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Taguatinga celebra 65 anos com mais de R$ 500 milhões em investimentos

Recursos são investidos pelo GDF desde 2019 em áreas como mobilidade e educação; comemoração é marcada pela inauguração do Túnel Rei Pelé

 

Carolina Caraballo, da Agência Brasília I Edição: Débora Cronemberger

 

Taguatinga faz aniversário nesta segunda-feira (5) com muitas conquistas para mais qualidade de vida de seus moradores. No dia em que completa 65 anos, a cidade terá a inauguração do aguardado Túnel Rei Pelé. E esse não é o único presente de aniversário que seus mais de 200 mil habitantes vão ganhar. Obras nas áreas de educação, mobilidade urbana, esporte e lazer estão levando mais qualidade de vida para a região administrativa, com investimentos que superam os R$ 500 milhões desde 2019.

Mais de 137 mil motoristas que transitam diariamente pela área serão beneficiados pelo Túnel Rei Pelé, um investimento de R$ 275 milhões para melhorar o trânsito na região | Foto: Anderson Parreira/Agência Brasília

‌Ao longo de muito tempo, Taguatinga padeceu sem cuidados ou investimentos robustos. A situação mudou nos últimos quatro anos, quando obras de infraestrutura tomaram conta da região, segundo o administrador da cidade, Renato Andrade. “De lá para cá, ganhamos cerca de 70 km de calçada e 23 novos estacionamentos”, detalha. “Além disso, 40% das lâmpadas responsáveis pela iluminação pública foram trocadas por LED”.

‌“Não há melhor presente para a cidade do que a inauguração do Túnel Rei Pelé. É, sem dúvida, a maior obra do governo atual. A construção viária traz um grande aquecimento para a economia local. E acredito que vá virar uma atração turística”Renato Andrade, administrador regional de Taguatinga

‌A mobilidade urbana ganhou atenção especial do governo. Como acontece nas grandes cidades, o adensamento populacional em Taguatinga veio acompanhado de uma piora no trânsito. Não é à toa que a comunidade ansiava por ver o Túnel Rei Pelé sair do papel. Foram mais de dez anos de espera até que muita determinação e um aporte de aproximadamente R$ 275 milhões transformassem o sonho em realidade.

‌“Não há melhor presente para a cidade do que a inauguração do Túnel Rei Pelé. É, sem dúvida, a maior obra do governo atual”, garante Renato. “A construção viária traz um grande aquecimento para a economia local. E acredito que vá virar uma atração turística – muitos vão querer ver o túnel de perto, passear pelo seu boulevard”, completa.

‌Obras viárias

Com recursos de quase R$ 43 milhões, obras vão restaurar 10,8 km da Estrada Parque Contorno (DF-001), rodovia da qual o Pistão Sul faz parte | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

‌O Túnel Rei Pelé não é a única aposta do governo para melhorar a mobilidade urbana em Taguatinga. Em maio deste ano, começaram as obras que vão restaurar 10,8 km da Estrada Parque Contorno (DF-001), rodovia da qual o Pistão Sul faz parte. Recursos de quase R$ 43 milhões, provenientes de emenda parlamentar e de financiamento do Banco do Brasil, financiam serviços de terraplanagem, pavimentação, drenagem, sinalização e ciclovia.

A completa troca do pavimento vai consumir cerca de 20 mil toneladas de massa asfáltica. “Também serão feitas bocas de lobo ao longo da via. O Pistão Sul enfrentava muitos problemas de alagamento porque não tinha um sistema de escoamento”, observa Renato. “São investimentos que vieram na hora certa, porque a DF-001 é uma rodovia muito importante. Quem vem de Goiânia ou da Região Norte do país usa bastante essa estrada”.

“A gente vê uma melhoria grande no asfalto de várias vias, e a reforma no Pistão Sul também está ficando ótima. São bons os presentes que estamos recebendo nesses 65 anos da cidade”, afirma Edvaldo Brito, morador de Taguatinga há mais de 30 anos

‌Os mesmos serviços executados no Pistão Sul estão sendo feitos na Avenida Hélio Prates. A primeira etapa da obra, no valor de R$ 20.260.807, já está em andamento. “Concluímos a construção de duas bacias de retenção, uma com capacidade para 22 mil litros de água e a outra para 11 mil litros, ambas dentro do Parque do Cortado”, informa o administrador da cidade. “As galerias que ligam o parque à Hélio Prates, até a altura do Taguacenter, também estão prontas.”

‌Morador de Taguatinga desde 1990, Edvaldo Brito garante que já vê diferença ao dirigir pela região. “A gente vê uma melhoria grande no asfalto de várias vias, e a reforma no Pistão Sul também está ficando ótima. São bons os presentes que estamos recebendo nesses 65 anos da cidade”, comemora o jornalista de 67 anos. “Aos poucos, Taguatinga volta a ser um lugar confortável para se viver”.

