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“Brasília precisa se preparar para a mudança do clima”, alerta Mercedes Bustamante

Uma das maiores autoridades em mudança climática, a professora da Universidade de Brasília alerta que a capital do país terá “o aumento de eventos extremos de precipitação e temperatura” por causa da degradação ambiental

 

“Estamos vivendo retrocessos gravíssimos na questão ambiental, conduzidos pelo Executivo e pelo Legislativo.” A constatação da bióloga Mercedes Bustamante, professora titular da Universidade de Brasília (UnB), membro da Academia Brasileira de Ciências e atualmente uma das principais referências no bioma cerrado.

Ela explica que tais retrocessos impactam sobretudo no cerrado, bioma que conta com a menor extensão de unidades de conservação e está, portanto, menos protegido nos marcos regulatórios. “Estamos vendo recrudescimento do desmatamento e da degradação.”

Os impactos dessas políticas retrógradas já podem ser vistos e tendem a piorar. Segundo Mercedes, a nível local, importantes unidades de conservação no DF têm enfrentado pressões de degradação. E são elas que contribuem para a absorção de carbono, combatendo o aquecimento global, conservam água para as cidades e amenizam a temperatura e a baixa umidade relativa.

“Brasília é uma cidade que precisa se preparar para a mudança do clima e o aumento de eventos extremos de precipitação e temperatura. A manutenção das áreas verdes e de cerrado, redução da impermeabilização dos solos, o cuidado com as populações mais vulneráveis são componentes importantes de um plano de adaptação”, diz nesta entrevista ao Correio.

Ela chama à responsabilidade o setor privado, em particular o agronegócio, que tem um papel muito importante para conservar e restaurar o cerrado. “Podemos intensificar o uso da terra de forma sustentável e aumentar a eficiência dos processos produtivos. A conservação em nível da propriedade pode ir além das demandas legais sem comprometimento da produção de alimentos”, explica.

Mercedes destaca ainda que “segurança alimentar é mais do que produzir”, e, sim, incluir qualidade e saúde do alimento e do meio ambiente, além da distribuição justa. “É um contrassenso ser uma potência exportadora de commodities agrícolas com tantas pessoas em situação de fome e insegurança alimentar.”

Por que o cerrado é considerado um bioma de segunda categoria, sendo, para muitos, o “patinho feio” dos ecossistemas brasileiros?

Tendemos a associar o valor dos biomas à cobertura florestal. Ou seja, florestas densas são vistas como ambientes mais ricos e como prioritários para conservação. Dessa forma, a necessidade de conservação dos biomas não florestais acaba sendo menos considerada. O processo de ocupação colonial do cerrado também priorizou os recursos minerais e, posteriormente, o incentivo foi para o uso agropecuário, desconsiderando outras possibilidades de economia com base nos ricos recursos biológicos do bioma.

Amazônia e Pantanal são muito comentados quando se fala de evitar o aquecimento global. Como fica o cerrado?

O cerrado já está sendo impactados pelo mudança do clima em interação com as mudanças locais de uso do solo. Já observamos aumento da temperatura superficial e redução da umidade. As projeções compiladas pelo último relatório do IPCC apontam para temperaturas mais altas, atraso do período chuvoso e maior ocorrência de incêndios. Já em 2022 estão quebrando recordes de ocorrência de queimadas.

Como vê o cuidado com o cerrado a partir do nosso quintal, o Plano Piloto?

Brasília é uma cidade que precisa se preparar para a mudança do clima e o aumento de eventos extremos de precipitação e temperatura. A manutenção das áreas verdes e de cerrado, redução da impermeabilização dos solos, o cuidado com as populações mais vulneráveis são componentes importantes de um plano de adaptação. Adicionalmente, temos importantes unidades de conservação no DF que vêm enfrentando pressões de degradação, o que precisa ser revertido. Tais unidades de conservação contribuem para a absorção de carbono, combatendo o aquecimento global, conservam água para as cidades e amenizam a temperatura e a baixa umidade relativa.

Já superamos a ignorância e o preconceito contra o cerrado? Qual a singularidade da beleza do cerrado?

A ciência tem avançado muito no conhecimento sobre o cerrado e as instituições de pesquisa do DF têm conduzido importantes pesquisas. Precisamos seguir com o financiamento consistente da ciência para gerar as soluções que necessitamos para as próximas décadas que demandarão muitos ajustes da sociedade e da economia.

