A oferta de horários estendidos busca atender à população que estuda ou trabalha durante o expediente convencional. A maior parte das UBSs funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, mas as unidades com atendimento estendido constituem alternativa para o acesso aos serviços.
Reportagens
Homenagem ao Dia do Servidor Público é marcada por reivindicações
O deputado João Cardoso, autor da homenagem, destacou que o servidor público é o “verdadeiro guardião do serviço público”
Foto: Eurico Eduardo/Agência CLDF
Durante a manhã desta sexta-feira (25), a Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou sessão solene para saudar o dia do servidor público que foi marcada por reivindicações das diversas categorias. A reunião aconteceu por iniciativa do deputado João Cardoso (Avante) e teve a presença de vários representantes da classe, entre eles da administração direta, da saúde e da educação.
João Cardoso é membro de duas carreiras públicas, de auditoria e de magistério. O parlamentar destacou a importância do servidor público. “O Estado Democrático precisa do servidor público, que deve estar sempre presente e valorizado. Eu respeito o servidor público. Sou servidor de duas carreiras, auditor fiscal de atividades urbanas e professor da Secretaria de Educação. Também fui servidor como oficial do Exército”, afirmou o deputado.
João Cardoso também contou uma passagem curiosa para ilustrar como valoriza o servidor. “Quando fomos eleitos, em 2018, não participei da ambientação dos deputados. Procurei o Sindical, sindicato aqui da Casa, e pedi uma reunião fora da Câmara Legislativa. Sentamos em uma cafeteria e disse: estou aqui para pedir permissão a vocês para entrar na Câmara Legislativa porque os verdadeiros guardiões da Câmara são vocês, servidores concursados. Nós, parlamentares, por aqui passamos, mas vocês levam a história da Casa. De lá para cá, construímos uma parceria com os servidores. Nós parlamentares somos servidores públicos, não esqueçam”, destacou o distrital.
“Eu defendo o servidor sim, principalmente, quando as condições de trabalho não são adequadas e quando a valorização não acontece. Todas as carreiras deveriam ser reconhecidas e valorizadas da mesma forma. O verdadeiro guardião do serviço público somos nós porque passamos, deixamos nossa história e pertencemos àquele órgão. Nosso mandato foi criado com o lema: servir sem ver a quem”, finalizou João Cardoso.
O secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal, Agaciel Maia lembrou que o servidor público tem sido enfraquecido nas últimas décadas e precisa voltar a ser fortalecido. “A representação política do Congresso Nacional chegou a ser quase 50% de servidor e hoje talvez não seja nem dez por cento. Servidor público não tem votado em servidor e a gente tem atrofiado durante esse tempo”, registrou Agaciel.

O ex-deputado distrital também trouxe uma reflexão. “Há servidor que tem a chance de exercer um cargo de direção e que às vezes esquece que ele é, na essência, servidor público. Fui servidor do Senado e diretor-geral do Senado e hoje posso voltar lá e olhar no olho dos servidores. Fui deputado distrital por três mandatos e construí esse relacionamento para que eu possa voltar à Câmara Legislativa e saber que fiz o melhor que pude para os servidores desta Casa e que mantive um bom relacionamento com meus colegas. Essa é a lição que aprendi com meu pai e a reflexão que todo dirigente tem que fazer. Muitos dirigentes acham que servidor público é despesa, mas na verdade é investimento”, refletiu Agaciel Maia.
Por sua vez, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Civis da Administração Direta (Sindireta), Ibrahim Yusef Mahmud Ali, disse que o dia é para reflexão e luta. “Temos que parar o dia para reflexão do que o serviço público está fazendo para a sociedade, que tanto precisa. Queremos trazer dignidade para o cidadão. Vivemos um massacre porque não querem o fortalecimento do serviço público. Querem terceirizar tudo. Passamos sete anos sem recomposição, que representou 56% a menos no contracheque do servidor. Estamos sendo sacrificados na questão do anuênio, suspenso no período da pandemia. É uma medida pequena que o governador pode dar em uma canetada. E também nosso vale alimentação, que pague pelo menos igual ao do governo federal. Reconhecemos alguns avanços, mas queremos uma mesa de negociação permanente”, defendeu Ibrahim.

