Reportagens
Gabinete mobiliza efetivo de segurança recorde para o 7 de Setembro
Policiamento será reforçado na região central de Brasília, com tropas especializadas e monitoramento por meio de câmeras, drones e serviços de inteligência. Operação será maior do que a posse presidencial de 1º de janeiro
Adriana Izel, da Agência Brasília I Edição: Débora Cronemberger
O Gabinete de Mobilização Institucional criado pelo Governo do Distrito Federal (GDF) para o 7 de Setembro se reuniu, na tarde desta segunda-feira (4), para tratar das ações de planejamento e coordenação do evento a ser realizado na quinta-feira, das 7h às 12h, na Esplanada dos Ministérios. O encontro ocorreu no Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob) com a presença de representantes dos órgãos vinculados ao grupo.

Durante a reunião foi apresentado o Protocolo de Operações Integradas da Semana da Pátria desenvolvido pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) com as ações de segurança, inteligência e mobilidade que visam manter a ordem pública e a segurança dos participantes, de edifícios públicos e das autoridades presentes no evento.
O secretário-executivo de Segurança Pública, Alexandre Patury, revelou que o planejamento foi elaborado há três meses, a partir de uma série de reuniões entre os órgãos do GDF e do governo federal. “Nunca os órgãos do governo federal e distrital estiveram tão juntos. A nossa inteligência é uma só. Nós lutamos por um 7 de setembro de tranquilidade para o público, mas estamos sempre vigilantes”, destacou.
O policiamento durante a solenidade será maior do que o empregado no mesmo evento do ano passado e até durante a posse presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva em 1º de janeiro. “O efetivo é reservado por questão de segurança, mas será maior do que antes. Há uma célula de inteligência com todos os órgãos do DF e do governo federal, além do gabinete instituído pelo governo que tem uma visão mais política”, afirmou Patury.

De acordo com o secretário-executivo, a inteligência das forças de segurança fazem o monitoramento de possíveis ameaças. Até agora, nada foi detectado. “Tudo está mapeado. A SSP-DF avalia todas as informações que chegam, prováveis e improváveis. Até o momento, não registramos nada efetivo e organizado que possa comprometer o 7 de Setembro”, garantiu.
O comandante-geral da Polícia Militar, Adão Macedo, reforçou o trabalho de vigilância. “As forças de segurança do DF estão empenhadas no planejamento há mais de três meses. Foi feito um trabalho integrado”, disse. “Levamos em conta todas as possibilidades. Não desprezamos nada. Posso dizer que o policiamento que será colocado no evento tem condições de fazer frente a qualquer ameaça”, completou.
Protocolo de segurança
O policiamento será reforçado em toda a região central, com empenho de tropas especializadas das forças de segurança do Distrito Federal e monitoramento por meio de imagens de câmeras, drones e informações enviadas ao Centro Integrado de Operações de Brasília
O policiamento será reforçado em toda a região central, com empenho de tropas especializadas das forças de segurança do Distrito Federal e monitoramento por meio de imagens de câmeras, drones e informações enviadas ao Centro Integrado de Operações de Brasília.
“É impressionante a estrutura que está sendo montada no 7 de Setembro, tanto de profissionalismo quanto de empenho dos órgãos de segurança pública. Será uma bela festa, onde todos poderão comparecer sem nenhum tipo de medo. São muitos homens e mulheres que deixaram as suas casas para dar segurança a todos nós”, comentou o delegado-geral da Polícia Civil, Robson Cândido.
Além disso, a Força Nacional de Segurança Pública solicitada pelo GDF ao Ministério da Justiça e Segurança Pública também estará à disposição. “Foi acordado entre a vice-governadora Celina Leão e o ministro da Justiça, Flávio Dino. A Força Nacional, inclusive, participou dessa reunião. Será muito bem-vinda e bem-empregada”, defendeu o secretário-executivo de Segurança Pública.