O que é urgente fazer para salvar o cerrado?

Temos três frentes importantes: parar o desmatamento, restaurar os passivos ambientais (áreas degradadas) e incentivar o planejamento territorial e práticas sustentáveis com o olhar para as demandas do futuro e não com a visão das décadas passadas que já não servem como exemplo dos desafios que vamos enfrentar.

A educação sobre o cerrado nas escolas é satisfatória? Como poderia ser melhorada?

De forma geral, precisamos levar mais informações sobre nossos biomas para as escolas e para os livros didáticos. Hoje, há iniciativas muito significativas no âmbito da universidade para incorporar isso na formação de novos professores e para produzir novas ferramentas que, de forma lúdica, apresentem o cerrado às nossas crianças e jovens.

Como avalia o nível de consciência ambiental da classe política e qual o impacto dessa consciência nas decisões sobre o cerrado?

Infelizmente, estamos vivenciando retrocessos gravíssimos na conservação ambiental, tanto conduzidos pelo Executivo como pelo Legislativo. Como o Cerrado conta com menor extensão de unidades de conservação e está menos protegidos nos marcos regulatórios, estamos vendo recrudescimento do desmatamento e da degradação.

O futuro, se houver futuro, será de uma economia verde. Como o agronegócio terá de se adaptar ou se reinventar para entrar em sintonia com esse novo tempo?

Não há dúvida que o setor precisará incorporar novas práticas em consonância com as demandas de sustentabilidade e para a própria sobrevivência econômica pois é um setor altamente dependente dos recursos naturais. A conservação é parceira da produção agropecuária.

O agronegócio cresceu sacrificando o segundo maior bioma brasileiro. O que se pode fazer ainda para salvar o pouco que restou? Como conciliar o papel do cerrado como grande produtor de alimentos e ao mesmo tempo proteger as áreas ainda preservadas?

O setor privado, em particular o agronegócio, tem um papel muito importante para conservar e restaurar o cerrado. Podemos intensificar o uso da terra de forma sustentável e aumentar a eficiência dos processos produtivos. A conservação, em nível da propriedade, pode ir além das demandas legais sem comprometimento da produção de alimentos. É preciso também destacar que segurança alimentar é mais do que produzir. Deve incluir qualidade e saúde do alimento e do meio ambiente e sua distribuição justa. É um contrassenso ser uma potência exportadora de commodities agrícolas com tantas pessoas em situação de fome e insegurança alimentar.

A Amazônia já definiu determinados regramentos voluntários e o cerrado tem algum inventário que digam respeitam a quanto emite de gás do efeito estufa?

As emissões do cerrado são contabilizadas pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações, que é responsável pela elaboração do Inventário Nacional de Emissões enviado à Convenção Quadro da Nações Unidas para Mudança do Clima. Temos também iniciativas da sociedade civil que monitoram as emissões dos biomas brasileiros, incluindo o cerrado. As estimativas convergem ao indicar a grande contribuição do desmatamento para as emissões do Brasil.

Acredita que parte dos produtores já começa a entender a importância de proteger o cerrado, sabendo que rios estão secando, nascentes destruídas, espécies ameaçadas de extinção?

Há produtores que estão empenhados em conduzir suas atividades com base no respeito aos limites naturais e contribuindo para que os ecossistemas continuem provendo água, polinizadores, controle de pragas e regulação climática. Precisamos dar mais destaque a esses novos modelos e mostrar que podem ser aplicados em escala.

Bruno Pereira e Dom Phillips morreram vítimas do crime organizado na Amazônia. O que é preciso fazer, além de levar à Justiça os responsáveis pelo duplo assassinato?

A justiça é um imperativo nesse caso e também nos outros assassinatos de servidores públicos e defensores ambientais. Mas precisamos também desmontar as estruturas que estão sustentando a violência e o crime organizado na Amazônia.

O que se desenha para o meio ambiente em caso de vitória de Bolsonaro? As propostas de Lula para o meio ambiente são satisfatórias?

A eleição de 2022 pode representar um ponto importante de inflexão das políticas ambientais. Claramente, o desmonte dos regramentos e das estruturas de proteção tem gerado impactos para a população brasileira e para a percepção internacional do país. Isso precisa urgentemente ser revertido. Eu espero que todos os candidatos considerem a questão socioambiental como central para a retomada do desenvolvimento do país.

