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Agência Brasília* | Edição: Carolina Caraballo
No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), histórias de dedicação ajudam a mostrar a força da presença feminina na rede pública de ensino do Distrito Federal. Na Secretaria de Educação (SEEDF), mulheres são maioria entre os profissionais e também ocupam grande parte dos cargos de liderança. Conheça histórias de profissionais como Josicleide da Silva, que contribui diariamente para o cuidado com o ambiente escolar, e da supervisora pedagógica Fernanda Lopes Fernandes, que há mais de duas décadas atua na formação de estudantes.
Organização e limpeza
A pernambucana Josicleide chegou a Brasília ainda criança, com apenas 3 anos, acompanhando a família em busca de melhores oportunidades. Ela construiu sua vida no Distrito Federal, onde estudou em escola pública e criou o filho, atualmente com 29 anos.
Hoje com 47 anos, Josicleide atua como auxiliar de serviços gerais na Escola Classe (EC) 314 Sul e destaca o orgulho que sente em contribuir para o ambiente escolar. Para a moradora do Sol Nascente, o cuidado com o espaço também faz parte do processo educativo.
“Eu tenho muito orgulho do meu trabalho. A gente sabe que a limpeza da escola é importante para que os alunos se sintam bem e acolhidos. As crianças chegam, veem tudo organizado, limpinho, e isso faz diferença. Para mim também é muito especial estar ali todos os dias. No ano passado, eu perdi meu esposo, e o carinho das crianças e o apoio da escola me ajudaram muito a seguir em frente.”
Josicleide também explica que, apesar das dificuldades que muitas mulheres enfrentam ao longo da vida, é possível seguir em frente com coragem e determinação. Ela finaliza homenageando suas colegas de trabalho Stefani Graf de Jesus, Raimunda Almeida da Silva e Celma Lopes dos Santos.
“A mulher, às vezes, pensa que não vai conseguir superar as dificuldades da vida, mas consegue, sim. Quero que todas as mulheres acreditem em si mesmas, em especial as minhas colegas de trabalho. Que vocês sejam guerreiras e consigam vencer todos os obstáculos da vida! Feliz Dia das Mulheres!”
Presença feminina na rede
A secretaria conta atualmente com um quadro de 22.431 servidoras em atividade, o que representa 68,51% do total de profissionais da rede, que somam 32.742 servidores. A presença feminina também é predominante nos cargos de liderança. Dos 4.474 cargos comissionados existentes na secretaria, 2.977 são ocupados por mulheres, o equivalente a 66,54% das funções.
A maior concentração feminina está em cargos como supervisão, vice-direção, direção e chefia de secretaria — funções diretamente ligadas à organização pedagógica e administrativa das unidades escolares. Entre os cargos comissionados ocupados por mulheres, destacam-se 1.231 supervisoras, 488 vice-diretoras, 479 diretoras e 438 chefes de secretaria, além de outras posições de gestão, como assessoras, gerentes e coordenadoras regionais.
Arte: SEEDF
Para a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, a presença feminina é fundamental para o funcionamento e o desenvolvimento da rede pública de ensino. “A educação pública do Distrito Federal é construída diariamente pelo trabalho e pela dedicação de milhares de mulheres que atuam nas escolas e nas unidades administrativas. São profissionais que contribuem para garantir um ambiente acolhedor e uma educação de qualidade para nossos estudantes.”
Um feito histórico para a educação no DF foi a nomeação da secretária Hélvia Paranaguá, na segunda-feira (2), para a presidência do Conselho Nacional de Educação. A conquista, justamente no início desse novo ciclo, reforça o papel do DF no cenário educacional brasileiro e amplia sua participação nas decisões que impactam diretamente as políticas públicas da área, destacando, mais uma vez, a presença e a liderança feminina em cargos de gestão.
Paixão por ensinar
Outra história que representa a presença feminina na educação pública é a da supervisora pedagógica Fernanda. Com 23 anos dedicados à educação, sendo dez deles na SEEDF, ela construiu sua trajetória movida pela paixão de ensinar. Formada em pedagogia e com início no magistério, a profissional conta que o interesse pela área surgiu ainda na infância, quando já demonstrava afinidade com o universo das crianças.
Embora esteja fora da sala de aula há cerca de três anos, ela lembra com carinho da convivência diária com os estudantes: “Eu sempre fui apaixonada por crianças. Fiz magistério e depois segui para a Pedagogia, e esse caminho foi se confirmando ao longo da minha trajetória. O contato com os alunos é muito gratificante, porque acompanhamos o crescimento deles”.
A supervisora pedagógica Fernanda Lopes Fernandes construiu sua trajetória na educação movida pela paixão de ensinar
Para a servidora, a forte presença feminina na educação tem raízes históricas e culturais. “A presença majoritária de mulheres na educação, principalmente nas séries iniciais, tem muito de histórico e cultural. Durante muito tempo, a professora foi associada ao papel de cuidadora, algo próximo da figura da ‘tia’. Muitas mulheres entraram na área ainda na época do magistério, quando nem era exigido o ensino superior, e essa característica acabou mantendo-se ao longo dos anos.”
