Artigos
BRASIL E SUÉCIA
EMBAIXADORA MARIA EDILEUZA FALA DOS 200 ANOS DAS RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS E EXPÕE PARCERIAS NA ÁREA CULTURAL E CIENTÍFICA.


Maria Edileuza Fontenele Reis – Embaixadora do Brasil junto ao Reino da Suécia
Suécia e Brasil estão unidos por relações diplomáticas há 200 anos. Na memória brasileira, quem não se lembra da COPA do Mundo de 1958, quando o Brasil foi, pela primeira vez, Campeão do Mundo? E quantas vezes o jogo da final Brasil 5 x 2 Suécia, com os gols antológicos de Pelé, reprisado até hoje nas televisões do mundo inteiro? Mais recentemente, a jogadora Marta integrou a seleção sueca por quase uma década e prestou importante contribuição ao exitoso futebol feminino da Suécia. Pois é, neste ano de 2026, Brasil e Suécia celebram o bicentenário de suas relações diplomáticas. Foram muitos os vínculos construídos pelos dois países ao longo de dois séculos, lastreados em valores e princípios. Muitas ações, negócios e eventos são compartilhados, como o compromisso mútuo com a democracia, a defesa dos direitos humanos, o fortalecimento do multilateralismo e do estado de direito, a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável.

Brasileiros e esportistas do mundo inteiro guardam na memória a Seleção que ganhou a Copa do Mundo de 1958, na Suécia.
Sobre essa base repousam também uma parceria econômica robusta e dinâmica e uma cooperação frutífera em inovação em diferentes áreas.
A parceria estratégica entre o Brasil e a Suécia, lançada em 2009, expressa-se de forma eloquente no setor aeronáutico, com a produção conjunta de caças Gripen e a aquisição, pela Suécia, de aeronaves de transporte da Embraer C-390 Millenium, configurando avenida de mão dupla em relação mutuamente benéfica. Nesse contexto, destaca-se o lançamento, em Gavião Peixoto, São Paulo, em março último, do primeiro avião supersônico produzido na América Latina.
A próxima visita à Suécia, em 2 de junho, do Ministro da Defesa José Múcio Monteiro, inaugurará o primeiro Gripen F, de dois lugares, produzido no âmbito dessa virtuosa parceria.
PARCERIAS CULTURAIS E CIENTÍFICAS
O interesse científico também está na base do relacionamento bilateral. Ainda no final do século XVIII, o santista José Bonifácio de Andrada e Silva estudou mineralogia na universidade sueca de Uppsala. Suas pesquisas possibilitaram a identificação de doze novos minerais e valeram-lhe uma cadeira na Real Academia de Ciências do país.
Cerca de cem anos depois, o botânico sueco Carl Lindman viajou ao Brasil, onde retratou a flora tropical do nosso extenso país. Durante décadas, Lindman foi responsável pela seção de botânica do Museu de História Natural de Estocolmo, que até hoje mantém em seu acervo importantes espécimes e imagens da natureza brasileira.
O cineasta Arne Sucksdorff, ganhador do OSCAR de Hollywood, foi premiado com a Palma de Ouro em Cannes, com o filme que fez no Brasil “Meninos de Copacabana”. Sucksdorff morou no Brasil por 30 anos e foi o responsável pela revolução do Cinema Novo e a divulgação para o mundo do Pantanal Matogrossense.
PÁSSAROS E BIOMAS
Como metáfora da bem-sucedida cooperação entre o Brasil e a Suécia em aeronáutica, a Embaixada em Estocolmo, com o valioso apoio do Instituto Guimarães Rosa, e o Museu de História Natural de Estocolmo organizaram conjuntamente a exposição “Birds of Brazil” no quadro das celebrações dos 200 anos de relações diplomáticas que comemoramos em 2026.

A exposição “Birds of Brazil” homenageia a parceria entre o Museu de História Natural de Estocolmo e o Museu Nacional do Brasil.
A exposição incorpora ainda a apresentação dos seis biomas brasileiros, que abrigam a maior diversidade biológica do planeta, de forma a traduzir o compromisso dos dois países com o enfrentamento dos desafios das mudanças climáticas, em cujo contexto teve destaque a presença do rei Carlos XVI Gustavo na COP30, em Belém, em 2025.