Em depoimento no Senado, o líder indígena Jader Marubo fez duras críticas à Funai. E disse que até o momento não há proteção para indigenistas e servidores. A Funai é vítima ou cúmplice dessa situação?

Aqui é importante separar a direção, que é temporária e que não tem cumprido com sua missão, e a instituição, formada por seu corpo de servidores de carreira que tem enfrentado pressões dos mais diversos tipos e níveis ao tentar atuar de acordo com suas funções. Precisamos que a Funai volte aos trilhos do cumprimento de sua missão pública e de proteção dos povos indígenas.

O caso Dom e Bruno cairá no esquecimento?

Eu espero fortemente que não e nós vamos seguir lembrando. A investigação e a justiça precisam ser rápidas e certeiras. A sociedade brasileira espera respostas e um indicativo de que defensores ambientais, indigenistas e jornalistas não devem viver sob ameaça no país.

A oposição conseguiu obstruir, momentaneamente, o PL do Veneno. O que pensa do assunto?

O tema tem consequências muito profundas para a saúde ambiental e humana e que podem permanecer conosco por muito tempo. Há necessidade de um debate amplo, bem informado e transparente. Novamente, a ciência pode fornecer importantes subsídios e é importante que os espaços de discussão com a sociedade civil sejam criados e respeitados.

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Pesquisa identifica oito planetas candidatos a ter vida extraterrestre

Estudo foi feito por pesquisador brasileiro no Observatório Nacional

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Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

Um pesquisador brasileiro identificou oito planetas localizados fora do Sistema Solar, os chamados exoplanetas, que têm uma possibilidade maior de ter água em estado líquido e, consequentemente, permitir o desenvolvimento de vida. O levantamento foi feito pelo cientista Fábio Calabrio Evangelista da Silva, sob a orientação do professor Marcelo Borges Fernandes, do Observatório Nacional.

Silva analisou as informações de mais de 6 mil exoplanetas já descobertos até agora, a partir de um banco de dados da Nasa, a agência espacial estadunidense. Ele examinou informações como raio, densidade e distância em que orbitam em relação à estrela.

A partir dessas informações, conseguiu identificar aqueles que têm um raio e densidade semelhantes aos do planeta Terra. Separou também aqueles que estão na chamada zona de habitabilidade.

“A zona de habitabilidade é uma zona que possibilita a água líquida porque não é nem tão quente, mais próximo da estrela, e nem tão frio, para longe da estrela. Então é a zona perfeita. A gente chama de Goldilocks Zone, a Zona dos Cachinhos Dourados”, explica Silva.

Por fim, estimou as características da atmosfera, além da pressão e temperatura da superfície. Silva, então, elencou os oito exoplanetas mais parecidos com o nosso, portanto, com maiores possibilidades de possuir água em estado líquido e sustentar vida.

“A Terra é o único exemplo que a gente vai ter, por enquanto, para se definir vida, para se definir quais são as características necessárias para se ter água líquida”, afirma o pesquisador, que apresentou seu trabalho nesta semana, na 6ª edição do Astrobion, evento sobre astrobiologia organizado pelo Observatório Nacional, no Rio de Janeiro.

Dos oito exoplanetas, o mais parecido com a Terra é chamado de GJ 1002b, que, segundo a pesquisa do Observatório Nacional, tem 98% de similaridade com o nosso planeta.

Descoberto em 2022, o GJ 1002b, localiza-se a 16 anos-luz do nosso planeta (ou seja, a luz leva 16 anos para fazer o trajeto entre os dois planetas). Ele orbita uma estrela anã-vermelha (tipo M), que é mais fria que o Sol. Cada volta em torno da estrela, leva apenas 10 dias.

Busca por extraterrestres

“A gente está buscando um planeta que tenha condições similares à Terra. Mas isso não quer dizer que seja o único lugar possível de ter vida no universo, porque podem existir outras formas de vida que a gente ainda não conheça e que precisem de características químico-físicas diferentes”, ressalta o professor Marcelo Borges Fernandes.

A possibilidade de haver vida fora da terra é parte do imaginário popular há séculos. Na Grécia Antiga, pensadores já especulavam sobre a possibilidade de haver vida na Lua. A busca por organismos extraterrestres ganhou força com o início da corrida espacial, entre os anos 50 e 60.