“O Detran vai auxiliar todas as forças de segurança com um contingente expressivo. Serão 100 homens trabalhando desde as primeiras horas, 50 veículos caracterizados e alguns velados. Seis guinchos, seis motos e nossa aeronave de prontidão”Takane do Nascimento, diretor-geral do Detran
Haverá intervenções no trânsito, com o fechamento da Esplanada dos Ministérios para circulação de veículos a partir das 21h de quarta-feira (6), véspera do desfile. “O Detran vai auxiliar todas as forças de segurança com um contingente expressivo. Serão 100 homens trabalhando desde as primeiras horas, 50 veículos caracterizados e alguns velados. Seis guinchos, seis motos e nossa aeronave de prontidão”, anunciou o diretor-geral do Departamento de Trânsito (Detran), Takane do Nascimento.
As vias N3 e S2 terão trânsito livre, assim como o Buraco do Tatu (ligação entre Asa Sul e Norte, próximo à Catedral). O público que se deslocar até o desfile com veículo poderá utilizar os estacionamentos dos anexos dos ministérios, dos setores de Autarquias, Bancário e Comercial. A entrada será pelos blocos B, C e D.
Linhas de revistas serão distribuídas pelos acessos à área do desfile. Entre os itens proibidos estão fogos de artifício, armas em geral ou réplicas, apontador a laser, artefatos explosivos, sprays e aerossóis, mastros para bandeiras e cartazes, garrafas de vidro e latas e substâncias inflamáveis (veja lista com todos os itens ao final).
O acesso à Praça dos Três Poderes será restrito, e prédios públicos serão protegidos por gradis. Equipes de atendimentos de emergência e combate a incêndios atuarão no local, e a 5ª Delegacia de Polícia terá reforço no efetivo. As forças de segurança terão como base a estrutura da Cidade Policial, que será montada ao lado do Museu da República.
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) atuará na prevenção de incêndios e contará com equipes de militares especializados em atendimento pré-hospitalar, circulando entre o público para uma resposta mais rápida em caso de necessidade. “Estamos empenhados na festa da democracia com um efetivo de 200 militares, 10 viaturas no local e 330 militares no desfile. Nosso planejamento é esse, mas poderemos atuar com incremento de novos militares. Estamos preparados para qualquer situação”, defendeu a comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Mônica Mesquita.
Operação conjunta
Criado na última quinta-feira (31) por meio de decreto, o Gabinete de Mobilização Institucional é liderado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) e composto pelas secretarias de Saúde e de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal) e Serviço de Limpeza Urbana (SLU).
Também atuam como convidados o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Ministério da Defesa, Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), Senado Federal, Câmara dos Deputados Federal, Supremo Tribunal Federal, Tribunal Superior Eleitoral, Procuradoria-Geral da República, Câmara Legislativa do Distrito Federal, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Agência Brasília de Inteligência (Abin), Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) e Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção do Distrito Federal (OAB-DF).
Itens proibidos no 7 de Setembro
→ Fogos de artifício e similares
→ Armas de fogo em geral
→ Latas, copos, garrafas, coolers e isopor
→ Apontador a laser ou similares
→ Artefatos explosivos
→ Sprays e aerossóis
→ Animais em geral, com exceção de cães-guia
→ Bolsas e mochilas com mais de 100 cm na soma das dimensões dos três lados, ou sejam, altura, largura e profundidade
→ Máscaras de qualquer tipo e tamanho, exceto as de proteção facial
→ Mastros confeccionados com qualquer tipo de material para sustentar, ou não, bandeiras e cartazes
→ Malas, pastas, caixas e similares
→ Churrasqueira de qualquer tamanho
→ Barraca e similares de qualquer tamanho ou tipo
→ Drones não autorizados
→ Quaisquer outros itens que possam comprometer a segurança
→ Fogões e similares que utilizem gás e/ou eletricidade
→ Garrafas de vidro e latas
→ Armas de brinquedo, réplicas, simulacros e quaisquer itens que possuam aparência de arma de fogo
→ Drogas ilícitas, conforme a legislação brasileira
→ Substâncias inflamáveis de qualquer tamanho ou tipo
→ Armas brancas ou qualquer objeto que possa causar ferimentos, mesmo que representem utensílios de trabalho ou cultural (tesouras, martelos, flechas, tacos, tacape, brocas)
→ Quaisquer outros itens a serem divulgados, com antecedência mínima de 24h da Operação, pela PMDF e/ou SSP e/ou GDF.
