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TUMUCUMAQUE

DALGAS FRISCH E O MAIOR PARQUE DO MUNDO

 

Brasil já foi tetracampeão. Hoje é Penta, ou cinco vezes campeão do mundo. E o Parque do Tumucumaque também é tetra. Por dois motivos: por ser o campeão dos parques em tamanho e por envolver, na sua criação, quatro países: Brasil, Guiana Francesa, Guiana Holandesa (hoje Suriname) e Guiana Inglesa (hoje Guiana). Johan Dalgas Frisch, um brasileiro de sangue dinamarquês, tinha o sonho de preservar a Amazônia criando um parque tetranacional na fronteira de quatro países.

 

E é o próprio Dalgas Frisch que conta:

 

– “Desde que gravei o canto do uirapuru, uma estrela guia ilumina sempre meus caminhos. Os acordes de seu cantar me abriram portas, trouxeram harmonia para meus empreendimentos e fizeram a mim e minha família mais felizes. A notícia da gravação do canto da ave se espalhou rápido. Quando o jornalista Assis Chateaubriand, dono da rede dos Diários Associados, ouviu o maravilhoso canto, logo entrou em contato comigo. O dono de um império de jornais, revistas, rádios e tevês, ficou realmente deslumbrado. O mesmo interesse de Chateaubriand se concentrou no livro AVES BRASILEIRAS que eu acabara de lançar.

 

EXEMPLO DO KRUGER NATIONAL PARK

 

Lembra Dalgas Frisch que passou a frequentar a Casa Amarela do grande Chatô. Num desses encontros, ele teve a oportunidade de lhe contar o sonho da criação do Parque da Serra do Tumucumaque.

O mesmo sonho que Dalgas havia compartilhado com Sua Majestade, rei Leopoldo III, em Manaus. Assis Chateaubriand ficou muito entusiasmado com o projeto, pois viu nele a possibilidade de corrigir um grave erro que percebia em outros parques do gênero que visitara em várias partes do mundo. Por exemplo, conversaram muito sobre um parque que considerado emblemático: a mais famosa reserva natural da África do Sul, o Kruger National Park, fundado pelo presidente Paul Kruger, em 1898.

Este parque foi alvo de um duro golpe. Poucas décadas após sua criação, vários povoados começaram a ser erguidos entre as nascentes e a entrada do santuário ecológico. Resultado: os leões e demais animais viram-se obrigados a beber água poluída pelos esgotos dos moradores daqueles povoados e cidades que nasciam às margens de rios e riachos.

 

DO KRUGER NATIONAL PARK

AO TUMUCUMAQUE

Assis Chateaubriand ficou convencido que o mesmo podia acontecer com o Parque Nacional do Tumucumaque. Precisava, então, desde o início, ter todas as nascentes de seus rios incluídas dentro de seus limites, se não todo o esforço de conservação de suas belezas naturais seria perdido.

Dessa forma – recorda Dalgas – “Chateaubriand teve uma visão que engrandeceu meu sonho do Tumucumaque, justamente para que a reserva não padecesse dos erros cometidos em outras reservas ecológicas, como a do Kruger Park”.

Já em São Paulo, Dalgas Frisch foi convidado pelo jornalista e empresário Assis Chateaubriand a ir até seu “QG”, a Casa Amarela. – “Ele queria saber detalhes da façanha de eu ter gravado os sete cantos do uirapuru. Presenteei o dono dos Diários Associados com minha coleção de discos e livros e iniciei a conversa sobre o sonho do Parque Multinacional do Tumucumaque”.

 

 

APOIO INTERNACIONAL

 

Determinado a dar repercussão internacional ao sonho do Parque do Tumucumaque, Assis Chateaubriand decidiu buscar o apoio de um grande e especial amigo, o governador de Nova York, Nelson Rockefeller. Marcada a audiência com Rockefeller, Dalgas e Chatô foram para os Estados Unidos. Tão logo escutou todo o relato, o governador Rockefeller resolveu emprestar seu prestígio pessoal à missão e anunciou seu apoio para a criação do Parque do Tumucumaque.

Conta Dalgas que na ocasião, presenteou o governador com meu livro “Aves Brasileiras” e o disco “Cantos das Aves do Brasil”, então recém-lançado pela gravadora Metro Goldwin Mayer em solo norte-americano.

 

Nelson Rockefeller e Dalgas Frisch. Rockfeller foi governador de Nova York de 1 de janeiro de 1959 a 18 de dezembro de 1973. E foi vice-presidente dos Estados Unidos de 1974 a 1977.

 

Tradução da carta de Nelson Rockefeller:

 

“Prezado Sr. Frisch: Foi muita atenção de sua parte ter me enviado uma pena do Uirapuru, que eu guardarei comigo na certeza de que me trará aquela sorte que os índios da Amazônia lhe contaram que ela me traria.