Nas primeiras décadas, no entanto, a busca se focou em nosso Sistema Solar, em especial naqueles corpos celestes mais próximos da Terra, como a própria Lua e o planeta Marte, e na recepção de sinais enviados por eventuais civilizações extraterrestres.

Em 1992, no entanto, os primeiros exoplanetas, chamados de Poltergeist e Phobetor, foram descobertos. De lá para cá, foram mais de 6 mil descobertas na nossa galáxia, elevando assim o número de locais onde a vida pode ter se desenvolvido.

A busca por vida nesses locais, no entanto, é uma tarefa difícil, uma vez que todos eles estão a anos-luz da Terra, o que inviabiliza, pelo menos com a tecnologia existente, que sejam visitados. O estudo desses exoplanetas é feito por meio de observações intermediadas pela estrela à qual eles orbitam.

A forma de verificar a possível existência de vida nesses casos é através do exame da atmosfera desses exoplanetas. Telescópios, como o James Webb, possuem equipamentos que analisam as ondas de luz emitidas pela estrela quando o planeta está transitando em frente a ela. Esses aparelhos conseguem perceber as variações ocorridas quando elas interagem com a atmosfera do exoplaneta, já que cada substância química tem sua própria marca.

“Com alta resolução espectral, você pode ver se existe uma atmosfera, determinar a composição química da atmosfera e, com isso, você vai juntando cada pecinha do quebra-cabeça de forma tentar definir se aquele planeta pode ter condições ideais para existência da vida ou não”, explica Fernandes.

O que os cientistas que buscam vida fora da Terra, os chamados astrobiólogos, buscam são as chamadas bioassinaturas. São substâncias ou uma combinação delas que, na Terra, são comumente produzidas pela ação de mecanismos biológicos, como é o caso da coexistência dos gases metano e oxigênio.

Recentemente um estudo liderado pela Universidade de Cambridge analisou a atmosfera do exoplaneta K2-18b e encontrou sinais de metano e dióxido de carbono. Também foi detectada uma assinatura que poderia ser sulfeto de dimetila (DMS), uma molécula que, na Terra, é produzida apenas por seres vivos, como os fitoplânctons.

Como este é um planeta que tem probabilidade de ser coberto por um oceano de água global, veículos de imprensa noticiaram que cientistas haviam descoberto sinais de vida em um planeta distante.

Evidências

O problema é que muitas das bioassinaturas, inclusive as substâncias encontradas em K2-18b, poderiam ser produzidas também por meios abióticos, como processos geológicos ou radiação.

“A gente tem que ter sempre muito cuidado para analisar isso e comparar com o único exemplo que a gente tem, que é a Terra, para saber se a única explicação seria uma fonte de vida ou se pode ser de fontes geológicas ou atmosféricas não ligadas à vida, que reproduziriam aquela possível bioassinatura”, ressalta Fernandes.

De acordo com o pesquisador do Laboratório Analítico de Astrobiologia da Nasa José Aponte, encontrar bioassinaturas de forma isolada no espaço não é sinal inequívoco de vida. “Nenhuma análise, por si só, pode garantir uma confirmação definitiva [da existência de vida]. É preciso haver mais de uma linha de evidência para que isso aconteça”.

Aponte destaca que a combinação de três aspectos pode ser um forte indicador de que aquelas bioassinaturas são mesmo produzidas por seres vivos. O primeiro seria a repetição de moléculas no ambiente. “Se aquela molécula se repete exaustivamente e isso é consistente depois de várias medições, isso poderia representar uma bioassinatura”.

A segunda linha de evidências seria a predominância de um tipo de quiralidade. Moléculas quirais são aquelas que têm a mesma estrutura química, mas não são exatamente iguais. Algumas desviam a luz para a esquerda e outras, para a direita. Um bom exemplo para explicar isso são as mãos esquerda e direita. Elas são a imagem espalhada uma da outra, mas se formos sobrepô-las (ambas com as palmas para baixo), elas não se encaixam.

Na Terra, os organismos usam quase que exclusivamente os aminoácidos de configuração L (ou seja, são como nossa mão esquerda), salvo poucas exceções. Já os açúcares são praticamente todos de configuração D (isto é, como a mão direita). “Então uma segunda linha de evidência seria encontrar a predominância de um tipo de molécula quiral [no lugar investigado]”.