Reportagens
Escritor Joaquim Arena preenche vazios de Europa negra invisibilizada
Autor participa do Clube do Livro do CCBB-RJ
Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil
Revelar uma Europa negra, apagada das narrativas oficiais, é o que propõe o autor luso-cabo-verdiano Joaquim Arena, que revisita a presença de africanos e seus descendentes no continente europeu por meio do livro Debaixo da nossa pele (2017).

A partir de viagens por Portugal, arquivos e relatos, o escritor reconstrói trajetórias de personagens negros pouco conhecidos. A jornada também se cruza com a história da migração cabo-verdiana para Lisboa e com a trajetória do próprio escritor.
Arena nasceu na Ilha de São Vicente, em Cabo Verde, em 1964. É filho de pai português e de mãe cabo-verdiana e viveu grande parte da sua vida em Lisboa. Em Portugal, ele se formou em direito e iniciou a carreira em jornalismo.
O escritor está no Rio de Janeiro para participar do Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ), no centro da capital fluminense, às 17h30 desta quarta-feira (14).
Autor de seis romances, traduzidos em várias línguas, Arena escreveu Siríaco e Mister Charles, vencedor do Prémio Oceanos de Literatura, na categoria Prosa, em 2023. Atualmente, reside em Cabo Verde, na cidade de Praia.
Cabo Verde e Brasil
Com o tema “Romance histórico: onde a realidade encontra a ficção”, o encontro gratuito propõe uma conversa sobre memória, pertencimento, identidade e as marcas do passado colonial que permanecem no presente.
A partir da obra de Arena, o evento busca aproximar experiências históricas e culturais de Cabo Verde e do Brasil, dois países atravessados por deslocamentos populacionais, encontros entre diferentes culturas e pelas relações entre África e Europa.
O autor conta que Debaixo da nossa pele fala da miscigenação e da circulação dos povos da África para a Europa. O público poderá perceber semelhanças com a formação do Brasil.
“Debaixo da nossa pele fala dessa condição humana de deslocamento das pessoas de um país a outro, levadas por questões econômicas, sociais e políticas. O livro faz essa síntese, pois a circulação continua ainda hoje, é positiva, abre oportunidades de novas janelas de vida para muitas pessoas”, diz Arena.
Preenchendo vazios
Para o escritor, a história tem um poder atrativo mais forte do que o presente.
“Sou levado a encontrar, no meio dos fatos históricos, os vazios. São esses vazios que eu pretendo preencher através da minha ficção. Aproveito episódios verídicos que são muito inspiradores para que nós imaginemos uma personagem. Fico com vontade de saber mais, senão eu invento a personagem”, afirma o autor.
Arena conheceu a literatura brasileira aos 12 anos, com a obra de Jorge Amado. Ele se identificou com o livro Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos, que também fez parte da sua formação. Para ele, foi uma porta de entrada de uma literatura que não era portuguesa, europeia nem africana.
“Nós, das antigas colônias portuguesas, recebemos a literatura brasileira como uma janela para um mundo muito semelhante ao nosso”.
“Jorge Amado, com sua Bahia, está na formação de muitos autores lusófonos na África. Depois, vamos crescendo e encontrando Guimarães Rosa, José Lins do Rêgo, Graciliano Ramos. O romance da década de 30 fala dos retirantes, da seca. É uma realidade muito próxima da nossa”, diz Arena.
O autor acredita que um clube de leitura é um reduto onde se mantém ainda uma magia e em que se ouve falar de invenções.
“Há um pacto do autor com o público. O escritor sabe que o que ele inventou não existiu. O leitor sabe que o romance saiu da imaginação. Isso cada vez mais num mundo acelerado, com redes sociais, com streamings”.
