Reportagens
RenovaDF faz manutenção em viadutos e túneis no Plano Piloto
Os primeiros equipamentos a receber serviços de lavagem e limpeza, pintura das paredes e recuperação do teto são os elevados no fim da Asa Sul
Rafael Secunho, da Agência Brasília | Edição: Saulo Moreno
“É um trabalho diferenciado, feito à noite. Houve um pedido grande para se abrir vagas no período noturno porque muitos aprendizes estudam ao longo do dia e deu certo” – Thales Ferreira, secretário de Trabalho
Os aprendizes do RenovaDF estão agora investidos em uma nova missão: restaurar viadutos e também túneis do Plano Piloto, como o Buraco do Tatu – que liga o Eixo Rodoviário Sul ao Norte -, incluído numa segunda etapa dos serviços. São 100 alunos responsáveis pelo serviço, todos integrantes das turmas do período noturno do projeto, que acabam de ser criadas. Programa de qualificação profissional e recuperação de equipamentos públicos do governo, o RenovaDF completou quatro meses de atuação na Área Central de Brasília.
Os primeiros elevados que passam por um trato são os do final da Asa Sul. As passagens que dão acesso ao final do Eixão Sul, na altura da Quadra 216, na via chamada ERW Sul. Cai a noite, os aprendizes se concentram embaixo e sobre os três viadutos. O Detran cuida da sinalização no local para a execução dos serviços de lavagem, limpeza da área externa e da calçada, pintura das paredes, da fachada e a recuperação do teto das passagens.
Este é um serviço peculiar dentro do programa coordenado pela Secretaria de Trabalho (Setrab), onde as ações mais comuns são reformas de quadras poliesportivas, parquinhos e outros equipamentos. As turmas passaram pelo treinamento de trabalho em altura, chamado de NR 35, ministrado pelo Senai, e executam as ações ao lado de um instrutor. Desde as pinturas simples até aquelas com o auxílio do elevador (plataforma).
“Trata-se de um curso onde se aprende a usar a plataforma de trabalho aéreo, os riscos, como usar o cinto de segurança. Um preparo antes de eles virem para a rua”, explica o supervisor do Senai, Pedro Dias. “É um trabalho diferenciado, feito à noite. Houve um pedido grande para se abrir vagas no período noturno porque muitos aprendizes estudam ao longo do dia e deu certo”, explica o secretário de Trabalho, Thales Ferreira.
“Com esse aprendizado aqui, tenho mais oportunidades de fazer serviços diferentes, pintar estruturas altas. Estou achando muito interessante” – Jefferson Cordeiro, aluno ‘operário’ do RenovaDF
“O objetivo foi dar um ar de limpeza nessas grandes estruturas. São locais por onde muita gente passa, sejam motoristas ou pedestres. E os elevados estavam com muita fuligem no teto, nas paredes, além de pichações”, explica a subsecretária de Qualificação Profissional, Lucimar de Deus.
Abrindo o ‘leque de serviços’
Um dos ‘operários’ em ação nos viadutos é Jefferson Cordeiro, 26 anos, que já trabalhou com pintura. Mas, com o uso da plataforma, foi a primeira vez. “Com esse aprendizado aqui, tenho mais oportunidades de fazer serviços diferentes, pintar estruturas altas. Estou achando muito interessante”, observa ele. “Para nós, que moramos em Brasília, é um cuidado com a nossa cidade, com o que foi construído aqui”, diz o morador de Planaltina.
A freelancer Maria do Carmo Marques, 44 anos, também se empolgou com o nova tarefa. “O RenovaDF é uma das melhores coisas que já aconteceu pra mim e muitos colegas nesse período difícil de pandemia. E poder deixar novos esses viadutos aqui foi um desafio muito bom”, opina a moça. A passagem que liga o fim da L2 Sul aos eixinhos é o próximo destino dos alunos, que iniciaram recentemente o 5º ciclo do programa.

A motorista Cassia Nascimento, 52 anos, passa pelo local diariamente ao retornar para a Vila Telebrasília, bairro onde reside. “Ficou tudo lindo. É bacana ver esse tanto de gente na rua, trabalhando , pintando e cuidando de várias construções. Esse projeto é muito bom e lá na minha quadra tem uns 10 que participam e adoram”, opina.
Centros Olímpicos atendidos
Segundo a Setrab, já são 493 equipamentos recuperados pelo RenovaDF até o momento, por todo o Distrito Federal. Dez regiões administrativas já receberam o programa, que agora seguiu para o Varjão. Ele é dividido em ciclos: nos três primeiros, 3.022 pessoas foram formadas. Já no último dia 30 de março, foram mais 1.300 diplomados. Portanto, já são quase 4.500 pessoas qualificadas pelo governo desde o ano passado.
“Vale lembrar que, além do Plano Piloto, estamos trabalhando na recuperação dos equipamentos dos centros olímpicos do DF, como o de São Sebastião e o do Setor O. As quadras, campos e arquibancadas estão sendo renovadas após muitos anos sem manutenção”, conta Lucimar. Segundo ela, 1,5 mil aprendizes estão no momento na área central da capital.
As aulas do projeto são ministradas pelo Senai. Os alunos recebem ainda bolsa de R$ 1,1 mil, vale-transporte e seguro contra acidentes pessoais.
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Moraes dá 48 horas para Bolsonaro informar se autorizou vídeo com IA
Produção foi apresentada no sábado em convenção do Partido Liberal
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (28) que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro se manifeste, no prazo de 48 horas, sobre a utilização de sua imagem e voz em um vídeo produzido por meio de inteligência artificial (IA) e exibido durante a Convenção Nacional do Partido Liberal (PL), realizada no último sábado (25).