O sindicalista ainda falou sobre a importância de o servidor escolher seus representantes nas eleições. “Somos 190 mil servidores [no DF] e veja a importância de colocar no Legislativo servidores públicos. Vote no servidor público”, conclamou o presidente do Sindireta.
De seu lado, a representante da Carreira Assistência Pública à Saúde, Silene Dias, disse que a data é de cobranças. “Represento a carreira que tem o pior salário do GDF. Servidores da saúde e educação são extremamente desvalorizados no DF. Queria estar comemorando nossa valorização. Só da saúde são quase 52 mil servidores, da educação são entre 56 e 60 mil, somos a grande maioria e tudo que é para ser feito para essas duas áreas tem a desculpa de que o impacto é muito alto. Não dá para tratar desiguais de maneira igual. Votei no governador Ibaneis e me sinto muito à vontade de estar aqui cobrando diálogo, respeito e valorização. Também precisamos fazer o chamamento de concursados”, enfatizou Silene.
A presidente do Sindicato dos Servidores Integrantes da Carreira de Fiscalização de Atividades Urbanas do Distrito Federal (Sindafis), Christiane Marcondes, também fez coro para que exista diálogo com o governo. “Nós queremos sentar e ter mesa de negociação. Infelizmente, estão sendo criados dois escalões dentro do serviço público. Os que estão sendo valorizados, recebem o que pedem e aqueles que não estão sendo nem recebidos. Precisamos ser ouvidos e, como representantes sindicais, temos que levar uma resposta aos que representamos”, declarou Christiane.
Já o presidente da Associação dos Servidores da Carreira de Políticas Públicas e Gestão Educacional (ASPPEG), Márcio William de Sousa, lembrou da luta que a categoria passou e do que conquistou. “Há cinco anos éramos invisíveis, sem perspectiva de melhoras. Fomos à luta insatisfeitos com essa situação e conseguimos um apoio muito importante desta Casa. Demonstramos a importância da carreira e conseguimos um pouco de recomposição. Atuamos na alimentação escolar, na prestação de contas e na secretaria da escola, entre outras áreas. Hoje temos seis projetos para nossa carreira aqui na Câmara Legislativa. Agradecemos o apoio do deputado João Cardoso”, disse Márcio.

O presidente da Associação dos Servidores Públicos da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (ASPSES), Hélio Francisco do Nascimento, disse que a carreira que representa não tem o que comemorar. “Nossa carreira, que é de suma importância para a Secretaria de Saúde do DF, está prestes a fechar 2024 e partir para o próximo ano sem expectativa de reconhecimento e valorização. Há um princípio constitucional de que a administração pública deve tratar os desiguais na medida de sua desigualdade. Quando nosso governador concedeu reajuste linear em três parcelas de 6%, isso agravou ainda mais a situação de uma carreira que há 18 anos não tem recomposição e correção salarial, assim como não tem sua modernização. Esse aumento linear criou ainda mais desigualdade entre as carreiras. Precisamos resolver essa questão. Precisamos cuidar de quem cuida da saúde”, apelou Nascimento.
Por sua vez, o secretário adjunto de Governo da Secretaria de Governo do Distrito Federal, Helton Costa, agradeceu à Câmara Legislativa pela interlocução com os servidores públicos. “Agradeço aos deputados porque muitas pautas do servidor foram aqui trazidas, discutidas e aperfeiçoadas”, afirmou o secretário. Segundo ele, o governador é sensível às questões relativas ao servidor público que foram apresentadas na solenidade. “O governador Ibaneis é sensível ao servidor público. Haja vista a terceira parcela que foi paga durante seu governo, o reajuste de 18% em três parcelas e também a questão do chamamento de servidor. Quanto às reivindicações aqui apresentadas, vamos ver o que está acontecendo e se tem alguma previsão na Secretaria de Economia [em relação aos processos que estão parados]. Estou em uma função pública e amanhã não estarei. Por isso, sou muito ciente dos compromissos e obrigações que temos com o servidor público”, afirmou o secretário adjunto.

Ao fim da solenidade foram entregues a servidores e seus representantes algumas moções de louvor pela dedicação e pelo compromisso com o serviço público.
Francisco Espínola – Agência CLDF
Reportagens
Jovens eleitores quilombolas defendem voto em defesa de ideais
Mais de 188 mil pessoas identificados como quilombolas vão às urnas
No próximo dia 4 de outubro, o agricultor Joaquim Moreira, de 87 anos, pessoa mais velha da comunidade quilombola de Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO), fará o caminho até a escola em que vai votar em uma companhia especial. 