EXPOSIÇÃO “BIRDS OF BRAZIL”

A rainha Silvia, da Suécia, participou da abertura da exposição, falou em português, e sua presença ao evento de celebração do bicentenário das relações diplomáticas traduz a atenção e o respeito que o povo sueco dedica ao Brasil.
A exposição “Birds of Brazil” também homenageia a parceria entre o Museu de História Natural de Estocolmo e o Museu Nacional do Brasil, estabelecida em 2023, no contexto da cessão de itens de mineralogia e botânica para a recomposição do acervo do museu brasileiro. As aquarelas em exposição são ilustradas por espécimes raros de pássaros brasileiros conservados por taxidermia no acervo do Museu sueco, que levavam anos longe dos olhos do público. Os visitantes podem apreciar um vídeo com imagens e informações sobre a fauna brasileira e alguns de seus ecossistemas. A exposição ficará aberta ao público até o final do mês de agosto deste ano.
Como tributo à sólida amizade entre o Brasil e a Suécia e a sua origem brasileira, a Rainha Sílvia nos honrou com sua presença na abertura da exposição, ocasião em que se dirigiu no idioma português (e em inglês) ao público presente. Sua presença no evento de celebração do bicentenário das relações diplomáticas entre os dois países traduz a atenção e o respeito que o povo sueco dedica ao Brasil.

A rainha Silvia demonstrou interesse grande pela exposição buscando se informar de cada detalhe dos trabalhos expostos.
Ao celebrarmos 200 anos de relações diplomáticas, lançamos também as bases para o terceiro século de nossa parceria com foco em inovação e sustentabilidade. Mineralogistas e botânicos abriram, há mais de duzentos anos, os caminhos pelos quais trilhariam instituições e empresas de ambos os países. Hoje, cerca de 20 mil brasileiros vivem na Suécia, atuando em empresas e instituições científicas e tecnológicas de ponta, como pesquisadores e em cargos de direção.
É comum ouvir português nos corredores dos laboratórios MAX IV e ESS, em Lund, assim como nos gabinetes de universidades em Estocolmo, Uppsala, Gotemburgo ou Luleå.
Celebrar o bicentenário de nossas relações diplomáticas é ampliar e aprofundar os horizontes das relações entre o Brasil e a Suécia em benefícios dos povos dos dois países.
Artigos
ATENÇÃO ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
DESDE 2003, o PNUMA CRIOU TEMAS, SLOGANS E LOCAIS DE COMEMORAÇÕES PARA O DO DIA MUNDIAL DO MEIO
Em junho do ano passado, o PNUMA alertou o mundo para a questão do uso, abuso e descarte dos materiais plásticos. Das mil e uma utilidades, o plástico virou o vilão da vida moderna, tomando o lugar dos metais, do vidro, da madeira e de outros materiais que, tradicionalmente, estiveram no cotidiano das pessoas. Neste ano de 2026, o PNUMA voltou seu olhar para a questão das alterações climáticas. A campanha global do PNUMA apela para que todos se envolvam no #AgoraPeloClima e que o mundo seja direcionado neste movimento.
ATENÇÃO ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
1 de junho de 2026
DESDE 2003, o PNUMA CRIOU TEMAS, SLOGANS E LOCAIS DE COMEMORAÇÕES PARA O DO DIA MUNDIAL DO MEIO
Em junho do ano passado, o PNUMA alertou o mundo para a questão do uso, abuso e descarte dos materiais plásticos. Das mil e uma utilidades, o plástico virou o vilão da vida moderna, tomando o lugar dos metais, do vidro, da madeira e de outros materiais que, tradicionalmente, estiveram no cotidiano das pessoas. Neste ano de 2026, o PNUMA voltou seu olhar para a questão das alterações climáticas. A campanha global do PNUMA apela para que todos se envolvam no #AgoraPeloClima e que o mundo seja direcionado neste movimento.

Segundo o Banco Mundial, urge adotar medidas para que os impactos causados pela mudança climática não levem mais 100 milhões de pessoas à pobreza até 2030. (Infográfico Iberdrola)
SLOGANS E LOCAIS
DAS COMEMORAÇÕES
Desde junho de 2003, a cada ano é escolhido um tema e um slogan para se comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente. O evento acontece em alguma cidade diferente. A data motiva as pessoas a participarem ativamente no desenvolvimento sustentável e equitativo, promoverem o papel das comunidades nas questões ambientais e desenvolverem maior cooperação. O objetivo é fazer com que as pessoas e os países desfrutem de um futuro mais saudável, próspero e seguro.