Reportagens
Técnicos apresentam o andamento das metas fiscais do governo
Apresentação feita à CEOF mostra que, até agosto, receita corrente líquida do DF foi de R$ 28 bilhões, o que significa cerca de 72% da meta
Foto: Felipe Ando/Agência CLDF
Com relação à despesa total empenhada, GDF gastou R$ 31 bilhões até agosto, dos R$ 47,6 bilhões previstos para o ano
A Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara Legislativa realizou audiência pública na manhã desta quinta-feira (15) para avaliar as metas fiscais do Governo do Distrito Federal nos primeiros 8 meses de 2026. Na ocasião, técnicos do governo apresentaram à comissão números referentes a receitas e despesas do GDF nos dois primeiros quadrimestres do ano em comparação às metas previstas nas leis orçamentárias.
Confira a cobertura fotográfica no Flickr da CLDF
Com relação às receitas correntes, a previsão inicial para 2026 era de R$ 39 bilhões e o valor alcançado até agosto é de R$ 28 bilhões, o que significa um alcance de 71,85% da meta. As receitas de capital até agosto somam R$ 1,1 bilhão, enquanto a previsão inicial para 2026 era de R$ 726 milhões, o que representa 163,16% de alcance da meta. O total de receitas tributárias até agosto soma R$ 20,1 bilhões, enquanto a previsão para o ano era de R$ 25,4 bilhões, representando 79,29% da meta estabelecida. O ICMS, sozinho, representa 46,2% de toda a arrecadação com impostos e taxas. Com relação à despesa total empenhada, a dotação autorizada para 2026 era de R$ 47,6 bilhões, sendo que o governo gastou R$ 31 bilhões até agosto, o que representa 65,3% da dotação.
Para o deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil), presidente da CEOF, os números são positivos para o governo. “De maio a agosto, tivemos um incremento na casa de R$ 1 bilhão fruto da alienação de bens. Assim chegamos a 72% do total previsto a realizar de receita. Já temos um indicativo de que teremos excesso de arrecadação ao longo do último quadrimestre. Estamos chegando a quase 50% do saldo total previsto para investimentos no ano, que é de R$ 3,5 bilhões. Isso mostra que os investimentos não pararam mesmo diante de situações orçamentárias excepcionais”, avaliou.
Representando o governo, o assessor especial de política fiscal da Secretaria de Economia do DF, Luiz Barreto, ressaltou que o ano de 2026 foi impactado pelo déficit orçamentário do ano anterior. “O DF, nos últimos dois anos, apresentou déficit. E esse déficit teve impacto em 2026. Nós entramos em 2026 com quase R$ 3 bilhões de déficit. Por isso, a execução orçamentária de 2026 precisa priorizar o que é relevante, como saúde e educação. Até o presente momento temos um resultado primário de superávit de R$ 1,8 bilhão na Lei de Diretrizes Orçamentárias e déficit de R$ 1,5 bilhão na Lei Orçamentária Anual”, explicou.
O assessor também comentou os números relacionados a gastos com pessoal e repasses obrigatórios para a educação. “Até agosto tivemos um índice de 40,54% do orçamento destinado para gasto com pessoal, o que está dentro do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Sobre os mínimos empenhados em educação, a lei determina que ao final do exercício temos que atingir 25% e hoje estamos em 23%”, relatou Barreto. A íntegra da audiência pública está disponível no canal da TV Câmara Distrital no YouTube.
Eder Wen – Agência CLDF
Reportagens
Debatedores alertam para diferentes formas de violência contra meninas
A audiência foi presidida pela senadora Leany Lemos (C)
Geraldo Magela/Agência Senado
Crianças e adolescentes representam um terço dos usuários de internet no mundo. No Brasil, um em cada cinco adolescentes foi vítima de alguma forma de abuso ou exploração sexual facilitada pela tecnologia em 2025. A maioria das vítimas é formada por meninas, e a violência ocorre principalmente em aplicativos conhecidos, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A informação foi apresentada nesta quinta-feira (15) em audiência da Comissão de Direitos Humanos (CDH), que debateu os desafios das políticas públicas para garantir a proteção integral das meninas no país. Os participantes também alertaram para outras formas de violência contra meninas e defenderam medidas de prevenção e proteção.
