Artigos
Blocos tradicionais contam a história do Carnaval de Brasília há décadas
Nascidos entre as décadas de 1970 e 1990, blocos já fazem parte da identidade cultural da cidade
Por
Agência Brasília* | Edição: Vinicius Nader
A relativa pouca idade da cidade não impede que o Carnaval de Brasília tenha blocos tradicionais, que atraem foliões para as ruas há décadas. São manifestações que resistiram ao tempo e atravessaram momentos diferentes da história, carregando parte da nossa identidade e da nossa cultura.
“Os blocos tradicionais do nosso Carnaval guardam histórias, afetos, ritmos e identidades que atravessam gerações”
Claudio Abrantes, secretário de Cultura e Economia Criativa
“Os blocos tradicionais do nosso Carnaval guardam histórias, afetos, ritmos e identidades que atravessam gerações. Ao valorizar essas manifestações, o Governo do Distrito Federal reafirma seu compromisso com a cultura popular, com a ocupação democrática dos espaços públicos e com um Carnaval plural, seguro e acessível, que reconhece a diversidade como a maior riqueza cultural da nossa capital”, destaca o secretário de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, Claudio Abrantes.
É pensando na importância de manter tradições vivas que o DF Folia abre espaço para blocos antigos, que acabaram virando sinônimos do nosso Carnaval. Um deles é o Galinho de Brasília, que surgiu a partir da ideia de um grupo de amigos pernambucanos que levam a brincadeira do Carnaval muito a sério.
Todos os anos, eles costumavam usar o dinheiro da poupança para viajar para a terra natal, a fim de matar a saudade do Carnaval de Recife e Olinda. No entanto, no início dos anos 1990, o país foi surpreendido pelo confisco da poupança, impedindo os jovens de fazerem a viagem anual para a folia. Mas ficar sem Carnaval não era uma opção. Era hora de trazer o Carnaval pernambucano para a capital do país.
1992
“A nossa primeira saída, em 1992, foi um sucesso. Foi na 203 Sul. Distribuímos papéis para que as pessoas colocassem o nome e conseguíssemos fazer uma coisa ainda maior. E assim nasceu o Galinho de Brasília, e o Grêmio de Expressões Nordestinas (GREM)”, conta Miriam Brasiel, uma das fundadoras do bloco, cujo nome é uma referência ao famoso Galo da Madrugada da capital pernambucana.
“Aqui, a gente encontra animação, muito frevo, que é o nosso ritmo, muita alegria, muita saudade da nossa terra e, principalmente, um lugar seguro para brincar”, assinala a fundadora.
A saudade também levou a servidora pública Maria Bernadete, 55, para pular o Galinho no Setor de Autarquias Sul. “Eu encontro aqui as minhas raízes, o frevo de bloco que eu canto desde pequena, quando meu pai me levava para o Carnaval”, diz a olindense, que mora há 20 anos na capital. “Adotei Brasília como a minha cidade. Ela abraça muitas culturas e é muito generosa com quem quer gostar dela”, complementa.
Blocos tradicionais
A Baratona traz de volta a Brasília de 1976, quando o pai de Daniel Lima promovia uma brincadeira indo de bar em bar pela Asa Sul. Após virar um evento de Carnaval, o bloco passou a ser um ambiente ideal para toda família, incluindo os pequenos. “Ao longo de todos esses anos, nós adquirimos a expertise do que a criança e a sua família precisam. E é muito simples: diversão e alegria”, afirma Daniel, que é presidente do bloco. Ele destaca que o álcool e os cigarros são proibidos no espaço. “A ajuda do GDF é muito importante, porque é com esses recursos que conseguimos manter a Baratona”, complementa o presidente do bloco.
Outro bloco que conta a história do nosso Carnaval é o Raparigueiros, que, desde 1992, traz os hits do carnaval baiano para o folião brasiliense. “Em um cenário onde os locais de folia mudam constantemente, o Raparigueiros resiste como um símbolo de continuidade. Preservamos o rito da concentração, do desfile e da dispersão, garantindo que as novas gerações de brasilienses experimentem o Carnaval de rua em sua forma mais autêntica e grandiosa”, observa Jean Costa, vice-presidente do bloco.
Jean conta que o bloco nasceu a partir da brincadeira de um grupo de jovens que, com instrumentos emprestados da escola de samba Candangos do Bandeirante, saíam em batucada atrás de blocos como Pacotão e Baratona. A ideia foi crescendo, veio o trio elétrico e hoje o Bloco dos Raparigueiros é um dos símbolos do nosso Carnaval.