A Sra. Rockefeller e eu lhe agradecemos muito por nos ter enviado um exemplar de seu livro sobre os pássaros brasileiros, assim como as gravações de seus cantos, que nos farão lembrar das belezas e riquezas de seu país.

Desejo-lhe contínuo sucesso em seus esforços científicos e patrióticos”.

 

 

TUMUCUMAQUE JÁ EXISTE

 

Assis Chateaubriand era um homem de grandes desafios. Um desbravador. E o objetivo do poderoso jornalista de dar visibilidade ao sonho de Dalgas Frisch de criar o Parque do Tumucumaque teve lances realmente interessantes. Fora e dentro do Brasil. Para se ter ideia, Chatô publicou em sua rede de 35 jornais vários artigos enfatizando a importância do meu projeto. Chegou a pedir, num desses artigos, que o então Ministro Ney Braga requisitasse um avião da FAB para que Dalgas pudesse sobrevoar toda a área, com o objetivo de avaliar a extensão da futura unidade de conservação transnacional. E assim foi feito. Quando do retorno de Dalgas Frisch da viagem à Amazônia, Chateaubriand publicou a provocativa manchete, em primeira página do Diário de S. Paulo:

TUMUCUMAQUE JÁ EXISTE

 

Facsímile do jornal DIÁRIO DE S. PAULO, dos Diários Associados, anunciando a criação do Parque multinacional do Tumucumaque.

E em várias reportagens por todo Brasil, os jornais dos Diários Associados anunciaram: “O homem com alma de pássaro desceu na aldeia dos índios Tiriós, no coração da Serra do Tumucumaque”. 

 

Mapa publicado pelo jornal ‘Diário de São Paulo’, em janeiro de 1966, com a manchete “O grande Tumucumaque, sonho de Chateaubriand”. O mapa ilustra o maior parque tetranacional do mundo: Brasil, Guiana Francesa, Guiana Holandesa e Guiana Inglesa.

 

 

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ERA UMA VEZ…

QUANDO NASCIA UM REI.

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Mais uma data cheia de uma lenda brasileira.
Neste 2026, fazem 70 anos da posse de JK na Presidência da República, em 31 de janeiro… 50 anos de sua morte em 22 de agosto… e, 70 anos do primeiro jogo oficial do Rei Pelé, então um menino de apenas 15 anos, como profissional do Santos.
Pelé, que completaria 16 anos em 23 de outubro de 1956, entrou no segundo tempo (no lugar de Del Vecchio) do jogo Santos 7 x 1 Corinthians de Santo André, fez gol aos 36 min do segundo tempo e ganhou seu primeiro troféu: a Taça Independência.
Daí para frente, o Edson virou DICO… que virou PELÉ… que reinventou o futebol e que parou guerras.
Recebi de um leitor de meu livro “DE CASACA E CHUTEIRAS – PELÉ-BRASÍLIA-JK – A ERA DOS GRANDES DRIBLES NA POLÍTICA, CULTURA E HISTÓRIA” o seguinte comentário sobre a polêmica quem foi maior: Pelé ou Maradona?
– “Pelé tornou o futebol mudialmente conhecido. Maradona ficou conhecido por causa do futebol”.
FOTOS: A súmula original com o registro do primeiro gol de Pelé integra o acervo do Museu de Santo André desde 2019. Ela registra a partida realizada em 7 de setembro de 1956 entre o Santos Futebol Clube e o Corinthians de Santo André no Estádio Américo Guazzeli.
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O BRASIL PERDE UM PROFISSIONAL DE EXCELÊNCIA

Uma manhã triste hoje em Brasília.

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O Brasil se despede de CARLOS MONFORTE, exemplo de profissional dedicado, um pai de família exemplar e um amigo de todas as horas.
Carlos Monforte, Maria Ignez, Serginho e Flavinha, uma família linda que conheço desde 1979. Maria Ignez e Carlos Monforte fazem parte do jornalismo brasileiro de excelência. Ambos com uma história maravilhosa em Santos, São Paulo e Brasília.
Carlos Monforte foi pioneiro e implantou o BOM DIA BRASIL. Sucesso absoluto! Lembrar Carlos Monforte é reverenciar o seu legado e suas ações de amizade, de cidadania que fizeram a diferença.
Vá em Paz, meu amigo. Você foi um Guereiro de Luz!
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MISSA DA SAUDADE PARA UM GUERREIRA DE LUZ

Maria Elisa Costa.