E a terceira linha de evidências seria a análise de isótopos, isto é, elementos químicos que têm massas diferentes. Na Terra, a vida tem preferência pelos isótopos mais leves, como o carbono 12, em vez do carbono 13, e pelo hidrogênio em vez do deutério (isótopo mais pesado do hidrogênio).

“Bioassinaturas em outros lugares também poderiam ser ricas nos isótopos mais leves. Então, não se trata apenas de encontrar uma única molécula, mas sim de encontrar mais de uma linha de evidência combinada”, explica o pesquisador da Nasa.

Ingredientes da vida

Mesmo aquelas moléculas orgânicas que são chamadas de ingredientes da vida, como os aminoácidos ou as bases nitrogenadas que formam nosso código genético, não podem ser consideradas provas da existência de vida extraterrestre.

Aponte é parte do grupo de cientistas que analisou amostras de rochas coletadas por uma sonda no asteroide Bennu, que orbita próximo à Terra. Dezenas de moléculas orgânicas foram detectadas no corpo celeste, entre elas os três componentes dos ácidos nucleicos: fosfatos, o açúcar ribose (que é parte da estrutura do RNA, o ácido ribonucleico) e as cinco bases nitrogenadas que formam os nucleotídeos de todos os seres vivos: adenina, guanina, citosina, timina e uracila.

Também foram detectados, nada menos que 14 dos 20 aminoácidos usados na produção de proteínas pelos organismos terrestres, inclusive o triptofano, que nunca havia sido observado em amostras extraterrestres.

Nada disso, no entanto, é sinal de vida extraterrestre, já que essas moléculas podem ter sido formadas de forma abiótica pela ação de radiação ou de reações químicas em um ambiente aquoso, há centenas de milhões de anos.

“No caso de encontrarmos um composto do tipo nucleotídeo ou uma cadeia de RNA, a história é outra. Isso poderia ser uma evidência mais robusta, porque moléculas como essas são muito frágeis e se decompõem muito rapidamente em termos geológicos”, afirma Aponte.

Expectativas

Apesar das dificuldades para se localizar vida fora da Terra, há grandes expectativas em relação a futuras missões não tripuladas dentro do próprio Sistema Solar, como a Europa Clipper, que deve chegar, em 2030, a Europa, satélite que orbita Júpiter. Há indícios de que, sob a crosta de gelo dessa lua joviana, exista um oceano de água salgada, que pode ter condições de abrigar vida.

Outra missão, a Dragonfly, deverá ser lançada em 2028, rumo a Titan, uma das luas de Saturno, que possui uma atmosfera possivelmente rica em nitrogênio, além de metano em forma líquida em sua superfície. O robô, que tem o mesmo nome da missão, deve chegar a Titan em 2034 e buscará indicadores químicos de vida baseada em água ou em hidrocarbonetos, como o metano.

Há expectativas também em relação a outra lua de Saturno, Enceladus, que, assim como Europa, também pode abrigar um oceano sob sua crosta de gelo; e a Marte, onde há calotas de gelo e possivelmente reservatórios subterrâneos de água.

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Voluntários transformam tempo em cuidado há 61 anos no Hospital de Base

Com 52 integrantes, serviço acolhe pacientes e ajudou a abrir caminho para outras iniciativas de voluntariado na unidade 

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Agência Brasília | Edição: Plácido Fernandes

Há 61 anos, o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) conta com pessoas que escolheram transformar tempo e disposição para ajudar em uma forma de cuidado. Criado em 1965, o Serviço Auxiliar de Voluntários (SAV) acompanha quase toda a trajetória do hospital, que completou 66 anos, e mantém o paciente no centro de sua atuação. Atualmente, 52 voluntários participam de atividades como acolhimento nos leitos, reiki, doação de kits de higiene e artigos hospitalares, além de ações voltadas à socialização e ao bem-estar. Ao longo de seis décadas, o SAV também ajudou a abrir espaço para a chegada de outras iniciativas de voluntariado ao HBDF.

Para ser voluntário, basta procurar o escritório do serviço no Hospital de Base para passar por uma entrevista. Outra opção é realizar o cadastro pelo site da entidade, preencher o formulário disponível e aguardar o contato da equipe. A presidente do SAV, Vandelícia Dias, ressalta que não é preciso ter experiência para participar, mas disposição para doar tempo.