No ano passado, a celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente aconteceu em um momento em que os países avançavam na obtenção de um Tratado Global para acabar com a poluição por plástico, inclusive no ambiente marinho. Em novembro de 2024, a República da Coreia sediou a quinta sessão de negociações para desenvolver um tratado sobre poluição por plástico. Este ano, o Dia Mundial do Meio Ambiente terá o Azerbaijão como sede e a celebração global da campanha faz um apelo global sobre as alterações climáticas.
2026 – BAKU (Azerbaijão)
LEMA: “AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS”.
#AgoraPeloClima
2025 – Província de JEJU (República da Coreia)
LEMA: “COMBATE À POLUIÇÃO POR PLÁSTICO”.
< #BearPlasticPollution >
2024 – Riad (Reino da Arábia Saudita)
LEMA: “COMBATE À DESERTIFICAÇÃO, RESTAURO DA TERRA E RESILIÊNCIA À SECA”.
2023 – Abidjan, (Costa do Marfim)
LEMA: “SOLUÇÕES PARA A POLUIÇÃO PLÁSTICA”
2022 – Estocolmo (Suécia)
LEMA: “UMA SÓ TERRA” – ESTOCOLMO +50
2021 – Islamabad (Paquistão)
LEMA: “RESTAURAÇÃO DE ECOSSISTEMAS.”
2020 – Bogotá (Colômbia)
LEMA: “NA VIDA SELVAGEM SE CONCENTRA EM SUSTENTAR TODA A VIDA NA TERRA.”
2019 – Hangzhou (China)
LEMA: “A POLUIÇÃO DO AR É UM DESAFIO GLOBAL E URGENTE QUE AFETA A TODOS.”
2018 – Mumbai (Índia)
LEMA: “POLUIÇÃO PLÁSTICA”
#AcabeComAPoluiçãoPlástica
2017 – BRASIL
LEMA: “CONECTANDO AS PESSOAS À NATUREZA – #EstouComANatureza.
2016 – Luanda (Angola)
LEMA: “COMBATE AO COMÉRCIO ILEGAL DE ANIMAIS SILVESTRES”.
2015 – Milão (Itália)
LEMA: “SETE BILHÕES DE SONHOS. UM PLANETA. CONSUMA COM MODERAÇÃO”.
2014 – Bridgetown (Barbados)
LEMA: “AUMENTE SUA VOZ, NÃO O NÍVEL DO MAR”.
2013 – Ulan Bator (Mongólia)
LEMA: “A ECONOMIA VERDE É POSSÍVEL”.
2012 – Rio de Janeiro (Brasil)
LEMA: “ECONOMIA VERDE – ELA TE INCLUI?”
2011 – Mumbai e Nova Deli (Índia)
LEMA: “FLORESTAS: A NATUREZA A SEU SERVIÇO”.
2010 – Kigali (Rwanda)
LEMA – “MUITAS ESPÉCIES. UM PLANETA. UM FUTURO”.
2009 – México (México)
LEMA: “O PLANETA PRECISA DE VOCÊ. UNIÃO PARA COMBATER AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS”.
2008 – Wellington (Nova Zelândia)
LEMA: “KICK THE HABIT – RUMO A UMA BAIXA ECONOMIA DO CARBONO!”
2007 – Tromso (Noruega)
LEMA: “DERRETIMENTO DE GELO – UM TEMA QUENTE?”
2006 – Argel (Argélia)
LEMA: “NÃO ABANDONE OS DESERTOS”.
2005 – São Francisco (EEUU)
LEMA: “GREEN CITIES – PLANO PARA O PLANETA!”.
2004 – Barcelona (Espanha)
LEMA: “MARES E OCEANOS – DEAD OR ALIVE?”
2003 – Beirute (Líbano)
LEMA: “ÁGUA – DOIS MILHÕES DE PESSOAS MORREM POR CAUSA DELA”.
Artigos
AZERBAIJÃO SEDIARÁ A CELEBRAÇÃO GLOBAL
Dia Mundial do Meio Ambiente 2026, em 5 de junho, faz um apelo global para as alterações climáticas.
Dia Mundial do Meio Ambiente 2026
As alterações climáticas continuam na ordem do dia. A campanha global do PNUMA para celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente de 2026 concentra justamente nesse tema e nos sinais urgentes que a Terra está a enviar para todos os povos e, também, nas respostas que os países membros da ONU devem dar. A campanha global do PNUMA apela a todos para que nos envolvamos #AgoraPeloClima e que o mundo seja direcionado envolvido neste movimento.

