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A magia das luzes de Natal em Brasília

‌Adereços e iluminação comemorativa enfeitam a capital federal nesta época do ano para encantar e renovar as esperanças dos brasilienses e turistas; tem sido assim desde 1960, quando a cidade foi inaugurada

 

Catarina Loiola, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader

 

Logo que chegou a Brasília, João de Santo Cristo, cantado pela banda Legião Urbana, ficou “bestificado com as luzes de Natal” e exclamou: “Meu Deus, mas que cidade linda!”. Assim como ele, turistas e brasilienses se encantam com os adereços e iluminação que compõem as paisagens do Planalto Central nesta época do ano. A tradição surgiu já no ano de inauguração, em 1960, e é o tema desta matéria do #TBTDoDF, especial da Agência Brasília que mergulha na história da capital federal.

O Teatro Nacional é um dos pontos que recebiam enfeites natalinos no início de Brasília | Foto: Divulgação/ Arquivo Público do DF

Imagens do Arquivo Público do Distrito Federal mostram que nos primeiros natais brasilienses as luzes eram instaladas na Rodoviária do Plano Piloto e no Teatro Nacional, espalhando-se também pela Esplanada dos Ministérios e chegando à Torre de TV e à W3 Sul. Há ainda uma imagem datada de 1960 do que teria sido a primeira árvore de Natal da cidade, que dá as boas-vindas ao Papai Noel.

Outro registro mostra a decoração do Catetinho, a primeira residência oficial do então presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek, durante a construção de Brasília. Na imagem, datada de 1956, mesmo ano em que o prédio conhecido como “Palácio de Tábuas” foi criado, aparecem pessoas reunidas na cozinha, iluminada por pisca-piscas pendurados em árvores ao redor. Outra imagem mostra servidores da antiga prefeitura de Brasília montando a imagem de Papai Noel, no ano de 1963.

O Catetinho era enfeitado com luzes pisca-piscas penduradas em árvores | Foto: Divulgação/ Arquivo Público do DF

Antes de 1960, porém, o espírito natalino já estava no Planalto Central. É o que conta um artigo da Revista Brasília, periódico criado pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), publicado mensalmente entre janeiro de 1957 e maio de 1963. A edição de dezembro de 1957 conta que foi montada uma árvore de Natal e distribuídos presentes para 1.680 crianças com idade até 12 anos. “E foi esta a primeira festa natalina das crianças de Brasília”, diz o texto.

“Apesar de não ser um bem tombado, o Natal é uma manifestação cultural que, sem dúvida, faz parte da tradição da cidade. Começou com os candangos, que vieram para a construção, e seguiu com o fomento do poder público”, explica o subsecretário do Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), Ramon Fernandez. De forma inédita, a pasta é a responsável pelo evento natalino neste ano e oferece o projeto Um Sonho de Natal, com atrações em três pontos do Eixo Monumental.

Tempo de esperança

As luzes desta época do ano sempre chamaram a atenção da aposentada Fátima Barreira, 65 anos. Quando chegou a Brasília, em 1977, ela encantou-se com os pisca-piscas que enfeitavam o Congresso Nacional e a Esplanada dos Ministérios. No ano passado, visitou as decorações com a filha e, este ano, já foi ver o presépio que adorna a Praça do Buriti. “Cada decoração tem sua simbologia. Amo tudo: a árvore, os anjos… Decorar a cidade para mim significa valorizar o simbolismo do Natal, reproduzir o nascimento daquele que morreu por todos nós”, afirma.

Fátima Bezerra: “Decorar a cidade significa valorizar o simbolismo do Natal, reproduzir o nascimento daquele que morreu por todos nós” | Foto: Arquivo pessoal

A jornalista Thays Passos, 36, aprendeu a gostar do Natal com a família, que é católica, e busca passar esse apreço ao filho de 6 anos. Por isso, ela e o esposo sempre levam o menino para ver “as luzinhas”. A favorita, até o momento, foi a decoração de 2021. “Estava espetacular. Não era só pisca-pisca nas árvores e monumentos como de costume. Foi algo que proporcionou um espetáculo para os visitantes, com neve, música e cenários incríveis. Não tinha como não se deslumbrar com tudo aquilo”, conta.