A educadora também falou sobre os desafios da educação, que fazem parte da rotina nas escolas. “Um dos grandes desafios hoje é que muitas famílias acabam terceirizando para a escola responsabilidades que antes eram mais presentes dentro de casa, como ensinar valores, respeito e convivência. Isso torna o trabalho ainda mais complexo, porque além de ensinar os conteúdos, também precisamos educar para a vida.”
Mesmo diante das dificuldades, Fernanda afirma que a motivação continua sendo o impacto da educação na vida dos estudantes. “O que me motiva todos os dias é saber que estamos ajudando a formar pessoas. A educação tem esse poder de transformar vidas, e acompanhar o desenvolvimento das crianças é algo que dá sentido ao nosso trabalho”, concluiu.
*Com informações da Secretaria de Educação (SEEDF)
Deputadas da bancada feminina da Câmara – Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
O número de candidaturas femininas para a Câmara dos Deputados caiu 24% em 2026 em relação a 2022, passando de 3.717 para 2.820. Apesar da queda no total de inscritas, a proporção de mulheres entre os concorrentes a deputado federal subiu de 35% para 36,7%.
Nas eleições majoritárias, não há mulheres nas chapas presidenciais de partidos com representação no Congresso Nacional. Além disso, 34 mulheres disputam os governos estaduais e o Distrito Federal, em um universo de 198 concorrentes. Em 2022, foram 38.
Estudo e propostas
Um estudo do Instituto Esfera aponta que é necessário ampliar o acesso das mulheres aos recursos do Fundo Partidário e adotar a reserva de vagas. A pesquisadora Daniela Matos afirma que México e Bolívia alcançaram índices próximos a 50% de mulheres nas cadeiras do Poder Legislativo com esse modelo.
Segundo o levantamento, o Brasil tem a menor representação feminina na política entre os países da América Latina.
Do conjunto geral de 20.719 candidaturas registradas para todos os cargos nas eleições de 2026, 35% são de mulheres. Em 2022, elas representavam 34%.
Conforme o levantamento do Instituto Esfera, entre 1998 e 2022, o número de candidatas à Câmara dos Deputados cresceu 925%. No mesmo período, o número de deputadas eleitas cresceu apenas 210%.
No Brasil, as mulheres representam 52% do eleitorado – Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE
Cotas e financiamento
No Brasil, as mulheres representam 52% do eleitorado, mas ocupam cerca de 18% das vagas do Congresso Nacional, embora a legislação determine cota de 30% para candidaturas e recursos repassados pelos partidos.
Segundo Daniela Matos, falta fiscalização na distribuição das verbas. “O sistema de cotas até garante que a mulher seja candidata, mas não dá condições para a eleição. Não dá condições e um dos motivos é a falta de acesso ao Fundo Partidário”, afirma.
A pesquisadora explica que diversos fatores dificultam a entrada das mulheres na vida pública. “Geralmente o trabalho doméstico ainda recai sobre a mulher: cuidar das crianças e organizar a rotina. A vida partidária ocorre à noite e nos fins de semana, exigindo dedicação contínua. As barreiras culturais e de acesso são muito altas”, ressalta.
Na busca pela inclusão e pela garantia dos direitos previstos na Constituição brasileira, foram criadas, nas últimas décadas, leis e mecanismos para que as pessoas com deficiência possam exercer plena cidadania. É o caso do colar de girassol, da Carteira de Identificação da Pessoa com Deficiência (Carteira CadPcD) e do Cartão Especial, que garante gratuidade no transporte público. E nenhum deles substitui o outro.
O colar de girassol identifica pessoas com deficiências, síndromes ou doenças que não são visíveis fisicamente. Ele foi regulamentado para validar o direito ao atendimento preferencial e evitar constrangimentos. O uso é opcional e não dispensa a apresentação da Carteira CadPcD. No transporte público, o girassol garante acesso ao embarque prioritário, assentos preferenciais nos ônibus e metrô, mas para transpor a catraca é necessário apresentar também o Cartão Especial.
O girassol representa um pedido discreto por empatia, paciência e compreensão no dia a dia. Ele está regulamentado pela Lei Federal nº 14.624, de 17 de julho de 2023. No DF, o uso do colar é amparado pela Lei Distrital nº 6.842, de 29 de abril de 2021, e regulamentado pelo Decreto nº 45.230, de 1º de dezembro de 2023. Entre as deficiências ocultas ou invisíveis, estão condições como: autismo, TDAH, surdez, epilepsia, fibromialgia e demência. Contudo, o fato de a pessoa não portar o colar, não prejudicará o exercício dos seus direitos e das suas garantias previstos em lei.