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Nessa segunda-feira dia 31 de agosto, às 18h30, na Igrejinha de Fátima na 308 Sul.
“O tempo tem carícias com as coisas velhas”, pressentia Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou Cora Coralina (1889-1985). Hoje, 66 anos depois da inauguração, Brasília vive uma realidade: participantes de sua construção estão em outro patamar. Os artistas construtores, todos eles, já se foram. O legado de JK, Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Joaquim Cardozo, Athos Bulcão, Mariane Perretti, Burle Marx, Ceschiatti e Bruno Giorgi está aí para a gente celebrar e respeitar.
Dia 25, sexta-feira, partiu uma das mais importantes coajuvantes da criação e da construção de Brasília, a arquiteta Maria Elisa Costa, filha de Lucio Costa.
Maria Elisa se une a outros personagens que ajudaram a colocar Brasília de pé: Israel Pinheiro, Ernesto Silva, Augusto Guimarães, Carlos Magalhães da Silveira, Jofre Mozart Parada e Moacyr Gomes de Souza.
A escolha do projeto do Plano Piloto foi feita em 16 de março de 1957. A construção, mesmo, começou em abril. Vamos voltar três meses antes. Tardinha de uma segunda-feira, 4 de fevereiro de 1957. Maria Elisa, com 22 anos, cursava a Faculdade Nacional de Arquitetura. Tão logo Maria Elisa entra no apartamento, ouve a voz do pai:
– Minha filha, vem aqui que quero mostrar “uma coisa”.
Ela chega, cheia de livros e cadernos, e não dá lá muita importância para a “coisa”. A “coisa” era, simplesmente, o primeiro esboço da Asa Sul de Brasília, a lápis com toques de cor e com anotações manuscritas. Na escala de 1/25.000, como o projeto foi apresentado no concurso.
Ela ainda ouviu seu pai descrever a nova capital, tim-tim por tim-tim. Quando terminou, lembra Maria Elisa: “Papai, com a camisa encharcada de suor, expôs pela primeira vez em palavra falada, a sua criação solitária. Sim – continua ela – porque o projeto de Brasília foi feito por ele sozinho, em casa. Fui a primeira pessoa a saber como seria nossa capital”.
Aquela revelação – uma descoberta que mudaria a História do Brasil e o conceito de urbanismo no mundo – continha um conteúdo único e um vislumbre singular de esperança e de revolução. Ela mesmo explica:
“Quando lembro desse momento ímpar, o que mais me surpreende é que não achei nada de extraordinário. Tudo aquilo me parecia simplesmente normal: mudar a capital, inventar uma cidade… tudo! O próprio fato do meu pai ter feito o projeto sozinho em casa, desenhado a mão-livre e em escala, para mim não foi surpresa. Era esse, o jeito dele”.
A montagem do projeto do Plano Piloto para inscrição no concurso foi outra epopeia artesanal. “Fizemos a montagem em pranchas de cartolina, espalhadas no chão, com a ajuda de minha irmã Helena e de nossa prima, Nadja, sob rígida orientação do ‘inventor’. Detalhe por detalhe. A gente ia colando aquelas preciosas páginas nas cartolinas com aneisinhos de fita adesiva”.
O projeto tinha cinco pranchas, uma com o belo desenho da cidade em escala de 1/25.000, a nanquim e colorido com lápis de cor. E, mais quatro, com o texto da “Memória Descritiva” datilografado, ilustrado com impecáveis croquis, também desenhados a nanquim, alguns com leves toques de cor aqui e ali. À exceção da datilografia, tudo foi feito pessoalmente por Lucio Costa sem a ajuda de ninguém.
A própria Maria Elisa conta: “Fomos para a cidade de carro, meu pai dirigindo. Parou junto à entrada do Ministério da Educação. Minha irmã e eu descemos e entregamos as cinco pranchas na sobreloja. Faltavam 10 minutos para terminar o prazo. Pegamos o pequeno protocolo de número 26, e entregamos para meu pai. Era 11 de março de 1957”. A partir daí, foi a saga da construção.
Desde aquele 4 de fevereiro, Maria Elisa Costa nunca mais se desgrudou de Brasília. Acompanhou tudo. Era a ‘mãe’ cuidando da ‘filha’, como membro do Conselho de Arquitetura e Meio Ambiente, como presidente do IPHAN ou atendendo solicitações diversas dos governadores de Brasília.
Passaram-se os anos. E lá estava Maria Elisa Costa na luta para defender a Capital em duas situações opostas e adjacentes: de um lado, a extensa área urbana em expansão e, de outro, o Plano Piloto a ser preservado. Ela tinha a noção exata de que uma coisa é gerenciar o desenvolvimento urbano da cidade em expansão. E outra, bem diferente, é assegurar a preservação de seu núcleo original. Explica ela: “O centro histórico da capital é a área delimitada pelo divisor de águas da Bacia do Paranoá. Toda e qualquer intervenção nessa área, mesmo não sendo localizada dentro do perímetro tombado ou em seu entorno direto, deve ser compatível com o texto original da Portaria 314 do IPHAN. Tem que ser fiscalizada. Toda e qualquer intervenção nessa área deve passar por uma comissão técnica permanente de alto nível, criada para esse fim. E que tenha com poder de veto”.
A eterna guardiã do dr. Lucio reacendeu em nosso espírito o sentido da preservação e ajudou a moldar a beleza de Brasília.
Obrigado, Maria Elisa Costa.
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