Thays acredita que decorar a cidade é uma forma de levar alegria à população. “Para quem mora nas cidades satélites e trabalha no Plano Piloto, o trajeto decorado e iluminado traz um momento de prazer e alegria no meio do caos da rotina corrida”, diz. “A decoração e a programação de Natal representam uma oportunidade de lazer e de entretenimento para quem vive aqui”.

Thays Passos: “A decoração e a programação de Natal representam uma oportunidade de lazer e de entretenimento para quem vive aqui” | Foto: Arquivo Pessoal

‌Um Sonho de Natal

Neste ano, o projeto Um Sonho de Natal leva magia para a população em três pontos: Esplanada dos Ministérios, que abriga a Vila do Papai Noel; Praça do Buriti, com o presépio, e Praça do Cruzeiro, que oferece experiências gastronômicas e uma roda-gigante. A festa segue até 1º de janeiro de 2024, sempre das 17h às 22h, e terá uma vasta programação cultural e musical.

Este ano, o projeto Um Sonho de Natal está presente em três pontos da cidade | Foto: Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília

‌O projeto foi promovido por meio de edital público, elaborado pelo Centro de Cultura Popular Brasileira com apoio de diversos parceiros. O investimento na iniciativa é de R$ 7 milhõe,s e a expectativa é que 1 milhão de pessoas visite os espaços. Acesse neste site a programação completa.

 

 

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O BRASIL PERDE UM PROFISSIONAL DE EXCELÊNCIA

Uma manhã triste hoje em Brasília.

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O Brasil se despede de CARLOS MONFORTE, exemplo de profissional dedicado, um pai de família exemplar e um amigo de todas as horas.
Carlos Monforte, Maria Ignez, Serginho e Flavinha, uma família linda que conheço desde 1979. Maria Ignez e Carlos Monforte fazem parte do jornalismo brasileiro de excelência. Ambos com uma história maravilhosa em Santos, São Paulo e Brasília.
Carlos Monforte foi pioneiro e implantou o BOM DIA BRASIL. Sucesso absoluto! Lembrar Carlos Monforte é reverenciar o seu legado e suas ações de amizade, de cidadania que fizeram a diferença.
Vá em Paz, meu amigo. Você foi um Guereiro de Luz!
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MISSA DA SAUDADE PARA UM GUERREIRA DE LUZ

Maria Elisa Costa.