‌Educação e lazer

Praça do DI foi totalmente reformada e entregue à comunidade em março deste ano | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

‌O ano letivo em Taguatinga começou com a reforma de 11 escolas da rede pública de ensino. Mas a maior conquista na área de educação veio em maio passado, quando foi assinada uma ordem de serviço para construção da primeira creche do Governo do Distrito Federal (GDF) na cidade. A estrutura, com capacidade para atender 188 alunos em tempo integral, será erguida na QNJ 56 de Taguatinga Norte, com investimento de R$ 5,4 milhões.

‌O novo espaço terá dez salas de aula, sendo duas salas com fraldário, quatro para alunos de 1 a 3 anos e quatro para alunos de 4 a 6 anos. A creche também vai abrigar lavanderia, rouparia, copa para funcionários, cozinha, despensa, refeitório, sala de professores, hall de entrada, secretaria, direção, almoxarifado, sala multiúso, pátio coberto, parquinho, estacionamento, playground e banheiros.

‌E, como nem só de escola se faz uma infância feliz, a Praça do DI foi devolvida à comunidade em março deste ano. O espaço foi totalmente reformado, com paisagismo, troca do piso, instalação de novos equipamentos públicos, reforma do parquinho infantil e reconstrução da pista de skate – um montante no valor de R$ 650 mil custeou a renovação, celebrada por crianças e adultos.

O empresário Ricardo Miranda, 28, frequenta a Praça do DI desde criança. E comemora a sua reabertura. “Está tudo pintado, mais limpo e organizado. Quem conhece o local há anos, como eu, vê muita diferença”, conta. “Aqui a gente encontra quadra esportiva coberta, os equipamentos estão bem-cuidados. É uma felicidade poder trazer meu filho para brincar e ainda praticar esporte enquanto ele está no parquinho”.

 

 

 

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Escritor Joaquim Arena preenche vazios de Europa negra invisibilizada

Autor participa do Clube do Livro do CCBB-RJ

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Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil

Revelar uma Europa negra, apagada das narrativas oficiais, é o que propõe o autor luso-cabo-verdiano Joaquim Arena, que revisita a presença de africanos e seus descendentes no continente europeu por meio do livro Debaixo da nossa pele (2017).

A partir de viagens por Portugal, arquivos e relatos, o escritor reconstrói trajetórias de personagens negros pouco conhecidos. A jornada também se cruza com a história da migração cabo-verdiana para Lisboa e com a trajetória do próprio escritor.

Arena nasceu na Ilha de São Vicente, em Cabo Verde, em 1964. É filho de pai português e de mãe cabo-verdiana e viveu grande parte da sua vida em Lisboa. Em Portugal, ele se formou em direito e iniciou a carreira em jornalismo.

O escritor está no Rio de Janeiro para participar do Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ), no centro da capital fluminense, às 17h30 desta quarta-feira (14).

Autor de seis romances, traduzidos em várias línguas, Arena escreveu Siríaco e Mister Charles, vencedor do Prémio Oceanos de Literatura, na categoria Prosa, em 2023. Atualmente, reside em Cabo Verde, na cidade de Praia.

Cabo Verde e Brasil

Com o tema “Romance histórico: onde a realidade encontra a ficção”, o encontro gratuito propõe uma conversa sobre memória, pertencimento, identidade e as marcas do passado colonial que permanecem no presente.

A partir da obra de Arena, o evento busca aproximar experiências históricas e culturais de Cabo Verde e do Brasil, dois países atravessados por deslocamentos populacionais, encontros entre diferentes culturas e pelas relações entre África e Europa.

O autor conta que Debaixo da nossa pele fala da miscigenação e da circulação dos povos da África para a Europa. O público poderá perceber semelhanças com a formação do Brasil.

“Debaixo da nossa pele fala dessa condição humana de deslocamento das pessoas de um país a outro, levadas por questões econômicas, sociais e políticas. O livro faz essa síntese, pois a circulação continua ainda hoje, é positiva, abre oportunidades de novas janelas de vida para muitas pessoas”, diz Arena.

 

Rio de Janeiro (RJ), 14/10/2026 – O escritor luso-cabo-verdiano, Joaquim Arena, que participará do Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB-RJ),  fala à Agência Brasil, no centro da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O escritor luso-cabo-verdiano, Joaquim Arena, que participará do Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB-RJ). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Preenchendo vazios

Para o escritor, a história tem um poder atrativo mais forte do que o presente.

“Sou levado a encontrar, no meio dos fatos históricos, os vazios. São esses vazios que eu pretendo preencher através da minha ficção. Aproveito episódios verídicos que são muito inspiradores para que nós imaginemos uma personagem. Fico com vontade de saber mais, senão eu invento a personagem”, afirma o autor.