Ele estará com a neta, a estudante Thauany Silva, de 16 anos, que terá a primeira experiência na urna. Ambos estão muito ansiosos pela data e com os títulos bem guardados em suas carteiras. “Sempre votei e vou votar de novo”, diz o agricultor.
Thauany ficou tão empolgada com o primeiro voto que, assim que completou 16 anos em abril, foi com a mãe, Mayara, até o centro da cidade para fazer valer os direitos de cidadã.
Dobro de eleitores
Nas eleições de 2026, o número de eleitores que se identificaram como quilombolas praticamente dobrou em relação ao pleito de 2024, segundo os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Eram 95.409 pessoas nas eleições municipais e subiu para para 188.371 em 2026. Em Goiás, onde a família deles vota, o número de quilombolas eleitores subiu de 3.625 para 5.394
Mayara Silva, de 36, mãe de Thauany, afirma que ensina aos filhos que é necessário acompanhar as decisões políticas porque interferem diariamente no dia a dia da sua comunidade. “Não tem como fechar os olhos para o fato que tudo é política”, diz.
A adolescente ficou muito feliz quando recebeu o título provisório de eleitora em mãos. “Quando a gente vota, estamos cuidando do futuro de todos nós, né?”, argumenta.
“Até o ar que a gente respira”
O sentimento de querer participar do dia importante da democracia também encanta a universitária de direito Franciele Silva, de 27 anos. Ela, que é nascida e criada na comunidade de Rio dos Macacos, em Simões Filho (BA), explica que tem o título de eleitor desde os 18 anos.
“Eu tinha muita curiosidade sobre como era votar. Até o ar que a gente respira tem a ver com política. Minha mãe sempre me ensinou a lutar pelos meus direitos e da minha comunidade”, enfatiza. Franciele, desde que começou a estudar direito na Universidade Federal da Bahia (UFBA), passou a trazer ainda mais informações para a comunidade sobre caminhos para a defesa do seu território. “Votar é fundamental”.
Inclusive, no Nordeste, há maior quantidade de quilombolas eleitores do país. Em 2024, eram 51.633 pessoas e, em 2026, serão 95.901. Segundo o TSE, a região tem mais da metade do eleitorado quilombola do país.
Mais visibilidade
O crescimento do eleitorado nas comunidades tradicionais tem relação com a ampliação da visibilidade e da conscientização política nos territórios, segundo avalia a professora Bia Nunes. Ela é pesquisadora da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).
“Nós temos levado as nossas pautas a diferentes espaços e encontramos parcerias.” Ela diz que, o engajamento de eleitores quilombolas ocorre a partir de conscientização e letramento sobre o papel que os quilombolas realizam pela natureza como guardiões da floresta. “Entender, por exemplo, a importância que os territórios têm para a biodiversidade. É o trabalho que os quilombolas sempre fizeram e fazem”, acrescenta.
Bia Nunes diz que a reivindicação de políticas públicas leva em conta o papel que as comunidades têm para a coletividade. “As pessoas começam a dimensionar esse trabalho e a entender a importância do voto e de escolher os representantes”.
A representante da entidade ressalta ainda que a população quilombola tem entendido que deve exigir dos governantes comprometimento com a proteção das pessoas e avanço das titulações de territórios quilombolas pelo país. Para isso, o engajamento dos mais jovens torna-se um caminho essencial.
Bia Nunes defende mais campanhas por parte do Estado brasileiro para o estímulo de eleitores e candidatos quilombolas. Inclusive, ainda há um contexto de vulnerabilidade, formado por pressões e ameaças de violências. “Eu mesmo sou uma pessoa que estou no programa de proteção porque, no ano de 2020, eu sofri uma ameaça contra a minha vida (quando era candidata)”.
Consciência política
A conscientização política da comunidade quilombola tem diferentes caminhos, como explica o educador de alfabetização financeira Rafael Costa, de 32 anos, da comunidade Mesquita, da Cidade Ocidental (GO). Ele avalia que há um crescimento de interesse por temas temas relacionados à participação e à representatividade política.
“Quanto mais as pessoas se informam, mais pesquisam, estudam e passam a ter mais noção da necessidade de políticas públicas, por exemplo”, contextualiza.
Rafael Costa avalia que as comunidades, que cresceram com espírito de cooperação e altruísmo, precisam estar atentas para evitar golpes financeiros e desinformação. “A partir do momento que se conscientizam sobre seu modo de vida e de produção, começam também a desenvolver maior consciência política”, argumenta.
Há, segundo o educador financeiro, engajamento e politização dos jovens adultos sobre participação política para se defender da desinformação que ameaça territórios. “A comunidade está cada vez mais se fortalecendo politicamente”.
Reportagens
Unidades básicas de saúde oferecem atendimento em horário noturno e aos sábados
No DF, Atenção Primária à Saúde conta com nove postos abertos até as 22h durante a semana e 66 aos sábados
Por
Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto
Pessoas residentes no Distrito Federal que precisam acessar uma unidade básica de saúde (UBS) fora do horário comercial dispõem de opções de atendimento em horário estendido. Das 183 UBSs da rede de saúde pública do DF, nove funcionam no período noturno, de segunda a sexta-feira, das 18h às 22h, e 66 unidades abrem aos sábados, das 7h às 12h.
Durante os horários estendidos, as unidades oferecem os serviços da Atenção Primária à Saúde, incluindo consultas agendadas e atendimento à demanda espontânea para situações de menor complexidade.
Nas UBSs, a população encontra acompanhamento de condições como hipertensão e diabetes, pré-natal, vacinação, curativos, renovação de receitas e atendimento com equipes de Saúde da Família, entre outros procedimentos. Casos de urgência e emergência são encaminhados para as unidades de pronto atendimento (UPAs) ou hospitais da rede.
Os endereços, horários de funcionamento e demais informações sobre as UBSs do Distrito Federal podem ser consultados no Painel Infosaúde — Atenção Primária. O sistema reúne dados atualizados da rede e permite verificar quais unidades operam em horário ampliado.
Reportagens
Câmara Legislativa celebra 10 anos do Instituto Arte Jovem
Cerimônia lembrou da trajetória e das contribuições sociais feitas pela organização social que oferece aulas de música, dança e canto em Ceilândia
Foto: Tiago Orihuela/Agência CLDF
Sessão solene contou com apresentação do bailarino Thiago Batista
“Uma ideia teimosa, que a gente não sabe como vai dar certo, mas tem a certeza de que precisa existir.” Foi assim o início do Instituto Arte Jovem, nas palavras de seu fundador e diretor artístico Edmilson Campos Júnior. Criada em 2016, a organização social oferece aulas de música, dança e canto na região administrativa de Ceilândia. A trajetória foi homenageada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), em sessão solene na noite de terça-feira (18).
>> Confira a cobertura fotográfica
“Hoje, essa ideia tem quase 600 crianças e jovens de Ceilândia”, ressaltou Edmilson Júnior, que discursou sobre a transformação promovida pela arte. “Nós vimos crianças chegarem aqui sem coragem de olhar nos olhos. Pouco tempo depois, subiram no palco e se apresentaram para centenas de pessoas. Já vimos jovens descobrirem aqui um talento que nem sabiam que existia e, junto com ele, descobriram o próprio valor. Não é só ensinar música e dança. É ensinar que vocês são capazes”, enfatizou o fundador.
Edmilson Júnior também deixou um conselho para os alunos:“Se em algum momento a vida disser a vocês que não dá, que é difícil demais, que não é para gente como nós, lembrem-se dessa noite. Lembrem-se de um projeto nascido em Ceilândia, sem quase nada além de vontade, e que hoje está sendo homenageado pela Câmara Legislativa. Desistir nunca foi uma opção para nós. E também não vai ser para vocês”.