Voluntários visitam paciente no Hospital de Base: “O primordial é o acolhimento, é ceder seu tempo para ouvir a outra pessoa. Pode ser que ele precise de alguém para conversar”, observa a presidente do SAV, Vandelícia Dias | Fotos: Divulgação

Para Vandelícia Dias, a essência desse trabalho está na disponibilidade para o outro. “O primordial é o acolhimento, é ceder seu tempo para ouvir a outra pessoa. Pode ser que ele precise de alguém para conversar”, afirma.

Desde 2010, a entidade alcança uma média de 3,7 mil acolhimentos a pacientes por mês, entre atendimentos realizados dentro do hospital e itens doados. Parte das ações é viabilizada com recursos obtidos por meio das vendas do bazar do SAV, abastecido por doações. “No que estiver dentro da nossa condição, nós sempre iremos ajudar. De pouquinho em pouquinho, nós vamos atendendo as demandas e espalhando o bem”, comemora Vandelícia.

 

Uma história construída dentro do hospital

Fundado pelo médico Oscar Moren, o SAV iniciou o trabalho com foco na pediatria e, ao longo dos anos, ampliou a atuação para outras áreas do Hospital de Base. Entre as frentes que ganharam destaque está a psiquiatria, onde são desenvolvidas atividades lúdicas voltadas para a socialização e o bem-estar dos pacientes.

Essa trajetória também contribuiu para fortalecer a presença do voluntariado na unidade. “O SAV e o Hospital de Base caminharam juntos desde o começo. Nosso trabalho abriu portas e permitiu que outras instituições também viessem para cá. Servimos de exemplo”, afirma Vandelícia.

Atividades lúdicas voltadas à socialização e ao bem-estar dos pacientes ganharam destaque nas atividades dos voluntários no HBDF

Ao mesmo tempo em que acolhe pacientes, o trabalho deixa marcas em quem escolhe dedicar parte da própria vida ao outro. Salete Paulina Malinski entrou para o SAV há 29 anos, depois de ouvir no rádio um anúncio que convidava pessoas para o voluntariado.

“Amo trabalhar com pacientes. A gente sempre consegue levar um pouco de alegria, um pouco de leveza. Gosto de me doar para os outros, de conversar e de trazer paz. Me sinto muito bem”, confessa.

Se Salete carrega quase três décadas de experiência, Rosimeire Costa representa quem está começando essa trajetória. Aposentada, ela decidiu dedicar parte do tempo livre ao voluntariado e integra o SAV há dois meses.

“Aqui, você consegue ser uma gotinha de coisas boas na vida de outras pessoas. É muito gratificante promover um momento de descanso, de alegria, de descontração a um paciente que está passando por um momento difícil. Isso traz sentido para a vida”, comemora.

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Câmara Legislativa realiza sessão solene em homenagem ao Beach Tennis e ao Tênis

Cerimônia está marcada para terça-feira (22), a partir das 19h, e terá transmissão ao vivo pela TV Câmara Distrital e pelo YouTube

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Foto: Francisco Arrais

Homenagem presta reconhecimento público a atletas, professores, treinadores, dirigentes e organizações que contribuem para o fortalecimento do Beach Tennis e do Tênis no DF

A Câmara Legislativa fará uma sessão solene, na próxima terça-feira (22), às 19h, em homenagem ao Beach Tennis e ao Tênis. De autoria do deputado Martins Machado (Republicanos), o evento visa destacar a relevante contribuição dessas modalidades para o desenvolvimento do esporte no Distrito Federal. A solenidade ocorrerá no plenário e será transmitida ao vivo pela TV Câmara Distrital.

De acordo com Martins Machado, além de promover hábitos saudáveis, as modalidades incentivam a disciplina, a superação de desafios e a convivência social. “A expansão dessas práticas esportivas também gera impactos positivos na economia local, por meio da realização de torneios, eventos, capacitações e atividades ligadas ao setor esportivo, promovendo oportunidades de trabalho e fortalecendo o turismo esportivo”, ressalta o distrital.

Ainda de acordo com o parlamentar, a homenagem representa o reconhecimento público aos atletas, professores, treinadores, dirigentes, organizadores de eventos, clubes e academias que contribuem para o fortalecimento do Beach Tennis e do Tênis no DF.

Agência CLDF

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