Arena conheceu a literatura brasileira aos 12 anos, com a obra de Jorge Amado. Ele se identificou com o livro Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos, que também fez parte da sua formação. Para ele, foi uma porta de entrada de uma literatura que não era portuguesa, europeia nem africana.

“Nós, das antigas colônias portuguesas, recebemos a literatura brasileira como uma janela para um mundo muito semelhante ao nosso”.

“Jorge Amado, com sua Bahia, está na formação de muitos autores lusófonos na África. Depois, vamos crescendo e encontrando Guimarães Rosa, José Lins do Rêgo, Graciliano Ramos. O romance da década de 30 fala dos retirantes, da seca. É uma realidade muito próxima da nossa”, diz Arena.

O autor acredita que um clube de leitura é um reduto onde se mantém ainda uma magia e em que se ouve falar de invenções.

“Há um pacto do autor com o público. O escritor sabe que o que ele inventou não existiu. O leitor sabe que o romance saiu da imaginação. Isso cada vez mais num mundo acelerado, com redes sociais, com streamings”.

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Técnicos apresentam o andamento das metas fiscais do governo

Apresentação feita à CEOF mostra que, até agosto, receita corrente líquida do DF foi de R$ 28 bilhões, o que significa cerca de 72% da meta

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Foto: Felipe Ando/Agência CLDF

Com relação à despesa total empenhada, GDF gastou R$ 31 bilhões até agosto, dos R$ 47,6 bilhões previstos para o ano

A Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara Legislativa realizou audiência pública na manhã desta quinta-feira (15) para avaliar as metas fiscais do Governo do Distrito Federal nos primeiros 8 meses de 2026. Na ocasião, técnicos do governo apresentaram à comissão números referentes a receitas e despesas do GDF nos dois primeiros quadrimestres do ano em comparação às metas previstas nas leis orçamentárias. 

Confira a cobertura fotográfica no Flickr da CLDF

Com relação às receitas correntes, a previsão inicial para 2026 era de R$ 39 bilhões e o valor alcançado até agosto é de R$ 28 bilhões, o que significa um alcance de 71,85% da meta. As receitas de capital até agosto somam R$ 1,1 bilhão, enquanto a previsão inicial para 2026 era de R$ 726 milhões, o que representa 163,16% de alcance da meta. O total de receitas tributárias até agosto soma R$ 20,1 bilhões, enquanto a previsão para o ano era de R$ 25,4 bilhões, representando 79,29% da meta estabelecida. O ICMS, sozinho, representa 46,2% de toda a arrecadação com impostos e taxas. Com relação à despesa total empenhada, a dotação autorizada para 2026 era de R$ 47,6 bilhões, sendo que o governo gastou R$ 31 bilhões até agosto, o que representa 65,3% da dotação.

Para o deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil), presidente da CEOF, os números são positivos para o governo. “De maio a agosto, tivemos um incremento na casa de R$ 1 bilhão fruto da alienação de bens. Assim chegamos a 72% do total previsto a realizar de receita. Já temos um indicativo de que teremos excesso de arrecadação ao longo do último quadrimestre. Estamos chegando a quase 50% do saldo total previsto para investimentos no ano, que é de R$ 3,5 bilhões. Isso mostra que os investimentos não pararam mesmo diante de situações orçamentárias excepcionais”, avaliou.

Representando o governo, o assessor especial de política fiscal da Secretaria de Economia do DF, Luiz Barreto, ressaltou que o ano de 2026 foi impactado pelo déficit orçamentário do ano anterior. “O DF, nos últimos dois anos, apresentou déficit. E esse déficit teve impacto em 2026. Nós entramos em 2026 com quase R$ 3 bilhões de déficit. Por isso, a execução orçamentária de 2026 precisa priorizar o que é relevante, como saúde e educação. Até o presente momento temos um resultado primário de superávit de R$ 1,8 bilhão na Lei de Diretrizes Orçamentárias e déficit de R$ 1,5 bilhão na Lei Orçamentária Anual”, explicou.

O assessor também comentou os números relacionados a gastos com pessoal e repasses obrigatórios para a educação. “Até agosto tivemos um índice de 40,54% do orçamento destinado para gasto com pessoal, o que está dentro do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Sobre os mínimos empenhados em educação, a lei determina que ao final do exercício temos que atingir 25% e hoje estamos em 23%”, relatou Barreto. A íntegra da audiência pública está disponível no canal da TV Câmara Distrital no YouTube.