A homenagem foi uma iniciativa do deputado distrital Martins Machado (Republicanos), que destacou o impacto do instituto na família e na comunidade, ajudando a construir novas perspectivas. “É gente que ganhou confiança, encontrou oportunidades e passou a enxergar novos caminhos. Quando uma pessoa começa a acreditar mais em si mesma, muita coisa ao redor dela também começa a mudar”, refletiu.
Representando as famílias dos alunos, Antônio Carlos de Souza demonstrou gratidão aos professores, colaboradores, parceiros e “todos que acreditaram e continuam acreditando no projeto”. “(O instituto) abriu portas, fortaleceu sonhos e ajudou nossas crianças e jovens a descobrirem suas capacidades, sua sensibilidade e seu lugar no mundo.”
A cofundadora e diretora-geral do Instituto Arte Jovem, Inayá Amanacy, comentou sobre a continuidade da organização, que está sempre agregando novos integrantes e alunos. “Hoje, nós temos alunos que tocam com a gente, já são pais e seus filhos continuam conosco”, observou.

Um dos propósitos do instituto é a formação permanente de novos professores, conforme explicou o professor Edmilson Campos, que também é pai do fundador da organização. “O nosso papel é estar sempre formando e transformando. Eu sempre coloco os alunos para aprender a dar aula, independentemente da idade. Se tem seis anos, ensina para quem tem quatro. Você já é professor ao ensinar tudo o que sabe para o outro que não sabe”, detalhou.
No final, foram entregues moções de louvor a participantes do Instituto Arte Jovem, em reconhecimento à relevante contribuição prestada à formação musical, cultural e cidadã, promovendo inclusão social, desenvolvimento humano e valorização dos talentos locais.
A sessão solene completa está disponível no YouTube da TV Câmara Distrital.
Agência CLDF
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