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Nessa segunda-feira dia 31 de agosto, às 18h30, na Igrejinha de Fátima na 308 Sul.
“O tempo tem carícias com as coisas velhas”, pressentia Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou Cora Coralina (1889-1985). Hoje, 66 anos depois da inauguração, Brasília vive uma realidade: participantes de sua construção estão em outro patamar. Os artistas construtores, todos eles, já se foram. O legado de JK, Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Joaquim Cardozo, Athos Bulcão, Mariane Perretti, Burle Marx, Ceschiatti e Bruno Giorgi está aí para a gente celebrar e respeitar.
Dia 25, sexta-feira, partiu uma das mais importantes coajuvantes da criação e da construção de Brasília, a arquiteta Maria Elisa Costa, filha de Lucio Costa.
Maria Elisa se une a outros personagens que ajudaram a colocar Brasília de pé: Israel Pinheiro, Ernesto Silva, Augusto Guimarães, Carlos Magalhães da Silveira, Jofre Mozart Parada e Moacyr Gomes de Souza.
A escolha do projeto do Plano Piloto foi feita em 16 de março de 1957. A construção, mesmo, começou em abril. Vamos voltar três meses antes. Tardinha de uma segunda-feira, 4 de fevereiro de 1957. Maria Elisa, com 22 anos, cursava a Faculdade Nacional de Arquitetura. Tão logo Maria Elisa entra no apartamento, ouve a voz do pai:
– Minha filha, vem aqui que quero mostrar “uma coisa”.
Ela chega, cheia de livros e cadernos, e não dá lá muita importância para a “coisa”. A “coisa” era, simplesmente, o primeiro esboço da Asa Sul de Brasília, a lápis com toques de cor e com anotações manuscritas. Na escala de 1/25.000, como o projeto foi apresentado no concurso.
Ela ainda ouviu seu pai descrever a nova capital, tim-tim por tim-tim. Quando terminou, lembra Maria Elisa: “Papai, com a camisa encharcada de suor, expôs pela primeira vez em palavra falada, a sua criação solitária. Sim – continua ela – porque o projeto de Brasília foi feito por ele sozinho, em casa. Fui a primeira pessoa a saber como seria nossa capital”.
Aquela revelação – uma descoberta que mudaria a História do Brasil e o conceito de urbanismo no mundo – continha um conteúdo único e um vislumbre singular de esperança e de revolução. Ela mesmo explica:
“Quando lembro desse momento ímpar, o que mais me surpreende é que não achei nada de extraordinário. Tudo aquilo me parecia simplesmente normal: mudar a capital, inventar uma cidade… tudo! O próprio fato do meu pai ter feito o projeto sozinho em casa, desenhado a mão-livre e em escala, para mim não foi surpresa. Era esse, o jeito dele”.
A montagem do projeto do Plano Piloto para inscrição no concurso foi outra epopeia artesanal. “Fizemos a montagem em pranchas de cartolina, espalhadas no chão, com a ajuda de minha irmã Helena e de nossa prima, Nadja, sob rígida orientação do ‘inventor’. Detalhe por detalhe. A gente ia colando aquelas preciosas páginas nas cartolinas com aneisinhos de fita adesiva”.
O projeto tinha cinco pranchas, uma com o belo desenho da cidade em escala de 1/25.000, a nanquim e colorido com lápis de cor. E, mais quatro, com o texto da “Memória Descritiva” datilografado, ilustrado com impecáveis croquis, também desenhados a nanquim, alguns com leves toques de cor aqui e ali. À exceção da datilografia, tudo foi feito pessoalmente por Lucio Costa sem a ajuda de ninguém.
A própria Maria Elisa conta: “Fomos para a cidade de carro, meu pai dirigindo. Parou junto à entrada do Ministério da Educação. Minha irmã e eu descemos e entregamos as cinco pranchas na sobreloja. Faltavam 10 minutos para terminar o prazo. Pegamos o pequeno protocolo de número 26, e entregamos para meu pai. Era 11 de março de 1957”. A partir daí, foi a saga da construção.
Desde aquele 4 de fevereiro, Maria Elisa Costa nunca mais se desgrudou de Brasília. Acompanhou tudo. Era a ‘mãe’ cuidando da ‘filha’, como membro do Conselho de Arquitetura e Meio Ambiente, como presidente do IPHAN ou atendendo solicitações diversas dos governadores de Brasília.
Passaram-se os anos. E lá estava Maria Elisa Costa na luta para defender a Capital em duas situações opostas e adjacentes: de um lado, a extensa área urbana em expansão e, de outro, o Plano Piloto a ser preservado. Ela tinha a noção exata de que uma coisa é gerenciar o desenvolvimento urbano da cidade em expansão. E outra, bem diferente, é assegurar a preservação de seu núcleo original. Explica ela: “O centro histórico da capital é a área delimitada pelo divisor de águas da Bacia do Paranoá. Toda e qualquer intervenção nessa área, mesmo não sendo localizada dentro do perímetro tombado ou em seu entorno direto, deve ser compatível com o texto original da Portaria 314 do IPHAN. Tem que ser fiscalizada. Toda e qualquer intervenção nessa área deve passar por uma comissão técnica permanente de alto nível, criada para esse fim. E que tenha com poder de veto”.
A eterna guardiã do dr. Lucio reacendeu em nosso espírito o sentido da preservação e ajudou a moldar a beleza de Brasília.
Obrigado, Maria Elisa Costa.
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MARIA ELISA COSTA

HISTÓRIA, LEGADO E ADEUS!

