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Capital da cultura e do turismo: Brasília reinventa o acesso ao lazer para a população

Programas de gratuidade, reformas e manutenção de equipamentos públicos se destacam como formas de impulsionar cenário cultural da cidade

 

Por Catarina Loiola e Thais Umbelino, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader

 

Cidade jovem de alma modernista, Brasília é mais do que o centro administrativo e político do país: é a capital de todos, retrato vivo da diversidade da população. Prestes a completar 65 anos, ela está se redescobrindo como reduto de lazer e cultura por meio da reabertura e reformas de espaços consagrados no coração dos brasilienses  como o Teatro Nacional Claudio Santoro e a Torre de TV , junto à criação de programas de gratuidades que impulsionam o acesso da população ao que há de melhor no Quadradinho.

Ações como estas reafirmam que Brasília é, de fato, um mosaico de culturas, cores e sabores, fruto da pluralidade das 35 regiões administrativas do Distrito Federal. A região foi reconhecida como Patrimônio Cultural Mundial e Cidade Criativa do Design pela Unesco, em 1987 e em 2017, respectivamente. Em 2024, mais um título foi alcançado: o de capital com melhor qualidade de vida do Brasil, demonstração de que os ambientes públicos são democráticos, inclusivos e destinados às mais diversas atividades.

O Jardim Botânico terá acesso gratuito de quinta-feira a segunda-feira devido ao aniversário da cidade e ao projeto Lazer para Todos | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

Neste ano, os cidadãos ganharam novas formas de aproveitar ainda mais a cidade com os programas Vai de Graça e Lazer para Todos. Aos domingos e feriados, é possível circular gratuitamente de ônibus e metrô, além de visitar sem custo lugares queridos como a Fundação Zoológico de Brasília e o Jardim Botânico de Brasília (JBB). Essas oportunidades estarão disponíveis também durante as celebrações do aniversário da capital, entre os dias 17 e 21 deste mês.

“Criamos programas para que as pessoas possam ir aos museus, ao Zoológico e Jardim Botânico, e, principalmente, a igrejas e eventos pessoais. É com muita alegria que estamos impulsionando a economia e incentivando o turismo local”

Governador Ibaneis Rocha

“Criamos programas para que as pessoas possam ir aos museus, ao Zoológico e Jardim Botânico, e, principalmente, a igrejas e eventos pessoais. É com muita alegria que estamos impulsionando a economia e incentivando o turismo local”, assegura o governador Ibaneis Rocha.

Os números comprovam a efetividade das políticas públicas. Desde o lançamento do Lazer para Todos, em 27 de março, quase 40 mil pessoas passaram pelos dois pontos. Para se ter uma ideia do impacto, só no primeiro dia de gratuidade (30 de março) houve 12.862 visitas nos dois locais, mais que o dobro do alcançado no domingo anterior, quando a entrada ainda era paga.

Riqueza cultural

Gianna Rosa: “A proposta, além de incentivar o contato com a natureza, também beneficia os comerciantes que atuam no espaço” | Foto: Arquivo Pessoal

Presença confirmada no JBB aos domingos, a nutricionista Gianna Rosa, 44 anos, elogia a iniciativa deste Governo do Distrito Federal (GDF). Ela é condutora no grupo Trilheiras de Brasília, que oferece percursos guiados a mulheres, e enfatiza a importância da medida para a economia local. “A proposta, além de incentivar o contato com a natureza, também beneficia os comerciantes que atuam no espaço”, afirma.

Gianna ainda observa que a entrada gratuita chama a atenção de quem ainda não conhece o JBB. “Mesmo sendo um valor simbólico de R$ 5, a gratuidade funciona como um estímulo, especialmente para quem mora mais longe ou ainda não conhece o jardim. É uma oportunidade de levar familiares e amigos, porque o Jardim Botânico oferece muitas opções: trilhas, orquidário, parques infantis e alternativas gastronômicas. É uma excelente escolha para passar o dia e fazer turismo”, reforça.

Maria Elisa ganhou sorvete comprado com o dinheiro economizado pela mãe na passagem para o Zoológico | Foto: Arquivo pessoal

A técnica em enfermagem Jenifer França, 27 anos, escolheu o Zoo para passear com a filha, a estudante Maria Elisa, 8, no início deste mês. O recinto de animais selvagens é um dos lugares preferidos da menina, que, em todas as visitas, se encanta pelas girafas e elefantes. “Foi um dia muito divertido e o que não gastei com a entrada e com as passagens, pude gastar com coisinhas para ela, como um sorvete”, conta a mãe.