 

 

Eder Wen – Agência CLDF

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Debatedores alertam para diferentes formas de violência contra meninas

A audiência foi presidida pela senadora Leany Lemos (C)
Geraldo Magela/Agência Senado

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Crianças e adolescentes representam um terço dos usuários de internet no mundo. No Brasil, um em cada cinco adolescentes foi vítima de alguma forma de abuso ou exploração sexual facilitada pela tecnologia em 2025. A maioria das vítimas é formada por meninas, e a violência ocorre principalmente em aplicativos conhecidos, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A informação foi apresentada nesta quinta-feira (15) em audiência da Comissão de Direitos Humanos (CDH), que debateu os desafios das políticas públicas para garantir a proteção integral das meninas no país. Os participantes também alertaram para outras formas de violência contra meninas e defenderam medidas de prevenção e proteção.

O debate foi requerido pela presidente do colegiado, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), em alusão ao Dia Internacional da Menina, celebrado no domingo (11), por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU). A reunião foi presidida pela senadora Leany Lemos (PSB-DF), suplente da senadora licenciada Leila Barros (PDT-DF). Para Leany, é preciso prevenir violências e permitir que cada menina desenvolva plenamente as suas capacidades.

— Quantas meninas ouvem que a liderança não é para elas? Quantas assumem responsabilidades domésticas e do cuidado antes de terem condições de construir seus próprios projetos de vida, e nisso elas nem sonham ser outras coisas, porque elas não têm essas oportunidades? Quantas meninas, na maioria negras ou pobres das periferias e das regiões distantes do Brasil, enfrentam obstáculos ainda maiores para exercer esses direitos, que são direitos universais? Então, essas perguntas têm que orientar as nossas políticas públicas — afirmou.

Ambiente digital

A coordenadora-geral de Direitos Humanos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Fernanda Souza Carlos, afirmou que a exploração sexual de crianças e adolescentes exige novas estratégias de enfrentamento, diante da migração de parte dos crimes para o ambiente digital. Ela defendeu a articulação entre órgãos públicos e sociedade civil para ampliar a proteção às meninas.

— O crime que a gente via antigamente com as meninas, as crianças à beira da rodovia, hoje, a gente não vê mais. Esse crime está no digital. Então, cada vez mais fica mais complexo o combate aos crimes voltados à exploração sexual de crianças e adolescentes, porque, de certa forma, ele está invisível. Então, precisa-se de um trabalho muito maior, porque tem muita coisa que a gente não está vendo fisicamente aqui, mas está acontecendo pelo aparelho de celular, que todo mundo tem hoje em mãos — afirmou.

A diretora de Projetos Especiais da SaferNet Brasil, Juliana Cunha, alertou para o uso da inteligência artificial generativa na produção de material de abuso sexual contra crianças e adolescentes. Segundo ela, mulheres e meninas são as principais vítimas desse tipo de violência. A diretora afirmou que o caráter artificial do conteúdo leva parte da população a subestimar o crime, que provoca danos às vítimas.

O representante do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo de Lins e Horta, destacou mudanças na legislação brasileira, entre elas a entrada em vigor em 2025 do ECA Digital e da Lei 15.487, de 2026, que aumenta penas para crimes sexuais contra crianças e adolescentes na internet. Segundo ele, o país avançou no enfrentamento de crimes como a violência sexual on-line, o cyberbullying e a extorsão sexual, mas precisa garantir a implementação das normas e das políticas de proteção.

— A gente tem uma base legislativa sólida, o desafio é implementar toda ela — afirmou.

Outras violências

Coordenadora de Políticas Educacionais da ONG Associação Serenas, Graziela Larissa da Silva Santos chamou a atenção para comportamentos que podem ser tratados como brincadeiras, mas que violam os direitos das meninas. Segundo pesquisa da organização, sete em cada dez professores ouvidos presenciaram “cantadas” indesejadas dirigidas a meninas nas escolas, e 42% relataram ter visto alunos tocar ou acariciar o corpo de meninas sem consentimento. Ela defendeu a formação de professores e gestores para prevenir a violência, acolher as vítimas e encaminhá-las à rede de proteção.

A delegada-chefe adjunta da Polícia Civil do Distrito Federal, Cyntia Cristina de Carvalho e Silva, destacou que o atendimento não deve se limitar à investigação criminal. Para ela, é necessário articular os serviços de segurança pública, saúde e assistência social, considerando também situações de dependência financeira e os riscos enfrentados pelas vítimas após a denúncia.

— A proteção e a responsabilização precisam caminhar juntas — afirmou.

Os participantes ainda abordaram a gravidez na adolescência e seus impactos na trajetória escolar e profissional, além de questões relacionadas à saúde menstrual e à violência sexual dentro de casa.

Também participaram do debate a especialista em gênero e inclusão da Plan International Brasil, Ana Nery Lima; a coordenadora de Relações Governamentais do Instituto Alana, Tayanne Galeno; a gerente de Comunicação do Instituto Liberta, Renata Greco; e a gerente Meal e Estratégia da Organização Visão Mundial, Manuela Franchini Melani.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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