2026 > #AgoraPeloClima – Dia Mundial do Meio Ambiente
Segundo mensagem do PNUMA, o planeta não discute. Não negocia. O aumento do nível do mar, os incêndios florestais devastadores, as ondas de calor, o derretimento das geleiras são sinais que estão sendo negligenciados. O limite era de um aumento de apenas 1,5° centígrados. Já foi ultrapassado. Durante décadas, o mundo ouviu a história do clima — alertas, metas, prazos distantes. Muitas vezes, a resposta foi ofuscada por ruídos: atrasos, distrações, negação.
Um novo sinal está colocando o mundo em alerta e deve ser ouvido e acatado com atenção. São pontos de inflexão positivos que estão criando raízes em todos os cantos do planeta: painéis solares se estendem pelos telhados. Turbinas eólicas alinham o horizonte. Cidades estão sendo redesenhadas para as pessoas. Florestas estão sendo reflorestadas.
AZERBAIJÃO É SEDE DA CELEBRAÇÃO
O Dia Mundial do Meio Ambiente, que Baku sediará em 5 de junho de 2026, é a maior plataforma global de engajamento e ação ambiental. Instituída pela Assembleia Geral da ONU em 1972, a data é celebrada por milhões de pessoas em todo o mundo. Com a realização de atividades e eventos online e presenciais, o objetivo é acelerar o progresso ambiental das pessoas e do planeta. Tendo o Azerbaijão como anfitrião, o Dia Mundial do Meio Ambiente 2026 se concentrará em temas relacionados às mudanças climáticas.
Marque o dia 5 de junho de 2026 como um dos maiores dias internacionais dedicados ao meio ambiente. Fique atento às atualizações, recursos e oportunidades para participar deste momento global de ação e esperança.
Quando se quer enganar a história, os fatos não fecham. E quando os fatos não fecham, nascem e renascem as hipóteses, os boatos, as mentiras, os rumores e o zumzum. E este zumzum, apesar de estar na canção alegre e predileta de Juscelino Kubitschek de Oliveira — Peixe Vivo — é de tristeza e revolta. Pois bem, o chamado “acidente” que matou JK no km 165 da rodovia Dutra, em 22 de agosto de 1976, há quase 50 anos, continua não fechando. E o assunto, longe de se esgotar, acaba de ganhar um novo e decisivo capítulo. Um país que não conhece seu passado não tem condições de erguer seu futuro.
Depois da atuação de diversas Comissões da Verdade (Nacional, estaduais, municipais), na década passada, o Ministério Público Federal realizou uma ampla e profunda investigação, com inúmeros depoimentos e duas perícias técnicas independentes. A divulgação dos resultados do Ministério Público Federal se deu, em 2021 e, depois de ter reiniciado suas atividades em 2023, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) foi instalada a se pronunciar sobre os novos resultados, bem como sobre o regime jurídico de reconhecimento das vítimas da ditadura.
A Comissão, criada por lei do governo FHC, na década de 1990, pode declarar a morte de Juscelino Kubitschek como “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964.”
A mesma declaração já consta, desde janeiro de 2025, da certidão de óbito de Rubens Paiva, o deputado do PTB que está no centro do filme brasileiro vencedor do Oscar, “Ainda estou aqui”, com base na Resolução CNJ nº 601/2024. Para entender esse momento histórico, conversei com Marco Aurélio Cezarino Braga, advogado, professor e pesquisador da Universidade de São Paulo, um dos organizadores do livro O Assassinato de JK pela Ditadura: Documentos Oficiais e integrante do Grupo de Trabalho Juscelino Kubitschek desde sua fundação”.
Marco Aurélio Braga, junto com os advogados Alessandro Octaviani e Lea Vidigal, organizaram o livro O Assassinato de JK pela Ditadura. (foto: Silvestre Gorgulho)
Por que o Caso JK voltou à tona com tanta força agora, em 2026?
Marco Aurélio Braga: Porque o trabalho acumulado ao longo de uma década finalmente encontrou o caminho institucional adequado. Hoje o Caso JK está formalmente instalado perante a CEMDP, que, pelo regime jurídico da memória e da verdade no Brasil, tem o poder-dever de aplicar o princípio ‘in dubio pro victima’ e de declarar a morte de JK como violenta e causada pelo Estado brasileiro.