Além do Zoo, as duas já passearam por outros pontos especiais de Brasília aos domingos, bem como foram ao encontro de familiares e amigos, sempre aproveitando a tarifa zero. “Já fomos no Parque da Cidade e na Torre de TV. Acredito que é muito bom para pessoas que às vezes não conseguiriam sair por conta do valor da passagem. É uma mão na roda para termos mais lazer”, afirma Jenifer.

Vai de Graça

O público pôde torcer na final do Campeonato Brasiliense de Futebol indo de graça ao estádio | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

Instituído no dia 28 de fevereiro deste ano, o programa Vai de Graça tem revolucionado o acesso da população aos equipamentos de diversão e esporte. Com a gratuidade, os brasilienses podem se divertir e curtir os espaços públicos sem se preocuparem com o deslocamento. A medida estreou no Carnaval e caiu no gosto dos foliões: em quatro dias de festa, foram mais de 2,5 milhões de acessos, índice cerca de 46,5% maior do que o movimento total da população no feriado do ano passado.

No dia 29 de março, a medida também esteve em vigor para a final do Campeonato Brasiliense de Futebol de 2025 entre Gama e Capital. Os ingressos foram liberados sem custo, confirmando compromisso deste GDF com inclusão social, a geração de emprego e renda e, principalmente, o lazer e o esporte. Mais de 37,8 mil pessoas presenciaram a partida que consagrou o Gama como campeão do Candangão 2025.

Torcedora do alviverde, a advogada Rayane Silva Machado, 25 anos, ficou muito feliz quando soube das gratuidades. “O Gama é meu time do coração e a energia do jogo foi incrível. O transporte e a entrada liberados incentivaram as pessoas a irem e o estádio estava lotado, o que deixou tudo ainda mais emocionante”, conta. “Nesse dia parece até que os ônibus estavam mais rápidos, cheguei no Plano Piloto em 35 minutos. Desci na rodoviária e subi para o Eixo Monumental com um circular, sem pegar engarrafamento por causa da pista exclusiva.”

Equipamentos públicos

Rosania Ulacia vende artesanato na Torre de TV há mais de 20 anos: “Esse investimento é essencial para nós, que dependemos desse espaço” | Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Brasília também se reinventa ao promover a manutenção dos monumentos. Exemplo disso é a reforma da Torre de TV, presente em quatro dos roteiros da Coleção de Rotas Brasília  um projeto da Secretaria de Turismo (Setur-DF) que celebra a diversidade e a identidade cultural do DF. As rotas incluem circuitos como Cerrado, Arquitetônica, Náutica, Cultural, da Diversão, do Pôr do Sol, entre outros, conectando brasilienses e visitantes aos marcos da cidade.

Fechada por mais de três anos, a Torre de TV voltou a funcionar em outubro de 2020. Com isso, foram retomadas as visitas ao mezanino, ao mirante e à Feira da Torre, além das projeções da fonte, presente na memória afetiva de quem conheceu a estrutura original, inaugurada em 1967.

A reabertura tem impacto direto na vida de quem vive do turismo e do comércio local, como a designer de joias Rosania Ulacia, de 55 anos, que há mais de duas décadas trabalha na Feira da Torre. Segundo ela, o olhar do governo é essencial para a valorização dos lojistas que ocupam os mais de 500 boxes do local. “Já virou patrimônio, faz parte da história e atrai gente do Brasil inteiro. Esse investimento é essencial para nós, que dependemos desse espaço”, aponta Ulácia.

Além do comércio de artesanato, a feira reflete a mistura de culturas presente no Quadradinho, com barracas de comidas típicas de diversos estados. Localizada no coração da cidade e com fácil acesso, a Torre de TV é hoje um símbolo da memória afetiva dos brasilienses e da capacidade da cidade de se reinventar  como nos tempos da construção, nos anos 1950.

A imponência da Torre marcou a primeira visita de Rosania ao DF, aos 17 anos. “Foi o primeiro ponto turístico que conheci. Lá de cima, olhei a Esplanada e comecei a chorar. Ali decidi que moraria em Brasília”, relembra. Anos depois, já como moradora e designer, ela passou a transformar sua admiração pela cidade em arte. “No Pontão, vi a Ponte JK e imaginei um brinco. Hoje, de cada dez peças que vendo, pelo menos sete são inspiradas nos monumentos da cidade”, conta.