Na decisão, Moraes afirma que é necessário esclarecer se Bolsonaro autorizou a produção e a divulgação do vídeo, que simulava um pronunciamento em apoio à pré-candidatura de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, à Presidência da República.
Segundo o ministro, a resposta é necessária para verificar se houve novo descumprimento das condições impostas ao ex-presidente durante a prisão domiciliar humanitária. Se essa hipótese for confirmada, Bolsonaro corre o risco de ter o benefício revogado.
Caso ele não tenha autorizado a produção do vídeo, Moraes aponta eventual grave desrespeito à legislação eleitoral por parte de Flávio Bolsonaro e do PL, podendo, inclusive, acarretar em inelegibilidade.
“Se não houve autorização do custodiado Jair Messias Bolsonaro para utilização de sua imagem e voz para declarações político-eleitoral, além de constituir desrespeito à ordem judicial por Flávio Nantes Bolsonaro e pelo Partido Liberal (PL), tal conduta poderá tipificar a denominada ‘deep fake’, prática expressamente vedada pela legislação eleitoral, um vez que, haverá a caracterização de criação ou divulgação de conteúdo sintético destinado a associar artificialmente a imagem, a voz ou a manifestação de determinada pessoa a candidato, partido ou causa política, sem sua expressa autorização”.
Na decisão desta terça-feira, Moraes lembra que Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar humanitária, está com os direitos políticos suspensos em razão de condenação criminal definitiva por tentativa de golpe de Estado e está proibido de divulgar manifestações político-eleitorais, inclusive por intermédio de terceiros.
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Exposição dos Povos da Floresta chega a Brasília e ocupa Memorial dos Povos Indígenas
Em cartaz a partir de quarta-feira (29), mostra tem entrada gratuita e reúne artistas indígenas, povos tradicionais e diferentes expressões da arte amazônica
Por
Agência Brasília | Edição: Plácido Fernandes
Brasília recebe, a partir desta quarta-feira (29), a Exposição dos Povos da Floresta, uma mostra que reúne artistas de diferentes territórios da Amazônia em um encontro entre arte, ancestralidade, território e memória. Integrando a Etapa Brasília do Festival dos Povos da Floresta, a exposição ocupa o Memorial dos Povos Indígenas (MPI), com visitação gratuita até 27 de setembro.
Idealizado pelo Centro de Inovação da Amazônia (Rioterra), o Festival dos Povos da Floresta promove a circulação de artistas, mestres tradicionais e comunidades originárias, ampliando o acesso às múltiplas expressões culturais amazônicas em diferentes regiões do país. A cerimônia de abertura será na terça-feira (28), das 19h às 21h, marcando o encontro de artistas, curadores, convidados e público em uma celebração da diversidade cultural brasileira.
A exposição reúne fotografias, pinturas, esculturas, instalações, registros audiovisuais, experiências em realidade virtual e curtas-metragens, construindo um percurso sensorial que aproxima o visitante das diferentes narrativas e modos de vida presentes na Amazônia.
Entre os destaques estão obras de Gustavo Caboco, Paula Sampaio, Will Arehj, Wauto Am, além do acervo fotográfico da Rioterra com trabalhos de Marcela Bonfim, Alexis Bastos, Fred Bastos, Alexandre Rotuno e do próprio Will Arehj.
A mostra também reúne artistas de Rondônia, Roraima, Amapá e Pará, refletindo a diversidade estética, cultural e territorial da região amazônica. Participam nomes como Saulo de Souza, Rafael Prado, Evandro Câmara, Bototo, Avener Prado, Isaías Miliano, Pedro Macuxi, Kaiwino Wiz (Georgina), Vinícius Kenede, Caripoune Yermollay, Ya Juarez, Keyla Palikur, Thay Ptit, Hugo Figueiredo e Gilson Tupinambá, entre outros.
Ao longo de sua trajetória, a Exposição dos Povos da Floresta percorreu Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Macapá (AP) e Belém (PA), incorporando novas ocupações artísticas e diferentes olhares curatoriais em cada território. Em Brasília, essas experiências convergem em uma exposição que sintetiza os diálogos construídos ao longo do projeto, sob curadoria de Isabela Bastos e Lucas Baim.
Mais do que apresentar obras de arte, a mostra propõe uma reflexão sobre a pluralidade dos povos amazônicos, evidenciando suas memórias, cosmologias, formas de resistência e modos de produzir conhecimento por meio da arte.
Programação audiovisual e realidade virtual
Além das obras expostas, o público poderá assistir a uma seleção de curtas-metragens produzidos em Rondônia, Roraima, Amapá e Pará, com narrativas que dialogam com os temas da exposição e ampliam a experiência do visitante.
A programação inclui ainda uma imersão em realidade virtual composta por quatro experiências audiovisuais que apresentam paisagens, saberes e vivências da Amazônia, permitindo ao público conhecer diferentes territórios por meio de tecnologia imersiva.
Comprometida com a democratização do acesso à cultura, a exposição contará com recursos de acessibilidade, incluindo intérpretes de Libras e audiodescrição das obras por meio de QR Code.
Ao reunir diferentes linguagens artísticas, territórios e experiências culturais, a Exposição dos Povos da Floresta reafirma o compromisso do festival em fortalecer o protagonismo dos povos amazônicos e ampliar a circulação de suas produções, aproximando o público brasileiro da riqueza artística e cultural da região.
Serviço
Exposição dos Povos da Floresta
⇒ Local: Memorial dos Povos Indígenas (MPI)
⇒ Cerimônia de abertura: terça-feira (28), das 19h às 21h
⇒ Visitação: de quarta-feira (29) a 27 de setembro
⇒ Funcionamento: terça-feira a domingo, das 9h às 17h
⇒ Entrada gratuita.
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