Ao mesmo tempo, a Resolução CNJ nº 601/2024 criou o mecanismo operacional para a retificação das certidões de óbito, e em janeiro de 2025 a certidão de Rubens Paiva já foi retificada nesses termos. No Caso JK, esse é o passo seguinte natural e juridicamente necessário.
O que o inquérito do MPF trouxe de inédito ao debate?
O MPF fez um trabalho muito relevante, após os trabalhos também muito importantes das Comissões da Verdade: ouviu pessoas, como o chefe da Polícia Política chilena, Contreras, que afirmou a atuação conjunta das ditaduras no contexto da Operação Condor; ouviu o motorista Josias Oliveira e outras testemunhas, confirmando que jamais ocorreu colisão do ônibus com o Opala. Além disso, realizou duas perícias independentes, sobre a colisão e sobre os procedimentos médico-legais que demonstram, de maneira irretorquível, que a versão da ditadura foi uma farsa, com qualidade técnica sofrível. Essas provas devem ser analisadas pela Comissão sob o regime jurídico que é de sua competência aplicar: o da busca da verdade e da memória nacional, e de reconhecimento da hipossuficiência das vítimas.
Qual é a importância do princípio ‘in dubio pro victima’ para o desfecho do caso?
É o coração jurídico do processo. O princípio reconhece uma realidade que qualquer pessoa honesta precisa admitir: o próprio aparato de repressão foi construído para eliminar evidências, fabricar laudos, forjar versões. Exigir, quase 50 anos depois, a mesma prova plena que se exigiria num processo penal comum é premiar exatamente essa estratégia de ocultamento. É fazer o Estado se beneficiar dos seus próprios crimes.
No Caso JK, os elementos são avassaladores quando avaliados por esse critério. A notícia da morte foi plantada na imprensa dias antes de ocorrer. O laudo oficial foi considerado tecnicamente inepto pelo próprio Judiciário da ditadura. Existem documentos de serviços de inteligência estrangeiros registrando planos de eliminação de JK. Há testemunhos de ameaças recebidas. Tentativas de suborno e outras aberrações. O motorista do ônibus foi inocentado. Tudo isso, avaliado pelo ‘in dubio pro victima’, aponta numa única direção: a declaração pelo assassinato político, assim como ocorreu em precedentes da própria CEMDP, como Zuzu Angel, Abílio Clemente Filho, Vladimir Herzog.
O que a decisão da CEMDP sobre a morte de JK significa para o Brasil?
Significaria que o Estado brasileiro, finalmente, assume a verdade. Não como um gesto simbólico, mas como um ato jurídico com todas as consequências que isso implica — para a memória, para a reparação, para a história. Significaria também que a democracia tem memória longa o suficiente para não deixar impunes as mentiras que a ditadura fabricou.
E tem um significado que vai além do Caso JK. Cada vez que o Estado brasileiro diz “essa morte foi violenta, foi causada por nós, no contexto de uma perseguição sistemática”, ele está construindo uma barreira contra a repetição. Está dizendo às gerações que vêm depois que aquilo teve nome, teve vítima, teve responsável — e teve consequências. É por isso que esse processo importa. Não é sobre o passado. É sobre o país que queremos ser, o que vamos ensinar para nossos filhos e netos.
O “Caso JK” não é sobre o passado: é sobre o futuro do país – um país que não conta mentiras e diz que são verdades; um país em que podemos acreditar no Estado e nas autoridades; um país decente.
-
Artigos4 meses agoFestival inédito de cultura coreana chega a Brasília com show internacional
-
Artigos4 meses agoDIA MUNDIAL DA ÁGUA HISTÓRICO DAS COMEMORAÇÕES
-
Reportagens2 meses agoCLDF reajusta tabelas salariais de servidores do Detran-DF
-
Reportagens3 meses agoSessão solene entrega título de Cidadão Honorário a Sebastião de Carvalho Neto
-
Artigos3 meses agoA VENDA DOS OLHOS DE QUEM
-
Reportagens4 meses agoRessaca de Carnaval e cultura gratuita movimentam o fim de semana no DF
-
Reportagens4 meses agoNovo Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) entra em vigor
-
Reportagens3 meses agoSequenciamento pioneiro no Brasil avança no controle da murcha do ciclame