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“O tempo tem carícias com as coisas velhas”, pressentia Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou Cora Coralina (1889-1985). Hoje, 66 anos depois da inauguração, Brasília vive uma realidade: participantes de sua construção estão em outro patamar. Os artistas construtores, todos eles, já se foram. O legado de JK, Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Joaquim Cardozo, Athos Bulcão, Mariane Perretti, Burle Marx, Ceschiatti e Bruno Giorgi está aí para a gente celebrar e respeitar.
Dia 25, sexta-feira, partiu uma das mais importantes coajuvantes da criação e da construção de Brasília, a arquiteta Maria Elisa Costa, filha de Lucio Costa.
Maria Elisa se une a outros personagens que ajudaram a colocar Brasília de pé: Israel Pinheiro, Ernesto Silva, Augusto Guimarães, Carlos Magalhães da Silveira, Jofre Mozart Parada e Moacyr Gomes de Souza.
A escolha do projeto do Plano Piloto foi feita em 16 de março de 1957. A construção, mesmo, começou em abril. Vamos voltar três meses antes. Tardinha de uma segunda-feira, 4 de fevereiro de 1957. Maria Elisa, com 22 anos, cursava a Faculdade Nacional de Arquitetura. Tão logo Maria Elisa entra no apartamento, ouve a voz do pai:
– Minha filha, vem aqui que quero mostrar “uma coisa”.
Ela chega, cheia de livros e cadernos, e não dá lá muita importância para a “coisa”. A “coisa” era, simplesmente, o primeiro esboço da Asa Sul de Brasília, a lápis com toques de cor e com anotações manuscritas. Na escala de 1/25.000, como o projeto foi apresentado no concurso.
Ela ainda ouviu seu pai descrever a nova capital, tim-tim por tim-tim. Quando terminou, lembra Maria Elisa: “Papai, com a camisa encharcada de suor, expôs pela primeira vez em palavra falada, a sua criação solitária. Sim – continua ela – porque o projeto de Brasília foi feito por ele sozinho, em casa. Fui a primeira pessoa a saber como seria nossa capital”.
Aquela revelação – uma descoberta que mudaria a História do Brasil e o conceito de urbanismo no mundo – continha um conteúdo único e um vislumbre singular de esperança e de revolução. Ela mesmo explica:
“Quando lembro desse momento ímpar, o que mais me surpreende é que não achei nada de extraordinário. Tudo aquilo me parecia simplesmente normal: mudar a capital, inventar uma cidade… tudo! O próprio fato do meu pai ter feito o projeto sozinho em casa, desenhado a mão-livre e em escala, para mim não foi surpresa. Era esse, o jeito dele”.
A montagem do projeto do Plano Piloto para inscrição no concurso foi outra epopeia artesanal. “Fizemos a montagem em pranchas de cartolina, espalhadas no chão, com a ajuda de minha irmã Helena e de nossa prima, Nadja, sob rígida orientação do ‘inventor’. Detalhe por detalhe. A gente ia colando aquelas preciosas páginas nas cartolinas com aneisinhos de fita adesiva”.
O projeto tinha cinco pranchas, uma com o belo desenho da cidade em escala de 1/25.000, a nanquim e colorido com lápis de cor. E, mais quatro, com o texto da “Memória Descritiva” datilografado, ilustrado com impecáveis croquis, também desenhados a nanquim, alguns com leves toques de cor aqui e ali. À exceção da datilografia, tudo foi feito pessoalmente por Lucio Costa sem a ajuda de ninguém.
A própria Maria Elisa conta: “Fomos para a cidade de carro, meu pai dirigindo. Parou junto à entrada do Ministério da Educação. Minha irmã e eu descemos e entregamos as cinco pranchas na sobreloja. Faltavam 10 minutos para terminar o prazo. Pegamos o pequeno protocolo de número 26, e entregamos para meu pai. Era 11 de março de 1957”. A partir daí, foi a saga da construção.
Desde aquele 4 de fevereiro, Maria Elisa Costa nunca mais se desgrudou de Brasília. Acompanhou tudo. Era a ‘mãe’ cuidando da ‘filha’, como membro do Conselho de Arquitetura e Meio Ambiente, como presidente do IPHAN ou atendendo solicitações diversas dos governadores de Brasília.
Passaram-se os anos. E lá estava Maria Elisa Costa na luta para defender a Capital em duas situações opostas e adjacentes: de um lado, a extensa área urbana em expansão e, de outro, o Plano Piloto a ser preservado. Ela tinha a noção exata de que uma coisa é gerenciar o desenvolvimento urbano da cidade em expansão. E outra, bem diferente, é assegurar a preservação de seu núcleo original. Explica ela: “O centro histórico da capital é a área delimitada pelo divisor de águas da Bacia do Paranoá. Toda e qualquer intervenção nessa área, mesmo não sendo localizada dentro do perímetro tombado ou em seu entorno direto, deve ser compatível com o texto original da Portaria 314 do IPHAN. Tem que ser fiscalizada. Toda e qualquer intervenção nessa área deve passar por uma comissão técnica permanente de alto nível, criada para esse fim. E que tenha com poder de veto”.
A eterna guardiã do dr. Lucio reacendeu em nosso espírito o sentido da preservação e ajudou a moldar a beleza de Brasília.
Obrigado, Maria Elisa Costa.
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