O debate foi requerido pela presidente do colegiado, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), em alusão ao Dia Internacional da Menina, celebrado no domingo (11), por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU). A reunião foi presidida pela senadora Leany Lemos (PSB-DF), suplente da senadora licenciada Leila Barros (PDT-DF). Para Leany, é preciso prevenir violências e permitir que cada menina desenvolva plenamente as suas capacidades.
— Quantas meninas ouvem que a liderança não é para elas? Quantas assumem responsabilidades domésticas e do cuidado antes de terem condições de construir seus próprios projetos de vida, e nisso elas nem sonham ser outras coisas, porque elas não têm essas oportunidades? Quantas meninas, na maioria negras ou pobres das periferias e das regiões distantes do Brasil, enfrentam obstáculos ainda maiores para exercer esses direitos, que são direitos universais? Então, essas perguntas têm que orientar as nossas políticas públicas — afirmou.
Ambiente digital
A coordenadora-geral de Direitos Humanos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Fernanda Souza Carlos, afirmou que a exploração sexual de crianças e adolescentes exige novas estratégias de enfrentamento, diante da migração de parte dos crimes para o ambiente digital. Ela defendeu a articulação entre órgãos públicos e sociedade civil para ampliar a proteção às meninas.
— O crime que a gente via antigamente com as meninas, as crianças à beira da rodovia, hoje, a gente não vê mais. Esse crime está no digital. Então, cada vez mais fica mais complexo o combate aos crimes voltados à exploração sexual de crianças e adolescentes, porque, de certa forma, ele está invisível. Então, precisa-se de um trabalho muito maior, porque tem muita coisa que a gente não está vendo fisicamente aqui, mas está acontecendo pelo aparelho de celular, que todo mundo tem hoje em mãos — afirmou.
A diretora de Projetos Especiais da SaferNet Brasil, Juliana Cunha, alertou para o uso da inteligência artificial generativa na produção de material de abuso sexual contra crianças e adolescentes. Segundo ela, mulheres e meninas são as principais vítimas desse tipo de violência. A diretora afirmou que o caráter artificial do conteúdo leva parte da população a subestimar o crime, que provoca danos às vítimas.
O representante do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo de Lins e Horta, destacou mudanças na legislação brasileira, entre elas a entrada em vigor em 2025 do ECA Digital e da Lei 15.487, de 2026, que aumenta penas para crimes sexuais contra crianças e adolescentes na internet. Segundo ele, o país avançou no enfrentamento de crimes como a violência sexual on-line, o cyberbullying e a extorsão sexual, mas precisa garantir a implementação das normas e das políticas de proteção.
— A gente tem uma base legislativa sólida, o desafio é implementar toda ela — afirmou.
Outras violências
Coordenadora de Políticas Educacionais da ONG Associação Serenas, Graziela Larissa da Silva Santos chamou a atenção para comportamentos que podem ser tratados como brincadeiras, mas que violam os direitos das meninas. Segundo pesquisa da organização, sete em cada dez professores ouvidos presenciaram “cantadas” indesejadas dirigidas a meninas nas escolas, e 42% relataram ter visto alunos tocar ou acariciar o corpo de meninas sem consentimento. Ela defendeu a formação de professores e gestores para prevenir a violência, acolher as vítimas e encaminhá-las à rede de proteção.
A delegada-chefe adjunta da Polícia Civil do Distrito Federal, Cyntia Cristina de Carvalho e Silva, destacou que o atendimento não deve se limitar à investigação criminal. Para ela, é necessário articular os serviços de segurança pública, saúde e assistência social, considerando também situações de dependência financeira e os riscos enfrentados pelas vítimas após a denúncia.
— A proteção e a responsabilização precisam caminhar juntas — afirmou.
Os participantes ainda abordaram a gravidez na adolescência e seus impactos na trajetória escolar e profissional, além de questões relacionadas à saúde menstrual e à violência sexual dentro de casa.
Também participaram do debate a especialista em gênero e inclusão da Plan International Brasil, Ana Nery Lima; a coordenadora de Relações Governamentais do Instituto Alana, Tayanne Galeno; a gerente de Comunicação do Instituto Liberta, Renata Greco; e a gerente Meal e Estratégia da Organização Visão Mundial, Manuela Franchini Melani.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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