Carteira de Identificação de PcD
O Passe Livre Especial, ou Cartão Especial, é um benefício específico, com critérios próprios e processo de concessão | Foto: Divulgação
A Carteira de Identificação da Pessoa com Deficiência (Carteira CadPcD) foi instituída por meio da Lei Distrital nº 6.809/2021 e regulamentada pelo Decreto nº 42.363/2021. É com ela que a pessoa com deficiência acessa benefícios econômicos e sociais garantidos por políticas públicas, ou seja, previstos em lei. O documento é expedido e renovado gratuitamente.
Para obter a CadPcD, o cidadão precisa fazer o Cadastro da Pessoa com Deficiência, em site próprio. Conforme o art. 1º da referida lei, a carteira só é emitida para pessoas com deficiência de natureza física, auditiva, visual, mental ou múltipla. Ela pode ser especialmente importante quando a deficiência não é aparente.
Cartão Especial
O Passe Livre Especial, ou Cartão Especial, é um benefício específico, com critérios próprios e processo de concessão que envolve documentação, laudo médico e análise conforme a legislação vigente. Podem solicitá-lo pessoas com insuficiência renal e cardíaca crônica, portadores de câncer, de HIV, de anemias congênitas (falciforme e talassemia) e coagulatórias congênitas (hemofilia), além de pessoas com deficiência física, sensorial ou mental.
O cadastro pode ser feito neste site ou presencialmente, na estação do metrô da 112 Sul, em posto especializado no atendimento dos serviços do Cartão Especial. Após o preenchimento, é feita uma análise conclusiva e a validação dos laudos médicos apresentados, requisito indispensável para a liberação do benefício.
Empatia e garantia de direitos
É importante destacar que nem o colar de girassol nem a Carteira CadPcD concedem, por si só, gratuidade ao transporte público. Mais do que identificar uma deficiência, esses recursos ajudam a tornar visíveis necessidades que nem sempre podem ser percebidas. Por isso, é fundamental respeitar quem utiliza o colar ou apresenta uma carteira de identificação, evitando julgamentos e constrangimentos.
Nem toda deficiência pode ser vista, mas toda pessoa merece ter seus direitos e necessidades respeitados.
Iniciativa busca promover educação para a cidadania a partir de atividades que incluem visitas guiadas, contação de histórias, oficinas e espetáculos
Apresentação do grupo Camerata Caipira
A conscientização sobre a preservação da fauna do Cerrado, apresentada de forma lúdica por meio da música, deu o tom do encerramento do projeto Infância Cidadã no auditório da Câmara Legislativa, nesta terça-feira (25). Com uma proposta lúdica e pedagógica, o grupo Camerata Caipira encantou crianças da Escola de Ensino Fundamental 17 de Ceilândia. O evento integra a 4ª Semana Legislativa pela Primeira Infância, promovida pela Escola do Legislativo (Elegis), que ocorre hoje e amanhã.
A apresentação do grupo reforça a iniciativa da Elegis, que busca promover educação para a cidadania com estudantes de quatro a seis anos de idade, a partir de atividades que incluem visitas guiadas aos espaços da CLDF, contação de histórias, oficinas e espetáculos musicais.
A exibição reuniu ritmos como xote, samba de roda e frevo para mostrar aos alunos a importância da preservação do Cerrado e de espécies nativas como o lobo-guará, o tamanduá, o tatu-canastra, a anta e o teiú.
Alunos do EC 17 de Ceilândia particiaram da apresentação
Instituída pela Resolução nº 357/2025, de autoria da deputada Paula Belmonte (PSDB), a Semana Legislativa pela Primeira Infância integra oficialmente o calendário anual da CLDF. “Ver a Semana Legislativa chegar à quarta edição mostra que essa agenda se consolidou e continua cumprindo o propósito para o qual foi criada: manter as crianças no centro das políticas públicas”, destaca Belmonte.
A distrital ressalta ainda que a primeira infância precisa ser prioridade do Estado. “É nesse período que construímos bases fundamentais para o desenvolvimento das nossas crianças e, consequentemente, para o futuro da nossa sociedade”, acrescenta.
A programação segue na tarde desta terça-feira e durante toda a quarta-feira (26), com uma conferência magna e uma meda redonda.
25 de agosto (terça-feira)
Local: Auditório da CLDF (com visita guiada aos espaços da CLDF)
• 8h às 11h | Projeto Infância Cidadã
• 14h às 17h | Projeto Infância Cidadã
26 de agosto (quarta-feira)
Local: Auditório da CLDF
• 8h30 | Credenciamento e acolhimento
• 9h | Abertura Institucional. Tema: Escutar para Construir: cultura democrática desde a infância
• 9h30 | Conferência Magna. Tema: Escutar para Reconhecer: a criança como sujeito histórico, cultural e de direitos
– Palestrante: Prof.ª Dra. Zoia Prestes
• 11h30 às 14h | Intervalo para almoço
• 14h | Recepção