Na vitrine de Ulacia, estão peças que representam o Congresso Nacional, o Palácio do Itamaraty, a Igrejinha e outros ícones da capital – todos estes presentes nas rotas turísticas que valorizam Brasília como destino turístico em potencial, projetando o futuro sem esquecer o passado.

 

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Brasil supera 100 mil escolas públicas com internet gratuita

Programa quer conectar toda rede pública de ensino até 2026

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Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

O Brasil ultrapassou a marca de 100 mil escolas públicas com acesso à internet gratuita e de qualidade para uso pedagógico. Segundo dados atualizados do Indicador Escolas Conectadas (Inec), o país já soma 100.720 instituições conectadas dentro dos parâmetros considerados adequados pelo governo federal.

O avanço faz parte da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), programa coordenado pelos ministérios da Educação e das Comunicações, em parceria com estados e municípios. A meta do governo é conectar todas as 138 mil escolas públicas de educação básica até o fim de 2026.

Crescimento acelerado

O programa registrou forte avanço nos últimos anos. Em 2023, apenas 45,4% das escolas públicas brasileiras tinham acesso à internet considerada adequada. O índice subiu para 57,3% em dezembro de 2024, chegou a 69,7% no fim de 2025 e alcançou 72,9% em abril deste ano.

Em nota, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou que o resultado é fruto de um amplo esforço de infraestrutura iniciado em 2023.

“Esse é um momento histórico para a educação e para a inclusão digital do Brasil. Ter mais de 100 mil escolas com acesso gratuito à internet é uma realidade pela qual o governo trabalhou intensamente”, declarou.

Segundo ele, a ampliação da conectividade ajuda a reduzir desigualdades educacionais, especialmente em regiões mais isoladas do país.

“Com essa política transformadora, nossos estudantes terão mais oportunidades de aprendizado e portas abertas para o mercado de trabalho”, acrescentou o ministro.

Uso pedagógico

Além de levar internet às escolas, o programa busca garantir conexão estável e veloz, com redes Wi-Fi adequadas para uso dentro das salas de aula. A proposta é ampliar o acesso a plataformas educacionais, aulas digitais, ferramentas de inovação e capacitação de professores.

Em nota, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que a iniciativa busca garantir igualdade de oportunidades para os estudantes da rede pública.

“A Estratégia Nacional de Escolas Conectadas articula políticas e ações para universalizar o acesso à internet de qualidade e garantir o uso pedagógico da tecnologia em todas as escolas públicas”, afirmou.

Avanço no Norte

O maior crescimento proporcional ocorreu na Região Norte, onde os desafios logísticos historicamente dificultam o acesso à conectividade.

Em dezembro de 2023, apenas 23,6% das escolas da região tinham internet adequada. O índice passou para 36,7% em 2024, chegou a 60,5% em 2025 e atingiu 64,3% em abril deste ano.

Coordenado pelos Ministérios das Comunicações e da Educação, o programa é executado pela da Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (EACE).Segundo o governo, a expansão reduziu desigualdades regionais e levou conexão de qualidade a escolas que antes estavam praticamente isoladas digitalmente.

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Crie-DF já soma quase 20 mil atendimentos em vacinação e mais de 36,5 mil doses aplicadas

Desde dezembro de 2023, serviço especializado da Secretaria de Saúde amplia o acesso à imunização especial para pacientes com condições específicas

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Geovanna Gravia, da Agência Brasília | Edição: Ígor Silveira

 

Jorge Araújo, 61 anos, passou a ter uma rotina de mais cuidados depois que começou a usar medicamentos imunossupressores para tratar a artrite reumatoide, em 2023. “Hoje tenho a artrite controlada. Pego medicamentos na Farmácia de Alto Custo. Só uma caixa do remédio custa entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por mês. Sem esse apoio, seria um sacrifício muito grande manter o tratamento”, diz o administrador de empresas.

No entanto, com a imunidade reduzida e maior risco de infecções, o morador de Águas Claras encontrou no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais do Distrito Federal (Crie-DF) um apoio que trouxe mais segurança ao tratamento.

“Já tomei vacinas contra hepatites A e B, pneumo, meningite, gripe e influenza, e ainda tenho outras agendadas. Por causa dos remédios imunossupressores, minha imunidade fica mais baixa. As vacinas ajudam a me proteger de infecções e doenças mais graves”, conta.