“Brasília é uma cidade jovem, mas já construiu uma tradição carnavalesca consistente, plural e profundamente enraizada nas suas matrizes culturais”
Dorival Brandão, coordenador-geral do DF Folia 2026
“Brasília é uma cidade jovem, mas já construiu uma tradição carnavalesca consistente, plural e profundamente enraizada nas suas matrizes culturais. Os blocos tradicionais são protagonistas desse processo: acompanham o crescimento da cidade, dialogam com as novas gerações, mas não abrem mão dos fundamentos que estruturam o Carnaval como manifestação popular e patrimônio cultural vivo”, afirma o coordenador-geral do DF Folia, Dorival Brandão.
O DF Folia 2026 é uma iniciativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal e do Governo do Distrito Federal, realizada por meio de chamamento público, com investimento total de R$ 10 milhões, em parceria com a Associação Artise de Arte, Cultura e Acessibilidade. A programação completa do carnaval pode ser conferida no site e nas redes sociais do DF Folia.
*Com informações da Secec-DF
Artigos
Motoclubes e similares são reconhecidos por relevante interesse social e cultural
Lei originada na Câmara Legislativa prevê promoção de eventos, proteção dos direitos dos motociclistas e criação de programas de educação, entre outros
Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília
Justificativa da proposta aponta que os motoclubes oferecem benefícios sociais e culturais como a promoção da amizade, segurança no trânsito e outros
A Lei do Distrito Federal nº 7.910, sancionada em 16 de junho de 2026, reconhece as atividades de motoclubes, moto grupos, moto car clube e similares como forma de expressão cultural, lazer e convívio social. Para o autor da norma, deputado Martins Machado (Republicanos), os grupos não apenas reúnem pessoas com interesses comuns, mas também contribuem para a construção de uma identidade cultural específica, que deve ser valorizada e respeitada.
O projeto de lei justifica que os motoclubes e moto grupos oferecem uma série de benefícios sociais e culturais significativos, como a promoção da amizade, apoio mútuo, segurança no trânsito e ações beneficentes entre os motociclistas. Além disso, preservam a história, celebram a liberdade e influenciam a sociedade por meio de sua cultura e estilo de vida.
A legislação prevê a promoção de eventos relacionados ao motociclismo e ao automobilismo; a proteção dos direitos dos motociclistas, incluindo a liberdade de expressão e associação; a criação de programas de educação e conscientização sobre as atividades; a ampliação da quantidade de espaços adequados para a realização de eventos; e o fortalecimento, a promoção e a difusão das práticas.
Beatriz Negreiros (sob a supervisão de Ivan Iunes)

Artigos
Nova lei estabelece projeção de informações sobre pontos turísticos em Brasília nas salas de cinema
As exibições de informações devem ter duração de 30 segundos e serem projetadas antes do início de filmes nos cinemas e em casas de show
Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília
Legislação visa explorar o potencial turístico e cultural do Distrito Federal
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) promulgou a Lei nº 7.868, de 6 de maio de 2026, de autoria da deputada Jaqueline Silva (MDB), após o veto ao projeto de lei original pelo ex-governador Ibaneis Rocha. A nova lei institui a obrigatoriedade da exibição de informações sobre pontos turísticos de Brasília nas telas de cinema no DF.
Originalmente PL nº 2.279/2021, a justificativa do projeto é a promoção do turismo como fonte inesgotável de renda, emprego, desenvolvimento econômico e cultural. O cinema deverá ser utilizado como meio ímpar de divulgação de atrações pela sua abrangência e diversidade de público.
Segundo Jaqueline Silva, o fomento ao turismo traz um cenário benéfico de geração de empregos e o surgimento de profissionais capacitados em diversas áreas, abrindo espaço para bacharéis em turismo e hotelaria, profissionais da gastronomia, transporte turístico, idiomas, comércios diversos e artesanatos.
As exibições de informações devem ter duração de 30 segundos e ser projetadas antes do início de filmes nos cinemas e em casas de show. A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec) fornecerá todas as informações que serão projetadas.
Beatriz Negreiros (sob a supervisão de Ivan Iunes)
-
Reportagens4 meses agoDiretores e gestores de escolas públicas terão reajuste de 25% na gratificação
-
Reportagens4 meses agoCLDF reajusta tabelas salariais de servidores do Detran-DF
-
Reportagens4 meses agoSessão solene entrega título de Cidadão Honorário a Sebastião de Carvalho Neto
-
Reportagens3 meses agoPlenário aprova nova área para o Polo de Cinema e Vídeo e abre caminho para regularizar assentamento
-
Reportagens3 meses agoConheça os indicados para o STF desde a Constituição
-
Artigos4 meses agoDATAS DA ONU PARA MARÇO e ABRIL
-
Reportagens3 meses agoReceita abre consulta a lote da malha fina do Imposto de Renda
-
Artigos3 meses agoBRASÍLIA NA ROTA 66