dias.
Semana integra oficialmente o calendário anual da CLDF e terá como mote “escutar para construir: cultura democrática desde a infância”
A Câmara Legislativa do Distrito Federal realiza, entre 25 e 26 de agosto, a 4ª Semana Legislativa pela Primeira Infância. Promovida pela Escola do Legislativo (Elegis), o evento reúne atividades educativas, debates com especialistas e discussões sobre a garantia dos direitos das crianças. A participação é gratuita e terá direito a certificado. O número de vagas é limitado. A inscrição pode ser feita por este link.
O mote deste ano é “escutar para construir: cultura democrática desde a infância”. O objetivo é ser um espaço de diálogo, reflexão e formação sobre a importância da escuta das crianças como fundamento para a construção de uma cultura democrática desde a infância, reconhecendo-as como sujeitos históricos, culturais e de direitos e fortalecendo sua participação na vida social e na construção de políticas públicas.
A abertura da semana ocorre na terça-feira (25), às 8h, com o projeto Infância Cidadã, que recebe crianças da educação infantil da rede pública de ensino do DF. A iniciativa da Elegis promove educação para a cidadania com estudantes de quatro a seis anos de idade, a partir de atividades que incluem visitas guiadas aos espaços da CLDF, contação de histórias, oficina e espetáculo musical do grupo Camerata Caipira, além de piquenique.
No dia seguinte, a abertura oficial do evento está marcada para as 9h, no auditório da Casa, seguida da conferência magna com o tema “escutar para reconhecer: a criança como sujeito histórico, cultural e de direitos”. A palestrante será a professora doutora Zoia Prestes, que leciona na Universidade Federal Fluminense e é pesquisadora nas áreas de educação, psicologia e desenvolvimento infantil, com base na teoria histórico-cultural.
Após intervalo para almoço, a programação será retomada às 14h30, com uma mesa redonda sobre o tópico “escutar para transformar: o lugar da criança na construção da vida social. Além de Zoia Prestes, o debate contará com os professores Rodrigo Rodrigues e Simão de Miranda.
Prioridade de Estado
Instituída pela Resolução nº 357/2025, de autoria da deputada Paula Belmonte (PSDB), a Semana Legislativa pela Primeira Infância integra oficialmente o calendário anual da CLDF. “Ver a Semana Legislativa chegar à quarta edição mostra que essa agenda se consolidou e continua cumprindo o propósito para o qual foi criada: manter as crianças no centro das políticas públicas”, destaca Belmonte.
A distrital ressalta ainda que a primeira infância precisa ser prioridade do Estado. “É nesse período que construímos bases fundamentais para o desenvolvimento das nossas crianças e, consequentemente, para o futuro da nossa sociedade”, acrescenta.
Programação
25 de agosto (segunda-feira)
Local: Auditório da CLDF (com visita guiada aos espaços da CLDF)
• 8h às 11h | Projeto Infância Cidadã
• 14h às 17h | Projeto Infância Cidadã
26 de agosto (terça-feira)
Local: Auditório da CLDF
• 8h30 | Credenciamento e acolhimento
• 9h | Abertura Institucional. Tema: Escutar para Construir: cultura democrática desde a infância
• 9h30 | Conferência Magna. Tema: Escutar para Reconhecer: a criança como sujeito histórico, cultural e de direitos
– Palestrante: Prof.ª Dra. Zoia Prestes
• 11h30 às 14h | Intervalo para almoço
• 14h | Recepção
• 14h30 | Mesa-redonda. Tema: Escutar para Transformar: o lugar da criança na construção da vida social
Participantes: Prof. Dr. Rodrigo Rodrigues, Prof. Dr. Simão de Miranda e Prof.ª Dra. Zoia Prestes
• 16h30 | Encerramento.
Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil
O crescente uso de tecnologias como a internet, com destaque para a inteligência artificial (IA), deve ser acompanhado de pensamento crítico e não apenas entregá-las nas mãos de estudantes e professores.
A avaliação é da educadora Daniela Costa, consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o Brasil.
“Até um determinado momento, a gente pensava em inclusão digital. Agora, a gente acrescentou duas palavrinhas: tem que ser uma educação, uma inclusão digital significativa e crítica”.
Daniela Costa é coordenadora da pesquisa TIC Educação, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), uma organização sem fins lucrativos.
“Não dá mais para pensar só em entregar as tecnologias nas escolas, a gente precisa pensar em objetivos, motivos, riscos, oportunidades, o que fazer com as tecnologias e como educar os alunos para um uso mais crítico”, defendeu.
Encontro de educadores
A especialista participou do 4º Encontro de Educadores do Século XXI – Inteligência Artificial e o Futuro da Educação, realizado nesta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro. O evento é organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
Para abordar o tema, a consultora da Unesco apresentou dados que refletem avanços e preocupações sobre a relação entre estudantes com o ensino.
Pelo lado do avanço, ela mostrou que, na China, gravações de aulas de alta qualidade distribuídas a 100 milhões de estudantes rurais melhoraram os resultados deles em 32%. Além disso, diminuíram a desigualdade salarial entre populações urbanas e rurais em 38%.
Entre as preocupações, ela citou que a “simples proximidade” de um aparelho celular era capaz de distrair os estudantes e provocar um impacto negativo na aprendizagem em 14 países.
Para a professora, existe uma correlação negativa entre o excesso de uso de tecnologias digitais e a aprendizagem dos estudantes.
“Eu estou em aula, os meus alunos pegam o celular e pronto, acabou. Eles não têm mais atenção”.
Daniela apresentou dados do Cetic.br de que, no início de 2026, 51% das escolas afirmam que os estudantes não podem sequer levar o celular para a escola.
“Essas regras vão se tornando mais brandas de acordo com o nível de ensino”, complementa ela, apontando que no ensino médio, essa regra cai para 31% dos estabelecimentos.
“O celular tem que ficar em bolso, acessórios ou em locais da escola”, explica.
Pesquisa em vídeos
Daniela Costa chamou atenção também para o fato de que aplicativos de vídeo como YouTube e TikTok foram apontados por estudantes de ensino médio como o recurso digital mais utilizado para fazer pesquisas para trabalhos escolares.
O levantamento mostra que esses vídeos são utilizados por 89% dos alunos.
“A gente passa de uma pesquisa usando a linguagem verbal para uma pesquisa visual. É assistir um vídeo para se informar”, constata.
A segunda forma mais comum de pesquisa são sites de buscas, como o Google, utilizado por 88% dos estudantes.
Na sequência figuram sites como blogs e Wikipédia (72%) e plataformas de IA (70%). Livros digitais são a quinta forma mais comum (65%).
Ela assinala que apenas um terço dos estudantes brasileiros afirmam terem sido orientados sobre erros das IAs.
Sociedade e professores
A educadora acrescentou que dados revelam que os professores são referências para os alunos em como utilizar as tecnologias digitais.
De 2022 para 2024, o percentual de estudantes que declararam se informar sobre o uso com os professores passou de 44% para 56%.
No entanto, ela destacou a queda na proporção de professores que informaram terem passado por formação continuada sobre tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem.
Em 2021, 65% dos docentes declararam participação. Em 2024, eram 54%. “Esse número é baixo. Essa proporção representa metade dos professores”, lamenta.
“É como se, durante a pandemia, precisávamos falar sobre isso. Depois, não precisamos mais”, criticou.
Para a consultora da Unesco, é importante que a sociedade “se comprometa com esse ator que é o professor, o educador”.
“Não existe uma sociedade sem escolas, não existe uma sociedade sem professores, não existe educação e desenvolvimento integral dos estudantes sem esses elementos”, defende.