Mais proteção

O Crie é um serviço especializado da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) que atende pessoas que precisam de vacinas e imunobiológicos especiais, ou seja, doses que não fazem parte do calendário básico de vacinação.

Desde dezembro de 2023, o serviço já realizou quase 20 mil atendimentos presenciais e aplicou mais de 36,5 mil doses. Segundo a responsável técnica substituta do centro, Lethícia Lima, a unidade atende pacientes com condições específicas, como transplantados e pessoas com doenças crônicas.

 

O Crie é um serviço especializado da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) que atende pessoas que precisam de vacinas e imunobiológicos especiais | Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

“A principal porta de entrada são as unidades básicas de saúde. O paciente apresenta relatório médico e cartão de vacina, e a equipe do Crie avalia quais doses são necessárias”, explica.

Acesso ampliado

Hoje, o centro funciona no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib). Para ampliar o acesso ao atendimento, a SES-DF implantou, em agosto de 2024, o Crie Virtual. A iniciativa conecta 108 salas de vacinação da rede pública à equipe especializada do hospital.

“O objetivo é facilitar o acesso do usuário. Com o Crie Virtual, conseguimos atender uma pessoa que mora longe e não possui recursos financeiros para ir ao Hmib. Quando a vacina é ofertada perto da residência, ela consegue concluir o calendário vacinal”, explica Lethícia Lima.

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Audiência pública debate direitos dos estudantes com altas habilidades e superdotação

Aumento de vagas nas salas de recursos da rede pública e qualificação de profissionais estiveram entre as reivindicações

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Foto: João Pedro Carvalho / Agência CLDF

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) promoveu audiência pública, nesta sexta-feira (22), sobre as demandas dos estudantes com altas habilidades e superdotação (AH/SD). A discussão teve a presença de representantes da Secretaria de Educação do DF, do Ministério da Educação, da Universidade de Brasília, da Ordem dos Advogados do Brasil e, principalmente, de mães que clamaram por mais suporte ao desenvolvimento de seus filhos.

>> Confira mais imagens da audiência

Dói perceber a falta de apoio, de compreensão e de preparo da sociedade e até das instituições para acolher esses jovens, além do rótulo da inteligência. Porque superdotação não é apenas o desempenho: é também intensidade emocional, conflitos internos e uma solidão difícil de explicar”, disse Silvia Lustosa, mãe de uma filha com AH/SD e um filho em processo de diagnóstico.

A audiência pública abordou a necessidade de aprimoramento de políticas para esse público, em especial o aumento do número de vagas para Atendimento Educacional Especializado (AEE) na rede pública de ensino. No DF, há filas de espera para esse tipo de atendimento, que é ofertado uma vez por semana no contraturno, geralmente nas salas de recursos das escolas. O serviço é voltado não apenas para alunos com AH/SD, mas também para estudantes com deficiências.

Foto: João Pedro Carvalho / Agência CLDF

Apesar de não suprir a demanda, participantes da audiência apontaram que a rede pública está à frente da rede privada de ensino, que muitas vezes não oferta qualquer tipo de suporte educacional para estudantes com AH/SD. Atualmente, 10% das matrículas para atendimento especializado nas escolas públicas são disponibilizadas para alunos da rede privada.

Nesse ponto, o deputado distrital Fábio Felix (PSOL), propositor da audiência, defendeu a cobrança de responsabilidade das escolas privadas, sem eximir o papel do Estado. “Os estudantes da educação privada têm direito ao atendimento, em suas especificidades, na educação pública. Nós podemos lutar para pressionar a responsabilização da educação privada, mas não podemos nos desresponsabilizar. Se a escola privada não cumprir esse processo, a educação pública sempre tem que estar de braços abertos, é um direito universal no Brasil”, afirmou o deputado, que é presidente da Frente Parlamentar em Defesa e Promoção da Educação Inclusiva nas Redes Públicas de Ensino do Distrito Federal.

Outra demanda apresentada na audiência foi pela qualificação permanente de profissionais da educação e da saúde, aumentando a capacidade de diagnóstico precoce e de acolhimento a pessoas com AH/SD. A audiência completa, com todos os pontos abordados, pode ser acessada no YouTube da TV Câmara Distrital.

Ana Teresa Malta – Agência CLDF

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